Regina Muller - Somos múltiplos

Meu tico-tico no fubá, por Regina Muller

A antropóloga Regina Muller descreve a diversidade de papéis que ocupa num único dia e conta como integrou antropologia e arte.

Meu tico-tico no fubá

Antropóloga Regina Muller

De manhã,  o “suco verde”, ensinado pela filha adepta da “alimentação viva”, uma ação saudável para iniciar o dia de trabalho intenso.

O primeiro turno é dedicado a uma reunião no Napedra- Núcleo de Antropologia, Performance e Drama, da USP, do qual  é coordenadora.Tenta, de maneira mais
intensa do que foi em toda sua carreira na universidade, aliar pesquisa e ensino em Antropologia ao desejo de fazer arte, em performance. No mestrado, até tentou. Deixou a formação acadêmica entrou para os  Dzi Croquettes ( como uma Dzi Croquetta), mas voltou e defendeu mestrado sobre a pintura corporal dos índios Xavante. Sempre arte e antropologia .Com os Asuriní, também foi isso -arte, xamanismo e cosmologia. No Napedra, está organizando um encontro internacional de antropologia da performance e à noite desse dia, com um bom vinho e amigos, estará cuidando da sua própria participação.  À tarde, outro assunto:  reunião sobre  Belo Monte, a usina  no rio Xingu que afeta povos indigenas, dentre

eles, os Asuriní do Xingu, a quem vem dedicando grande parte de sua vida como antropóloga. Terminada a
reunião, segue  ao encontro  do seu “agente promotor”, como denominou o amigo Alberto Camarero, companheiro desde sempre das investidas na performance artística, e João Cláudio, o cineasta que compõe a equipe de seu atual trabalho:  filme e performance ao vivo, inspirada em Carmen Miranda, seu modelo, ícone e inspiração.

Hoje prepara sob a direção de Alberto, a performance que apresentará no Encontro Internacional. Ao lado de mesas com convidados nacionais e internacionais na área da Antropologia, há uma programação de performances e é nesta que se inseriu, culminando sua trajetória de ter saído da USP graduada em Ciências Sociais e chegado à mesma USP, como atriz pesquisadora performática.

Desistiu de se cobrar escolher um ou outro universo e segue se dividindo, multiplicando, somando, rizomando…

 

Regina Müller, doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo, com pós-doutoramento no departamento de Performance Studies/New York University e livre-docente em Antropologia da Dança pela Universidade Estadual de Campinas, onde é professora no Departamento de Artes
Corporais do Instituto de Artes. Coordenadora associada do Napedra-Núcleo de Antropologia, Performance e Drama/Universidade de São Paulo/Unicamp. Desde os anos 70, realiza performances inspiradas em mulheres artistas performáticas como Frida Kahlo, Gilda de Campinas e Carmen Miranda.

Autora do livro“Os Asuriní do Xingu: história e arte” , co-organizadora do livro
“Performance, arte e antropologia” e de vários capítulos de livro e
artigos sobre xamanismo, ritual indígena e performance artística.

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