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QUIZÁS, QUIZÁS, QUIZÁS por Elza Tamas

Pilar queria dançar, dançar diferente, junto, com orquestra; ligou pra ele na redação do jornal, mas dança de salão pede sapato especial, solado de couro, ele disse, não dá, tô trabalhando de tênis, não vão me deixar entrar. Vai, por favor, e Acir não resistiu, sabia que ela devia estar mordiscando a boca quando pediu, sabia, e foi de tênis e tudo. Na hora de entrar pensou num pavão, estufou o peito um pouco, mas o moço da porta olhou para os pés, balançou a cabeça e disse não. Acir tentou: moço, se coloca no meu lugar, tem uma morena me esperando lá dentro, eu tenho que entrar. Então você vai ter que arrumar um sapato.

Acir não era de desistir e foi pro bar ao lado. Conversa vai, cerveja vem, contou a história pra um taxista de camisa verde. Que azar!, o homem disse, e Acir rápido: depende, que número o senhor calça?

Quando Pilar olhou para o outro lado do salão, viu Acir de pescoço esticado procurando por ela. Correu, se abraçaram, ela adorava aquele cheiro de graxa no pescoço dele, devia ser da tipografia. Ensaiaram uns pequenos passos desencontrados e ele sussurrou no ouvido dela: vamos embora que tem um motorista de taxi descalço lá fora.

Saíram, Acir pagou umas bebidas pro homem de camisa verde. Pilar pediu um HiFi e Acir continuou na cerveja. Pilar era estabanada e se ficava nervosa, pior. E Pilar estava nervosa; mexia os braços mais do que devia e virou o HiFi na mesa. Pediram outro e foi a mesma coisa. Disse baixinho pra ele: tô nervosa; ele riu, e deu uma lambida numa gota alaranjada perdida no rosto dela. O rádio adivinhava, quase me mata de tanto esperar; o garçom seguia empilhando cadeiras, já era tarde, tirando as toalhas, eles embriagados- porque era paixão de embriagar-, começaram a dançar, um beijo molhado de luz sela o nosso amor; vamos fechar, disse o garçom.

Lá fora, a lua era de prata e quando Acir chegou em casa, bêbado e apaixonado, agradeceu ao tênis de solado de borracha que, comportado, sem fazer um barulhinho sequer, evitou que sua mulher acordasse.

(conto originalmente publicado na coletânea Desnamorados – Editora Empíreo – 2014)

 foto banner: Elza Tamas sobre pôster de divulgação do filme TO HAVE AND HAVE NOT

 

Elza Tamas é psicóloga clínica e escritora.
Idealizou e desenvolve o forademim.com.br 

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AMOR É TRAMPO por Emir Tomazelli

Amor é trampo.

Amar é construção diária e desmancha fácil, fácil.

Vem o mar, vem o vento, vem a chuva e o fogo. Mesmo que firme o amor é frágil.

Amor é vínculo e vínculo é encrenca.

Amor envolve cálculo, porque pessoas têm ângulo.

Os amantes giram e circulam; a geometria e a álgebra são obrigatórias para o calculo acurado das curvaturas dos projetos.

Sem medidas o amor é desmedido.

Desmedido não é amor.

Comedido é de bom tamanho.

Amor é cozinha ou é receita de comida bem planejada

Por isso amor é tempo que transforma sexo em poesia

(para uma boa foda é necessário que saibamos fazer com competência o que estamos sendo convocados. Leva tempo, leva conhecer, leva ter que aprender e ter que contar com o outro. Sintonia, ritmo, pegada, precisão, jeito ).

Amor é to be one with, permanecendo vc mesmo.

Já o amor súplica é outro papo.

Amor de joelhos, amor de quatro, amor de submissão. É jogo cruel.

O amor que lambe o chão, que se arrasta, é o que crê na subserviência e no sub-ser-a-si-mesmos.

Amor que necessita outro nome não é amor, é ciúmes.

Amor é um verbo de conjugação simples, mas é complexo e inapreensível.

Como transformar um impulso em direção ao outro, em amor?

Como dar conta de ser amado?

