pillow book mulher

The pillow book – o prazer da carne e da literatura

Como fazer uma edição sobre “Os sentidos” sem incluir o erotismo e a sexualidade, o sentido último do  prazer?

Celebro aqui  “O Livro de Cabeceira” o exercício sensual e erótico de PETER GREENWAY , um dos meus filmes preferidos.

Japão  anos 70, a jovem Nagiko comemora o seu aniversário com um estranho ritual. Seu pai escreve  uma oração em sua face enquanto  sua tia lê em voz alta o livro de cabeceira escrito Sei Shonagon,uma cortesã do seculo X.


 

Nagiko cresce e retoma este ritual a cada ano, inicialmente tornando o seu corpo um  deleite para seus amantes, calígrafos  que atendendo ao seu desejo,  desenham o seu corpo como uma página de um livro . Posteriormente ela se torna a escritora e descobre o prazer de escrever em outros corpos.

"O livro de cabeceira de Sei Shonagon aponta apenas duas coisas como dignas de confiança: “o
prazer da carne” e “o prazer da literatura”, a união dos dois prazeres significa alcançar o
êxtase, a plenitude. Nagiko conquista o prazer da carne e da literatura.

 

Nessa fusão temos: o olfato, o tátil, o visual e o auditivo, todos citados na lista das coisas esplendidas
o livro de Sei Shonagon. O olfato inclui o cheiro da pele, do aroma do papel; o tátil traz a maciez da
pele, da textura do papel; o visual ressalta o lindo azul escuro, a cor da tinta; e o
auditivo retoma o prazer da melodia de canções chinesas antigas. O recurso erótico é
um outro forte aliado na configuração do prazer da carne e da literatura. Nagiko faz
opção por escrever no corpo masculino: “a carne e a escrevinha, escrevendo sobre
amor”. 

 

O corpo é um alfabeto? Pele pode servir de papel? Há imortalidade no texto? A espinha do livro é a mesma vértebra do homem? Qual é o preço em palavra do amor carnal? O texto pode sentir ciúme? Podem os livros trepar com outros livros e produzir mais livros? Sangue é tinta? A pena é um pênis cujo propósito é fertilizar a página? Aquela que era o papel pode tornar-se a pena? E se foi o corpo que fez todos os signos e símbolos do mundo, passando do cérebro pensante para o braço que move e daí para o gesto da mão e daí para a pena rígida sobre o papel silencioso durante milhares de anos, e agora? — agora que todos nós escrevemos com teclados? Teremos rompido um elo essencial? Haverá agora uma necessária evolução futura para as letras e as palavras? E, se as palavras foram feitas pelo corpo, onde haveria um lugar melhor para depositar essas palavras do que de volta no corpo?  

Peter Greenway

 

fonte: http://www.insite.pro.br/2008/18.pdf

 

aqui o trailer do filme:

 

 


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