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A arte sem culpa e umas linhas quebradas por Thiago M. de Melo

 

 

Morder a mão que te alimenta. A culpa de gozar das graças da luz e das trevas.

tricefalo em catarse

A luz é de neon.

A culpa de Adão.  A culpa de não ter coragem de cegar o olho de Deus. Culpa que é empecilho para tornar a si mesmo divino. Culpa que é empecilho para o coito na delícia úmida do útero de Eva.

Da íris fodida.

a iris fodida

O dogma final: o assassinato de Deus. Tentativa de exorcizar todas as culpas impostas pelo ancestral.

A culpa da masturbação frente às curvas do êxtase da virgem. Quebrar o tabu sob a defesa do discurso naturalista.

Medo da mistura. O desejo da conjunção carnal sob a reprovação de categorizações étnico-sexuais arbitrárias.

A culpa do crime do pai, da pouca satisfação vulgar da carne e consequente concepção do bastardo. Culpa do futuro ódio germinado.

Herança de Iroco ou Cama de Ulisses (2010)

A culpa dos excessos do prazer e do falo em constante fogo pela carne farta da bunda da fêmea madura. Da vergonha transferida ao coito engatado dos cães da rua.

A culpa de restaurar signos proibidos. De apagar interpretações caducas, de tirar-lhes o pó. Reinterpreta-los e conecta-los a conceitos vernaculares filosóficos e biotecnológicos.

A culpa de assumir o poder da matéria.

A culpa de Ogum, soberba do sangue que em confusão arranca cabeças puras. Restando a dor do injusto.

artemisia-gentileschi-violentada-ou-ogum-toma-o-poder-das-mulheres-2010

.A culpa de ser covarde e de sentir CULPA.

Exorcizar as culpas ao se exceder, ao buscar saciar, mesmo sendo insaciável.

Assumir-se marginal ou errante entre zonas. Sem o medo de unir as bordas.

O fim da culpa: o assassinato de Deus – Tentativa de destruir todos os temores impostos pelo ancestral.

 

 

Thiago Martins de Melo (São Luis-MA, 1981) é artista visual, formado em Psicologia(UNICEUMA, 2005), mestre em Teoria e Pesquisa do Comportamento(UFPA,2008).

Realizou individuais na Fundação Joaquim Nabuco (2009 ) e Centro Cultural São Paulo(2010). Foi selecionado pelo programa Rumos Artes Visuais 2011-2013, Itaú Cultural;

Entre as principais mostras coletivas estão Caos e Efeito, Itaú Cultural-SP(2011); Amazônia, a Arte, Museu Vale-ES(2010). Possui obras nas coleções do Astrup Fearley Museum, ThyssenBornemisza Art Contemporary, Gilberto Chateaubriand-MAM RJ.

 

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