Amor, a incógnita.

O vacilante…

O sobre o abismo…

O desconhecido necessário.

Atenção:

Só é amor se o vínculo for da ordem do necessário.

Se o meu amor não for necessário, não será (o meu) amor.

Amor é necessidade

Amor é o alimento da alma, é unguento de dores, é o phármakon perfeito

E além de ser trabalho, é remédio.

E fique atento, porque sendo remédio também é doença, é infecção, é vulnerabilidade.

Quem ama, está fora de combate. É do outro, pertence a ele. E isso não faz nenhum dano.

É um pertencer entrega. Quanto mais se entrega mais se ganha em troca, e é disso que a gente gosta.

É amor porque se refere a um só, nenhum outro pode te dar aquilo que o amado te dá.


Emir Tomazelli
é psicólogo, psicanalista e professor de psicanálise no Instituto Sedes Sapientiae.
Três livros:Corpo e conhecimento: uma visão psicanalítica;
Psicanálise: uma leitura trágica do conhecimento
Idealcoolismo: uma visão psicanalítica do alcoolismo

foto banner: Flavio de Carvalho

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AS AVENTURAS AMOROSAS DE BERNADETE CAMACHO por Cintya A Nunes

São Paulo, 19 de abril de 2012.

Pedro Antônio, hoje é dia do índio. O que me faz lembrar das flechas. Lembro do cupido que me flechou quanto te conheci. Mas, agora, quero te dizer algumas palavras. No início, via em você um homem admirável. Sua inteligência cutucava a minha. Sua beleza me iluminava. Um homem do jeito que eu acreditava que um homem tem de ser, que me envolvia em seus braços só com o olhar. Você sabe que muita coisa neste mundo me assusta e ter alguém do meu lado é importante. Hoje quando procuro suas qualidades não enxergo nada. Talvez existam, porém diluídas no vazio que você se transformou. Agora, você para mim não passa de um poste de luz. Sem luz.

Bernadete Camacho

Próximo passo: partir para sites de namoro e aplicativos de celular. Afinal, onde é possível o amor acontecer? Bares, festas, noite, amigos de amigos, cursos e viagens já tinham sido explorados e nada. Internet também, mas sempre é mais fácil. Valia a pena tentar de novo.

Bernadete Camacho não era seu verdadeiro nome. Teve de criar um apelido de guerra porque estava manjada no ambiente virtual. Virou Bernadete, Berna. Sites como Amor Perfeito, aplicativo Tinder e por aí vai. Talvez encontrar sua alma gêmea não seja tão difícil. Ops, “match”. Será que ele escreve ou Berna escreve primeiro? Ah, deste aqui ela não gostou. Essa coisa de foto em cima da moto não dá. Foto de cara dirigindo também não dá. Falar que a avó é seu exemplo de vida é outra coisa que lhe dava sono. Pulou.

Aí pinta um cara que diz que ela tinha alguma coisa diferente, difícil explicar. Bernadete acreditou, claro. “Match” no rostinho. Trocaram várias mensagens. Ele, muito divertido, bem do jeito que Bernadete gostava. Já tava dando aquela vontade de marcar um choppinho e aí o sujeito vem com uma boa. Gostei do seu batom, que cor é? Bernadete sempre espirituosa, nem desconfiou. Sim, o cara era. Era o que você está pensando.

O próximo tem foto com filho no perfil. Já se assume pai. Legal, parecia amoroso. O papo foi longe. Engraçado, bonitão. Depois de uma semana, a pérola: há quanto tempo você está solteiro? Sou casado. Como assim você é casado?! Desculpe, mas não tô pra isso. Tô a fim de algo sério. Mas relacionamentos sérios não são chatos? Quero só uma amiga, curti muito você. Pensei que você fosse mais descolada. Bernadete também pensou.

O dedo já dói de tanto teclar. Mas e a alma? Essa ainda não foi tocada. Peraí que o celular de Berna acaba de apitar. Ah, que pena, é o cara da pizza avisando que chegou.


