Arquivo da categoria: Edição 04: OS SENTIDOS

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Meu labirinto e os sentidos do deslumbramento, por Elza Tamas

Meu ouvido esquerdo não escuta, mas leva sustos, prevê tempestades e reconhece ambientes excessivamente tensos.  E também assobia em alerta quando eu estou para além de cansada. Um episódio de etiologia desconhecida rompeu a ligação nervosa que comunica a cóclea com o cérebro.  Quer dizer, com este ouvido escuto, mas não sou mais capaz de transformar o que escuto em som. Tenho uma antena, outrora especializada, agora aberta para livres captações.

Ver com os ouvidos, degustar com sons, escutar com os olhos.

Sinestesia é o fenômeno no qual a experiência de um sentido pode estimular outra área sensorial e operar conjuntamente com ela.

Edgar Degas

Graças a esta possibilidade plástica dos sentidos, Edgar Degas quando não conseguiu mais enxergar o suficiente para pintar, usou as mãos para esculpir e Beethoven surdo, visualizou a musica.

As artes estão repletas de experiências sinestésicas que soam como verdadeiras metáforas. No tipo sinestésico som-cor, o condutor de uma orquestra, por exemplo, vê uma explosão de cores ao reger uma sinfonia. Os compositores Leonard Bernstein, Nikolai Rimsky-Korsakov, e Franz Liszt eram todos sinestésicos.

Edgar Degas

Sinestésicos espaciais têm experiências de caráter tridimensional. Quando pensam num ano, ele pode aparecer como algo localizado no espaço próximo do chão, por exemplo.  Os dias podem se apresentar como volumes e os meses como seres com características peculiares. Abril pode ser um bonachão alegre, por exemplo.Estas metáforas sensoriais nos são bem próximas: conhecemos o gosto pouco convidativo de uma segunda feira e o brilho especial da sexta feira,  o verdadeiro sun day.Este fenômeno foi primeiramente descrito na academia ao redor de 1880, por Francis Galton, antropólogo e cunhado de Charles Darwin, ele mesmo um sinestésico de um tipo muito curioso. Digamos que ele era capaz de fazer contas pelo olfato, usando pitadas aromáticas de menta e canfora como medidas para somar e subtrair. Encorajado pelos resultados, começou a condimentar a matemática com açúcar, sal, quinino e outros temperos. Confesso que tenho muita dificuldade em entender como cheiro e aritmética podem se associar, embora reconheça o universo da matemática como um conceito volátil, inapreensível e os números como experiências incorpóreas, abstratas como um perfume.Num tipo mais raro sinestésico, as palavras estimulam a resposta gustativa. Seria como se a cada vez que eu pronunciasse a palavra metamorfose, minha boca fosse inundada pelo gosto de chocolate.No tipo sinestésico mais comum, letras do alfabeto se apresentam coloridas.O escritor Nabokov, outro sinestésico famoso, descreveu gamas de cores verdes para certas letras: folhas envelhecidas para a letra f, maças ainda a ponto de madurar para a letra p, pistache para letra t. Entre as marrons, o g, era borrachento e fofo, enquanto a letra hera monótona como um laço de sapato.Importante ressaltar que não estamos falando apenas de figuras de linguagem, mas de experiências sensoriais percebidas em áreas distintas do cérebro que com os recursos tecnológicos atuais, podem ser registradas em laboratório.

A sinestesia parece estar relacionada com um número maior de sinapses e com aumento de massa branca no cérebro. É hereditária, embora se expresse de formas completamente distintas entre pais e filhos. Mais presente entre os artistas sempre suscita a reflexão em torno da genialidade: teria ela um substrato de fato fisiológico ou os desafios de ver o mundo de outra forma, determinariam outro funcionamento do cérebro? O ovo ou a galinha?

 

trailer do filme “minha amada imortal”. Trecho em que Beethoven executa  “Sonata ao luar”.

Veja a lista de famosos sinestésicos

http://www.psychologytoday.com/blog/finding-butterfly/201104/are-you-synesthete

Livro  – Vendo Vozes: uma viagem ao mundo dos surdos – Oliver Sachs

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Eis o mundo de fora, por Adrienne Myrtes

Adrienne  Myrtes nos  apresenta em primeira mão, o mundo de fora.

