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A ARTE QUE INCOMODA por Tania Ramos de La Combe

O que seria exatamente um “mal estar na Arte”?
Se perguntássemos à um “leigo honesto” provavelmente ele diria: são aquelas coisas feias, tristes, horrendas ou mal feitas que jamais eu colocaria na minha casa, ou algo similar. Do ponto de vista psicológico ou do “socialmente correto” poderíamos dizer que é “uma obra ou imagem que nos causa desconforto, angústia e que nos provoca”.
Nem sempre o mal estar de um é o mal estar do outro e muitos desses trabalhos, por serem polêmicos, marcaram uma nova era no mundo e no comércio das artes.

Cronologicamente, o primeiro grande artista que me vem à mente, ainda na Idade Média, é o holandês YERONYMUS BOSCH, do final do século XVI. Com suas figuras e caveiras assustadoras, num criticismo surreal, Bosch não poupava padres nem freiras, servos, comerciantes, nobres, reis e rainhas. Na sua obra mais conhecida, O JARDIM DAS DELÍCIAS, ele expõe orgias, cenas inusitadas com monstros e animais alados, e mesmo nas cenas domésticas mais simples, como a MORTE DE ÁLVARO (1494), somos assombrados por caveiras, ratos e monstros.

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Avançando alguns séculos, dentro do Impressionismo, onde tudo era belo e o bucólico e os tons pastéis dominavam a belle vie, destaco a pintura angustiada de outro holandês, VINCENT VAN GOGH. Suas pinturas de caveiras, pouco conhecidas, talvez fossem um prenúncio da sua morte precoce e escolhida, que era sempre anunciada em seus pesadelos atormentados.

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No movimento surrealista todas as fantasias foram permitidas e o Mestre dos Mestres, SALVADOR DALI, talvez tenha sido o artista que deliberadamente mais desconforto causou com suas obras
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Foi seguido de longe, bem longe, pelo belga RENÉ MAGRITTE, cuja obra provoca um mal estar pela ação do ilusionismo. A ilusão de ótica, que intriga e desafia, tão comum na pop ART, estava já ali sendo fecundada e eclodiria algumas décadas depois.
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Decorrente do Surrealismo surge o Dadaísmo, manifesto mais surreal ainda, com os famosos mictórios de MARCEL DUCHAMP e suas bicicletas, engenhocas inúteis que nos provocam e nos acusam,
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assim como os “ready mades” de MARX ERNST,
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e entre outros, YVES TANGUY.
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Nasciam aí as primeiras “INSTALAÇÕES”, expressão típica do novo século e que até hoje causa ainda muitas polêmicas e desconforto. Basta visitar a última Bienal em São Paulo, INCERTEZA VIVA e presenciar, entre outras tantas, a insolita instalação de Victor Grippo que utiliza 500 quilos de batatas,

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ou as obras em INHOTIM, um dos maiores e mais belos museus a céu aberto do planeta, onde vidros, redes, sacos, num vermelho berrante formam True Rouge, a instalação do brasileiro TUNGA , recentemente falecido.

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Mas voltando algumas décadas, ali junto ao surrealismo, outro artista “avant guard”, GEORGES BRAQUE
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se unia ao amigo e rival PABLO PICASSO para criarem mais uma nova linguagem das tintas, o CUBISMO. Esta linguagem se tornou o pretexto perfeito para que esse jovem pintor catalão, transportasse para suas telas o que já fazia tão bem em sua vida pessoal junto aos seus seres “queridos”: esposas, amantes, filhos, netos e até bichinhos de estimação foram distorcidos, fragmentados, retalhados e transformados em verdadeiros monstros de uma feiura propositalmente feroz. Picasso era visto por alguns como um gênio prolífico e cativante, por outros, como um oportunista egocêntrico e cruel, o primeiro grande marqueteiro de si mesmo depois de Salvador Dali. Polêmicas à parte, a verdade é que com suas obras valendo milhões de dólares, quando ainda vivo, sua assinatura virou símbolo do novo mercado multimilionário que surgia no território da Arte Contemporânea; poderíamos dizer, ironicamente, que o “o feio vira belo quando se trata de um Picasso”.
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Mas aceitaríamos dizer o mesmo de MUNCH? Mais conhecido pelos seus “GRITOS”, EDWARD MUNCH, mesmo em suas telas mais “românticas” nos causa uma angustia patética com suas figuras tristes, de olhos negros, arregalados ou em seus rostos disformes, vide ANXIETY, outra obra sua bastante divulgada.
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Assim como nosso IBERÊ CAMARGO, poderíamos dizer que MUNCH não tinha nenhum pudor em retratar sua angústia, depressão ou visão atormentada do mundo que o cercava. Certamente concordaria com um dos últimos depoimentos de IBERÊ: “não vim ao mundo para pintar o belo ou para agradar com minha pintura, quero sim mostrar toda angústia e dor que persegue o ser humano desde o seu nascimento até seu último dia”.
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Nessa mesma época podemos destacar uma mulher, latina, pouco conhecida em seus dias, mas forte e tenaz e que lutou como poucas: FRIDA KAHLO.
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Suas obras são angustiadas e ela representa sem pudor seu acidente, amputação e suas dores físicas e psíquicas imensas.
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Sua agonia estampada em dezenas de autorretratos, repletos de sobrancelhas fartas e unidas que reforçam o ar severo da dor e do seu sofrimento, acabou se tornando um símbolo Cult mundial da Mulher Sofrida.
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Em um deles pintou o retrato do companheiro DIEGO RIVERA na testa, como idolatria ou ódio, ironia àquele que tão mal lhe causou com sua indiferença e traições.
Ironia maior, talvez, é que FRIDA jamais poderia imaginar que, algumas décadas depois, essa desconhecida mexicana ofuscaria o brilho de seu Mestre e amante, tornando-se um símbolo divulgado em posters, posts e releituras no Mundo todo.
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Outro tipo de “mal estar” é aquele da ilusão de ótica, desenvolvido em primeira mão pelo matemático e desenhista alemão MC ESCHER, que causou furor nos anos 50 com suas torres, escadas e suas famosas “evoluções”.