Cintya Aguiar Nunes é formada em Comunicação Social, redatora atuante no mercado publicitário há quase 20 anos e contadora de histórias voluntária na AACD, desde 2010, pela ONG Viva e Deixe Viver. Há algum tempo, se aventura pela Literatura, testando onde esta costura de verbos e sujeitos pode nos levar.
Vai lá no www.escrevinhacoes.wordpress.com e descobre mais

 

foto banner : Cecilia Westerberg – another Love story

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AMBIGUIDADES: DE CAPITU A CAROLINA por Monica R. de Carvalho

“Era mulher por dentro e por fora, mulher à direita e à esquerda, mulher por todos os lados, e desde os pés até a cabeça … mais mulher do que eu era homem” (Bentinho sobre Capitu)

“Também ele tinha ciúmes dessa mulher cinco anos mais velha que ele, que nunca, nem na mocidade, fôra bonita”. (Lúcia Miguel Pereira, sobre Machado de Assis).

Os traços de Capitu parecem não ter muito mais a revelar: recortada, desmontada por todos os ângulos, um dos personagens mais comentados da literatura nacional é adjetivo de dissimulação e cálculo, símbolo da dúvida e do fantasma da traição. Mas e o desejo de Capitu? O que pode nos mostrar? Capitu é a mulher inteligente. Certa da sina de ser pobre em uma sociedade onde o espaço de mudança era ínfimo, sua ascensão só poderia ocorrer por casamento, e Bentinho era o seu caminho. Capitu é forte, Bentinho plástico. Ela deseja algo e ele é sua melhor chance; ele obedece. O que resta a Capitu quando consegue o que quer? Um desejo impossível, talvez. Desde menina, seu desejo era material e (finalmente) casada, sua vontade era mostrar isso para o mundo. “A alegria com que pôs o seu chapéu de casada, e o ar de casada com que me deu a mão para entrar e sair do carro, e o braço para andar na rua, tudo me mostrou que a causa da impaciência de Capitu eram os sinais exteriores do novo estado. Não lhe bastava ser casada entre quatro paredes e algumas árvores; precisava do resto do mundo também”, nos conta Bentinho.

Na construção de Machado, Capitu é a mulher que inverte o jogo: de oprimida passa a opressora, pois escolhe Bentinho como quem vai tornar concreto o seu desejo e consegue trazê-lo para si; vive sua época e assume este desejo como legítimo: quer ser rica, torna-se rica. É virtuosa, sim, pois é fiel ao que traçou para si. Mas nem quando ama – pois ama Escobar! – compreende a natureza do próprio desejo. Seu tropeço não é amar Escobar, mas não ser capaz de colocar todo o seu Ser naquele propósito que desenhou para si: uma parte dela ama quem não devia amar. Para Capitu, é impossível viver o amor, e seus desejos não se reconciliam; o desejo possível (realizado com Bentinho, que lhe cobre a matéria) fica de frente com o desejo impossível (amar plenamente Escobar) e assim Capitu se revela. A grande traição que Dom Casmurro nos mostra é, por fim, a da natureza: a aparência do filho, que expõe o desejo fora do controle da anti-heroína gananciosa.

E o ciumento Machado (que controlava a esposa Carolina até mesmo nas idas à igreja), também um dia se rendeu a um desejo (impossível?) e teve um ‘caso’ que não escapou ao conhecimento público, revelado através de cartas e poesias.  Não se sabe com quem, mas Carolina soube, é certo, e Machado quis continuar a vida com ela.
Existem especulações de que Mario de Alencar (M.A.), filho de José de Alencar, seria na verdade filho de Machado. Afora a semelhança física com Machado, Mário era epilético como Machado, tinha os cabelos crespos como Machado e foi quem cuidou de Machado na velhice, depois da morte de Carolina. Também foi quem editou seus livros póstumos e cuidou da herança intelectual.

Na paixão, Machado foi um pouco Escobar; na prática, parece ter escolhido ser Bentinho com Carolina.

foto banner: aquarela Elza Tamas 


Mônica R. de Carvalho é economista e viveu na Ásia por 10 anos, onde estudou e trabalhou. É professora de pós-graduação em negócios e tem um blog sobre economia no Estadão. Apaixonada por livros, escrita e leituras, é também especialista em literatura latino-americana.

