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O sentido do invisível

Evgen Bavcar, o fotógrafo cego

A fotografia não é exclusividade de quem pode enxergar. Meu trabalho é juntar o mundo visível com o invisível. A fotografia me permite corromper o método de percepção estabelecido entre as pessoas que vêem e as que não vêem”.

Evgen Bavcar, fotógrafo, filósofo e cineasta, nasceu na Eslovênia em 1946. Aos 12 anos de idade ficou cego em dois acidentes distintos. O primeiro, quando teve olho esquerdo perfurado por um galho de árvore. O segundo, que lesou o olho direito, com a explosão de um detonador de minas. Em oito meses havia perdido a visão completamente. Quatro anos mais tarde resolveu fotografar com a ajuda da irmã, uma jovem por quem estava apaixonado. “O prazer que experimentei na ocasião surgiu do fato de haver roubado e fixado num filme algo que não me pertencia. Foi o descobrimento secreto de poder possuir algo, que  eu não podia ver” .

Bavcar é doutor em História e em Filosofia e Estética pela Universidade de Sorbonne, na França. Fala sete idiomas, vive em Paris e viaja o mundo, mostrando às pessoas que a imagem não precisa ser explicitamente visual. “Nós também construímos imagens interiores.”

Ensina também à cegos de  nascença conceitos como  sombras e horizontes. “O seu horizonte é até onde você pode ver. Se você vê com as mãos, logo o seu horizonte é até onde você pode tocar.”

Entretanto a aula que seu próprio trabalho fotográfico nos ensina é que nosso horizonte simbólico não precisa se submeter aos limites impostos pelo corpo. Sua fotografias parecem mostrar que no quesito criatividade seus braços são muito, muito longos e que dentro e fora são fronteiras sutis e questionáveis.

 

Auto Retrato

 

Outras fotos:

 

Trecho do filme Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho em 2001, com a participação de Evgen Bavcar

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