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“Memória e memórias” por Lívia Garcia-Roza

Caso o passado se atualizasse a cada momento, nossa vida seria invadida por uma avalanche de lembranças que mal teríamos condições de suportar. Assim, podemos dizer que a principal função da memória é esquecer, e não, lembrar, sobretudo se aceitarmos a tese de que o passado se conserva integralmente.

Esquece-se portanto não por deficiência, mas por eficiência.

Foto Fernando Lemos – auto retrato

 

 

Quando morávamos em Icaraí, todas as noites meu pai ia verificar a altura da água da cisterna. Levava o flash light (como ele chamava a lanterna), e um dos filhos pra segurar a tampa. Quando chegava a minha vez eu olhava para o céu, e a noite tinha olhos azuis.

 

 

 

Livia Garcia-Roza nasceu no Rio de Janeiro e é psicanalista, pós-graduada em psicologia clínica, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Estreou na literatura em 1995, com o romance Quarto de menina, que ganhou o selo altamente recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Desde então lançou vários outros romances, livros de contos e infanto-juvenis; entre os quais Meus queridos estranhos, Cartão-postal, A cara da mãe e A casa que vendia elefante. Ora trazendo histórias cotidianas, ora situações extraordinárias ou dramáticas; a prosa de Livia sempre imerge nas emoções humanas, com extrema delicadeza e profundidade. A autora é casada com o também escritor e psicanalista Luiz Alfredo Garcia-Roza.

 

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