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Blog Fora de mim

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Steve McCurry – UMA QUESTÃO DE FÉ

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Steve McCurry

 

Steve McCurry é considerado um ícone da fotografia contemporânea há mais de 30 anos. Contribui em publicações, revistas e fez inúmeras exposições do seus trabalhos  ao redor do mundo.É o fotografo do  famosa rosto da menina afegã, capa da revista National Geographic, que rodou o mundo.

Americano da Pensilvânia, viaja com duas sacolas: uma com poucas roupas e a outra repleta de filmes.Explorou e fotografou dezenas de  países registrando conflitos internacionais e  tradições distintas. Detentor de inúmeros prêmios, mantém um blog de onde o material para este post foi retirado.

http://stevemccurry.com/blog/matter-faith.

Sri Lanka

 

“Assisti muitas manifestações de fé durante as minhas viagens nas últimas três décadas. Algumas espontâneas, outras partes de uma liturgia, outras ritualísticas.Algumas acontecerem em edificações maravilhosas; outras, sob uma árvore.

A fé de algumas pessoas é incorporada a maneira como elas vivem suas vidas. “

 

Monges  Shaolin – China

Índia


Tibet

            Paquistão

                       Srinagar- Cachemira

Carolina do Norte – EUA

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FESTA DE YEMANJÁ por Flávia Cirne

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                                                                        2 de fevereiro de 2013, Bahia. 

 

Move montanhas e mares, as águas de Yemanjá e tantas outras crenças.

Move a alma, os desejos, o poder dos sonhos que se revelam no despertar.

A fé que inclui a consciência do inconsciente, o poder do invisível.

A fé é sensível.

 

 

 

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Flavia Cirne é psicóloga, psicoterapeuta e instrutora de Tai Chi. Vive a fotografia como um deleite desde a adolescência, “adormecido” por alguns anos, ressurgindo “despretensiosamente” desde 2008.

 

 

This Game of Hope and Fear

PEMA CHODRON E OS ENSINAMENTOS SOBRE ESPERANÇA E O MEDO

O livro de Pema Chodron “Quando tudo se desfaz” é meu livro de cabeceira há muitos anos. Me ajudou nas crises, me ensinou que a instabilidade é o chão que nos apoia e que cada textura que a vida nos apresenta deve ser desfrutada sem evitações. Aqui a transcrição de uma palestra dela; entre outras coisas ela explica como o medo e esperança são faces da mesma moeda e que ambas podem nos aprisionar. Lá embaixo o video.

Pema Chodron

 

 

“A diferença entre teísmo e não-teísmo, não é sobre acreditar ou não acreditar em deus. É uma questão que se aplica a todo mundo, incluindo budistas e não-budistas. Teísmo é uma convicção, profundamente enraizada, de que existe uma mão pra segurarmos. Se nós fizermos as coisas certas, alguém vai nos apreciar e cuidar. Isso significa pensar que sempre vai haver uma babá disponível quando precisarmos. Todos nós somos inclinados a abdicar de nossas responsabilidades e dedicar nossa autoridade a algo fora de nós mesmos.

Não-teísmo é relaxar dentro da ambigüidade e incerteza do momento presente, sem tentar alcançar nada que possa nos proteger. Às vezes pensamos que Dharma é algo fora de nós. Algo para se acreditar, algo para se medir. No entanto, Dharma não é uma crença, não é um dogma. É uma total apreciação da impermanência e da mudança. Os ensinamentos se desintegram quando tentamos agarrá-los. Temos que experimentá-los sem esperança. Muitas pessoas corajosas e compassivas os experimentaram e os ensinaram. A mensagem é: “Sem medo”. Dharma nunca significou uma crença que nós seguimos cegamente. O Dharma não nos dá nada, mesmo, para segurarmos.