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AH, O AMOR… por Beto Palaio

 

AMOR CERTINHO E BONITINHO – Amor fronteira com quem? Malhas de um tempo de alegrias da melhor qualidade. No coração, 20 anos, no documento autorizado de viver, 20 anos também. No país do amor, lágrimas de alegria, vizinhas sorridentes, vaga de estacionamento livre em frente ao prédio, água morna na banheira, champanhe no gelo, pitubas de beijos pré-orgásticos e prazer exorbitante em decúbito dorsal. A boa sorte festivamente dividida com a jovem concubina. Isto tudo que estou escrevendo é tão quente quanto um ovo quente.
 

AMOR ARDIDO E CALIENTE – Lua de mel em Poços de Caldas. Dentro dos limites esse amor pode realizar o impossível. O véuzinho, insígnia dos países baixos que se dispôs a agüentar, até então, a todos os ataques, agora tem de se render. Tudo corre tão depressa. Namoros no portão, festa de noivado na casa do sogro, convites impressos na grafiquinha do futuro cunhado, casamento em dia de sol causticante, bolo de casamento de um metro e meio de altura. Contudo, naquela mesma noite, o cio emperra. Mas no dia seguinte, bem cedo, o diabo ataca de pijamas. Tenta, tenta e consegue. Ocorre que: Meu demônio é assassino e não teme o castigo.

 

 AMOR DATILOGRAFADO – Um belo dia. Prezados senhores. Mas que surpresa! Você não é aquele loirinho que sentava na primeira carteira nas aulas do segundo colegial? Mas que maravilha! O quê? Ficou casado vinte anos com a Norminha? Aquela que a mãe é dona de uma lojinha de armarinhos? Sim, conheço a mãe, mas a Norminha eu conheço só de vista. Ah, vocês moravam em Los Angeles? E a Norminha? Continua em Los Angeles? Ah, eu sei. Mas isso passa. Olha para o futuro que você é jovem ainda. Nem pense nisso. Logo você conhece alguém aqui na nossa terra mesmo. Mas não é verdade? Nem que seja um anjo caolho, claro. Passou. É o seguinte: a dissonância me é harmoniosa. A melodia por vezes me cansa.

 

AMOR PREVISTO PELOS ASTECAS – Instintos podem nos enganar. Nossa sabedoria, errar. Nossa inteligência, confundir. Estamos no meio de um planalto de alvorada incerta. Barco à deriva. No entanto, um acontecimento fortuito nos aproximaria. O mundo iria acabar em Dezembro de 2012. Fizemos a besteira de assinar um contrato de casamento às pressas. Sua mãe apareceu para morar no nosso apartamento no mês de Janeiro de 2013. Nosso casamento durou até Março do mesmo ano. Perdemos tudo. Nada estava em meu nome, e nada estava no nome dela. Neste mesmo instante estou pedindo ao Deus que me ajude. Estou precisando.

 

 AMOR EMPLASTO SABIÁ – Gruda que a fome é certa. Faz que vai ao centro do mundo conhecido pelo homo sapiens, mas dá uma guinada e nos deita fora da composição regiamente pilotada por sogro, sogra e cunhados. Salve-se quem puder de um bolo de rolo dessa qualidade. Féretros com missa de mês, visita demorada da Tia Maricota e aniversário de criança com bolo mofado o qual foi encomendado da prima do Pestana, o confiável porteiro do edifício. No entanto ela, a ex-esposa, se salva do naufrágio total: Tenho que seguir a linha pura e manter não contaminado o meu it.

 

AMOR VOU EMBORA – Na festa de churrasco do final de ano. O marido era chefe de seção. Sumiu durante o churrasco com a secretária da diretoria. Em estado de graça ele apareceu pelos lados da piscina como se estivesse vendo tudo avec rose sé la vie. Entretanto. A crise do petróleo não agitou tanto quanto a baixaria que Neuzinha, sua mulher, lhe pregou. Ali ela engasga, fuma e tosse. Mas uma coisa é certa. O dragão do futuro indicativo demonstra que em casa um pára-raios terá de ser instalado no corredor, entre a sala, a cozinha e o banheiro da empregada. Ah, se eu sei que era assim eu não nascia.

