Arquivo da categoria: Edição 15: AUTOAJUDAS

03

O SEGREDO por Elza Tamas

Se você canta os números da sorte no bingo da sua  cidade,
se você é judeu ou tem azia.  Se  tiver ganhado  o Nobel de
química ou se gosta de roda gigante e depois quer ir ao
carrossel e depois tomar milk-shake e depois ir na montanha russa;
se você mora em Berlim ou se você usa um  chapéu esquisito
e  cuida da segurança do  papa, se sua avó foi escrava;
se você prefere  sentar na janela no avião ou se você
está numa cama de hospital. Se você nunca seca os cabelos
quando lava,  ou se você seca; se o semáforo sempre fecha quando
você chega, e se o verde não  é sua cor. Se você viu demais,
ouviu demais e nunca esqueceu, se você é destro
ou anda de muletas; se doou ouro para o Brasil, se você
sente raiva, ou se você  gosta de ir à feira; se você quando
olha para o céu tem saudades,  se você pesca
peixes, ou prende passarinhos em gaiolas, ou tem
déficit de vitamina D. Se você  tem um plano de saúde que foi
vendido, ou acredita no espírito santo, ou os  dois. Ou nenhum.
Eu tenho uma notícia: você vai morrer. Quase tudo que você faz
é para adiar, disfarçar, fingir que o assunto não é com você. Mas é.
Você vai morrer.

.

Elza Tamas idealizou e desenvolve este site

www.forademim.com.br

foto: Mario Bock

.
.

foto banner: Elza Tamas

05

ARTES MASTURBATÓRIAS por Stéphane Malysse

.

ARTES E MANIAS DA PRÁTICA MASTURBATÓRIA

 

Nem precisei de revisão técnica ou de manipulação erótica: a masturbação é um assunto interessante e ponto G. Para tocar no assunto não precisa se tocar de novo. Cada um adapta seus gestos ao seu sexo e acaba inventado cenários funcionais que não lhe deixam a desejar.
Neste artesanato íntimo é a repetição da prática que faz o trabalho ficar bom.
Posição da mão, ritmo, pressão, lubrificação, pontos acessíveis com a mão livre, imaginação, pessoas reais ou virtuais convidadas a participar de longe ou de perto, cada micro-gesto é sabidamente elaborado ao fio das manobras e das suas repetições para criar o clima e atingir o clímax: o gozo (não o lacaniano, mais o seu próprio).
Sejamos sinceros e sem falso puritanismo… quando se trata de masturbar-se, cada um de nós sabe muito bem o que faz com seus instrumentos. Ao tocar levemente no assunto, uma masturbação intelectual se ativa rapidamente, oferecendo uma grande variedade de imagens eróticas e  éticas que se interpenetram sem parar. Que prazer… Que bom saber que a masturbação não deixa ninguém nem surdo, nem cego, nem estéril. Hoje não se fala mais de polução noturna ou Carte de France (como se chama na França, referindo-se ao desenho hexagonal das propulsões aos quatros pontos cardinais). Os aparelhos elétricos, mecânicos ou outras Fitas Brancas já não se usam mais (Graças ao fim de Deus!)

Totalmente liberada, democratizada e desmistificada, a masturbação está na moda e pode ser feita on-line.

Nesse momento privilegiado consigo mesmo, o ser humano experimenta uma sensualidade intensificada, alargada e alongada. Ao mesmo tempo relaxante e estimulante, a masturbação aparece hoje como um ato de resistência do indivíduo aos estímulos eróticos que o rodeiam a qualquer hora e em qualquer lugar: uma forma de resistir à pressão social e sexual, uma derivaçao sensual do individualismo generalizado, um hedonismo vapt voupt. Para ajudar nossos artesões sem imaginação, a rede de internet propõe cardápios variados e ajuda para encontrar seu tesão perdido. Do iphone ao ipad, da tela tátil ao cibersexo, muitos se tocam em publico sem perceber que este gesto remete direitamente à outros: nos trens, nos aeroportos e outros lugares públicos, podemos observar muitos gestos masturbatórios.

Nada melhor que uma boa sessão de  auto-erotismo para evitar os acidentes de percurso da libido contemporânea: com a masturbação, evite a promoção sexual. Num mercado sexual saturado de amantes potenciais, reais ou virtuais, a masturbação pode ser apresentada como uma opção para manter o seu eixo social e sexual na boa direção, não gastar dinheiro à toa e não colocar sua saúde mental e física à risco por algumas  sensações alheias. Artistas como Vito Acconci (Seedbed) ou Marcel Duchamp (Paisage fautif) já se tocarão muito bem no assunto e compensarão com material genético suas relações sociais frustradas: Vito Acconci se masturba em baixo do chão da galeria onde ele não está expondo nada, interagindo com seu público de forma discreta e seminal, enquanto Duchamp assina sua obra Étant donné com seu material genético numa tentativa de esvaziar seu desejo pela artista brasileira Maria Martins…