Não-teísmo é finalmente perceber que não há uma babá com que você possa contar. Você acaba de conseguir uma boa e logo ela (ou ele) se foi. Não-teísmo é perceber que não apenas babás vêm e vão, mas toda a vida é assim. Essa é a verdade, e a verdade é inconveniente. Para aqueles que querem algo pra segurar, a vida é ainda mais inconveniente. Desse ponto de vista, teísmo é um vício. Somos todos viciados em esperança. Esperança de que a dúvida e o mistério irão desaparecer. Esse vício tem um efeito doloroso na sociedade. Uma sociedade baseada em montes de pessoas viciadas em conseguir terra firme para pisar não é um lugar muito compassivo.

A primeira Nobre Verdade do Buda é que, quando sentimos sofrimento, não significa que alguma coisa está errada. Que alívio! Finalmente alguém disse a verdade! Sofrimento é parte da vida e nós não precisamos achar que ele está acontecendo porque nós, pessoalmente, fizemos a escolha errada. No entanto, na verdade quando sentimos o sofrimento, acabamos achando que algo está errado. Como estamos viciados em esperança, sentimos que podemos abafar nossas experiências, ou avivá-las, ou modificá-las de alguma forma. E continuamos sofrendo muito.

No mundo da esperança e do medo, nós sempre temos que trocar de canal, trocar a temperatura, trocar de música. Porque algo está ficando desconfortável, algo está ficando impaciente, algo está começando a doer. E nós continuamos buscando alternativas. Em um estado mental não-teísta, abandonar a esperança é uma afirmação. O começo do começo.

Esperança e medo vêm da sensação de que nos falta algo. Eles vêm de uma sensação de pobreza. Nós não conseguimos simplesmente relaxar em nós mesmos. Nós nos agarramos à esperança. E a esperança nos rouba o momento presente. Sentimos que alguém sabe o que está acontecendo, mas que há algo faltando em nós, algo está em falta no nosso mundo.

Em vez de deixar a negatividade tirar o melhor de nós, podemos reconhecer que agora mesmo nos sentimos mal. Essa é uma coisa compassiva a se fazer. Essa é a atitude corajosa a tomar. Podemos cheirar o mal que nos sentimos, podemos sentir! Qual é a textura, a cor e a forma? Podemos explorar a natureza do sentimento. Podemos conhecer a natureza do desgosto, vergonha, e não acreditar que há algo errado nisso. Podemos abandonar a esperança fundamental de que existe um eu melhor, que um dia vai emergir. Nós não podemos simplesmente pular por cima de nós mesmos, como se não estivéssemos lá. É melhor dar uma olhada direta em nossas esperanças e medos. Então, uma espécie de confiança, nossa sanidade básica, surge.

É aí que entra a renúncia. Renúncia da esperança de que nossas experiências podem ser diferentes. Renúncia da esperança de que nós podemos ser melhores. As regras monásticas budistas que recomendam renunciar ao álcool, renunciar ao sexo e assim por diante, não estão indicando que essas coisas são inerentemente más ou imorais. Mas que nós as usamos como baby-sitters. Nós as usamos como um caminho para escapar. Nós as usamos para tentar obter conforto e para nos distrair.

Na verdade, o que renunciamos é à esperança tenaz de que podemos ser salvos de quem somos. Renúncia é um ensinamento que nos inspira a investigar o que está acontecendo cada vez que nos agarramos a alguma coisa porque nós não conseguimos aguentar e encarar o que está por vir.

Se a esperança e o medo são dois lados da mesma moeda, então a desesperança e a coragem também são. Se desejarmos abandonar a esperança para que a insegurança e a dor sejam exterminadas, então podemos conseguir a coragem para relaxar na falta de chão firme de nossa situação. Esse é o primeiro passo no Caminho.

(…)

Sem-esperança é o terreno básico. De outra forma estaremos fazendo essa jornada na esperança de obter segurança. Se fizermos a jornada para obter segurança, estaremos nos perdendo completamente da meta.

