Waking_Life_3

Sonhos Lúcidos e o sentido da consciência

 

O laboratório de sono da UFRG,  sob a direção de Sidarta Ribeiro, desenvolve uma pesquisa em que  monitora  indivíduos capazes de manter a consciência em estados de sonho e de se comunicar durante estes estados,  através de movimentos dos olhos previamente combinados  com a equipe técnica. São chamados de sonhos lúcidos.

Os sonhos já trouxeram resoluções de problemas e revelações prontas que transformaram as ciências  e as artes: Elias Howe com a revolução na indústria têxtil, Mendeleev com a tabela periódica, Kekulé com a cadeia de benzeno, Mary Shelley com Frankenstein, Paul McCartney com Yesterday, apenas para citar algumas.

 

Podemos controlar os nossos sonhos?

Waking life (2001), do diretor Richard Linklater,  é a historia de um menino que não consegue acordar de um sonho. Neste estado onírico, ele discute assuntos  existencialistas,  filosóficos e espirituais e também  a diferença entre a vida desperta e o mundo dos sonhos.

A estética ‘trêmula‘  do filme enfatiza a atmosfera de  sonho. Foi primeiro filmada por uma câmera digital e depois cada “frame” foi redesenhado por um time de animadores. Este esforço minucioso despendeu 250 horas para cada minuto deste longa de animação super premiado.

Várias referências aparecem no filme: O diretor Steven Soderbegh (Traffic) é uma das personalidades que aparecem nos sonhos mostrados em Waking Life.

Durante a preleção feita por um macaco, um homem que desce desajeitadamente uma colina mostra, ao fundo, um clipe do filme Sonhos de Akira Kurosawa (1990).

 

trecho do filme waking life

aqui a tradução do trecho

A criação parece nascer da imperfeição, parece vir de algum esforço e de uma  frustração. Acho que é através daí que se origina a linguagem. Quer dizer, veio do nosso desejo de transcender nosso isolamento e ter algum tipo de conexão uns com os outros.

E ela tinha  que ser fácil por uma questão de sobrevivência. Por exemplo,” água”, inventamos um som para isso, ou, “tem um tigre atrás de você”.

Mas fica realmente interessante, eu acho, quando usamos esse mesmo sistema de símbolos para comunicar todas as coisas abstratas e intangíveis que vivemos.

O que é frustração, ou o que é raiva  ou amor?

Quando eu digo ‘amor‘, o som sai da minha boca e chega ao ouvido da outra pessoa, viaja através desse conduto bizantino no seu cérebro  através de suas memórias de amor ou de  ausência de amor. O outro registra o que eu falo e diz que entende, mas como eu sei que ele entendeu? Porque as palavras são inertes, são símbolos, elas estão mortas, entende?

Muitas das nossas experiências são intangíveis. Muito do que percebemos não pode ser expresso, é indizível.

No entanto, quando nos comunicamos uns com os outros e nos sentimos conectados e entendidos, acho que sentimos na realidade quase uma comunhão espiritual. Essa sensação pode ser meio surreal, mas acho que é por isso que vivemos.

tradução : Jessica Cooke

 

 

 

 

 

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