ItaloCalvino

Italo Calvino e a Multiplicidade

Italo Calvino  no  livro “Seis propostas para o próximo  milênio”,  uma compilação de um ciclo de palestras que ele proferiu, dedicou a quinto tema  a multiplicidade.

 

“Alguém poderia objetar que quanto mais a obra tende para a

multiplicidade dos possíveis mais se distancia daquele unicum que é o

self de quem escreve, a sinceridade interior, a descoberta de sua própria

verdade. Ao contrário, respondo, quem somos nós, quem é cada um de

nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras,

de imaginações? Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, um

inventário de objetos, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser

continuamente remexido e reordenado de todas as maneiras possíveis.

Mas a resposta que mais me agradaria dar é outra: quem nos dera fosse

possível uma obra concebida fora do self, uma obra que nos permitisse

sair da perspectiva limitada do eu individual, não só para entrar em

outros eus semelhantes ao nosso, mas para fazer falar o que não tem

palavra, o pássaro que pousa no beiral, a árvore na primavera e a árvore

no outono, a pedra, o cimento, o plástico.”

Em outro momento,

“Um escritor que certamente não punha limites à ambição de seus próprios projetos era Goethe, que em 1780 confia a Charlotte von Stein estar planejando um “romance sobre o universo”. Pouco sabemos como ele imaginava dar corpo a essa idéia, mas só o haver escolhido o romance como forma literária que pudesse conter o universo inteiro já é em si um fato prenhe de futuro” 

Muitos escritores e artistas  saíram em busca da obra definitiva, o livro do universo.

Como poderiamos supor que o mais perto que chegariamos disto seria através de um instrumento de busca da internet?

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