Nós podemos fazer nossas práticas de meditação com o objetivo de obter segurança; nós podemos estudar os ensinamentos com o objetivo de obter segurança; nós podemos seguir todas as diretrizes e instruções com o objetivo de obter segurança; mas isso só vai nos conduzir à decepção e à dor. Podemos poupar muito tempo a nós mesmos levando esta mensagem muito a sério agora mesmo: comece a jornada sem esperança de obter um chão firme onde pisar. Comece sem-esperança.

Toda ansiedade, toda insatisfação, todas as razões para esperar que nossas experiências possam ser diferentes, estão enraizadas no nosso medo da morte. O medo da morte está sempre no cenário de fundo. É como disse o mestre Zen Suzuki: “A vida é como entrar num barco prestes a zarpar e afundar”. Mas é muito difícil, não importa o quanto escutemos, acreditar na nossa própria morte. Muitas práticas espirituais tentam nos encorajar a levar nossa morte a sério, mas é impressionante como é difícil permitir que isso aconteça. A única coisa na vida que nós realmente podemos contar, é incrivelmente distante para todos nós. Nós não chegamos ao ponto de dizer: de jeito nenhum, eu não vou morrer! Porque é claro que nós sabemos que vamos. Mas definitivamente é mais tarde, essa é a maior esperança.

Somos criados em uma cultura que teme a morte e a esconde de nós. No entanto, nós a experimentamos o tempo todo! Nós a experimentamos na forma de decepção, na forma de coisas que não funcionam. Nós a experimentamos na forma de coisas constantemente em um processo de mudança. Quando o dia acaba, quando o segundo acaba, quando respiramos, essa é a morte na vida diária. A morte na vida diária também pode ser definida como a experiência de todas as coisas que não queremos: nosso casamento não está funcionando, nosso trabalho não está satisfatório.

Ter uma relação com a morte na vida diária significa que nós começamos a ser capazes de esperar, a relaxar na insegurança, no pânico, na vergonha, nas coisas que não estão funcionando. Conforme os anos passam, nós não chamamos as babás tão rapidamente. A morte e a não-esperança dão a motivação adequada. Motivação adequada para viver uma vida contemplativa e compassiva. Mas a maior parte do tempo, evitar a morte é nossa maior motivação. Nós tendemos a evitar qualquer sensação de problema. Nós sempre tentamos negar que é uma ocorrência natural que as coisas mudam. Que a areia está escorrendo entre nossos dedos. O tempo está passando. Isso é tão natural quanto a mudança das estações, e o dia se transformando em noite. Mas ficarmos velhos, ficarmos doentes, perdermos o que amamos, nós não vemos esses eventos como ocorrências naturais. Nós queremos evitar essa sensação de morte, não importa como.

Relaxar no momento atual, relaxar na falta de esperança, relaxar na morte, não resistindo ao fato de que as coisas acabam, as coisas passam, de que as coisas não têm uma substância duradoura e que tudo está mudando o tempo todo. Essa é a mensagem básica.

 

Palestra Não teismo destemido –  Tradução Sebastian Valle

veja o video:

Fearless Nontheism  – Pema Chodron

http://youtu.be/5_BoPc3Ca9o

 

http://www.youtube.com/watch?v=5_BoPc3Ca9o

 

Fé francis alys

O ARTISTA FRANCIS ALYSS E A FÉ REMOVENDO MONTANHAS

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Francis Alyss, belga de nascimento, usa a arte e faz das suas intervenções uma possibilidade de mobilização e questionamento social.  Em 2002 ele reuniu um grupo de 500 voluntários que armados de uma pá, lado a lado, formaram uma linha numa montanha de areia. Trabalhando conjuntamente, moveram o topo da duna, cerca de 10 centimentos. Este projeto foi realizado no Peru, próximo a Lima. A natureza épica dessa realização será certamente  mantida na tradição oral dos participantes, como um registro do que pode a força humana.Um mito contemporâneo.
(Cuando la fe mueve montañas, 2002)