Magia da masturbação que nos permite criar sessões íntimas com quem desejamos e até criar monstros libidinosos, misturando à la carte pessoas reais e imaginárias, vistas ou conhecidas, vivas ou mortas. Ao mesmo tempo que é uma atividade manual e artesanal, a masturbação é uma atividade intelectual colocando em ação o nosso maior órgão sexual, nosso cérebro e a sua imensa reserva de imagens-corpos… Se o cérebro não tem gênero, as técnicas de  masturbação são muito diferentes para os homens e para as mulheres, e variam também muito de um para outro. Na verdade, nada mais complicado (tecnicamente) do que masturbar alguém desconhecido. Sua técnica favorita, afinada ao longo da sua vida,  não deixa muitas possibilidades de inovação… Em termo de masturbação, o homem é sempre clássico; ele (ou ela) repete geralmente a técnica artesanal que mais da certo: a sua própria. Treinando manualmente desde a sua vida uterina, o ser humano trabalha na sua técnica com muita aplicação, ciente que “o corpo é o primeiro e o mais natural instrumento do homem” (Mauss),  que a sua masturbação é a parte mais técnica de todas as técnicas sexuais. Na  maior parte do tempo, o ser humano usa apenas suas mãos (aliás   etimologicamente, masturbação quer dizer sujar  as próprias mãos ) mais numerosos acessórios podem ajudar-lo nessa   tarefa. Entre o Cyclone A10, a SOM  (Super Onanism Machine) e a mão, muitas pessoas não hesitam à por a mão na   massa para não ser tratados como massa no liquidificador.

Mais da fato, qual é a função sexual da  masturbação? Trabalhei no meu Diário acadêmico (2009) a noção de intersexualidade, explicando que “a sexualidade de uma pessoa depende de quem ela deseja (sexualidade fantasiada), de como ela mostra socialmente sua opção  sexual (sexualidade assumida) e do que ela faz realmente com seu sexo e seu  corpo (sexualidade praticada).” Assim  a sexualidade de uma  pessoa não é fixa mais se fixa no Outro, sempre evoluindo entre esses pólos  sexuais instáveis. Penso que a masturbação tem um papel importante na fixação  da sexualidade de uma pessoa, pois ela religa manualmente esses três pólos  volúveis e permite estabelecer uma constante através da repetição dos gestos e  das fantasias . Quando Lacan diz que “a  relação sexual não existe”, seria bom completar explicando que hoje em dia  só existe “ralação sexual”, pois numa  sociedade como a nossa, onde o orgasmo  obrigatório, a tirania do genital  e a ditadura do coito dominam, uma  espécie de produtivismo do gozo transforma  a sexualidade em um trabalho braçal, onde ralar a cenoura, por a mão na massa  ou dar um jeitinho são meros gestos de auto-estimulação que permitem manter a  (de)cadência. Vemos que nossa sexualidade é um trabalho manual, intelectual e  que manter à libido no ponto exige muitas manipulações… Mas quem se manipula  mais ?

Uma pesquisa quantitativa realizada nos Estados-Unidos  em 1990 aponta resultados interessantes sobre os fatores que influenciam a  frequência da masturbação:

  • O gênero: os homens se  masturbam mais que as mulheres. (Parece verdade)
  • A idade: os jovens se  masturbam mais que os idosos. (Faz sentido)
  • A origem étnica: os  afro-americanos se masturbam menos que os outros grupos étnicos.(Na Bahia  tive uma  impressão bem diferente…)
  • A religião: os católicos se  masturbam menos que os outros grupos religiosos. (Ai, a má fé católica   parece ter entrado em pratica…)
  • O estatuto marital: as pessoas   não casadas se masturbam mais do que as casadas. (E se fosse o   contrário?  e se a masturbação   fosse justamente uma forma de manter o casamento sem pular a  cerca?)
  • O nível de educação: mais diplomas, mais elas se masturbam. (ainda bem que não publiquei   meu currículo com esta matéria.)
  • A orientação sexual: os   bissexuais se masturbam mais que os homossexuais que se masturbam mais que   os heterossexuais.

Agora, cada um pode fazer a sua contabilidade   e ver onde se encaixa realmente. Mas, não precisa ser antropólogo para ficar   desconfiado  dos resultados deste estudo. Ao final, todo mundo sabe que,   quando se trata da sexualidade “realmente praticada”, as mentiras, as omissões   e outras artimanhas dominam os nossos discursos. Na auto-sexualidade, a
contabilidade é flexível e a ma fé constante. Com a progressão das relações   temporárias, da instabilidade e do zapping dos corações, a masturb-ação torna-se um paliativo do sexo-proeza e nunca deixa   ninguém na mão…

 

 

Thomas W. LAQUEUR, Solitary  Sex : A Cultural History of Masturbation, New York, Zone Books, 2003
Rachel P. MAINES, The  Technology of Orgasm : “Hysteria”, the Vibrator, and Women’s Sexual  Satisfaction, Baltimore (MD),The Johns Hopkins University Press, 1999
Stéphane MALYSSE, Diário  acadêmico, Estação das Letras e Cores, SP, 2009.Marcel MAUSS, As técnicas  corporais,  Sociologia e Antropologia  (1950), Cosak&Naify, 2007.

