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OS SONHOS ESQUECIDOS por Elza Tamas

São minhas aquelas mãos na parede, assim como são do meu pai, da minha mãe e de todos os que vieram antes e depois.
Há muito, guardamos destinos nas hélices que se escondem nas fendas dos nossos corpos. Desenhamos nas paredes das cavernas para que pudéssemos nos lembrar, e ela guardou de forma impecável o futuro da nossa memória.

Nadávamos juntos, corríamos lado a lado, nos aquecíamos. Nosso medo era o mesmo medo. Fizemos a luta justa da sobrevivência e ainda assim nos sabíamos iguais.

São minhas também as pegadas cravadas no chão, – todas elas: a do leão, dos cavalos, da onça, do lobo que um dia me assustou e que milhares de anos depois foi meu amigo, do urso que juntos, caçamos. São minhas, porque todos temos fendas nos corpos e esquecemos do vão de onde viemos.

 

fotos:  Pinturas rupestres encontradas na caverna de Chauvet – sul da França

 

 

 

Elza Tamas é psicóloga e escritora. Idealizou e desenvolve o forademim.com.br

 

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