 

 

 

 

http://www.francisalys.com/public/cuandolafe.html

Fé Gal Oppido - lambe lambe Berlim

Fé – 22a. Edição

 

Fé parece com acreditar, mas é diferente. Posso acreditar que comer brócolis faz bem à saúde, mas isso não significa que eu tenha fé em brócolis, ou confie totalmente no fato de que vegetais sejam saudáveis. As informações nutricionais mudam muito e dependem da fonte. A fé por sua vez é um contato direto com a fonte e não permite espaço para dúvida. Fé e dúvida não coexistem, enquanto que confiar com dúvida pode, mas vira desconfiar.

Carolina Chagas garante que a fé é igual olho castanho: quem tem, tem. Regina Datti viveu epifanias e deslumbramentos nas catedrais da Europa. Flávia Cirne registrou do alto de um helicóptero as homenagenss à Yemanja, em Salvador. Mateus Soares de  Azevedo ensina que a fé salva, mas o conhecimento liberta. Jeff Anderson descobriu mudando para uma favela que a fé é a gasolina para o motor científico e lutas sociais, e fez muita coisa por lá. Glaucia Rodrigues  nos apresenta o encantamento do Festival de Musica Sagrada de Fez, no Marrocos.

Ainda nessa edição, Eureka!, meu texto sobre um momento épico de uma formiga, os ensinamentos de Pema Chodron que mostram que medo e esperança são faces de uma mesma moeda aprisionante ,e Francis Alyss que usa a arte e suas intervenções como instrumentos de mudança social. No México ele provou que a fé e a mobilização grupal, de fato, movem montanhas.

E você, no que acredita?

 

 foto banner: Gal Oppido – lambe lambe em Berlim

 

 

 

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SANDRA CINTO – Mares e Céus

 

Sandra Cinto é artista plástica, nascida em Santo André, São Paulo.

A partir da  sua participação na 24a. Bienal de São Paulo, em 2008,   seu trabalho ganhou enorme reconhecimento internacional. Atualmente é representada por galerias em diversos países, e sua obra já foi exibida em museus ao redor do mundo.

Seus trabalhos tem a predominância da cor azul, e seu suporte preferido é a parede. Nela ela utiliza canetas de diferentes tons de prata e de várias espessuras para alcançar o céu, trazer um mar revolto, mover montanhas.

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Aqui um vídeo incrível com a versão longa da execução da instalação “Encontro das Águas” em Seattle.

Aqui numa entrevista ao programa Metrópole, por ocasião da exposição “Imitação da Água” que realizou no Instituto Tomie Ohtake

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JODHPUR – a cidade azul

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Incrustrada no meio do Rajastão, Jodhpur é uma cidade exposta a uma iluminação extraordinária e se tornou  conhecida como a cidade azul. Azul porque  os Brahmanis marcavam suas casas nessa cor para que elas se diferenciassem das demais. Azul porque é uma cor que refresca, azul porque um dos elementos do pigmento é um conhecido repelente de insetos. Azul porque Jodhpur é rodeada pelo deserto de Thar,  e azul é água.  Se você perguntar a um residente, à algum guia, ou ainda buscar a resposta  num livro sobre a cidade essas são as explicações que você vai receber. Mas se somente essas explicações bastassem, talvez a India toda fosse azul. De qualquer forma ela é uma joia azul, com seus palacios, suas casa simples e seus alegres moradores coloridos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fotos: Steve Mc Curry  

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PICASSO E A FASE AZUL

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“Comecei a pintar em azul , quando percebi que Casagemas havia morrido”, escreveu Picasso. Casagemas era amigo de Picasso e cometeu suicidio em 1901, após ter sido rejeitado por uma mulher por quem estava apaixonado.

As pinturas dessa fase ficaram conhecidas como a fase azul.