 

Stéphane Malysse é antropólogo e artista. Doutor em Antropologia
Social pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS /Paris).
Pesquisador associado do departamento de Antropologia da Goldsmith (Londres),
lançou seu primeiro livro, Diário Acadêmico pela editora Estação das Letras e
Cores (SP, 2008). Professor de Arte e Antropologia na E.A.C.H / USP Leste onde
seu website de antropologia das aparências corporais, Opus Corpus está
hospedado: http://www.each.usp.br/opuscorpus/
01

O PRIMEIRO PELO PUBIANO BRANCO por Sukie Miller- english version

 

 

Rito de passagem é uma cerimônia que marca importantes períodos de transição na vida de uma pessoa.
Todas as culturas têm seus ritos de passagem.Todas as tribos têm seus ritos de passagem, todas as famílias também, todos os indivíduos também.
Estudados, documentados, comparados e analisados, estes ritos revelam os valores de um povo.

jovem da etnia yawalapiti

Ritos de passagem assumem variadas formas. Alguns deles são tradiçoes transmitidas através de
eras. Exemplos destes rituais são batizados, bar mitzvahs, primeiras comunhões, cerimônias de casamento e funerais.

casamento real - willian e kate

As principais datas em nossas vidas também são ritos de passagem.   Nós as celebramos nos aniversários e bodas de casamento, chás de bebê, assim como em promoções profissionais e festas de despedida de funcionários que se aposentam.
Existem também aqueles ritos de passagem que marcam a aquisição de conhecimento. Enquadram-se nesta categoria as formaturas, desde o berçário até o jardim de infância, do colégio até a faculdade e a obtenção de diplomas para prática do Direito ou da Medicina.

Cada rito de passagem e cada celebração correspondente tem um tempo característico.

bar mitzvá

Aniversários são no dia em que nascemos, bar mitzvahs quando garotos judeus completam 13 anos, bebês são batizados  nos primeiros meses ou semanas de vida. A escola nos diz quando chega a hora de atravessarmos seus portões. Estes ritos de passagem são de conhecimento comum: todos nós os reconhecemos e podemos prever quando irão acontecer. Sabemos, também, como celebrá-los.
Existe, porém, um rito de passagem raramente abordado e, até onde sei, não celebrado. Ocorre quando descobrimos O Primeiro Pelo Pubiano Branco.
Ao contrário dos demais, este rito de passagem é sempre uma surpresa: nunca sabemos quando vai ocorrer. Ao contrário dos demais, sempre previsíveis, este rito não surge suavemente, mas sim, como uma erupção em nossas vidas. A um tempo tímido e ousado, choca quando nos damos conta de seu surgimento.
Chuveiros são um frequente local sagrado para a revelação do Primeiro Pelo Pubiano Branco, e o clima quente que impõe a mudança para maiôs apressam nosso despertar para este que é uma verdadeira ponte em direção à próxima etapa de nossas vidas.
Quase sempre, a chegada do Primeiro Pelo Pubiano Branco é alardeada por nosso espelho quando, ao nos olharmos nus diante dele, vemos que nosso mais íntimo adereço, antes de uma cor firme, agora perde sua lustrosa uniformidade. É só então que espionamos O Primeiro Pelo Pubiano Branco, firmemente acomodado dentro daquilo que costuma ser a própria imagem de nossa sexualidade.
Para as outras pessoas, a notícia é anunciada quando vamos à depilação. Maculadas e traídas, ouvimos: “Olha!Um pelo branco!” Mortificadas, olhamos estupefatas para o teto. Se surgisse em nossas cabeças, este mesmo intruso branco seria uma indicação para colorir os cabelos ou para
um novo corte. Mas – ?  Lá, bem no meio da privacidade entre nossas pernas? O que se espera de nós? Como lidar com isto? Será que O Primeiro Pelo Pubiano Branco é um prenúncio de que também nossa sexualidade está ficando grisalha?
Ao contrário dos demais ritos de passagem, não temos, por enquanto, nenhuma maneira aceita, consagrada, de marcar o evento do Primeiro Pelo Pubiano Branco. Talvez pudéssemos trocar pequenos presentes. Mas quais seriam eles? Talvez esteja na hora de programar um cruzeiro. Mas este rito de passagem é silencioso, discreto e acho eu, não pede nenhuma extravagância.
E também há a questão: a quem contar? Todos os demais ritos de  passagem são eventos públicos: convites são enviados e muitas ligações telefônicas se seguem. Mas este rito de passagem é privado.  A quem revelar: “Encontrei meu Primeiro Pelo Pubiano Branco”?
E quando? Num almoço? E, finalmente, de que jeito? Discretamente? Solenemente? Com um largo sorriso no rosto? Ou fazendo bico de  choro?
Alguma sugestão?

