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A mãe judia por Eva Lazar


Uma mãe judia ajuda o mundo a perceber que seus filhos são os mais bonitos, os mais bem sucedidos e os mais talentosos. O mundo está cheio de gente míope e limitada que não consegue perceber isto.

Este fato não é demérito para os filhos de não judeus e sim apenas uma característica histórica, social e psicológica determinada nas entrelinhas das tábuas que Moisés recebeu, portanto exógenas ao ser humano. Está no DNA dos filhos desse povo escolhido.

Uma mãe judia sempre, mas sempre, sabe melhor do que ninguém o que seu filho sente, precisa, gostaria e que o fará feliz; afinal, ele saiu de dentro dela e não será uma zinha qualquer, que ele conheceu outro dia, que poderá se arvorar a achar isto ou aquilo. E muito menos pensar que sabe cozinhar tão bem quanto ela.

Ela pode tudo: perguntar quanto ganham os amigos, esperar acordada até o filhinho de 28 anos voltar para casa às 4 da manhã, ligar para o chefe dele para reclamar do aumento de salário que ainda não foi dado; enfim, a idéia de invasão, privacidade ou espaço próprio não existe para a mãe judia.

Eu também tive uma mãe judia. Lembro dela examinando as listas de aprovados do vestibular nos jornais a cada ano e constatando a grande  proporção de judeus  entre os aprovados, principalmente nos primeiros lugares e achando mais que natural. A mesma conclusão em relação aos ganhadores do Prêmio Nobel nas mais diversas categorias, com ênfase nos campos da Literatura, Medicina e Ciência.

Meus resultados de conquistas acadêmicas, no trabalho, esportes e aparência, além da brilhante inteligência sempre foram comemorados como se fossem nada mais que o óbvio. Performance foi a palavra chave da minha adolescência e início de juventude.  Foi a que fez minha primeira terapeuta concordar imediatamente em me tratar.

E o fundamental dessas conquistas era comunicar às amigas dela, com um ar nonchalant. Sem isso, não teria a menor graça. Olhares e palavras recebidos em resposta, sempre elogiosos, eram a cereja do bolo kosher e o conceito real de felicidade de uma mãe judia.

Qual a contrapartida disso tudo, sob a perspectiva do filho? Uma obrigação que pesava toneladas para fazer frente a esse imenso poço de expectativas. Mesmo fingindo não ser importante, a vítima tinha que se matar nas provas, no esporte, no social, nas leituras e em todas as suas atividades para se destacar, senão… Não adiantava fazer de conta que o essencial na vida não passava por estas coisas. Já estava fincado em seu âmago que sem sucesso, não passaria de um loser. Uma tatuagem que não desapareceria nunca. A nota média na escola, o oitavo lugar no torneio de tênis do clube, a promoção adiada eram recebidos com um olhar gelado e um silêncio gritante, gerando uma enorme culpa.

Assim quando você vira adulto jura que nunca vai repetir esse modelo opressivo com os seus filhos, mas a armadilha é matadora. De repente, você se flagra olhando os sobrenomes nas listas de aprovados do vestibular, dos ganhadores do Prêmio Nobel, dos bem sucedidos em geral. Seu filho é o primeiro da turma a ganhar um celular e você jamais gosta das namoradas dele.

Temos muitos exemplos vivos de filhos de mães judias. Um dos mais representativos é o cineasta Woody Allen, explorando de forma bem humorada este sentimento de culpa presente nos judeus. E garantindo a saudável sobrevivência dos psicólogos.

A mãe judia judia mesmo.

 

Aqui trechos do  episódio dirigido por Woody Allen,  no filme Contos de Nova York

 

Começo do filme com  legenda em espanhol

Aqui  mãe desaparecida está  no céu e conta detalhes da sua vida para toda Nova York

 

 

Eva Maria Lazar, economista, publicitária e tradutora. Importada da Hungria no primeiro ano de vida. Viajante contumaz,  passeia no mundo interior e exterior. Entre outras coisas coleciona piadas de judeus.

 

 

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