Picasso retrata  a solildão, a pobreza, mendigos, cegos, a velhice. Sua melancolia se expressa monocromaticamente em azul, com uma pequena permissão ao verde.

É  também um período de vida materialmente precário;  vive entre Barcelona e Paris , onde divide a casa com o escritor Max Jacob. A casa pequena, de apenas uma cama era revesada entre eles: Picasso dormia durante o dia e trabalhava a noite; e Max Jacob dormia a noite e trabalhava durante o dia.

A fase azul se  estende até 1904,  quando Picasso conhece Fernande Olivier, uma modelo por quem  se apaixona. Aí se inaugura a fase rosa, que dura até 1906.  Posteriormente Picasso revela que o seu famoso quadro “As meninas de Avignon” foi inspirado em Fernande. Juntos eles vivem um romance, por 7 anos.

andrey narchuk - me afeta

AZUIS – 21a. Edição

As placas com o nome de rua são azuis; as mais antigas, azul da Pérsia, as mais novas, azul real. A antena da avenida paulista é azul neon, a sandália havaiana é azul Klein. Yves Klein era artista, francês e se interessava pela teoria das cores. Queria contrariar Aristóteles, cor não é física é espectro é luz, mas Goethe e Da Vinci já tinham dito tudo isso.

Yves Klein

Meio narcisista, batizou o pigmento com o seu nome, International Klein blue, como hoje batizamos com nossos nomes los astros que tiritam azules a los lejos. Já pensou em dar uma estrela à alguém?
Azul da china, azul egípcio, azul provence, azul maya, azul da prussia. A cor do jeans é indigo; o firmamento,  just blue.  Blue é o azul psíquico, a melancolia,  a tristeza da alma.  Em português, “tudo azul” é estar bem, já em alemão “blau werden” significa “ficar azul”, que é o mesmo que estar bêbado. Blues era o que a Amy cantava. Azul marinho é o mar que nunca se cansa, turquesa é o azul que quase quer  ser verde.

Abrilhantam esse AZUIS convidados especiais : Nick Selway, fotógrafo consagrado que nos enviou direto do Haway ondas incríveis; Guyer Salles e suas belas aquarelas maritimas; Carlos Neves e o que um Van Gogh é capaz de provocar; Eliete Negreiros e deliciosos azuis musicais e o  Triste de Alberto Pereira Lima. Ainda : Jodhpur, Picasso, Sandra Cinto e também O tapa da luva, meu  pequeno conto.

Mergulhem prazeirosamente nessa edição !

 

foto banner: Andrey Narchuk 

 

 

 

 

 

animais e a psique - capa do livro

OS ANIMAIS E A PSIQUE por Roseli Ribeiro Sayegh e Maria Helena Monteiro Balthazar

 

No estudo da psique sob o enfoque da psicologia analítica de Jung percebe-se a frequente presença e importância dos animais na produção cultural de indivíduos de diferentes partes do mundo, assim como nos sonhos, desenhos, fantasias e outras expressões do inconsciente. Por essa razão é extremamente relevante pesquisar e analisar as diferentes maneiras que a psique humana se manifesta e se incorpora nas formas animais.

O animal é um dos símbolos mais poderosos para o ser humano, tanto na vivência interna quanto externa, estando presente não só na expressão individual, mas num sentido mais amplo, na expressão da cultura por meio dos mitos, dos contos, do folclore e da arte.

Na busca da compreensão de si mesmo é essencial entender os animais e seu significado simbólico, para que se possa elaborar os instintos e ampliar a consciência.

À medida que o desenvolvimento do indivíduo espelha o da espécie, constata-se no ser humano a recapitulação da vivência das fases evolutivas da vida animal. Simbolicamente, os animais são uma parte do homem, que contém em si todos eles.

Dentro de nós existe o lobo, o carneiro, a onça, a raposa, etc…, e assim podemos identificar no comportamento humano muitos aspectos que traduzem a energia e a força de diferentes animais, o que se verifica nas expressões populares tais como: “ter uma fome de lobo”, “manso como um carneiro”, “bravo como uma onça”, “esperto como uma raposa”.