 

tradução: Anelise
foto banner: arte urbana

 

Sukie Miller, Ph.D., é norte-americana. Residiu em Nova York e na  Califórnia e mora atualmente em São Paulo, Brasil. Fundadora do Instituto para o   Estudo da Medicina Humanística, foi também uma das primeiras diretoras do Instituto  Esalen. Participou do desenvolvimento do campo de Educação Confluente e foi  membro de Diretoria do Instituto Jung de São Francisco, Califórnia, e do Conselho de Medicina do Estado da Califórnia (BMQA).
Sukie é autora de Depois da Vida: Desvendando a Jornada Pós-Morte, (Summus Editorial, 1997) e de Quando uma Criança Morre, (AXR Press, 2002).  A entrevista concedida por Sukie ao programa  de televisão a cabo Alternativa Saúde, apresentado por Patrícia Travassos, exibido
pelo canal GNT em setembro de 2010, rendeu sua inclusão na lista dos dez  melhores programas de televisão naquele ano.
Em São Paulo, Sukie mantém seu consultório de psicoterapia, realiza  supervisão de terapeutas e lidera seminários e grupos abordando diversos  assuntos.  Sukie Miller tem 72 anos e é Velha de Corpo.

 

 

 

The First Grey Pubic Hair

 

A rite of passage is a ceremony that marks important periods of transition in a person’s life.
Every culture has them. Every tribe has them, every family has them , and every individual has them. Studied, documented, compared, and analyzed, they reveal the workings of a people.
Rites of passage take many forms.
Some are traditions that are handed down to us through the ages. Examples of these are Baptisms, Bar Mitzvahs, first communions, wedding ceremonies, and funerals.
Key milestones in our lives are rites of passages, too.   We celebrate them atbirthday and wedding anniversaries, baby showers, and professional promotions and retirement parties.
Then there are those rites of passage that mark the acquisition of  knowledge. Falling under this category aregraduations, from nursery school  to kindergarten, from High School to college and the awarding of Licenses to practice law and
medicine.
Each rite of passage and every celebration of it has a designated time. Birthdays are on the day we were born,  Bar Mitzvahs
when a Jewish boy turns 13, babies are Baptized in the first weeks or months of life. The schools tell us when it is time to pass through its gateways. Common knowledge, we all know about these rites of passage and can predict when they are coming. We know, as well,   how to celebrate them.

There is, however, a rite of passage that is rarely discussed and, to my knowledge, never marked.  It occurs when we discover The First Grey Pubic Hair.
Unlike all others, this rite of passage is always a surprise:  we never know when it will occur. Unlike the predictable others, this rite doesn’t glide but rather erupts into our lives. Simultaneously shy and bold, it shocks us to attention.
Showers are a frequent sacred site for the unveiling of The First Grey Pubic Hair, and the warm weather switch to bathing
suits can hasten our awareness of   this bridge into a next phase of our lives.
Often the arrival of The First Grey Pubic Hair is heralded by our mirror when, standing naked before it, we see that our most
private solid colored patch has lost its sleek uniformity. It is then that we spy The First Grey Pubic Hair nestled into the flag of our sexuality.
For others the news is announced when we go for a waxing. Defiled and betrayed, we hear the words:  “Look! A grey hair!” Mortified, we stare wide-eyed at the ceiling.
If it appeared on our heads, that same grey
intruder would be a call to hair dye or a new hair do.  But there?  There in the privacy between our legs?  What is expected of us? How are we to deal with this?  Is The First Grey Pubic Hair a harbinger of the greying of our sexuality?

Unlike other rites of passage, we have no accepted, shared view of how to mark The First Grey Pubic Hair.
Perhaps small gifts should be exchanged. But what would they possibly be?
Perhaps it’s the time to book a cruise. But this rite of passage is a quiet one and doesn’t, I think, call for extravagance.

Then there is the question of who to tell?
All the other rites of passage are public events: invitations are sent and
phone calls made. But this rite of passage is private.  To whom do we reveal, “I have found The First Grey Pubic Hair?”
And when? Over lunch?And finally, how? Demurely? Solemnly? With a broad smile? A pout?
Any suggestions?