 

O mundo visto de fora, a partir de dentro, sustenta-se no movimento, no carrossel da vida e morte que nos entorpece. Que nos turva os sentidos.

Os sentidos pertencem ao domínio da vida. Mas, que sentido tem a morte existindo no seu avesso?

 

CAPITÚLO 1

O diabo tocava flauta doce e me seduzia com olhos de bode. Era o grande Pan sorrindo sob os cílios. Pulei da varanda para cair em seus braços. Dez andares. A flauta se transformou numa cobra e armou o bote. Gritei. O diabo gritou. Era uma voz desenraizada dos nervos.

Coisa medonha.

Mas não era o diabo nem eu. Era Luis gritando na porta do quarto. Reconheci. Caí do sonho sobre a cama e pulei dela ainda sonolenta. Ele já entrava. A porta aberta, a luz colada a suas costas. Desviei o olhar para o braço direito dele que se dobrava, a mão comprimindo o antebraço esquerdo. Pulso.

Um tom de vermelho pintava um pano torcido que o ajudava a apertar o braço e aquilo era sangue. Sangue que empapava o pano, uma camiseta torcida com a qual ele tentava segurar a hemorragia.

Meu raciocínio demorava, as idéias se encostavam na parede da cabeça para ficarem de pé. Às cegas. Minhas mãos ao contrário raciocinavam independentes, iam cumprindo o necessário para prestar socorro. Meus pés obedeciam as mãos, seguiam sem questionamento.

Vi-me pegando a calça que estava jogada em cima de uma cadeira, puxando uma blusa do armário. Vestida, correndo para a cozinha e ligando para o ponto de táxi. O número, um ímã, na porta da geladeira. Voltando ao meu quarto, Luis ainda lá, agora sentado na cama. Chorando. Meus lençóis espalhando o corpo de uma mancha. Voltei a escutar seu lamento. Gemia.

A dor. Eu não consigo. Irene, me ajuda.

Coloquei a bolsa no ombro e peguei-o pela mão. Comprimi uma toalha limpa no corte. Ele retraiu o braço involuntariamente e me seguiu.

Irene, me diz que vai parar. Eu não agüento.

Saímos.

No táxi Luis chorava calado. A dor agora parecia maior. Situação absurda: Luis apertando o corte, tentando segurar a vida, prender seu fluxo do lado de dentro das veias. O sangue, quase bonito, fugindo dele.

O táxi rodando macio. Mudo. As ruas passavam sem nos cumprimentar, nem nos viam, abismadas em seus respiros. A respiração de Luis tropeçando em meu ouvido.

Silêncio.

O hospital com a boca aberta para nós. A mão enluvada das enfermeiras. Das auxiliares. Da luz branca que nos tocava no ombro, de leve. Um corredor parado, coagulado de queixas, pessoas, cortes, fraturas, dores expostas em veias e nervos, atropelados pela falta de espaço. Um homem, sentado, sustentava a bolsa de soro pelo fio do equipo igual a um balão num parque de diversões.

Se eu não estivesse anestesiada eu bateria em Luis.

Que merda foi essa?

Perguntei baixo. Só pra mim.

Luis não ouviu. Os olhos parados nas mãos da auxiliar de enfermagem que fazia o curativo no meio do corredor. Gestos rápidos, bruscos, eficientes como se deve ser quando se lida com genteem histeria. Pareciase perguntar se Luis não tinha coisa melhor a fazer àquela hora da madrugada, quando os seres humanos deveriam estar dormindo, trepando ou se embriagando. Mas essa pergunta era minha. Tonteira.

O branco do hospital me dando enjôo. Vertigem de alvura. As imagens inspiravam, expiravam, evaporavam no éter. Odor cegando o nariz. Afastei-me um pouco, os olhos procurando um bebedouro. Achei. Um braço engessado equilibrava uma criança e fazia malabarismos para brincar com o jorro da água salpicando o chão ao redor. Desisti de ir até lá e engoli a saliva tentando umedecer a garganta, mas era difícil parecer normal quando se está prestando assistência a alguém que desistiu de se suicidar.

