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OLHAR É PROIBIDO? COPIAR É PROIBIDO? por Eduardo Muylaert

 

Mulheres dos outros. Olhar é proibido? Copiar é proibido?

A série Mulheres dos Outros questiona duas ordens de proibições. O título já contém dupla provocação, ao enfrentar a proibição bíblica de não desejar a mulher do próximo e, pior, numa era de pós-femininismo, dar a impressão de que situa a mulher como objeto.

A questão é mais simples, mas também desafiadora. É um trabalho de apropriação — e reconstrução, diga-se — de velhos slides comprados numa feirinha de antiguidades, sob a singela classificação de nus artísticos.

 

 

Originalmente, são fotos de pin-ups, símbolos sexuais bem americanos dos anos 50, que hoje parecem ingênuos. Pode-se imaginar, naquele tempo, homens respeitáveis reunidos com amigos — longe dos olhares da família — em torno de um projetor de slides, para apreciar as beldades.

Depois de escaneadas, tratadas e recortadas as fotografias, chega-se a nova interpretação, que retoma sob outra luz a questão da imagem do corpo feminino.


Nesse novo recorte, as figuras ganham vida e contemporaneidade, mas podem ser aproximadas também da visão idealizada da estatuária greco-romana.

Coloca, por outro lado, em questão a noção de autoria. Em que medida pode-se retomar trabalhos, mesmo comerciais, e torná-los objeto de apropriação e de reconstrução? A suposta proibição vem caindo e alguns dos mais importantes artistas contemporâneos, como Richard Prince, por exemplo, se consagraram através desse processo.

Todas as divagações são possíveis, pode-se gostar ou não, tanto das imagens como de seu possível sentido. O autor, ou artista, não se intimida com proibições. É esse seu papel, elaborar a seu modo o material que vai colhendo pelo mundo. A obra é aberta, o mundo pode se espelhar nela, mas só se quiser. E puder.

 

 

A série completa pode ser vista em www.mulheresdosoutros.com.br .

Eduardo Muylaert é advogado criminal e fotógrafo. Publicou O Espírito dos Lugares (3º Nome, 2003), e Boa Noite, Paulicéia! (Pinacoteca, 2006).
Principais individuais:
Mulheres dos Outros (Fauna Galeria, SP, e Galeria Zoom, de Paraty, 2011); Boa Noite, Paulicéia! (Pinacoteca, 2006); O Espírito dos Lugares (Nara Roesler, 2003); Tiras compridas do Brasil (Millan, 99); Paris – Fragmentos (Luísa Strina/Bar des Arts, 95) e Transferências (Bar do MIS, 93).

 

 

 

 

 

 

 

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