 

 

 

Sukie Miller, PhD, is a former New Yorker and Californian—who now lives in São Paulo,
Brazil. She was the founder of the Institute for the Study of Humanistic
Medicine and was an early director of the Esalen Institute. She was involved in
the development of the field of Confluent Education and is a former member of
the Board of the Jung Institute of San Francisco, California, and the Medical
Licensing Board of the State of California (BMQA). Sukie is the author of After
Death: Mapping the Journey (Simon and Schuster, 1997) and Finding Hope When a
Child Dies (Simon and Schuster, 1999).  In São Paulo, Sukie maintains a private psychotherapy practice, conducts supervision for therapists, and leads seminars and groups on various topics. The interview she gave to the Alternativa Saude program, presented by Patricya Travassos,
shown by GNT in July 2008, was named one of the ten best programs of the year.
Sukie Miller is 72 and Body-Old.

 

 

 

 

 

06

A MALDIÇÃO DA AUTOAJUDA E O TAROT por Mirna Grzich

 

 

Autoajuda é uma palavra engraçada. Ela tem  a mesma maldição
da palavra nova era (embora as empresas de indústria pesada
adorem usar esse termo, pois já tem uma nova geração que não sabe
o significado  histórico)…

Eu como aprendi a não dar murro em ponta de
faca sigo meu caminho me reinventando, fugindo de definições, fazendo
a minha  síntese existencial e de serviço ao mundo. Mas fui desafiada
pelo forademim a  colocar isso em palavras, dando o sentido mais
adequado  e profundo. Então vamos  lá.

Autoajuda contém embaixo de sua umbrela, primeiramente,
o autoconhecimento, pois somos como uma cebola, temos varias
camadas (muitos  vivem apenas na casca), as camadas dos pensamentos
e emoções, da energia (tão bem trabalhada pela medicina oriental), da alma,
do espirito e do vazio. Autoajuda  também contém o ensinamento espiritual,
pois ele inspira, ensina a meditar, a  respirar, a entender como os cinco
elementos  se manifestam em nós… Autoajuda  às vezes fica bem esotérica,
criando mitos e rituais complexos… que servem  sempre para alguma alma
desejosa de experiências e fenômenos…Para os  livreiros e editores
Autoajuda é  uma categoria de mercado, um nicho onde  colocam tudo
acima e um pouco mais.

Ken Wilber

Mas a palavrinha é bem maldita para os  críticos e pessoal da mídia,
empacados que estão no nível verde da espiral da  consciência, tão bem
desenhada por Don Beck  e super utilizada por Ken Wilber em sua evolutiva
Teoria Integral. O  nível verde significa entender e lutar pela ecologia e a
sustentabilidade, ser  democrata, a favor das minorias, tudo legal mas …sem
nenhuma consciência  espiritual.

Os níveis que vêm depois, o amarelo (da individuação) e o turquesa ( a volta ao mundo depois de um retiro,
de um  sabático, para ser um bodhisatva,) já estão no nivel do SER, onde entra o espiritual, enquanto o
verde é o último nível do TER…

espiral dinamica

 

O Tarot

Osho

Em 82 fui para os EUA,  e vivi por um tempo na California, estudando e meditando.
Em Santa Cruz conheci  Ma Prem Sona, essa incrível Master of Tarot, segundo
Osho/Rajneesh, que na época  assombrava o mundo a partir de sua comunidade visionária
no Oregon. Ele adorava  seu Tarot e só jogava com ela.

Sona me reconheceu de  alguma forma e começou a me ensinar. Eu estava casada com um psiquiatra  americano e ela era nossa vizinha. Mas meu lado comunicadora nunca vislumbrou a possibilidade de atender, de trabalhar isso. Eu só pensava em música e em escrever. Três anos se passaram,  me separei e preparava a volta ao Brasil, quando Sona me disse na despedida que eu  estava pronta, que era uma mestra do Tarot. Mas ele ficou fechado mais de 20  anos…

Ao voltar ao Brasil, criei o programa de radio Música da Nova Era em várias
rádios  pelo Brasil  e me  radiquei em SP, estudando budismo tibetano com
Chagdud Tulku Rinpoche,  com  longos retiros também no Oregon.
E vieram a revista Meditação, o livro dos  Anjos, muitos eventos, e
o Tarot parado.

Em meados de 2011,  para ajudar uma amiga em crise, puxei o Tarot e de
repente,  tantos anos depois,  minhas mãos sabiam o jogo de um jeito mágico
e a informação  vinha da maneira  como a pessoa precisava ouvir. Isso se
repetiu  muito até eu decidir  atender  pessoas, numa noite em Belo Horizonte
onde me  comunicaram que eu tinha  mais de  50 atendimentos naquela
semana,  todos…Tarot.

Descobri que Sona  tinha falecido em meados de 2011, na India, e entendi
que algo  misterioso  estava acontecendo, pois cada leitura que faço é
um milagre  e uma descoberta.
Que  ajuda a pessoa a ver seu karma e dharma, a se conhecer em
profundidade,  a  entender seu caminho.