Eu quis matar Luis.

O celular conduziu a informação das horas de dentro da bolsa até meus olhos, ainda tontos com tanta luz branca. Pisquei tentando guardar a informação. Seria bom dormir um pouco antes de ir trabalhar. E Luis teria que ficar bem. Os quatro pontos no pulso esquerdo iriam mantê-lo quieto por algum tempo, quatro espaçados e frouxos pontos. Aquilo ia cicatrizar de qualquer jeito. Fui até ele e fiz um carinho em seu cabelo. A auxiliar de enfermagem me olhou solidária, em seguida orientou como cuidar do corte nos próximos dias e o prazo para retirada do fio de sutura. Luis segurou em minha mão e eu o levei embora dali.

Outro táxi e estaríamos de volta para casa. Ele encostou-se em mim procurando colo. Abracei-o.

Você ainda me ama?

Eu estou me controlando pra não te bater.

Eu amo você muito.

Bicha louca.

( Eis o mundo de fora- Ateliê Editorial – capitulo I)

 

Lançamento: 20/11/2011 às 18 horas no b_arco  Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426 Pinheiros

http://baladaliteraria.zip.net

 

ADRIENNE MYRTES nasceu no Recife/Pernambuco e vive em São Paulodesde 2001. É também artista plástica. Publicou o livro de contos: A Mulher e o Cavalo e outros contos (Editora Alaúde, EraOdito Editora, 2006), a novela juvenil: A Linda História de Linda em Olinda (Editora Escala educacional, 2007) este último em parceria com o escritor Marcelino Freire e participou, das antologias Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século (Ateliê Editorial, 2004) e 35 Segredos para Chegar a Lugar Nenhum – Literatura de Baixo-Ajuda (Bertrand Brasil, 2007) entre outras. Eis o Mundo de Fora é seu primeiro romance e foi contemplado com o Prêmio Petrobras edição 2008/2009.

Foto: Andrea Del Fuego

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No Escuro, por Maria Lyra e Elis Feldman

Antes de entrar na sala escura, a perspectiva de encarar um breu disforme, nos causava nervosismo e ansiedade. Na escuridão cabem todas as nossas fantasias e medos mais secretos. Não era exatamente um consolo o fato de que quem nos guiaria no jantar também não enxergava, afinal  os garçons do restaurante eram todos  cegos.

Sentimos um prazer inesperado, a sensualidade de comer com as mãos, os  aromas e não mais a visão eram os mensageiros do que estava por vir à boca…

Como seria o salão de jantar? Podíamos imaginá-lo como quiséssemos. E as pessoas das quais apenas escutávamos a voz, sentíamos o cheiro ou roçávamos sem querer os dedos? Imagens sinestésicas se criaram na nossa mente.

Saímos andando pelas ruas escuras e vazias de Paris confabulando e vibrando com a experiência que permitiu descobrir tantas sensações novas dentro de nós. Tal como Alice, havíamos encontrado um lugar secreto que seguia outras leis! Estava germinado ali o grão do que logo se tornaria o nosso Ateliê No Escuro, um projeto que se propõem a disseminar esta experiência sensorial que tanto nos marcou!

Passamos a vendar pessoas e explorar este país das maravilhas. Vendadas, as pessoas curiosamente comem menos. Estão mais atentas a tudo que envolve o ato, antes automático, de comer. Com os sabores, texturas e aromas potencializados, é como se o alimento ganhasse uma outra dimensão. Esta desconstrução possibilita que comensais adorem, por exemplo, comer a abobrinha ou o chuchu que de olhos desvendados não gostavam nem um pouco. Alguns percebem seu corpo melhor, sentem se sua coluna está desalinhada e o quanto a cabeça de fato pesa quando não temos o olhar para estruturá-la verticalmente. Alguns ficam menos tímidos, outros mais, na falta do olhar do outro lhes balizando. Alguns sentem o impulso de dançar, outros preferem o silêncio, alguns falam sem parar.

Atravessando a fronteira do reinado do olhar, caminhamos rumo ao desconhecido.