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É o desconforto genial que intriga, desafia e questiona e que vem sendo desde então, admirada por todos os ilustradores. Sua evolução simplista e geométrica geraria a famosa OP ART, febre nos anos 70, representada sobretudo pelo franco-húngaro VICTOR VASARELY: Quem não teve pelo menos um pôster dele em suas salas ou quartos, ou estampado em suas camisetas, na década pós-hippie? Era o “mal estar” da ilusão ótica, deliciosa e enigmática, que fascinava sobretudo os jovens descolados da época.
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Nas décadas seguintes, os chamados CONTEMPORÂNEOS criaram um novo tipo de “desconforto” na arte abstrata. E aí voltamos à primeira consideração do “leigo honesto” do primeiro parágrafo: “um lixo que nasceu por acaso, sem nenhum valor artístico, uma piada de mau gosto, tinta gratuita jogada aqui e ali, e que vale milhares de dólares”.

POLLOCK, um contemporâneo, que devido a sua técnica foi jocosamente apelidado de “Jack the dripper”, teve sua ultima tela arrematada por 140 milhões de dólares por David Geffen, em leilão recente na SOTEBY’s, NY. Ao mesmo tempo, algumas de suas obras são chamadas de “spaguettis” e existem inúmeros posts na internet que ensinam a pintar como Pollock, por que suas telas parecem que foram feitas com espaguetes mergulhados em diversas cores de tintas.
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Nessa mesma escola temos WILLEM DE KOONING
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e JOAN MITCHELL, única mulher desse filão respeitado e hoje, admirado.
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Já no figurativo contemporâneo não podemos nos esquecer do irlandês polêmico, FRANCIS BACON, fascinado pela carne no sentido mais realista possível: ficava horas admirando animais penduradas nos açougues de Londres ou admirando cadáveres, como fonte básica de inspiração.
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O resultado, sabemos, aquelas séries de rostos e corpos disformes, fantasmagóricos, assustadores onde transpunha também sua luta contra o alcoolismo e a homossexualidade sadomasoquista que o atormentava.
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Seu seguidor atual, mais hard core ainda, além de exibicionista, é DAMIEN HIRST o mais novo “queridinho” dos colecionadores europeus e americanos do mundo fashionista e hipster. Seus cadáveres de animais devidamente fatiados foram expostos em museus e galerias do mundo todo, causando horror e polêmica.

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Duramente ironizado pelos críticos mais exigentes, DAMIEN dá de ombros: sua caveira (verdadeira) cravejada de brilhantes foi vendida pela bagatela de 100 milhões de dólares para um anônimo colecionador londrino em 2007. Não satisfeito, DAMIEN refez uma réplica em ouro branco com 8601 diamantes, exibida em dezembro passado no célebre RIJKSMUSEUM de Amsterdã, primeira parada de sua tournée. Foi, pasmem, escolhido como curador para selecionar as obras do famoso acervo que serviriam de pano de fundo para sua caveira FOR THE LOVE OF GOD.
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VERMEER deve ter sentido um imenso “mal estar” em sua tumba.

 

** imagem banner – Lucian Freud

mal-estar-foto-tania-mini-bioTANIA RAMOS BOUTAUD de la COMBE,  paulista, psicóloga pela PUC/SP e artista plástica pela FAAP. Estudou no Ateliê de Walter Levy e Maxine Masterfield, USA, CA, onde sofreu forte influência da aquarelista. Sempre em busca de novas técnicas e materiais,  morou em diversas cidades dos USA e Europa, notadamente Suíça e França nas décadas de 80 e 90 , onde realizou  inúmeras exposições exibindo trabalhos e técnicas únicas e exclusivas que misturam tinta acrilica com matérias mais diversas da Natureza em geral .
Permeada pela consciência ecológica aliada à influência étnica ,desenvolve alternativas não poluentes como pigmentos e resinas naturais, até mesmo verniz à base de própolis em seu ateliê no topo de uma Colina na Mantiqueira, SP.
Assim pretende que sua obra possa ser um grito a mais contra a devastação da Natureza pelo homem e a opressão contra as minorias étnicas .

 

 

 

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O GLOSSÁRIO DOS NOMES PRÓPRIOS por Alex Cerveny

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O “glossário dos nomes próprios” que deu origem a esta pintura foi o que encontrei em uma edição de Os Lusíadas, de 1884. Retirei dali os primeiros nomes da lista: Abraham, Achilles, Acrísio, Acteon, Adamastor, Adão e assim por diante até o terrível Zopyro, o sátrapa persa. Escolhi apenas homens e os imaginei todos com suas feições semíticas, todos semelhantes e habitantes de um mundo anterior à existência das mulheres. E também vieram faraós, papas, profetas, psicanalistas e homens de todo tipo. Todos eles nascidos das costelas uns dos outros, desde Adão até Michael E. Dritschel, o inventor da margarina cremosa(mesmo gelada!) e assim por diante. Em cada pintura existe um mundo. Neste é assim. E nele a existência humana está prestes a se acabar porque toda a matéria combustível já ardeu para forjar o metal das correntes titânicas que prendem o céu à terra. As últimas brasas ainda queimam, mas não por muito tempo. O universo chega assim ao seu termo, que apesar do esgotamento, possui grande beleza. Um belo mundo construiram estes homens e assim, a linhagem do primeiro Adão está pronta para o seu fim.

