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ALBEDO por Elza Tamas

                                                                                                                                               para Aurora

Tem até um nome: chama-se Albedo o índice que mede a capacidade de um corpo refletir luz. Assim como a neve, os oceanos, as areias do deserto, certos corpos são mais propícios à reflexão da luz. Curiosamente, o índice de albedo da Terra é maior do que o da Lua. De longe, brilhamos azuis e inspiramos namorados de outros mundos.

Pessoas com zero de albedo são aquelas de superfície cheia de reentrâncias, massas opacas, densas. Planetas obscuros, autocentrados, incapazes de refletir vagam deprimidos, isolados sob a crosta rugosa e endurecida que a dor e o ressentimento podem produzir. Movem-se lentamente, provocando extensas áreas de sombra e têm um odor que lembra mofo.

Pessoas com  índice de albedo perto de 1 são radiantes. Capturam todos os olhares e são como pequenos sóis que parecem emitir luz própria. Generosas dividem o encantamento: iluminam e são iluminadas. Brilham, mas não ofuscam; ao contrário, transferem lucidez e força para os que estão próximos.

Há um ano ela mora do lado de lá do espelho. Nos encontramos todos os dias nos traços refletidos, que insistem cada vez mais em ser parecidos com os dela.

Sua intensidade solar transbordou em novas genealogias; outras luzes nos alegram. Acreditamos que ela deve ter dado um empurrãozinho para que mais alguém despencasse do céu e quisesse entrar em nossas vidas. Pra nunca andar com os pés no chão e sempre pedir bis, esperamos você, que acho, vai se chamar Beatriz.

 

foto banner: instalação Olafur Eliasson   

 

 

Elza Tamas é psicóloga e escritora.
Concebeu e desenvolve este site.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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