foto mozart e a matematica

MOZART E A MATEMATICA por Reynaldo Bosquet

 

Como falar da relação da música com a matemática sem ser chato? Taí uma boa pergunta. Nunca fui bom com números e aquelas coisas de catetos e hipotenusa. Por outro lado, durante 15 anos da minha vida, fui um competente músico profissional – o que não deixa de ser contraditório.
Para realizar o sonho adolescente de ser um “Rock Star”, eu tive que aprender ciclo das quartas, ciclo das quintas, tríade aumentada, tríade diminuta, acorde maior com quarta, maior com quinta, maior com sexta, menor com sétima, menor com quinta aumentada, compasso binário, compasso ternário. E como se não bastasse tudo isso, enquanto os meus colegas andavam acompanhados das garotas, eu passava 8 horas por dia acompanhado do meu metrônomo – aquele aparelhinho que faz marcações de 40 a 240 BPM (batidas por minuto) com o intuito de aprimorar a velocidade e técnica do músico. E depois ainda dizem que vida de artista é fácil.

Outra coisa que as  pessoas costumam dizer é que Mozart foi um gênio da música. Mas  na minha opinião, ele foi um gênio da matemática. É comum encontrar  nas margens das suas partituras rabiscos de equações matemáticas, as quais ele  usava para o cálculo de probabilidades melódicas. Outra prova da sua paixão  pelos números é o uso da simetria em várias de suas sonatas para piano, violino  e violoncelo.

Trechos musicais ímpares são pouco intuitivos. Estrofes com quatro,  oito, doze ou dezesseis compassos sempre funcionam porque são simétricas. Na  hora de fazer um arranjo, é preciso saber usar a simetria na introdução para fazer  a magia acontecer. E Mozart sabia muito bem disso.

Mozart partitura original

 

Mesmo depois de mais de 10.000 horas de prática como músico, ainda continuo não sendo muito bom com os números. Tanto é verdade, que a minha conta bancária anda sempre no vermelho. O que me conforta é saber que Mozart, apesar de gênio, também não se  dava muito bem com a matemática das finanças pessoais. “ Bon Vivant”, Mr.  Wolfgang adorava esbanjar dinheiro com mulheres, vinhos, amigos. Morreu como um  plebeu e viveu como um rei. Sua maior riqueza foi descobrir que o objetivo da  vida é sempre alcançado neste exato momento. E aqui a matemática se divorcia da  música.

Como diria o brilhante filósofo inglês Alan Watts,
“quando  fazemos música não a fazemos para atingir um certo ponto, como o final de uma   composição.  Quando  tocamos música, o próprio ato de tocar é o objetivo”.

 

 

Reynaldo Bosquet  é músico, redator publicitário e idealizador do blog “ basstalks.com”.
Como músico, trabalhou com Tom Zé durante dois anos e fundou a primera escola de música do Brasil especializada em rock
e british pop.
Apaixonado por filosofia oriental, morou no San Francisco Zen Center como  estudante convidado e estudou com Gil Fronsdal no Insight Meditation Center, em  Redwood City.

 

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