 

 

 

 

 

Alex Cerveny – São Paulo, 1963.
Foi criado na zona oeste de São Paulo, filho de um arquiteto e de uma professora especializada no ensino de cegos. Seu trabalho é fundamentalmente narrativo, em pintura, desenho, gravura e escultura. Artista de formação livre, começou a expor no ano de 1983. Recebeu em 1986 o “Grande prêmio” na 7 a mostra de gravura Cidade de Curitiba. Em 1991 participou das exposições Viva Brasil Viva, no museu Liljevalchs em Estocolmo e da 21a Bienal internacional de São Paulo. Nos anos recentes, ganhou em 2012 o Prêmio FUNARTE-Marcantônio Vilaça pelas ilustrações do livro Pinóquio (Editora Cosac Naify, 2011) e com elas ainda participou em 2013 da 30a Bienal de artes gráficas de Ljubljana. Em 2014, recebe também o segundo lugar do Prêmio Jabuti de melhor ilustração pelo livro Decameron(Cosac Naify, 2013).

 

A exposição “Glossário dos nomes próprios” estará em cartaz de 1° de abril à 7 de junho de 2015 no Paço Imperial, Praça XV de Novembro, 48 – Centro – Rio de Janeiro. De terça a domingo, das 12 às 18h – ENTRADA FRANCA

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SANDRA CINTO – Mares e Céus

 

Sandra Cinto é artista plástica, nascida em Santo André, São Paulo.

A partir da  sua participação na 24a. Bienal de São Paulo, em 2008,   seu trabalho ganhou enorme reconhecimento internacional. Atualmente é representada por galerias em diversos países, e sua obra já foi exibida em museus ao redor do mundo.

Seus trabalhos tem a predominância da cor azul, e seu suporte preferido é a parede. Nela ela utiliza canetas de diferentes tons de prata e de várias espessuras para alcançar o céu, trazer um mar revolto, mover montanhas.

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Aqui um vídeo incrível com a versão longa da execução da instalação “Encontro das Águas” em Seattle.

Aqui numa entrevista ao programa Metrópole, por ocasião da exposição “Imitação da Água” que realizou no Instituto Tomie Ohtake

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MARINHAS por José Guyer Salles

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                                                     Aquarelas -Marinhas por  Guyer Salles


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José Guyer Salles nasceu em São Paulo em 1942. Entre 1962/64, frequentou os cursos livres da FAAP onde aprendeu pintura com Nelson Nóbrega e gravura com Marcelo Grassman. Estudou pintura com Glenio Bianchetti e gravura com Babinski na UNB. Frequentou a Nugrasp em São Paulo, dirigido por Izar do Amaral Berlinki.
Viajou para Nova York em 1970,  com bolsa de estudos no Pratt Graphics Center. Permaneceu nessa instituição como professor até 1975. Foi professor de gravura no Art Barn em Connecticut e no Westchester Art Center. Residiu em Nova York até 1984. Nesse periodo importou a primeira prensa para gravura em metal com controle micrometrado que depois veio a ser reproduzida no Brasil e é até hoje modelo de qualidade.
Fundou a “Oficina de Gravuras 76 Ltda.” em São Paulo. Reuniu os melhores gravadores de São Paulo e imprimiu gravuras, popularizando essa arte vendendo para hotéis e empresas edições fechadas. Introduziu a arte da gravura para vários artistas que passaram a usar essa técnica como meio de expressão de sua arte.  Trabalhou como curador na Secretaria de Cultura de Itapecerica da Serra – SP
2008 – Exposição Itinerante “Gravuras e Aquarelas de GUYER SALLES” organizada pelo SESI
2010 – Organizou juntamente com os artistas gravadores Angelita Cardoso e Cesar Nogueira o atelier “Aquaforte” dedicado a gravura em metal e aquarela.
2013 – Professor de aquarela na “A Casa do Artista” – Jardins SP

guyersalles.wordpress.com

 

 

 

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PICASSO E A FASE AZUL

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“Comecei a pintar em azul , quando percebi que Casagemas havia morrido”, escreveu Picasso. Casagemas era amigo de Picasso e cometeu suicidio em 1901, após ter sido rejeitado por uma mulher por quem estava apaixonado.

As pinturas dessa fase ficaram conhecidas como a fase azul.

Picasso retrata  a solildão, a pobreza, mendigos, cegos, a velhice. Sua melancolia se expressa monocromaticamente em azul, com uma pequena permissão ao verde.

É  também um período de vida materialmente precário;  vive entre Barcelona e Paris , onde divide a casa com o escritor Max Jacob. A casa pequena, de apenas uma cama era revesada entre eles: Picasso dormia durante o dia e trabalhava a noite; e Max Jacob dormia a noite e trabalhava durante o dia.

A fase azul se  estende até 1904,  quando Picasso conhece Fernande Olivier, uma modelo por quem  se apaixona. Aí se inaugura a fase rosa, que dura até 1906.  Posteriormente Picasso revela que o seu famoso quadro “As meninas de Avignon” foi inspirado em Fernande. Juntos eles vivem um romance, por 7 anos.

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A ARTE IRÔNICA DE MOZART GUERRA

 

Mozart Guerra  nasceu em Recife, em 1962. Vive e trabalha como escultor em Paris, desde 1992.
Atualmente seu trabalho está focado nas formas animais. Segundo ele, sua produção  é uma ironia sobre a relação ambígua que o ser humano exerce com a natureza. Ao mesmo tempo em que ele a admira, ele a destrói.  Os materiais utilizados são  isopor ou espuma expansiva revestidos por cordas coloridas, que funciona como uma pele que envolve as  esculturas.
Participou de várias exposições individuais e coletivas em salões de arte e galerias no Brasil, França, Canadá, Alemanha, Bélgica, Portugal, Espanha, Luxemburgo e Itália.