O ato de excluir momentaneamente um sentido abre espaço para outros,  e, como  nossa cultura é muito pautada pela imagem,  tirar a visão desestabiliza o nosso modo usual de funcionar, muitas vezes mecânico e panóptico. Isso possibilita um trabalho com os sentidos  menos estimulados e, ao final, com o próprio olhar que pode ser ressignificado.

Ao desorganizar nosso esquema sensorial criamos novas sinapses, novas possibilidades. Sabe quando reparamos em uma árvore que na verdade sempre esteve ali, mas parece que só naquele momento começamos a enxergá-la? Assim são as potencialidades da nossa percepção, que estão ali, mas ainda não fazem parte da nossa paisagem cotidiana.

Acreditamos que estas experiências são capazes não só de ampliar um repertório sensorial, mas ressignificar cada um na sua relação consigo mesmo e com o ambiente ao seu redor.

“Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo” – Hermann Hesse

 

O Ateliê No Escuro nasceu em janeiro de 2008, a partir de uma visita ao Dans Le Noir em Paris. Foi fundado pelas psicólogas Elis Feldman e Maria Lyra, formadas pela PUC-SP no mesmo ano. Desde então elas realizam vivências sensoriais em restaurantes, espaços de eventos e na casa das pessoas, para o público aberto ou corporativo. Sua equipe é composta por psicólogos, uma terapeuta corporal e alguns músicos. Para mais informações acesse:  www.atelienoescuro.com.br.

 

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Moondog e a música do vídeo, por Filipe Franco

 

Essa edição do Fora de Mim ficou carente do costumeiro vídeo de entrevista. Melhor momento pra tratar desse enigma cultural, o homem por trás da música tema do vídeo.

 

 

A música faz parte de um dos 18 álbuns (sem mencionar Eps e singles) do compositor, músico, poeta, cosmologista e inventor de instrumentos musicais Luis Thomas Hardin, conhecido, ou pouco conhecido, como Moondog.

O trabalho é extenso, mas as notas são poucas, meticulosamente encaixadas e cada uma com um propósito certeiro, matador. Grandes compositores modernos como Philip Glass e Steve Reich o apontaram como fundador do conceito de minimalismo, ao que Moondog responde modesto “Bach já fazia minimalismo em suas fugas, então o que há de novo?”

Cego desde os 17 anos, por conta de um acidente com dinamites, o até então jovem caipira que morava em uma rústica cabana de madeira entre tribos nativas de Wyoming, decide estudar música na escola para cegos de Iowa, onde passou a escrever lindas peças (em braile).

Perto dos 30 anos, Moondog se muda para as ruas de Nova Iorque. Se estaciona em uma esquina da 6ª avenida (mais tarde batizada pelos moradores de Moondog’s corner) e lá  dá início a um cotidiano urbano, tocando suas excêntricas invenções e recitando poesias.

Seu traje, feito por ele mesmo, acompanhava normalmente um capacete viking, uma lança, um manto e uma calça de couro animal. Tamanha excentricidade que faria Moondog perder contatos prestigiosos decisivos para sua popularidade mundial, apesar de fazer fortes amizades com grandes nomes do jazz como Charlie Parker.

O Viking da 6ª avenida intrigava os transeuntes.

Moondog via música em tudo, e não esconde suas origens e filosofias no disco Moondog 1956. Entre as músicas, podemos ouvir sua esposa cantando para sua filha de pouco mais de um mês chorando na faixa 2 (Lullaby), um quinteto de cordas e sapos na faixa 6 (Frog Bog), um solo de piano emblemático na faixa 7 (To a Sea Horse), e até uma conversa ao som do tráfego das ruas para terminar o disco. A maioria das músicas são acompanhadas por sua invenção, a Trimba, um instrumento percussivo triangular que assina grandes músicas com seu timbre muito particular até o fim de sua carreira.

