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O PRIMEIRO PELO PUBIANO BRANCO por Sukie Miller- english version

 

 

Rito de passagem é uma cerimônia que marca importantes períodos de transição na vida de uma pessoa.
Todas as culturas têm seus ritos de passagem.Todas as tribos têm seus ritos de passagem, todas as famílias também, todos os indivíduos também.
Estudados, documentados, comparados e analisados, estes ritos revelam os valores de um povo.

jovem da etnia yawalapiti

Ritos de passagem assumem variadas formas. Alguns deles são tradiçoes transmitidas através de
eras. Exemplos destes rituais são batizados, bar mitzvahs, primeiras comunhões, cerimônias de casamento e funerais.

casamento real - willian e kate

As principais datas em nossas vidas também são ritos de passagem.   Nós as celebramos nos aniversários e bodas de casamento, chás de bebê, assim como em promoções profissionais e festas de despedida de funcionários que se aposentam.
Existem também aqueles ritos de passagem que marcam a aquisição de conhecimento. Enquadram-se nesta categoria as formaturas, desde o berçário até o jardim de infância, do colégio até a faculdade e a obtenção de diplomas para prática do Direito ou da Medicina.

Cada rito de passagem e cada celebração correspondente tem um tempo característico.

bar mitzvá

Aniversários são no dia em que nascemos, bar mitzvahs quando garotos judeus completam 13 anos, bebês são batizados  nos primeiros meses ou semanas de vida. A escola nos diz quando chega a hora de atravessarmos seus portões. Estes ritos de passagem são de conhecimento comum: todos nós os reconhecemos e podemos prever quando irão acontecer. Sabemos, também, como celebrá-los.
Existe, porém, um rito de passagem raramente abordado e, até onde sei, não celebrado. Ocorre quando descobrimos O Primeiro Pelo Pubiano Branco.
Ao contrário dos demais, este rito de passagem é sempre uma surpresa: nunca sabemos quando vai ocorrer. Ao contrário dos demais, sempre previsíveis, este rito não surge suavemente, mas sim, como uma erupção em nossas vidas. A um tempo tímido e ousado, choca quando nos damos conta de seu surgimento.
Chuveiros são um frequente local sagrado para a revelação do Primeiro Pelo Pubiano Branco, e o clima quente que impõe a mudança para maiôs apressam nosso despertar para este que é uma verdadeira ponte em direção à próxima etapa de nossas vidas.
Quase sempre, a chegada do Primeiro Pelo Pubiano Branco é alardeada por nosso espelho quando, ao nos olharmos nus diante dele, vemos que nosso mais íntimo adereço, antes de uma cor firme, agora perde sua lustrosa uniformidade. É só então que espionamos O Primeiro Pelo Pubiano Branco, firmemente acomodado dentro daquilo que costuma ser a própria imagem de nossa sexualidade.
Para as outras pessoas, a notícia é anunciada quando vamos à depilação. Maculadas e traídas, ouvimos: “Olha!Um pelo branco!” Mortificadas, olhamos estupefatas para o teto. Se surgisse em nossas cabeças, este mesmo intruso branco seria uma indicação para colorir os cabelos ou para
um novo corte. Mas – ?  Lá, bem no meio da privacidade entre nossas pernas? O que se espera de nós? Como lidar com isto? Será que O Primeiro Pelo Pubiano Branco é um prenúncio de que também nossa sexualidade está ficando grisalha?
Ao contrário dos demais ritos de passagem, não temos, por enquanto, nenhuma maneira aceita, consagrada, de marcar o evento do Primeiro Pelo Pubiano Branco. Talvez pudéssemos trocar pequenos presentes. Mas quais seriam eles? Talvez esteja na hora de programar um cruzeiro. Mas este rito de passagem é silencioso, discreto e acho eu, não pede nenhuma extravagância.
E também há a questão: a quem contar? Todos os demais ritos de  passagem são eventos públicos: convites são enviados e muitas ligações telefônicas se seguem. Mas este rito de passagem é privado.  A quem revelar: “Encontrei meu Primeiro Pelo Pubiano Branco”?
E quando? Num almoço? E, finalmente, de que jeito? Discretamente? Solenemente? Com um largo sorriso no rosto? Ou fazendo bico de  choro?
Alguma sugestão?