 

 

 

 

 

http://www.mozartguerra.com/index.cfm?lang=pt

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O artista Olafur Eliasson

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Olafur Eliasson nasceu  em Copenhague, em 1967. Atualmente  vive e trabalha em Berlim. Seus trabalhos, que muitas vezes são intervenções realizadas em centros urbanos  ou galerias de arte ao redor do mundo, exploram a relação com a luz e o espaço,  o interior e o exterior, o corpo, o micro e o macro, o eu e o outro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Exposição O CORPO DA OBRA – PINACOTECA DE SÃO PAULO  – 2011

 

 

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PROJETO 365 por Cassia Aresta

Projeto 365

NO ROTEIRO INEXORÁVEL DE NOSSAS VIDAS, O COTIDIANO PASSA A SER O CAMINHO MAIS ARDUAMENTE FÁCIL DE VIVER.

Recomeçar todo dia uma obra, para persistir em um projeto de um ano, foi o que nós três como artistas, Cassia Aresta, Helenita Peruzzo e Rosa Grizzo, nos propusemos a fazer: uma obra por dia. Um calendário, um diário, um calendiário de pequenas obras. Cada uma tinha 10x10cm. Uma obra por dia, um fazer por dia, e somando os dias chegamos a um ano.


Persistir o fazer é algo que nos faz suar. Suar de medo, porque temos que refazer o que já foi eleito como feito; suar fisicamente porque dá trabalho em se recriar todos os dias. Então cada obra se tornou uma grande obra após um ano.

 

 Todas foram necessárias, mesmo os dias faltosos representaram este fazer, ou o não fazer.

Assim fomos realizando este projeto, que no dia a dia em nossas mãos, individualmente, parecia tão pequeno e que se agigantou colocado nas paredes dos espaços expositores. Mostrou o esforço comum como um todo. Mostrou três artistas que foram atrás de um projeto e concretizaram. Não desistir por mais perverso que seja o não fazer, que sempre nos acolhe em coisas supérfluas e fáceis de serem digeridas.

O não fazer que nos afasta de ideais, de metas, de sonhos, de realizações. Uma obra por dia, falando parece ser muito, e era o que espantava as pessoas quando olhavam a exposição. Se propor a fazer todos os dias algo por um longo tempo, nestes tempos tão efêmeros, para muitos é um grande sacrifício, para nós foi um conquista individual como artistas.

Mesmos os dias em que eu não executava a obra, ela era feita mentalmente. Parava por uns dias, seguia um ritmo que me era sugerido pelo meu fazer diário, e retomava depois. Não desistir, era o grande desafio. Até hoje mentalmente refaço algumas obras, quando olho algum dos temas a que me propus naquele ano.


Ficou uma vontade interna de repensar, de refazer, de se recriar, de se comprometer com um processo que às vezes embora penoso, como citei acima, tem um lado extremamente gratificante. O resultado de ter vencido marés contrárias ao nosso viver. E viver é remar mesmo contra a maré. Porque se deixar levar pela correnteza é perigoso. Vamos parar todos no mesmo lugar comum. E o que nos diferencia um dos outros é o que nós somos individualmente.

Recomeçar todo dia uma obra, recomeçar todo dia a viver de uma maneira criativa. Vale a pena refazer.

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foto 9 –   foto parcial exposição projeto 365 – 
de cima para baixo:Cassia Aresta, Helenita Peruzzo e Rosa Grizzo 

 

 

Cassia Aresta  é artista plástica e reside em Florianópolis. Estudou com Tuneu, Dudi Maia Rosa, Paulo Pasta entre outros. Participou de exposições coletivas e individuais no Brasil e no exterior,  entre elas:  
Exposição Planété Óuverte, Prefeitura de  Ganties, França./Planété Óuverte, Prefeitura Saint Gaudens, França; Exposição Palmo Quadrado, Palmo Quadrado, Museu of Latin American Art, Califórnia/ Conneccticut College, New London, Connecticut./ University Art Gallery, Sonoma State University, Rohnert Park, California; Projeto 365 MAC Paraná, Curitiba, PR./ Cidadela Cultural Antártica, MAJ, Joinville, SC./ 2º Bienal de Artes Plásticas Brasileira de Bruxelas./ MHSC Museu Histórico de Santa Catarina, Florianópolis, SC./ SESC Pinheiros, São Paulo, SP./ Centro Cultural da UFMG, Belo Horizonte, MG./ Contemporary Art Museum, CAM, Casoria, Itália./ Centro Cultural Sergio Porto, Rio de Janeiro, RJ.
6º MOTIVO Casa das Rosas, São Paulo, SP; Exposição Círculos, CCSP Sala Mario Pedrosa, São Paulo,SP./ Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis, SC./ Cidadela Cultural Antártica, Joinville, SC. Exposição Correspondência Instituto Goethe, São Paulo,SP./ Bayer do Brasil,São Paulo, SP./ Mônica Filgueiras Galeria de Artes, São Paulo,SP,/ Goethe Institut, Frankfurt, Alemanha./ Goethe Institut, Bordeaux, França. Marcas Indeléveis, MUnA, Uberlândia, MG.

 

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AMNÉSIA E AS GUERRAS DO FIM DO MUNDO por Rachel Rosalen

“A crueldade é uma das formas da violência organizada.