A relação do homem com o mundo animal aponta para a relação entre sua consciência e seus instintos. A maneira como lidamos com essas energias, como as vivemos, como as equilibramos, vai determinar nossa liberdade ou nossa escravidão. A submissão “cega” aos instintos assim como o oposto, a repressão deles, conduz a uma estagnação da consciência. Assim, torna-se imprescindível o diálogo com nossa instintividade, na direção de um equilíbrio interno que nos libera, ampliando nossas possibilidades de ser.

Historicamente, a convivência entre homem e animal vem sofrendo transformações, atualmente revelando-se uma harmonização que se constata no movimento de preservação da vida animal. A atitude predatória correspondente a uma dinâmica de repressão dos instintos, de épocas anteriores, vem dando lugar a uma postura mais humilde de respeito e de reconhecimento do animal como essencial para a sobrevivência do planeta, analogamente sinalizando o despertar da importância da vivência instintiva consciente para o equilíbrio da vida psíquica.

Homem e animal se constituem numa unidade indissolúvel e fundamental para o equilíbrio ecológico.

 

foto banner : imgem parcial da capa do  livro  Os animais e a psique
foto criança e tigre: Adrian Sommeling 

 

                                                                  


Roseli Ribeiro Sayegh
, psicoterapeuta de orientação junguiana e técnicas corporais, professora e supervisora do curso de especialização Jung e Corpo do Instituto Sedes Sapientiae e coautora do livro Os Animais e a Psique – do simbolismo à consciência, volume I publicado em 2000 e volume II no prelo.

 

 

 

 

Maria Helena Monteiro Balthazar, psicoterapeuta de orientação junguiana e técnicas corporais, Mestre em Psicologia clínica pela PUC-SP, professora e supervisora do curso de especialização Jung e Corpo do Instituto Sedes Sapientiae e coautora do livro Os Animais e a Psique – do simbolismo à consciência, volume I publicado em 2000 e volume II no prelo.

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A ARTE IRÔNICA DE MOZART GUERRA

 

Mozart Guerra  nasceu em Recife, em 1962. Vive e trabalha como escultor em Paris, desde 1992.
Atualmente seu trabalho está focado nas formas animais. Segundo ele, sua produção  é uma ironia sobre a relação ambígua que o ser humano exerce com a natureza. Ao mesmo tempo em que ele a admira, ele a destrói.  Os materiais utilizados são  isopor ou espuma expansiva revestidos por cordas coloridas, que funciona como uma pele que envolve as  esculturas.
Participou de várias exposições individuais e coletivas em salões de arte e galerias no Brasil, França, Canadá, Alemanha, Bélgica, Portugal, Espanha, Luxemburgo e Itália.

 

 

 

 

 

http://www.mozartguerra.com/index.cfm?lang=pt

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O JOGO DO BICHO

 

Em 1892, o barão João Batista Viana Drummond, fundador do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, criou a loteria do bicho . Sua intenção era  atrair mais gente para o zôo,  já que o  governo havia feito um corte nas verbas e ele não tinha como manter o local. Mandou imprimir o desenho de 25 bichos nos ingressos, e  às 5 da tarde, sorteava um deles. Quem tivesse a figura do bicho sorteado ganhava 20 vezes o valor da entrada.
“No início, todo visitante do zôo recebia um bilhete com a imagem de um bicho. Mas, a partir de 1894, cada um podia comprar quantos bilhetes quisesse. Daquele ano em diante, o jogo do bicho deixou de ser um simples sorteio e se transformou em um jogo de azar”, afirma a roteirista de cinema Elena Soárez, autora de uma tese de mestrado sobre o assunto.
Para combater as apostas, que se tornaram uma mania em toda a cidade, a Prefeitura impediu o sorteio em 1895. Mas  em vez de enfraquecer a jogatina, a proibição fortaleceu os bicheiros. Se antes eles compravam os ingressos no zôo e os revendiam pela cidade, a partir daquele momento eles se juntaram para realizar o sorteio por conta própria. Nem a ameaça de cadeia para os bicheiros com a criminalização do jogo, em 1946, conseguiu segurar a jogatina.