Sempre pensei que meu  caminho fosse a comunicação, mas agora percebo
que ele se torna  uma arte, um  cuidado com o outro, um processo de terapia.
Uma síntese, a minha síntese.
Entender  seu momento. Dar sentido a sua vida…Isso é autoajuda? Que seja!

 

 

Mirna Grzich é atriz, jornalista e terapeuta, trabalha há 30 anos com terapia humanística e transpessoal, ecologia e sustentabilidade.Criou o programa Música da Nova Era em várias rádios brasileiras. Editou por 5 anos  a revista Planeta Meditação
Realizou com o SESC SP a Imaginaria 95  (arte, ciência, economia e espiritualidade), e Encontros com Homens e Mulheres  Notáveis, com mestres de várias tradições.
Escreveu  Anjos (editora 3), O Livro da Meditação (editora Globo) e  Anjos  Agora (editora Leya), e lançou a coleção de 16 CDs Quem é Você.
Realiza palestras, atendimentos e workshops  pelo Brasil, facilitando a conexão interna, inspiração, motivação, criatividade  e ação no mundo com consciência.Ecumenica e estudiosa de várias tradições  espirituais, é iniciada no budismo tibetano. Terapeuta nata, sintetiza sua experiência e sensibilidade para  ajudar a acordar e  viver em plenitude.

Leitura de Tarot: 11 8136.5197

[email protected]

Imaginaria Cultural
skype:mirnagrzich
youtube: canal mirna grzich 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

02

AUTO LÁ por Luciana Penna

auto lá

curta-se, seja-se, flua-se, experimente-se, assuma-se, sustente-se, liberte-se,
explore-se, goze-se-se-se-SE. auto-auto-AUTO: preferiria não. foda-se,
pode ser. preferiria não: automassagem, auto reflexo, auto estímulo, auto
definição, close, 3×4, DDD, DDI, 05437-001.  eu me GPS, eu me
responsabilizo, eu me endosso, eu me acho, eu me subscrevo-me, eu me
CNPJ, eu me toda pessoa  autônoma, eu  me free-me, eu celular pessoal + 9,
eu me autoconfiguro assinatura  senha smtp  pop3 saída e-mail, eu me dieta
exclusiva, eu me  autossuficiente, eu me personal  trainer, eu me autoajuda,
eu me  S.O.S-me: preferiria  não. eu me  cartão  eletrônico, eu me crédito,
eu me  vendo-me,  espio-me, eu pro alto, eu bem  alto,  eu-me quem?  e eu eu
eu eu-euzinha  não me  aguento-me (eu me  preciso de  ajuda-lhe-se-nós-tu-vós-éNÓIZ-você).

programação neurolinguística, autossugestão, fita cassete no carro,meditação,
introspecção, cd, dvd faça você mesmo: autoconsciência, autoanálise, auto
exegese, automóvel. não-não-não-NÃO. sinais, faróis, luzes, internas, autorais,
automáticas, auto executáveis, naturais-inerentes-próprias do ser humano-um-
uma-só, eu superior: preferiria não. programa de contagem de pontos, diário
pessoal, autoexame, balança no banheiro, IMC. não, obrigada. obrigada não.
comprovante-eu-me-basto, eu me posso, eu me mereço, eu me autopromovo,
eu me leio, eu me autorretrato, eu me escrevo,  eu me devo, eu me devo muito,
eu me devo muito para caralho: preferiria não. eu me autossustentável, eu me
autocontrole, eu me autodefesa menos ainda. eu me oito-oitenta-me, pode  ser.

tudo eu, tudo eu exclusivo, tudo eu incluída, eu não me dou conta, eu  não
me bato no timo, eu não me rezo, eu não me ponho mão na consciência, eu
não  me suco de clorofila, eu não me planto, eu não me adubo, eu não me
ouço-me,  eu não me saio  do corpo, eu não me projeção astral, eu não me
abduzida, deus não  me fala comigo se eu quiser falar com deus, eu não me
muitas vidas passadas,  eu não me capto coisas,  eu não me
auto-anti-depressivo, eu não me auto-pai eu não me auto-minha-mãe,
eu não me auto-filho e nem muito  menos me auto- neto. meu sobrenome
não é só meu, eu não me autografo, eu não , eu hein?

não me delegue-me só. por favor, outras-palavras, outra-ajuda, mãe-ajuda,
pai- ajuda, tio-ajuda, vó-ajuda, amiga-ajuda, prima-ajuda, madrinha-ajuda,
neguinho-ajuda, deus-ajuda, alguém ajuda, por favor?  anjo da guarda
preferiria  sim. cafuné sim. pedir ajuda sim. amor-amor-amor-sim.
pessoa-criança-moça- mulher-velha-cuidada sim.  gente é para  brilhar
sim. sim, sim, sim, SIM: gostaria sim. autópsia não, preferiria não.