Ela não é forçosamente erótica, mas ela pode derivar em direção
a outras formas da violência que a transgressão organiza. Como a
crueldade, o erotismo é pensado. A crueldade e o erotismo se
organizam no espírito que a resolução de ir além dos limites da
interdição possui.

Essa resolução não é geral, mas é sempre possível que ela se desloque
de um campo para outro: trata-se de campos vizinhos fundados um e
outro sobre a embriaguez de escapar do poder da interdição” (Bataille).

Acredito eu em fim do mundo? Mais que pensar o fim do mundo como um final dos tempos, fui pouco a pouco mergulhando nas reflexões que me levaram a produzir uma série de trabalhos.

O mal estar que produzem as guerras e a certeza de que não existe guerra, invasão, violência, crueldade ou matança que se justifique.

Mas também de que elas são recorrentes na história da humanidade como recurso último quando falta o diálogo, o respeito, a ética e a aceitação da diferença. Sem falar em ganância por poder e econômica, e em outras paixões humanas tristes. E aqui não poderia deixar de fazer referência a Mario Vargas Llosa, ao seu maravilhoso texto “A Guerra do Fim do Mundo”.

No livro, Vargas Llosa mescla personagens reais e fictícios perdidos em uma guerra no fim do mundo. Personagens estes destópicos em guerras dos mundos, facilmente atualizados na mediatização perversa e ficional dos meios de comunicação, que mesclam, como no texto de Llosa, ficção e realidade na criação de uma narrativa da vida cotidiana que se reescreve ao mesmo tempo em que é apagada e esquecida.

Ensaios Anti-Guerra

Realizei uma série de projetos “anti-guerra”, iniciada com Corpus Urbanus e seguida por Black Rain # an anti-war project, Ensaio sobre a crueldade ou
O encontro do Sr. Fatzer com a Rainha de Copas, # 07 Ensaios sobre a crueldade e Amnésia.


Corpus Urbanus trata da violência nas grandes cidades e a posição entre violação e violado.

Em Black Rain # an anti-war project, cento e quarenta arquivos de vídeo são distribuídos em quatros projeções ao longo de um corredor de 20 m de comprimento. Estes vídeos são controlados por sensores de presença acionáveis através do trânsito do público no espaço da instalação.

A paisagem sonora é produzida em tempo real a partir do improviso do violoncelo gravado para o trabalho. A relação entre imagem projetada, imagem refletida e o sujeito que ativa a imagem coloca três vetores de tensão no espaço, necessários para criar o que Eisenstein chamou de dinamização da matéria.

Black Rain utiliza imagens de documentais de Hiroshima, explosões, escrituras japonesas e de performances gravadas em estúdio com sete atores trabalhando sobre referências dos teatros clássicos japoneses, Noh e Kabuki. Em muitas destas peças as personagens morrem e não sabem que morreram e muitas vezes repetem infinitamente ações de quando estavam vivos. No caso de Black Rain, a guerra não oferece salvação e as personagens ajudam-se neste sofrimento. Há uma negação a aceitação do que lhes aconteceu que lhes atribui dignidade.

A distorção e o derretimento não aparecem nos corpos (tal qual o efeito das bombas nucleares) mas estão deslocados para o áudio da obra, resultante dos efeitos da intervenção de programação algorítmica que alteram o som triste do violoncelo

#07 Ensaios sobre a crueldade está baseado em um levantamento de imagens da mídia e na pesquisa sobre o núcleo patológico que gera esta violência – pura perversão, sede de poder e crueldade. Para tratar da estupidez e mesquinhez humana, foi escolhida a personagem Alice. Inspirada nos texto de Lewis Carrol, uma personagem feminina atravessa este cenário de guerra e discute as relações entre poder, mídiatização e banalização do mal e o imaginário que os sustentam.

Ensaio sobre a crueldade ou o encontro do Sr. Fatzer com a Rainha de Copas traz a discussão ao palco dando voz a estas personagens em um diálogo entre o Sr. Fazter (Brecht), A Rainha de Copas e a Alice (Lewis Carrol). É neste fictício encontro que a guerra é debatida. Aborda o espanto perante a crueldade e a perversidade do que se processa nestes períodos.

Um grande banco de imagens históricas sobre guerras de diferentes localizações geográficas, razões políticas, religiosas, étnicas, com um ponto em comum: todas sem razão ética – formam a matéria-base que vai sendo moldada através da navegação da Alice. Essa personagem, gravada em estúdio, leva o espectador a atravessar diferentes situações destes períodos de extrapolação, banalização e mediatização do mal.

Amnésia trata do apagamento da memória e da repetição incessante de imagens de guerra, que por mais diversas que sejam, trazem-nos de volta a antigas paisagens de destruição, colocando tais eventos em uma suspensão que assombra e retorna como fantasmagoria. Quanto mais retorna, mais se sobrepõe. Suspensas no tempo e no espaço, tais situações insistem e impregnam a retina.

Amnésia aborda os efeitos a longo prazo dos sistemas autoritários, traumáticos, repressivos e violentas situações contemporâneas que se constroem a partir da repetição. Através de uma narrativa não-linear, esse projeto desenha uma narrativa ficcional, cheia de labirintos e loops que descrevem essa situação perversa.

imagem 01, imagem 02, imagem 03  da obra Amnésia  ­- Rachel Rosalen
imagem 04 – # 07 Ensaios sobre a Crueldade – Rachel Rosalen / fotografia em estúdio Giacomo Favretto/ atriz Patricia Gordo
imagem 05 – Black Rain # an anti-war project – Rache l Rosalen / fotografia em estúdio Giacomo Favretto
imagem 06 – Ensaio sobre a crueldade ou o Encontro do Sr. Fatzer com a Rainha de Copas – foto de registro Gal Oppido
imagem 07 – Ensaio sobre a crueldade ou o Encontro do Sr. Fatzer com a Rainha de Copas – foto de registro Giacomo Favretto/ cantora Paula Pretta

Referências obras:

Amnésia >
Black Rain # an anti-war project >
# 07 Ensaios sobre a Crueldade >
Ensaio sobre a crueldade ou
O Encontro do Sr. Fatzer com a Rainha de Copas >
Corpus Urbanus >

Textos sobre os trabalhos

Texto curatorial da exposição individual Black Rain # an anti-war project
realizada no Instituto Tomie Ohtake por Agnaldo Farias.

