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A interconectividade da vida: Ciência, não dualidade e outros bichos

Como é nos reconhecermos não mais como um eu indivisível, mas como uma multidão complexa de seres vivos,  bactérias, parasitas, fungos, atuando silenciosamente e decidindo o nosso destino?

 


Este vídeo é interessantíssimo e foi  produzido pelo  canal do “Science and nonduality”.

Como ele está em inglês, fiz aqui uma tradução livre.

Dá muito o que pensar…

 

Ciência, não dualidade e outros bichos

Como seres humanos, nos percebemos como criaturas muito inteligentes e capazes de controlar nosso destino, apoiados em   comportamentos baseados na lógica da evolução.

Recentes estudos neurocientíficos revelaram que talvez tenhamos menos liberdade do que podíamos supor: nossos genes, em contato com o meio influenciam nosso comportamento em formas que freqüentemente escapam ao nosso controle consciente e mais, nossas ações são causadas por fatores não accessíveis a nossa consciência, incluindo talvez, alguns diminutos parasitas residindo em nosso cérebro ou nas nossas vísceras nos levando a agir sob os seus controles silenciosos.

Tomemos por exemplo o parasita Toxoplasma Gondii. O parasita Gondii pode apenas se reproduzir dentro do cérebro do gato, embora possa viver em estado latente em quase todos os animais.

Para atingir seu objetivo, Gondii entra no cérebro do rato e elimina o seu instinto de temor ao gato, facilitando desta forma que ele seja comido por ele.

Importante ressaltar que o portador não apresenta nenhum sintoma, nenhum outro comportamento estranho alem desta atração pelos gatos. Nos seres humanos, a presença do parasita gondii, a toxoplasmose é assintomática.

Por outro lado, estudos na republica Tcheca mostraram que motoristas infectados pelo parasita Gondii se envolvem em acidentes 6 vezes mais do que os motoristas não afetados por ele.

Também é sabido que  esquizofrênicos  tem 3 vezes mais chance de terem  o parasita Gondii. E estamos falando apenas de 1 parasita.

No nosso corpo existem mais de 500 espécies diferentes de bactérias, parasitas, fungos e vírus.

90% das células no nosso corpo são bactérias, que não são humanas. Desde os fungos tentando crescer entre os dedos dos nossos pés até quase um quilo de matéria de bactérias vivendo no nosso intestino

Somos um conglomerado complexo de organismos vivos. E cada um deles com uma agenda de evolução muito clara sobre como melhor sobreviver e se reproduzir.

Recentes estudos feitos na Universidade de Hamilton em Ontário provaram que nossas bactérias intestinais podem influenciar nossos pensamentos e mesmo nosso comportamento.

Concordamos que nossos pensamentos influenciam nossas ações, portanto se as bactérias no meu intestino podem influenciar meus pensamentos, seria justo supor que estas bactérias poderiam também influenciar meu processo de decisão e, portanto minha liberdade. Se tomarmos estas descobertas cientificas e aceitarmos que nosso comportamento é um resultado de muitos relacionamentos complexos acontecendo dentro e fora do nosso organismo, se aceitarmos o nosso organismo como um instrumento da orquestra da vida, nosso papel na sinfonia da muda dramaticamente.

Imagine que você não é o único organismo vivo com interesse direto em como o seu corpo e sua vida estão sendo desenvolvidas. Imagine que você não é um organismo único, indivisível no comando do seu comportamento. Você não é apenas um corpo, mas você é a combinação de centenas e centenas de formas inteligentes. Como você se sente em relação a isso?

Nesta visão a vida em si mesmo evolui e se desenvolve como uma complexa interação entre múltiplos e inúmeros organismos

Neste ponto de vista os humanos não estariam mais no topo da pirâmide, não mais o pináculo do conhecimento. Os humanos não seriam mais os únicos seres vivos tomando decisões, conscientes ou não em como a espécie evolui.

Claro, somos uma parte muito importante do quebra cabeça. Um organismo muito complexo com uma extrema capacidade, mas numa visão final se considerarmos a interdependência na natureza, se considerarmos a não dualidade se você quiser, somos apenas um instrumento na orquestra e não a música em si.

Os místicos costumam dizer que a maior razão do nosso sofrimento é o desejo de que as coisas sejam diferentes do que elas são.  Talvez se aceitarmos a vida como um complexo sistema de relações, talvez redefinindo e aceitando o nosso papel como instrumentos na orquestra da vida, possamos descobrir uma nova forma de sermos humanos. Pode ser uma forma que nos mantenha em harmonia com o planeta, em harmonia com as pessoas ao nosso redor, e quem sabe possa nos dar uma melhor compreensão deste pequeno parasita que tenta nos matar na sua tentativa de sobreviver. Talvez sejamos mais capazes em aceitar as coisas como elas são e possamos nos desprender do nosso medo de perder o controle e comecemos a amar incondicionalmente

Você é tão importante quanto um pedaço de grama. Qual é o orgulho sobre isto?

 

Outras referências

http://web.natur.cuni.cz/flegr/pdf/phenotype.pdf

http://www.nytimes.com/2007/12/09/magazine/09_10_catcoat.html

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