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CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS por Aude Kater

 

 

Todo individuo pertence a vários sistemas, constituídos de subsistemas, em interação constante uns com os outros. Cada sistema funciona como uma entidade com motivações, prioridades, papéis, necessidades, valores, histórias e até estados de alma que lhe são próprios. O primeiro e o mais importante é o grupo familiar.
Cada sistema tem o seu potencial próprio de energia e quando se enfraquece, acaba desenvolvendo  sintomas patológicos nos elementos que o compõem.

O trabalho com a abordagem sistêmica das Constelações Familiares coloca em evidência  forças muitas vezes inconscientes, que regem e mobilizam os grupos. A partir do momento em que pessoas se agrupam, um código de funcionamento se impõe. A transgressão deste código fere a consciência grupal, que sempre prevalecerá sobre a consciência pessoal, e provocará inevitavelmente algum tipo de problema.

Todos os sistemas obedecem a um mesmo conjunto de princípios. Existem três princípios superiores que influenciam todos os demais:

o principio de pertencimento significa que cada pessoa integrante de um sistema qualquer não pode sob nenhum pretexto ser excluída. A exclusão afetará não somente os membros atuais, mas também os descendentes.
o principio de precedência lembra que existe uma ordem de chegada e cada pessoa possui o seu lugar especifico, isto é, ninguém pode ocupar o lugar de outro.
o principio de equilíbrio entre dar e receber representa um norma de justiça e de equidade dentro do sistema.

Normalmente, pensamos que o que nos acontece é de nossa responsabilidade, ou que é consequência de um passado pessoal. Porém, quando fazemos algo que na realidade não desejamos nem tínhamos a intenção de fazer ou quando deixamos de realizar ou agir como gostaríamos, as constelações familiares e as representações nos mostram que isto em geral está ligado à influência de outros membros de nosso sistema familiar, em função do que eles fizeram ou deixaram de fazer. Às vezes, são antepassados que nem conhecemos. No âmbito das representações sistêmicas, chamamos esta ligação de emaranhamento.

É difícil observar estas influências de maneira direta no âmbito do quadro familiar. Porém elas podem ser a causa de doenças graves, distúrbios psicológicos, acidentes, fracassos ou dificuldades repetitivas na vida.
As constelações familiares representam um método que torna visíveis estas forças invisíveis, permitindo encontrar uma solução adequada aos problemas afetivos, psicológicos, profissionais ou de saúde.

Numa Constelação Familiar, o facilitador convida o cliente a expor brevemente seu problema, através de perguntas sobre fatos relacionados a situação ou a sua família. Depois, em função das respostas, o constelador lhe pedirá que escolha no grupo algumas pessoas para representar elementos do problema ou membros de seu sistema familiar. O cliente os disporá intuitivamente no espaço e depois retornará ao seu lugar, quando assistirá a algo surpreendente: os representantes perceberão sensações, emoções e mesmos pensamentos dos membros do sistema familiar que eles estão representando, sejam eles vivos ou mortos.
Estes registros vão guiar o facilitador para uma compreensão da causa do problema.

Quando refletimos sobre as dificuldades sistêmicas, podemos constatar que elas tem sua origem na relação da criança com a mãe, pai, ou com um de seus irmãos . Posteriormente estes transtornos projetam-se em todas as outras relações durante a sua vida. A vida pode se tornar então uma repetição do que foi vivido pela criança. Isso representa a raiz do sangue. Diz respeito a nossa família de origem e aquela que criamos.

Porém, muitas vezes o trabalho com este nível mostra-se insuficiente.. Compreendemos então que é necessário buscar para além da família de origem, na cadeia dos ancestrais.

Estes ancestrais viveram numa terra, pertenceram a uma raça, nação, povo. Pode existir um emaranhamento entre uma pessoa e seu ancestral e este emaranhamento é muitas vezes uma ligação negativa, que os leva a adotar comportamentos que parecem aos destes ancestrais, particularmente quando um desses ancestrais foi maltratado, rejeitado ou excluído, ou então quando roubaram algo que lhe pertencia como seu lugar no próprio sistema familiar, sua honra, ou a sua fortuna, por exemplo.

Um ancestral pode ter sido excluído de seu país, por exemplo. Ele torna-se, como quase todos os emigrados, alguém desenraizado, sem vinculo e que perdeu parte de suas referências de origem. Todo o equilíbrio do sistema responde a este impacto, gerando dificuldades aos descendentes.

As Constelações Familiares não interpretam, explicitam através das representações onde existem “emaranhamentos” e bloqueios do movimento energético. Depois de evidenciar a fonte do problema, procuram reintegrar o que era excluído ou o que estava fora de seu lugar até que o sistema reencontre o seu próprio equilíbrio.

Artigo escrito, com base em material pedagógico do curso de formação em Constelações Sistêmicas ,idealizado por Idris Lahore da Livre Universidade do Samadeva/França

foto banner: máscara/Aude Kater

 

Aude Kater
Terapeuta e Artista Plástica, francesa radicada no Brasil. Diplomada em Arteterapia e Mestre em Ciências da Educação pela Universidade de Paris V, possui formação também em Psicosintese, em Terapia Transpessoal pela DEP – Dinâmica Energética do Psiquismo – e em Constelações Familiares pela Universidade Livre do Samadeva/França e pela Faybel Consultoria/Brasil. Membro do Colégio internacional dos Terapeutas/Brasil assim como da Federação de Psicogenealogia e Constelações familiares e Sistêmicas/França e da AATESP. Desenvolve há mais de 30 anos, trabalhos terapêuticos com abordagem artística, utilizando a simbologia da máscara como recurso de expressão e autoconhecimento.

www.cuidardoser.com.br
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