Yayoi-Kusama mirror purple (2)

O QUE EU DESEJO ESPELHAR por Marjorye Marge

Andar pelas ruas, para mim, nunca é sem propósito. Sempre saio de casa com o olhar atento e ávido em busca de novas imagens, movimentos urbanos, palavras, arte, ideias e pessoas interessantes que inspirem e que possam agregar elementos ao meu universo criativo.

Uma pequena imagem colada ou pintada num muro pode trazer não só um sorriso no rosto como também um insight para um novo post sobre arte, um novo assunto na mesa de bar e discussões reflexivas sobre o momento em que vivemos.

A rua é o palco que não cobra entrada, e aqueles que transitam por ela podem receber e partilhar aquilo que ela oferece. A rua é generosa, mas nem todos os olhos estão abertos. Em meio a pressa, estresse e cansaço, elementos que por vezes se encontram em sua composição passam desapercebidos, quando poderiam trazer diversas possibilidades, mesmo que somente num minuto de puro devaneio.

Certa vez, andando por uma rua em Copenhage, percebi que no chão haviam bolinhas brancas, e aquilo me fascinou. Me vi pensando em mil coisas; apenas algumas bolinhas no chão, me despertaram.

Pensei em jogo da velha, em pular de bola em bola, no que a pessoa que criou poderia estar pensando, no cuidado que teve com detalhes, pensei sobre o movimento artístico denominado pontilismo, na Yayoi Kusama e sua obsessão por pontinhos, enfim, esse breve momento, ofereceu muito ao meu universo imaginativo.

yayoi kusama

Nem sei por onde começar a contar sobre a minha mais nova história de amor: a arte de rua. Cada dia que vago por ruas que poderiam ser mais cinzas, a arte vem para dar mais vida, cor e movimento aos muros estáticos que delimitam espaços. Vejo o muro como um canvas em branco, pedindo cor, pedindo ideias que reflitam histórias, críticas sociais, desenhos que, caso estivessem em um caderno, ou em galerias seriam vistos por poucos. Vejo poesia, vejo distrações para quem fica parado no trânsito, vejo democracia artística, vejo despretensão, vejo utilidade combinada com arte.

O que queremos refletir? Pensando nisso, criei um blog para ser o espelho de tudo aquilo que enxergo mundo a fora. Nele posso discutir e dividir o que pesquiso, escuto, o que encontro espontaneamente; coisas que crio, movimentos que me fazem questionar, pessoas incríveis e talentosas, fotos que fizeram meu dia mais feliz.

Também comecei a utilizar a mesma rua que me inspira, para inspirar.
Tirei do meu caderno um dos meus desenhos, comprei spray e passei a expressar de muro em muro, o que mais quero acreditar: o amor.

E enquanto pinto, pessoas passam, conversam, dividem suas histórias, contam o que acham sobre arte de rua, garotos que pixam, garotos que pintam, garotas que estão nesse movimento há anos e são finalmente reconhecidas, escuto críticas também , mas o mais importante, é a troca: inspirar e acabar sendo inspirada por tudo que acontece ao meu redor.
Esse é o verdadeiro valor de vivenciar a rua e suas infinitas possibilidades, que são espontâneas e inesperadas. Não tem como planejar o que pode acontecer ou o que irei ver, e para mim é um valor poder repassar isso. Trago a vontade de ser o espelho para outros espelhos, de coletar e repassar, de me inspirar e tentar despretensiosamente inspirar o outro. Sinto que essa é a minha colaboração, o de promover o que me encanta.

yayoi kusama

E você? O que te encanta, te move por dentro e te preenche?
O que você deseja espelhar?

 

foto banner: Yayoi Kusama

 


Marjorye, mais conhecida por Marge, nasceu em São Paulo em 85, morou em Cambridge, Sydney, Paris e Berlim. Formou-se em publicidade pela FAAP, canta desde pequena, maqueia, e vaga pelas ruas do mundo em busca de inspiração e novos artistas.

 

www.blogdamarge.com

www.youtube.com/marjoryek

Marge not Simpson

 

 

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