Ensaio sobre a crueldade ou O encontro do Sr. Fatzer com a Rainha de Copas, de Arlindo Machado.

As poéticas do silêncio nos trabalhos de Rachel Rosalen por Priscila Arantes.

Texto critico de Priscila Arantes 

A produção de Rachel Rosalen está
baseada na construção de espaços
fazendo uso de múltiplas mídias e
conceitos de arquitetura, onde mescla
interfaces, programações, vídeos e
performances para realização de
vídeo instalações interativas e
performances de live-cinema.

A construção destes espaços envolve desde a direção de atores até a colaboração com músicos, engenheiros eletrônicos para o desenvolvimento econstrução de interfaces e programadores. Suas obras foram expostas em Tokyo, Yokohama, Paris, Zurich, Basel, Buenos Aires, São Paulo, Rio de Janeiro, Nápoles, Roma, Milão, Atlanta entre outros. Ganhadora de prêmios na área de Arte e Tecnologia e Artista em Residência na N&A pela Fundação Japão, Tokyo , YCAM – Yamaguchi Center for Arts and Media, Yamaguchi, Japão, Werkraum Warteck PP em Basel e no Bain :: Connective, Bruxelas. Desde 2007 trabalho em parceria com Rafael Marchetti.

www.rachelrosalen.com.br,

artista representada pela Light Cone, Paris.
foto retrato: Denise Andrade

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MARINA ABRAMOVIC e seu manifesto

 

 

Marina Abramovic. An artist’s life Manifesto

 

 

1. An artist’s conduct in his life:

 

– An artist should not lie to himself or others

– An artist should not steal ideas from other artists

– An artist should not compromise for themselves or in regards to the art market

– An artist should not kill other human beings

– An artist should not make themselves into an idol

– An artist should not make themselves into an idol

– An artist should not make themselves into an idol

 

 

2. An artist’s relation to his love life:

 

– An artist should avoid falling in love with another artist

– An artist should avoid falling in love with another artist

– An artist should avoid falling in love with another artist

 

 

3. An artist’s relation to the erotic:

 

– An artist should develop an erotic point of view on the world

– An artist should be erotic

– An artist should be erotic

– An artist should be erotic

 

 

4. An artist’s relation to suffering:

 

– An artist should suffer

– From the suffering comes the best work

– Suffering brings transformation

– Through the suffering an artist transcends their spirit

– Through the suffering an artist transcends their spirit

– Through the suffering an artist transcends their spirit

 

 

5. An artist’s relation to depression:

 

– An artist should not be depressed

– Depression is a disease and should be cured

– Depression is not productive for an artist

– Depression is not productive for an artist

– Depression is not productive for an artist

 

 

6. An artist’s relation to suicide:

 

– Suicide is a crime against life

– An artist should not commit suicide

– An artist should not commit suicide

– An artist should not commit suicide

 

 

7. An artist’s relation to inspiration:

 

– An artist should look deep inside themselves for inspiration

– The deeper they look inside themselves, the more universal they become

– The artist is universe

– The artist is universe

– The artist is universe

 

 

8. An artist’s relation to self-control:

 

– The artist should not have self-control about his life

– The artist should have total self-control about his work

– The artist should not have self-control about his life

– The artist should have total self-control about his work

 

 

9. An artist’s relation with transparency:

 

– The artist should give and receive at the same time

– Transparency means receptive

– Transparency means to give

– Transparency means to receive

– Transparency means receptive

– Transparency means to give

– Transparency means to receive

– Transparency means receptive

– Transparency means to give

– Transparency means to receive

 

 

10. An artist’s relation to symbols:

 

– An artist creates his own symbols

– Symbols are an artist’s language

– The language must then be translated

– Sometimes it is difficult to find the key

– Sometimes it is difficult to find the key

– Sometimes it is difficult to find the key

 

 

11. An artist’s relation to silence:

 

– An artist has to understand silence

– An artist has to create a space for silence to enter his work

– Silence is like an island in the middle of a turbulent ocean

– Silence is like an island in the middle of a turbulent ocean

– Silence is like an island in the middle of a turbulent ocean

 

 

12. An artist’s relation to solitude:

 

 

– An artist must make time for the long periods of solitude

– Solitude is extremely important

– Away from home

– Away from the studio

– Away from family

– Away from friends

– An artist should stay for long periods of time at waterfalls

– An artist should stay for long periods of time at exploding volcanoes

– An artist should stay for long periods of time looking at the fast running rivers

– An artist should stay for long periods of time looking at the horizon where the ocean and sky meet

– An artist should stay for long periods of time looking at the stars in the night sky

 

 

13. An artist’s conduct in relation to work:

 

– An artist should avoid going to the studio every day

– An artist should not treat his work schedule as a bank employee does

– An artist should explore life and work only when an idea comes to him in a dream or during the day as a vision that arises as a surprise

– An artist should not repeat himself

– An artist should not overproduce

– An artist should avoid his own art pollution

– An artist should avoid his own art pollution

– An artist should avoid his own art pollution

 

 

14. An artist’s possessions:

 

– Buddhist monks advise that it is best to have nine possessions in their life:

 

1 robe for the summer, 1 robe for the winter, 1 pair of shoes,

1 begging bowl for food, 1 mosquito net, 1 prayer book, 1 umbrella,

1 mat to sleep on, 1 pair of glasses if needed

 

– An artist should decide for himself the minimum personal possessions they should have

– An artist should have more and more of less and less

– An artist should have more and more of less and less

– An artist should have more and more of less and less

 

 

15. A list of an artist’s friends:

 

 

– An artist should have friends that lift their spirits

– An artist should have friends that lift their spirits

– An artist should have friends that lift their spirits

 

 

16. A list of an artist’s enemies:

 

 

– Enemies are very important

– The Dalai Lama has said that it is easy to have compassion with friends but much more difficult to have compassion with enemies

– An artist has to learn to forgive

– An artist has to learn to forgive

– An artist has to learn to forgive

 

 

17. Different death scenarios:

 

 

– An artist has to be aware of his own mortality

– For an artist, it is not only important how he lives his life but also how he dies

– An artist should look at the symbols of his work for the signs of different death scenarios

– An artist should die consciously without fear

– An artist should die consciously without fear

– An artist should die consciously without fear

 

 

18. Different funeral scenarios:

 

– An artist should give instructions before the funeral so that everything is done the way he wants it

– The funeral is the artist’s last art piece before leaving

– The funeral is the artist’s last art piece before leaving

–The funeral is the artist’s last art piece before leaving

dor-e-seducao-nazareth

DOR E SEDUÇÃO por Nazareth Pacheco

 

São objetos sedutores que despertam o desejo ao mesmo tempo
que provocam ferimentos
.

 

 

 

 

 

Clique aqui para ler o artigo: Inventando corpos e/ou desvelando o erótico em inquietante devassidão:
o encantamento dolorido por Miriam Chnaiderman

 

lista das imagens :
 banner: 2007  Ponta Gotas. Fotografia sobre metacrilato 14 x 35 cm
 1 -2007 . Inclusão Acrilico e agulhas 91x46x42cm
 2- 2007 . Inclusão Acrilico e agulhas 91x46x42cm
 5-2007 ORH+, acrilico e vidro  16x10x10cm
 6-S/T 2003 cristal, miçanga, acrílico e lamina de barbear
 7-S/T 2003 aço, acrílico, cristal, miçanga e Gillete  240x350x420cm
 8-1998 miçanga, lâmina de barbear,acrilico e aço 140x80x55cm

 

 

 


Nazareth Pacheco e Silva é artista visual e  mestre pela ECA/USP. Em 1989, obtém o prêmio aquisição no 11° Salão Nacional de Artes Plásticas, no Rio de Janeiro. Participou de  diversas exposições coletivas no Brasil e no exterior entre as quais se destacam: O Panorama da Arte Brasileira de São Paulo em 1988, 1991 e 1997(Premio Embratel) e 1999 (sala especial) ,  e a 24a. Bienal Internacional de Arte de São Paulo em 1998; “Fio da Trama“( Buenos Aires e “Nova York ,2001)  e “Virgin Territory” ( Washington, 2001). Em 2003 teve um livro publicado sobre a sua obra pela editora D&Z , com texto de Miriam Chnaiderman. Vive e trabalha em São Paulo

quadrado

Arte e geometria por Tuneu

 

 

 

“O quadrado tem uma longa tradição na Historia da Arte, figurando como protagonista nos episódios de confronto entre a arte moderna e a tradição narrativa em pintura. Ele foi o heroi do suprematismo de Kazimir Malévich,  tornou-se a obsessão de Piet Mondrian e o principio fundador da arte de Sol LeWitt.

Tuneu retoma o quadrado como tema de reflexão e se instala em meio ao seu poderoso silêncio.

 Nos quadros de Tuneu o quadrado aparece  como principio construtor do mundo.

Diante de seus quadros vemos cessar o discurso,  esquecemos a realidade e saltamos para fora do tempo.”

.

Texto: Claudia Valladão de Matos, exposição Puro Espaço , junho de 2008

.

 Tuneu (Antonio Carlos Rodrigues) é pintor e desenhista. Estudou com Tarsila do Amaral entre 1960 e 1966 e recebeu influência de Wesley Duke Lee. Foi assistente de Willys de Castro e Hércules Barsotti durante vários anos. Em 1966 realizou sua primeira mostra individual no João Sebastião Bar, em São Paulo.Entre as exposições de que participou, destacam-se: Salão de Arte Contemporânea de Campinas (várias edições entre 1966 e 1974, Prêmio Viagem à Europa, 1970, e Prêmio Aquisição, 1974); 16º e 17º Salão Paulista de Arte Moderna (São Paulo, 1967 e 1968); Bienal Internacional de São Paulo (várias edições entre 1967 e 1975, Prêmio Aquisição Itamaraty, 1971 e 1975); Panorama da Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (várias edições entre 1971 e 1989); 3º e 6º Salão Paulista de Arte Contemporânea, no Museu de Arte de São Paulo (1971 e 1975); Arte na Rua 2 (São Paulo, 1984); Off Bienal, no Museu Brasileiro de Escultura (São Paulo, 1996). Apresentou uma exposição individual na Galeria Raquel Arnaud, em 2008, e em 2010 na Casa de Cultura de Paraty (Rio de Janeiro).
www.tuneu.com.br

Cavalo

E JÁ NÃO ESTÁ por Rosangela Dorazio

  

Trabalho desde 1995 produzindo imagens pelo corte. Gravando para desenhar.

 O que me interessa nesta ação é que ao subtrair,  transformo a matéria.  Isto é irreversível.