A partir daí, surgiram trabalhos memoráveis de Moondog. O álbum Moondog 1969 + Moondog 2 consiste originalmente em dois discos separados. O primeiro em brilhantes composições orquestrais ( faixa 1 a 8 ) e o segundo em cânones letrados muito amigáveis, que são intuitivamente comparáveis às fugas de Bach. Esses cânones são formados a partir de um tema cantado por uma primeira voz, com sucessivas  vozes entrando  uma por vez, retomando esse tema enquanto a primeira continua. É uma espécie de corrida circular e infinita em que uma voz nunca alcança a outra (faixa 9 a 34). Para terminar, uma obra prima que sintetiza a sensibilidade da música de Moondog, uma peça composta para harpa Troubadour (uma espécie de harpa paraguaia sem pedais) na faixa 34 (Pastoral).

Moondog também tem disco de canções (H’art Songs), de viagens cósmicas (Elpmas), de saxofones (Sax Pax For a Sax), e uma coleção de versos. Seguia um Calendário Comum criado por ele, que tinha seu primeiro ano em 8000 AC com o surgimento da agricultura. Ou seja, a receita para unir todas as raças e credos em um único calendário seria só acrescentar oito mil anos ao calendário cristão e dar uma mexidinha. Como ele explica o calendário?  Com um cânone.

Moondog morreu em 8 de setembro de 9999.

 

Filipe Franco é videomaker e apaixonado por música. Procura viver em paz em São Paulo com sua esposa e uma colônia japonesa.

Filipe Franco | facebook | twitter

tel: +55 11 3037-5018

cel: +55 11 6525-2989

Skype: filipecardosofranco

 

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O sentido do invisível

Evgen Bavcar, o fotógrafo cego

A fotografia não é exclusividade de quem pode enxergar. Meu trabalho é juntar o mundo visível com o invisível. A fotografia me permite corromper o método de percepção estabelecido entre as pessoas que vêem e as que não vêem”.

Evgen Bavcar, fotógrafo, filósofo e cineasta, nasceu na Eslovênia em 1946. Aos 12 anos de idade ficou cego em dois acidentes distintos. O primeiro, quando teve olho esquerdo perfurado por um galho de árvore. O segundo, que lesou o olho direito, com a explosão de um detonador de minas. Em oito meses havia perdido a visão completamente. Quatro anos mais tarde resolveu fotografar com a ajuda da irmã, uma jovem por quem estava apaixonado. “O prazer que experimentei na ocasião surgiu do fato de haver roubado e fixado num filme algo que não me pertencia. Foi o descobrimento secreto de poder possuir algo, que  eu não podia ver” .

Bavcar é doutor em História e em Filosofia e Estética pela Universidade de Sorbonne, na França. Fala sete idiomas, vive em Paris e viaja o mundo, mostrando às pessoas que a imagem não precisa ser explicitamente visual. “Nós também construímos imagens interiores.”

Ensina também à cegos de  nascença conceitos como  sombras e horizontes. “O seu horizonte é até onde você pode ver. Se você vê com as mãos, logo o seu horizonte é até onde você pode tocar.”

Entretanto a aula que seu próprio trabalho fotográfico nos ensina é que nosso horizonte simbólico não precisa se submeter aos limites impostos pelo corpo. Sua fotografias parecem mostrar que no quesito criatividade seus braços são muito, muito longos e que dentro e fora são fronteiras sutis e questionáveis.

 

Auto Retrato

 

Outras fotos:

 

Trecho do filme Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho em 2001, com a participação de Evgen Bavcar

Ver mais fotos

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A cor palatável, por Roberto Mícoli

Roberto Mícoli é um pintor intuitivo de técnica apurada e precisa. E como ele mesmo se apresenta,  escreve com cores.

Aqui sua linda e refinada  colaboração para o deleite dos nossos sentidos  .

O filósofo alemão Hegel definia a arte como “a apresentação sensorial de idéias”. Seu negócio é transmitir conceitos, exatamente como a linguagem comum, exceto pelo fato de que nos engaja por meio dos sentidos e da razão e tem uma eficácia única com seus duplos modos de discurso.

Trecho extraído de livro “Religião para ateus” de ALAIN DE BOTTON

 



 

Roberto Mícoli (1953) vive e trabalha em São Paulo . Produz e expõe pinturas e objetos com muita cor.

Alguns deles em acervos de museus como o MASP, o MAC, a Estação Pinacoteca e também coleções particulares.