banner-elza

Passa e me ensina a passar por Elza Tamas

Heráclito já nos havia avisado sobre as águas do rio: não se apegue a elas, elas não lhe serão fieis, são  outras.

De acaso em acaso saímos do mar, abrimos os olhos, nos colocamos em pé, viramos Sapiens.  Eretos nos descobrimos finitos e construímos cavernas para nos esconder do medo da morte.

Fluidos e passageiros. O chão é liquido e balança. Um dia ele é aveludado e acaricia os meus pés.  Às vezes é tão sólido que faz barulho quando eu ando, e muda e muda. Aprendi a surfar, eu tive que aprender a surfar. Todo dia o mar me manda uma onda diferente. Meu bebê virou um adolescente questionador. Minha avó morreu.  Nunca usei óculos; agora nem escuto se estou sem eles. Casei de novo, ele não vê o tempo no meu corpo, também usa óculos e me acha linda. Uma neurologista indiana jura que viu uma camada milimétrica de néo-néo córtex se formando nos cérebros de exímios meditadores.

O caleidoscópio gira bem devagar, eu quase não percebo. De  quando em quando despeja  uma  nova forma. Às vezes eu gosto, quero que tudo fique estático, psiu!  não  se mova. Mas somos seres desejantes e nos fartamos rapidamente com o banquete monocromático que a estabilidade oferece.

Pó de estrelas, as cinzas dela geraram lavandas e alfaces (responde rápido, como é depois da morte?)

Se tudo não pulsasse, sístole e diástole, o cheio e vazio se alternando, como eu suportaria  as dificuldades do itinerário da vida, o luto, a dor, a perda?

Gosto do pôr do sol porque ele dura pouco, eu não penso, ele me captura. Assim também com a vida: efêmera, mas um sopro eterno quando degustada na leveza do momento presente.

(Que sejamos capazes.)

Comentários