 

Na exposição E JÁ NÃO ESTÁ, retiro de paisagens fotografadas por mim  o reconhecível, deixando que o espectador veja apenas o reflexo do que havia ali.

A imagem que vejo ao fotografar, já não é a da foto e também já não está ali ao ser escalavrada.

 Como nós ,  que também algum dia  já não estaremos nesta paisagem.

 

 

Exposição:  E JÁ NÃO ESTÁ  na GRAVURA BRASILEIRA

R. Doutor Franco da Rocha, 61 -Perdizes

Rosângela  Dorazio nasceu em Araguari, Minas Gerais em 1963. Vive e trabalha em São Paulo.

Graduada em Licenciatura Plena em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado. Possui obras no acervo do MAM de São Paulo, MAC de Americana, MAC Dragão do Mar, SESC São Paulo .

Vem realizando exposições individuais e coletivas no Brasil e exterior.

www.rosangeladorazio.blogspot.com

 

clique aqui para ler o texto de Agnaldo Farias sobre a exposição

 

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O QUE FICA DO QUE ESCAPA por Edith Derdyk

 

 

escrevo e desenho como uma sanfona,
ar e fólen, em trânsito, em passagem;

 

 

iscar a primeira linha de um espaço em branco.
a linha carregada por um corpo que vai e vem,
de um ponto ao outro e de outro a outro, a linha multiplica a fiação.
o corpo rasura suas idas e vindas desenhando textos voláteis no ar.
pontos em movimento desalinham trilhas, sem fim,
com pausas e pousos, respiro

 

 

a linha esculpe lugares, aborda contornos, limita arredores,
costura o espaço ao próprio espaço, convoca topografias aéreas.

desenho ao vivo: a linha estendida é a musculatura do ar,
ossatura do espaço, mecânica que não se fixa.

e a linha do novelo mental nunca traça a mesma trilha,
desfia o pensamento, desafia o espaço.

 

 

a fiação do trabalho: ficção fixando experiências
de tempo e  espaço, mesuras desmedidas.
o que sobra? frestas de espaços de tempo
entre um pensamento e  outro, entre uma ação e outra.
e a linha habita este lugar informe entre uma coisa e outra.
gestos suspensos no fluxo temporal que nos atravessa,
aqui e agora, entre  eu e você .

e é assim que faço com as mãos do corpo do pensamento:
sem fios de extensão, as linhas se estendem em palavras, fugazes.

estas palavras não retratam idéias;
talvez  capturam, na contraluz, as sombras de pensamentos
e percepções que se projetam no espaço, se pulverizam no ar.

 

  

e é assim: escrevo como respiro, desenho como escrevo.
e o ar é passagem, nem aqui,  nem ali,  é pelo meio;
a vida pede passagem, a morte pede passagem;
somos alguns viajantes percorrendo as gotas frágeis
de nossas pequenas eternidades – aqui e agora.

 

 

nem saberia como designar  a pulsão de tensionar linhas
que se estendem se alongam se contraem que se  recolhem,
se projetam em iscas vetores direções ritmos;

e depois de fazer, desfazer, deslocar e descolar.
é o que fica do que escapa, pedaços de tempo em estado nômade.

 

 

Imagem 0_  livro  de artista Cópia:Dia Um _2010; Imagem 1 _ desenhos e projetos de instalações; Imagem 2_ Sopro_2010 (agulhas e linhas)_Memorial da América Latina_foto Kátia Kuwabara; Imagem 3_Metragem_20112 (papel , linhas e grampos)_SESC Bom Retiro_foto Katia Kuwabara; Imagem 4_detalhe_ foto Katia Kuwabara; Imagem 5A e B_Rasante_2002_coletivo Galpão 15_foto Denise  Adams _prêmio APCA

 

Edith Derdyk  tem realizado exposições coletivas e individuais no Brasil (MAM- SP/RJ, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Centro Cultural Banco do Brasil/RJ, MASP, Centro Cultural São Paulo, Instituto Tomie Ohtake, Paço das Artrs_SP, Paço Imperial_RJ, Casa das 11 Janelas_Bellém e
outras) e no exterior (México, EUA, Alemanha, Dinamarca, Colômbia, Espanha,
França, Suíça, Bélgica). Prêmios e  Bolsas: Artes Visuais/FIAT/1990; Vermont Studio Center,USA/1993; The  Rockefeller Foundation_Bellagio Center,Itália/1999; Bolsa Vitae de Artes/2002; APCA/2002; Prêmio Fotografia Porto Seguro/2004; The Banff Centre_Canadá Autora: 2012.Linhas de horizonte/Intermeios; 2011. Desenho Impresso. Buriti Edições Limitada; 2010. Linha de Costura.Com/Arte; Formas de pensar  o desenho. Ed.Zouk;  Tudo que reluz. Buriti Edições Limitada; 2008. Disegno.Desenho.Desígnio – antologia sobre desenho. Editora Senac; 1989. O desenho da Figura Humana. Editora Scipione.

Para saber mais sobre  o trabalho de Edith Derdyk:
www.edithderdyk.com.br

 

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A única impressão de um desejo por Leya Mira Brander

O trabalho de Leya Mira Brander, não tem tiragem, são  impressões solitárias que se  traduzem  num  desejo único.  Às vezes vêem em caixas, segredos-gravuras  feitas com água-forte, ponta-seca e água tinta.  Colagens. São mais de 1000 placas de cobre  que permitem infinitas possibilidades de criar e desejar.

.

 

 

 

Leya Mira Brander (1976, São Paulo / SP) trabalha com gravura em metal desde  1993.

Participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no Exterior e da 28a,Bienal de São Paulo, em

2008.

 

Www.leyamira.blogspot.com