Àquela altura, o bicho já era uma mania instalada no imaginário popular, apoiado em uma rede de relações pessoais e no infalível “jeitinho brasileiro” para driblar a repressão. Mesmo proibido, o bicho continua até hoje com três sorteios diários.

Por causa da repressão, o resultado do bicho é divulgado de maneira disfarçada, para não chamar a atenção da polícia. Um dos costumes é anunciar os animais sorteados em classificados ou em rádios clandestinas. No entanto, na internet existem sites especializados na divulgação do resultado do  jogo do bicho e até no Twitter.

Quem estuda o jogo garante: a possibilidade de associar os bichos com o dia-a-dia e até com os sonhos foi fundamental para fixar o jogo no imaginário popular. Para os apostadores, tudo é motivo para um palpite. Foi traído por um amigo falso? Jogue no urso. Sonhou com fuga ou perseguição? Aposte no cachorro. Foi roubado? Crave no gato, pois o felino representa o ladrão. Na sabedoria das ruas, as combinações são infinitas…

 

 

Esse texto foi reproduzido parcilamente do site

http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-e-a-origem-do-jogo-do-bicho

marsel Van Oosten

O BICHO – 20a. edição

 

Nosso DNA é 99,3%  semelhante ao de um chimpanzé, e no entanto, esta diferença mínima  nos deu  um cérebro complexo com a capacidade única de simbolizar. E de criar, desenhar, se apaixonar, fazer planos, escrever.

Uma edição linda em que os colaboradores nos trouxeram além da alegria, beleza e  inspiração que os animais nos provocam,  também as  dificuldades  e desafios que se estabeleceram nessa  relação.
Lalau e Laurabeatriz,  Move Institute,  Ricardo Amaral Rego, Maria Helena Balthazar e Roseli Ribeiro Sayeg  e ainda  fotos de Gregory Colbert, a rã de Caetano e Bashô e a arte de Mozart Guerra. 

Visitem, compartilhem e assinem a petição do Move contra o comércio de peles. O link está lá no post.

 

foto: Marsel Van Oosten 

Livros Publicados por Lalau

Livros publicados:

• Companhia das Letrinhas

“Bem-te-vi e outras poesias”

“Girassóis e outras poesias”

“Fora da Gaiola e outras poesias”

“Uma cor, duas cores, todas elas”

“Quem é quem” (traduzido para o espanhol, lançado no México)

“Faz e acontece no circo”

“Faz e acontece no faz-de-conta”

“Futebol!”

“Hoje é dia de festa” (coletânea)

“Zum-zum-zum” (antologia)

“Papai Noel, um velhinho de muitos nomes” (coletânea/Lalau)

“Letrinhas Eletrônicas” (coletânea – CD Rom)

“Que João é esse? Que Maria é essa?”

“Meu filho pato” (coletânea/Lalau)

• Cosac & Naify:

“Brasileirinhos”

“Novos Brasileirinhos”

“Mais Brasileirinhos”

“Bem Brasileirinhos”

“Diário de um papagaio” (prosa)

• Cortez Editora

“Qual é que é” (traduzido para o espanhol).