 

tradução: Anelise
foto banner: arte urbana

 

Sukie Miller, Ph.D., é norte-americana. Residiu em Nova York e na  Califórnia e mora atualmente em São Paulo, Brasil. Fundadora do Instituto para o   Estudo da Medicina Humanística, foi também uma das primeiras diretoras do Instituto  Esalen. Participou do desenvolvimento do campo de Educação Confluente e foi  membro de Diretoria do Instituto Jung de São Francisco, Califórnia, e do Conselho de Medicina do Estado da Califórnia (BMQA).
Sukie é autora de Depois da Vida: Desvendando a Jornada Pós-Morte, (Summus Editorial, 1997) e de Quando uma Criança Morre, (AXR Press, 2002).  A entrevista concedida por Sukie ao programa  de televisão a cabo Alternativa Saúde, apresentado por Patrícia Travassos, exibido
pelo canal GNT em setembro de 2010, rendeu sua inclusão na lista dos dez  melhores programas de televisão naquele ano.
Em São Paulo, Sukie mantém seu consultório de psicoterapia, realiza  supervisão de terapeutas e lidera seminários e grupos abordando diversos  assuntos.  Sukie Miller tem 72 anos e é Velha de Corpo.

 

 

 

The First Grey Pubic Hair

 

A rite of passage is a ceremony that marks important periods of transition in a person’s life.
Every culture has them. Every tribe has them, every family has them , and every individual has them. Studied, documented, compared, and analyzed, they reveal the workings of a people.
Rites of passage take many forms.
Some are traditions that are handed down to us through the ages. Examples of these are Baptisms, Bar Mitzvahs, first communions, wedding ceremonies, and funerals.
Key milestones in our lives are rites of passages, too.   We celebrate them atbirthday and wedding anniversaries, baby showers, and professional promotions and retirement parties.
Then there are those rites of passage that mark the acquisition of  knowledge. Falling under this category aregraduations, from nursery school  to kindergarten, from High School to college and the awarding of Licenses to practice law and
medicine.
Each rite of passage and every celebration of it has a designated time. Birthdays are on the day we were born,  Bar Mitzvahs
when a Jewish boy turns 13, babies are Baptized in the first weeks or months of life. The schools tell us when it is time to pass through its gateways. Common knowledge, we all know about these rites of passage and can predict when they are coming. We know, as well,   how to celebrate them.

There is, however, a rite of passage that is rarely discussed and, to my knowledge, never marked.  It occurs when we discover The First Grey Pubic Hair.
Unlike all others, this rite of passage is always a surprise:  we never know when it will occur. Unlike the predictable others, this rite doesn’t glide but rather erupts into our lives. Simultaneously shy and bold, it shocks us to attention.
Showers are a frequent sacred site for the unveiling of The First Grey Pubic Hair, and the warm weather switch to bathing
suits can hasten our awareness of   this bridge into a next phase of our lives.
Often the arrival of The First Grey Pubic Hair is heralded by our mirror when, standing naked before it, we see that our most
private solid colored patch has lost its sleek uniformity. It is then that we spy The First Grey Pubic Hair nestled into the flag of our sexuality.
For others the news is announced when we go for a waxing. Defiled and betrayed, we hear the words:  “Look! A grey hair!” Mortified, we stare wide-eyed at the ceiling.
If it appeared on our heads, that same grey
intruder would be a call to hair dye or a new hair do.  But there?  There in the privacy between our legs?  What is expected of us? How are we to deal with this?  Is The First Grey Pubic Hair a harbinger of the greying of our sexuality?

Unlike other rites of passage, we have no accepted, shared view of how to mark The First Grey Pubic Hair.
Perhaps small gifts should be exchanged. But what would they possibly be?
Perhaps it’s the time to book a cruise. But this rite of passage is a quiet one and doesn’t, I think, call for extravagance.

Then there is the question of who to tell?
All the other rites of passage are public events: invitations are sent and
phone calls made. But this rite of passage is private.  To whom do we reveal, “I have found The First Grey Pubic Hair?”
And when? Over lunch?And finally, how? Demurely? Solemnly? With a broad smile? A pout?
Any suggestions?

 

 

 

Sukie Miller, PhD, is a former New Yorker and Californian—who now lives in São Paulo,
Brazil. She was the founder of the Institute for the Study of Humanistic
Medicine and was an early director of the Esalen Institute. She was involved in
the development of the field of Confluent Education and is a former member of
the Board of the Jung Institute of San Francisco, California, and the Medical
Licensing Board of the State of California (BMQA). Sukie is the author of After
Death: Mapping the Journey (Simon and Schuster, 1997) and Finding Hope When a
Child Dies (Simon and Schuster, 1999).  In São Paulo, Sukie maintains a private psychotherapy practice, conducts supervision for therapists, and leads seminars and groups on various topics. The interview she gave to the Alternativa Saude program, presented by Patricya Travassos,
shown by GNT in July 2008, was named one of the ten best programs of the year.
Sukie Miller is 72 and Body-Old.

 

 

 

 

 

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