SEXO_F~1

Os crimes passionais e a legítima defesa da honra

Em 30 de dezembro de 1976, na praia dos Ossos em Buzios, Doca Street, matou com 3 tiros, a socialite  Angela Diniz, sua amante de 32 anos.

 A defesa se utilizou de argumentos que mostravam que ela tinha uma vida devassa inclusive com amores homossexuais e assim conseguiu provar que Angela tinha má conduta e fora agredida para que Doca preservasse  a legítima defesa de sua honra.

Em 1979, Doca foi condenado a 2 anos com sursis,  saiu em liberdade e deixou o tribunal  ovacionado. Em 1981, foi condenado a 15 anos de prisão,  em regime fechado. Muita coisa aconteceu no Brasil neste dois anos.

Em 1980, novo crime cometido em nome da legitima defesa da honra. Eduardo de Souza Rocha, 35 anos, assassinou a esposa Maria Regina. No depoimento, Eduardo conta que a mulher “passou a exigir todas as liberdades do tempo de solteira”, como fumar, usar roupa indecente , inclusive biquini, fazer ginástica, retomar os estudos, trabalhar fora e até andar de carro sozinha. Declarou tambem que sua mulher começou a contrariá-lo porque gostava de assistir cenas pesadas de telenovela e programas devassos como Malu Mulher. Levou 6 tiros.

E foram dezenas de crimes como estes.  Estava instaurada a pena de morte para  “mulheres independentes, de gênio forte,  infíeis ou supostamente infíeis”. E sem punição para os assassinos confessos.

Só em 1981, a tese de legitima defesa da honra começa a vir  abaixo e os crimes começaram a ser punidos. A Globo lança uma série, Quem ama, não mata, com o  enredo girando ao redor dos crimes passionais. A  novela refletia o momento social e o desconforto de uma parcela expressiva da sociedade.

Mais recentemente, em 2000, o ex diretor do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, Pimenta Neves,  mata a queima roupa  a jornalista e  colega de redação, Sandra Gomide, com quem teve uma relação amorosa por 3 anos. Motivo? o rompimento. Com inúmeros recursos e apelações, somente em 2011, Pimenta Neves começou a cumprir a sua pena de 15 anos de reclusão, num caso considerado emblemático , pelas manobras realizadas pela defesa.

Andamos a passos  muito discretos.

 

 

fonte: Histórias Intimas – Mary del Priori –  Editora Planeta

Comentários