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Os falsificadores de arte

Em 1945, com a queda da Alemanha nazista,  foi instaurada uma Comissão  de Arte Aliada com o objetivo de localizar e repatriar obras de artes e outros bens pilhados pelos nazistas durante a ocupação.

 

Num destes lotes, foi encontrada uma obra de Vermeer, o pintor holandes da cidade de Delft.  Os  registros sobre a obra  mostravam que ela não havia sido roubada, mas  que  fora comprada e que   pertencia ao acervo pessoal de Hermann Goring, o segundo homem mais importante na hierarquia do terceiro Reich. A obra em questão era “Cristo com a mulher surpreendida em adultério”

cristo e a mulher surpreendida em adultério

 

Rastreando as informações,   a comissão chegou a Han van Meegeren,  pintor e marchand ocasional como um dos elos da venda da tela. Meegeren , foi  procurado pela policia e  reconheceu o seu  envolvimento  na venda, mas alegou que nunca poderia imaginar que o quadro acabaria na mão de um agente alemão. O interesse da comissão era que o quadro retornasse ao seu dono de origem, no entanto  Meegeren se recusava a informar de quem tinha comprado a obra, justificando  preferir proteger a origem do quadro, uma familia holandesa vivendo na Italia , para evitar que eles tivessem problemas com a policia Italiana.  Como não pode apresentar documentos que atestassem a compra legal da obra, Meegeren recebeu ordem de prisão, foi considerado traidor e acusado de vender uma obra do tesouro nacional ao inimigo.

Na prisão, Meegeren sabia que teria que fazer uma opção:  ou morreria como traidor ou teria que se denunciar e  a sua obra, reconhecida e imortalizada como  um precioso Vermeer, se revelaria como apenas um quadro feito por um falsário,  ele mesmo.

cristo e os discípulos em Emaús em exposição no museu de Roterdam

Meegeren produziu vários Vermeer, o mais famoso deles “Cristo e os discipulos em Emaús”  e muitas das suas  obras foram  expostas em famosos museus não só na Holanda.

Tinha o reconhecimento da crítica e nunca copiara nenhum dos quadros que fazia. Apenas executava novos Vermeer,  que  quando reconhecidos eram  incluídos como novas descobertas no catálogo do pintor e comercializados a preços elevados. Preferiu denunciar a  farsa e  ser julgado como falsário, à pena de morte pela forca imposta aos traidores.

Cristo entre os doutores

Para isto produziu na frente  de especialistas, na prisão,   seu ultimo Vermeer,  “Cristo entre os doutores” . Explicitou as técnicas de envelhecimentos, corantes, pigmentos. Foi julgado e condenado como falsário a um ano de prisão e morreu de ataque cardíaco  duas semanas depois.

 

 

 

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