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PROJETO 365 por Cassia Aresta

Projeto 365

NO ROTEIRO INEXORÁVEL DE NOSSAS VIDAS, O COTIDIANO PASSA A SER O CAMINHO MAIS ARDUAMENTE FÁCIL DE VIVER.

Recomeçar todo dia uma obra, para persistir em um projeto de um ano, foi o que nós três como artistas, Cassia Aresta, Helenita Peruzzo e Rosa Grizzo, nos propusemos a fazer: uma obra por dia. Um calendário, um diário, um calendiário de pequenas obras. Cada uma tinha 10x10cm. Uma obra por dia, um fazer por dia, e somando os dias chegamos a um ano.


Persistir o fazer é algo que nos faz suar. Suar de medo, porque temos que refazer o que já foi eleito como feito; suar fisicamente porque dá trabalho em se recriar todos os dias. Então cada obra se tornou uma grande obra após um ano.

 

 Todas foram necessárias, mesmo os dias faltosos representaram este fazer, ou o não fazer.

Assim fomos realizando este projeto, que no dia a dia em nossas mãos, individualmente, parecia tão pequeno e que se agigantou colocado nas paredes dos espaços expositores. Mostrou o esforço comum como um todo. Mostrou três artistas que foram atrás de um projeto e concretizaram. Não desistir por mais perverso que seja o não fazer, que sempre nos acolhe em coisas supérfluas e fáceis de serem digeridas.

O não fazer que nos afasta de ideais, de metas, de sonhos, de realizações. Uma obra por dia, falando parece ser muito, e era o que espantava as pessoas quando olhavam a exposição. Se propor a fazer todos os dias algo por um longo tempo, nestes tempos tão efêmeros, para muitos é um grande sacrifício, para nós foi um conquista individual como artistas.

Mesmos os dias em que eu não executava a obra, ela era feita mentalmente. Parava por uns dias, seguia um ritmo que me era sugerido pelo meu fazer diário, e retomava depois. Não desistir, era o grande desafio. Até hoje mentalmente refaço algumas obras, quando olho algum dos temas a que me propus naquele ano.


Ficou uma vontade interna de repensar, de refazer, de se recriar, de se comprometer com um processo que às vezes embora penoso, como citei acima, tem um lado extremamente gratificante. O resultado de ter vencido marés contrárias ao nosso viver. E viver é remar mesmo contra a maré. Porque se deixar levar pela correnteza é perigoso. Vamos parar todos no mesmo lugar comum. E o que nos diferencia um dos outros é o que nós somos individualmente.

Recomeçar todo dia uma obra, recomeçar todo dia a viver de uma maneira criativa. Vale a pena refazer.

fotos banner 1 a 8 – Cassia Aresta/ projeto 365
foto 9 –   foto parcial exposição projeto 365 – 
de cima para baixo:Cassia Aresta, Helenita Peruzzo e Rosa Grizzo 

 

 

Cassia Aresta  é artista plástica e reside em Florianópolis. Estudou com Tuneu, Dudi Maia Rosa, Paulo Pasta entre outros. Participou de exposições coletivas e individuais no Brasil e no exterior,  entre elas:  
Exposição Planété Óuverte, Prefeitura de  Ganties, França./Planété Óuverte, Prefeitura Saint Gaudens, França; Exposição Palmo Quadrado, Palmo Quadrado, Museu of Latin American Art, Califórnia/ Conneccticut College, New London, Connecticut./ University Art Gallery, Sonoma State University, Rohnert Park, California; Projeto 365 MAC Paraná, Curitiba, PR./ Cidadela Cultural Antártica, MAJ, Joinville, SC./ 2º Bienal de Artes Plásticas Brasileira de Bruxelas./ MHSC Museu Histórico de Santa Catarina, Florianópolis, SC./ SESC Pinheiros, São Paulo, SP./ Centro Cultural da UFMG, Belo Horizonte, MG./ Contemporary Art Museum, CAM, Casoria, Itália./ Centro Cultural Sergio Porto, Rio de Janeiro, RJ.
6º MOTIVO Casa das Rosas, São Paulo, SP; Exposição Círculos, CCSP Sala Mario Pedrosa, São Paulo,SP./ Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis, SC./ Cidadela Cultural Antártica, Joinville, SC. Exposição Correspondência Instituto Goethe, São Paulo,SP./ Bayer do Brasil,São Paulo, SP./ Mônica Filgueiras Galeria de Artes, São Paulo,SP,/ Goethe Institut, Frankfurt, Alemanha./ Goethe Institut, Bordeaux, França. Marcas Indeléveis, MUnA, Uberlândia, MG.

 

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