the ruins of Detroit (2)

O FIM DO MUNDO de João Cabral de Melo Neto e Carlos Drummond de Andrade

 

O fim do mundo – João Cabral de Melo Neto

No fim de um mundo melancólico os homens lêem
jornais.
Homens indiferentes a comer laranjas que ardem como o sol.
Me deram uma maça para lembrar a morte.
Sei que cidades telegrafam pedindo querosene.
O véu que olhei voar caiu no deserto.O poema final ninguém
escreverá desse mundo particular de doze horas.
Em vez de juízo final a mim
me preocupa o sonho final.

 

 

 

 

 

 

 

Poema da Necessidade – Carlos Drummond de Andrade

É preciso casar João,
é preciso suportar, Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o fim do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

foto banner- The ruins of Detroit -Yves Marchand and Romain Meffre

 

 

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