 

 

 

Luciana Miranda Penna é das palavras e dos felinos. No momento, roteiriza Orlando, de Virginia Woolf para Grafic Novel; Uma aprendizagem ou
livro dos Prazeres
, de Clarice Lispector, para longa-metragem. Seu primeiro
romance Viagem a Casa da Mãe Joana, selo Edith, está no prelo.

 

foto: Eduardo Muylaert

 

04

ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO: ARTE REPARAÇÃO por Laura Villares de Freitas

 

Viver é muito bom, mas nem sempre é fácil. São necessários outros, pessoas que nos confirmem. Quando a história de vida não nos comporta satisfatoriamente, passamos a depender mais de recursos diferentes. Recolhemos, recortamos de nosso meio, nosso entorno, tudo o que possa nos trazer um sentido, nos nutrir de uma presença, nos confirmar como alguém nesse mundo. Dá-se também o sentido inverso: interferimos no que estiver ao nosso alcance, impingindo-lhe um nome, uma ordem, uma função, marcando nosso espaço. Somos frutos de nossa cultura e, simultaneamente seus agentes, coautores que colaboram com novos elementos e arranjos, mantendo-a dinâmica e viva.

Mesmo em casos  considerados extremos, quando a noção da realidade é tênue, em que se decide por afastar a pessoa do convívio usual e em que há fabulação e/ou alteração das percepções, a busca de um eu que tenha um sentido para sua vida permanece.

Essa foi uma das descobertas de Carl G. Jung (1875-1961), que começou sua carreira profissional num hospital psiquiátrico na Suiça, pouco mais de cem anos atrás. Ali buscava  contato humano genuíno com seus pacientes e percebeu que o sentido da vida é  algo buscado, construído, desconstruído e reconstruído, numa dinâmica incessante  ao longo da vida. É o processo de individuação, que se dá, em grande parte,  graças a uma disposição natural e inata em cada um de nós: a capacidade de
equilibração, busca constante e dinâmica da homeostase, auto-regulação, para a  qual concorrem tambem componentes pessoais e impessoais, relações afetivas, fatores do ambiente, da biografia, e elementos da cultura.

Nise da Silveira  (1905-1999), psiquiatra brasileira, montou ateliês de pintura, desenho, modelagem, marcenaria e costura no hospital psiquiátrico do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Oferecia aos pacientes recursos para uma expressão livre. Os  trabalhos ali realizados comoveram e transformaram vidas. Algumas de suas obras são hoje consideradas arte e alguns pacientes, artistas. Junto aos ateliês terapêuticos, inaugurou-se ali um museu, o Museu do Inconsciente.

Arthur Bispo do  Rosário (19011-1989), sergipano, filho de escravos, ex-lutador de box e ex-marinheiro, acabou se mudando para o Rio de Janeiro. Perto dos 30 anos, sofreu grande crise e acabou sendo internado, com diagnóstico de esquizofrenia. Teve algumas passagens pelo Engenho de Dentro, mas passou mais de 50 anos ali perto, internado na Colonia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.

Na falta de um  ambiente favorável e de outros que compareçam significativamente, a capacidade auto-regulatória da psique, expressa no impulso para a individuação, encontra apoio em elementos da cultura.

bispo do rosário

A arte tem enorme capacidade para acolher e promover tal processo. Permite o fluxo criativo entre a impressão e a expressão, entre autor e interlocutor. Manipula materiais e emoções, disparando processos que os transformam. E o produto final é uma obra que pode ser reconhecida como de valor e confere um lugar de pertinência a seu criador. Arthur Bispo montou seu próprio “ateliê” na cela em que ficou confinado por 7 anos dentro do hospital psiquiátrico. Dizia cumprir ordens superiores e divinas, que se  manifestavam numa voz interior, e ter uma missão especial: a de construir o  mundo em miniatura.

Aproveitava sucatas do hospital, desfazia lençois e uniformes para ter fios com que tecer, recolhia objetos descartados. Criava a partir de elementos do cotidiano, organizando listas, catalogando objetos, nomeando e redimensionando aspectos do dia a dia.
Nomeava e enumerava as pessoas que lhe eram significativas.

Fez pinturas, desenhos, bordados, assemblages de objetos e de palavras, “vitrines”. Como um peculiar arquivista, organizava o caos. Desconstruia e construia objetos e classificações, adotava novas perspectivas de olhar e criava diferentes hierarquias. Com isso era simultaneamente criador e criatura.

Bordava frente e verso, sabendo que o ser humano é tridimensional, tem memória, inconsciente, consciência e persona.

Alguns de seus trabalhos são didáticos, informando sobre os esportes, a geografia do mundo, as festas religiosas do Brasil. A maioria deles parece buscar um interlocutor que desconhece as coisas deste mundo.