• Scipione:

“O caçador de palavras” (prosa)

“A última árvore do mundo”

“Caminho da roça” (lançamento 2013)

• Editora e Fundação Peirópolis:

“Boniteza Silvestre”

“Japonesinhos”

“Belezura Marinha”

“Árvores do Brasil”

“Formosuras do Velho Chico”

“Passarinhos do Brasil” (lançamento 2013)

• Editora Manole:

“Sobre Vôos”

“Os números”

“As letras”

Coleção poesia no Corpo: “Bate, bate, coração!”, “Olho por olho” e “Dente por dente” (lançamentos 2013)

• DCL

“Hipopótamo, batata frita, nariz: tudo deixa um poeta feliz”

“Elefante, chapéu e melancia: em tudo tem poesia”

• Editora Leya

“O que levar para uma ilha deserta”

• Editora Globo

“O presente do Saci” (lançamento 2013)

• Editora Biruta

“Confusão na fazendinha” (lançamento 2013)

• Dash Editora

“Ai! Que frio!” (título provisório/animais do Ártico – lançamento 2013)

• Livro-objeto

“Poemas esparadrápicos” – Doutores da Alegria

• Prêmios:

– Livro vencedor do Prêmio FNLIJ, categoria Poesia em 1994 – “Bem-te-vi e outras poesias”

– Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – Altamente Recomendável para: “Bem-te-vi e outras poesias”, “Girassóis e outras poesias”, “Fora da Gaiola e outras poesias”, “Uma cor, duas cores, todas elas”, “Brasileirinhos” e “Diário de um papagaio”, “Formosuras do Velho Chico” e “Árvores do Brasil”.

– Catálogo White Ravens – “Mais Brasileirinhos” e “Novos Brasileirinhos”

– Catálogo Feira de Bolonha 2010 – “Os números” e “As letras”

– Catálogo Feira de Bolonha 2011 – “Belezura marinha”

– Selecionado para o acervo da Coordenadoria Municipal de Bibliotecas (SMC/PMSP) – “Japonesinhos”

– Selecionado para o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) – 2010 – “Japonesinhos”

– Selecionado para o Catálogo de Bolonha 2009 – FNLIJ´s selection 46ª Bologna Children’s Book Fair 2009 – “Japonesinhos”

– Selecionado para o Programa Nacional do Livro Didático – Obras Complementares PNLD 2010 – “Boniteza silvestre”

– Considerado um dos 30 melhores livros infantis do ano de 2007 pela Revista Crescer – “Boniteza silvestre”

– Selecionado para o Programa Mais Cultura da Biblioteca Nacional – 2008 – “Boniteza silvestre”

– Selecionado para o Acervo Básico pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) 2007 – “Boniteza silvestre”

– Considerado um dos 30 melhores livros infantis do ano de 2010 pela Revista Crescer – “Que João é esse? Que Maria é essa?”

– Selecionado para o Catálogo de Bolonha 2012 – “Árvores do Brasil” e “Elefante, chapéu e melancia: em tudo tem poesia”

– Selecionado para o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) – 2012 – “Belezura marinha” e “O que levar para uma ilha deserta”

– Considerado um dos 30 melhores livros infantis do ano de 2012 pela Revista Crescer – “Árvores do Brasil”

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O fotógrafo Helmut Newton

“Qualquer fotógrafo que afirma não ser um voyeur é ou um estúpido ou um mentiroso”       Helmut Newton

 

Helmut Newton nasceu em Berlim, em 1920.  E já aos  12 anos, quando ganhou sua primeira câmera, sonhava em se tornar fotógrafo da Vogue.

Judeu, fugiu de seu país em 1983 para escapar da perseguição nazista.Em 1946, inaugurou seu primeiro estúdio fotográfico e deu início ao seu relacionamento com a moda. Seu casamento veio um ano depois, quando fotografou a jovem modelo June Brunell, que viria a se tornar June Newton.

 

Helmut Newton morreu num  acidente de carro na Califórnia, em 2004. June foi companheira e assessora do marido e esteve sempre presente no seu trabalho, registrando os bastidores.Atulamente ela é a grande responsável pela perpetuação de sua memória, e da fundação que leva o seu nome.

 

Referências:

http://www.helmut-newton.com/helmut_newton/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Helmut_Newton