 

 AMOR DE LUA NOVA – Está na hora de recomeçar planos adiados. Momento ideal para dar chance apenas a quem lhe promete o prazer. Às vezes um amor descompromissado é tudo o que você precisa. Mergulhar com tudo na recuperação do ego perdido em seu frustrado casamento com o Marquinhos. Então está tudo certo. Não tem engano não. Hoje de tarde nos encontraremos. E não te falarei sequer nisso que escrevo e que contém o que sou e que te dou de presente sem que o leia.

 

AMOR BEIJA-FLORES – Escolha alguém em quem confie. Um alguém que se dedique integralmente a você. Deposite nesta pessoa seus desejos e medos. Não olhe para trás. Águas passadas não movem moinhos. Por falar em água, mergulhe num mar azul, ao qual eles, os pobres mortais, chamam de felicidade. Queira ser o sol e entre pela janela da pessoa que escolheu para amar. Doravante você é ele, e ele é você. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser: eis os limites de minhas possibilidades.

 

Frases adicionais em itálico são citações de Água Viva, de Clarice Lispector

 Ilustração inicial da matéria é de Faye West; Ilustração em “Amor previsto pelos Astecas” é de Melisa des Rosiers. Ilustração em “Amor de Lua Nova” é de Adebanji Aladi. As ilustrações não citadas são anônimas.

 


Beto Palaio
é escritor e diretor de arte. Ganhou prêmios com suas aquarelas, inclusive o Premio Pirelli do MASP. e Premio Viagem ao Japão para obras nos anos 80. Foi também editor de várias revistas dirigidas em São Paulo. Edita o blog Litteratour. Mora no Rio de Janeiro.

http://litteratour.blogspot.com.br/

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AMORES (im)POSSÍVEIS

Inicialmente existiam três gêneros humanos distintos. Os que se constituíam de um par de homens, eram os andros; duas mulheres, as gynos; um casal homem e mulher, os androgynos. Unidos pelas costas, com 4 braços e 4 pernas eram fortes e levantaram a fúria dos Deuses, que em represália enviaram raios que os dividiram pela coluna vertebral.
Mutilados e apartados, vagamos até hoje procurando a parte que nos pertencia, em escolhas hetero ou homoafetivas determinadas pela natureza do par que  anteriormente  constituíamos. Assim, é descrito no livro O Banquete, de Platão, a gênese da nossa busca pela experiência amorosa, a ânsia pela completude primária onde o outro tem parte indispensável na nossa realização afetiva e psíquica.

Para falar sobre os encontros, buscas, faltas, impossibilidades, realizações e enebrimento, um grupo de colaboradores de diferentes áreas criou um recorte diversificado, sobre a complexidade do amor:

Victor Kanashiro é músico, performer, sociólogo, economista, professor e pesquisador e escreveu sobre novas composições amorosas na contemporaneidade: o amor a 3. De quebra uma trilha feita exclusivamente para ler o post.
Marilene Damaso, psicóloga especializada em dependências, analisa o filme Her e  discute o amor idealizado e asséptico para onde parecemos caminhar.
Monica Rocha, economista e especialista em literatura latino americana discorre sobre o desejo em Capitu e a possível traição de Machado de Assis
Cintya Nunes, publicitária e contadora de histórias apresenta uma crônica sobre as esperanças de Bernadete Camacho, sua personagem aventureira , de encontrar um amor nas redes sociais.
Beto Palaio, escritor  e artista plástico  faz uma atrevida parceria com Clarice  Lispector.
Emir Tomazelli, psicanalista, começa alertando, amor é trampo e  só é amor se for necessidade.

e ainda a arte romântica  de Leonilson , e um conto de Elza Tamas, recém publicado no livro coletivo DESNAMORADOS.

foto banner: The Lovers- Barny Bewick  Casually Dressed