 Classifica e organiza o mundo humano para que ele se torne inteligível, inclusive pela divindade. Costurou seu “Manto da  Apresentação”, para usar no dia do Juízo Final. No avesso, bordou os nomes de todas as pessoas de sua vida; no lado direito, seus principais signos e   símbolos. Dizia que sua missão seria apresentar a existência da Terra ao plano divino, e para isso trabalhou a vida toda.

        

Buscava atingir a divindade, mas sabia da importância pessoal de seu trabalho. Recusava o título de artista. Em vida, permitiu apenas uma exposição, no MAM do Rio em 1982, mas a ela não compareceu. “Estão dizendo que isso que eu faço é arte. Quem fala não  sabe de nada. Isso é a minha salvação na terra.” (“De Lá para Cá”, tvBrasil, 2011)

Foi postumamente reconhecido como grande artista, tendo hoje a obra exposta no Brasil e no  exterior. Criou-se o Museu Arthur Bispo do Rosário.

Simultaneamente artista de uma época e homem que buscou seu sentido pessoal de vida na expressão artistica, Arthur Bispo nos mostra como a arte é recurso com enorme potencial para colaborar com a autoequilibração psíquica.

Laura Villares de Freitas é psicóloga clínica, analista junguiana; trabalha em consultório há mais  de 30 anos. É também professora no Instituto de Psicologia na USP, onde orienta
teses e outros trabalhos, além de dar aulas. Gosta muito de arte e da natureza.
Tambem coordena grupos vivenciais e faz palestras. Publicou artigos e capítulos
de livros sobre a psicologia junguiana, trabalhos em grupos, psicoterapia,
sonhos e mitos vistos de um ângulo psicológico.

Contato: [email protected] ou [email protected]

dali203 musica Gabi

O QUE QUEREMOS DA MÚSICA por Gabriela Pelosi

É de senso comum que  ela  transforma o nosso estado afetivo. Que tem o poder de nos deixar mais energizados, românticos, contemplativos, ou de expressar o indizível. Desde Platão até os dias de hoje, inúmeras são as explicações para a relação que temos com aqueles sons a que chamamos música.

Mas o que tem esta arte que nos atrai como os meninos e meninas hipnotizados do conto alemão “O Flautista de Hamelin”? Uma possível resposta, evidenciada recentemente por estudos na área da neurociência musical, é o fato de que a música  geralmente  atende às  nossas  expectativas- mesmo que de maneira inconsciente- e nós seres humanos adoramos isso.

Sabe aquela sensação de que quanto mais ouvimos uma música mais  gostamos dela e mais queremos ouvi-la? Uma das razões é o fato de possuirmos um  sistema neurológico que aprendeu a antecipar o que está para acontecer e que se  diverte fazendo isso o tempo todo; seja uma linha melódica interessante, a  entrada do trompete na parte B ou um final apoteótico. Embora este fenômeno  seja mais acentuado e perceptível nas músicas que conhecemos bem, acontece quase  o tempo todo, e isso se deve ao fato de que a esmagadora maioria das músicas  que nós ocidentais ouvimos fazem parte de um mesmo sistema, o chamado tonalismo  ou música tonal.

<iframe width=”560″ height=”315″ src=”http://www.youtube.com/embed/cJsyMmC76aM” frameborder=”0″ allowfullscreen></iframe>iframe>

Neste sistema, desenvolvido durante séculos, existe um princípio básico de tensão e relaxamento. Primeiro ouvimos um som estável, depois outro tenso, seguido de um suspensivo, voltamos ao relaxamento e assim por diante. Ou seja, a tensão existe na música, porém sabemos que será resolvida em seguida e por isso apreciamos estes momentos ainda mais. Nós também gostamos de ser surpreendidos de vez em quando- mas não muito- e o bom compositor é justamente aquele que consegue alcançar o equilíbrio, prendendo a atenção do ouvinte ao jogar artisticamente com as regras do sistema.

Mas será que ter sempre as expectativas atendidas é bom para nós? E o empobrecimento da música que ouvimos nos meios de comunicação, é causa ou efeito deste medo de sair da zona de conforto?
Por mais que seja gostoso sentir-se no controle da situação, é  saudável nos arriscarmos. À medida que nos acostumamos com as pequenas  frustrações que estilos e linguagens musicais diferentes dos quais estamos
acostumados nos proporcionam, tomamos gosto pelo desconhecido, pela aventura.
Tais experiências tornam ainda mais prazerosas as audições das músicas conhecidas  há tempos. É como voltar para casa depois de uma viagem surpreendente.

Quer experimentar? Ai vão duas sugestões: o compositor John Adams e as Vozes Búlgaras.

 

 

Gabriela Pelosi é paulistana, musicoterapeuta e musicista.
Acredita imensamente no potencial da música para o desenvolvimento humano e com certeza seguiria  o flautista de Hamelin.

 

 

 

gabrielapelosi.com.br
teamwks.com.br