fé divino espirito santo (4)

ESPIRITO SANTO, PAI E FILHO por Carolina Chagas

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Vi o Espírito Santo.

O sol estava baixando e o céu de São Paulo estava com aquele cor de rosa que só as cidades poluídas conseguem ter. Uma beleza. A uns 50 metros da escadaria em que estava sentada, uma pomba branca começou a bater as asas sem sair do lugar. Ela não olhava para baixo, como as gaivotas fazem na hora que buscam peixes no mar. A ave olhava para frente. O que se via era uma apresentação ao vivo e em cores da figura do Divino Espírito Santo. Patinhas recolhidas, inclusive.

Era o sinal que precisava.

Aceitei a proposta e troquei São Paulo pelo Rio de Janeiro.

Isso faz oito meses. E ter vindo, marido, filhos, laptop, panelas e copos para o Rio de Janeiro foi a melhor coisa que fiz. Limpei a casa, me desfiz de peso extra. Era muito peso. A família se reorganizou em torno de novo eixo. Ficou mais unida. Meus filhos de 8 e 10 anos aprenderam a andar de metrô, a soltar o corpo no mar para enfrentar tombo de onda forte, a sentir saudade dos avós e dos amigos e a fazer novas amizades. Estão mais seguros. No trabalho, as coisas ganharam outro colorido. Estou desenvolvendo habilidades adormecidas.

O que essa história tem a ver com fé? Tudo. Fé, a meu ver, é igual olho castanho. Nascemos com ela. A origem da palavra explica muito. Vem do latim “fides” que significa confiança, crença. É o contrário de dúvida. Gosto de achar que vem de Deus essa certeza que me acompanha. E me leva para frente.

Saber que ao menos Deus está do meu lado sempre me ajudou nas horas difíceis. Usufruir das horas fáceis também é mais simples quando aquele transbordamento de felicidade parece fazer parte de um projeto maior.

Há duas frases que alimentam minha fé. Somos inocentes até prova em contrário. E “amarás o próximo como a ti mesmo”. A primeira está na constituição brasileira. A segunda atribui-se a Jesus Cristo. Sou fã de Jesus. Acho que ele foi um camarada e tanto. Trouxe uma visão original para esse mundo. Revolucionou. Fez com que as pessoas olhassem para o outro lado. Quando morava em São Paulo, nunca dei muita importância para o Cristo Redentor. Mudar para o Rio também me ajudou a entender aquela imagem em cima do Corcovado. É forte. De vários pontos da zona sul carioca se vê o Cristo. Chegar a nova cidade, ter de se acostumar a uma realidade diferente, estar alerta a novos cheiros, sons, forma das pessoas se portarem é exercício exigente. Ter um Cristo de braços abertos por perto, ajuda. Só sabe quem tem fé.

 

foto banner: Elza Tamas 

 

Carolina Chagas é diretora regional de jornalismo da Rede TV! no Rio de Janeiro, Carolina Chagas é fã de santos. É dela uma série de sete livros publicados pelo Publifolha sobre o assunto. Carolina também fez a pesquisa do documentário Marias, dirigido por Joana Mariani, em fase de montagem. Além disso, escreveu Escoffianas Brasileiras, da editora Larousse, com o chef Alex Atala, trabalhou em O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, Portal iG e colaborou para revistas como Vogue, Marie Claire e TPM.

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