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O SEGREDO por Elza Tamas

Se você canta os números da sorte no bingo da sua  cidade,
se você é judeu ou tem azia.  Se  tiver ganhado  o Nobel de
química ou se gosta de roda gigante e depois quer ir ao
carrossel e depois tomar milk-shake e depois ir na montanha russa;
se você mora em Berlim ou se você usa um  chapéu esquisito
e  cuida da segurança do  papa, se sua avó foi escrava;
se você prefere  sentar na janela no avião ou se você
está numa cama de hospital. Se você nunca seca os cabelos
quando lava,  ou se você seca; se o semáforo sempre fecha quando
você chega, e se o verde não  é sua cor. Se você viu demais,
ouviu demais e nunca esqueceu, se você é destro
ou anda de muletas; se doou ouro para o Brasil, se você
sente raiva, ou se você  gosta de ir à feira; se você quando
olha para o céu tem saudades,  se você pesca
peixes, ou prende passarinhos em gaiolas, ou tem
déficit de vitamina D. Se você  tem um plano de saúde que foi
vendido, ou acredita no espírito santo, ou os  dois. Ou nenhum.
Eu tenho uma notícia: você vai morrer. Quase tudo que você faz
é para adiar, disfarçar, fingir que o assunto não é com você. Mas é.
Você vai morrer.

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Elza Tamas idealizou e desenvolve este site

www.forademim.com.br

foto: Mario Bock

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foto banner: Elza Tamas

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ARTES MASTURBATÓRIAS por Stéphane Malysse

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ARTES E MANIAS DA PRÁTICA MASTURBATÓRIA

 

Nem precisei de revisão técnica ou de manipulação erótica: a masturbação é um assunto interessante e ponto G. Para tocar no assunto não precisa se tocar de novo. Cada um adapta seus gestos ao seu sexo e acaba inventado cenários funcionais que não lhe deixam a desejar.
Neste artesanato íntimo é a repetição da prática que faz o trabalho ficar bom.
Posição da mão, ritmo, pressão, lubrificação, pontos acessíveis com a mão livre, imaginação, pessoas reais ou virtuais convidadas a participar de longe ou de perto, cada micro-gesto é sabidamente elaborado ao fio das manobras e das suas repetições para criar o clima e atingir o clímax: o gozo (não o lacaniano, mais o seu próprio).
Sejamos sinceros e sem falso puritanismo… quando se trata de masturbar-se, cada um de nós sabe muito bem o que faz com seus instrumentos. Ao tocar levemente no assunto, uma masturbação intelectual se ativa rapidamente, oferecendo uma grande variedade de imagens eróticas e  éticas que se interpenetram sem parar. Que prazer… Que bom saber que a masturbação não deixa ninguém nem surdo, nem cego, nem estéril. Hoje não se fala mais de polução noturna ou Carte de France (como se chama na França, referindo-se ao desenho hexagonal das propulsões aos quatros pontos cardinais). Os aparelhos elétricos, mecânicos ou outras Fitas Brancas já não se usam mais (Graças ao fim de Deus!)

Totalmente liberada, democratizada e desmistificada, a masturbação está na moda e pode ser feita on-line.

Nesse momento privilegiado consigo mesmo, o ser humano experimenta uma sensualidade intensificada, alargada e alongada. Ao mesmo tempo relaxante e estimulante, a masturbação aparece hoje como um ato de resistência do indivíduo aos estímulos eróticos que o rodeiam a qualquer hora e em qualquer lugar: uma forma de resistir à pressão social e sexual, uma derivaçao sensual do individualismo generalizado, um hedonismo vapt voupt. Para ajudar nossos artesões sem imaginação, a rede de internet propõe cardápios variados e ajuda para encontrar seu tesão perdido. Do iphone ao ipad, da tela tátil ao cibersexo, muitos se tocam em publico sem perceber que este gesto remete direitamente à outros: nos trens, nos aeroportos e outros lugares públicos, podemos observar muitos gestos masturbatórios.

Nada melhor que uma boa sessão de  auto-erotismo para evitar os acidentes de percurso da libido contemporânea: com a masturbação, evite a promoção sexual. Num mercado sexual saturado de amantes potenciais, reais ou virtuais, a masturbação pode ser apresentada como uma opção para manter o seu eixo social e sexual na boa direção, não gastar dinheiro à toa e não colocar sua saúde mental e física à risco por algumas  sensações alheias. Artistas como Vito Acconci (Seedbed) ou Marcel Duchamp (Paisage fautif) já se tocarão muito bem no assunto e compensarão com material genético suas relações sociais frustradas: Vito Acconci se masturba em baixo do chão da galeria onde ele não está expondo nada, interagindo com seu público de forma discreta e seminal, enquanto Duchamp assina sua obra Étant donné com seu material genético numa tentativa de esvaziar seu desejo pela artista brasileira Maria Martins…

Magia da masturbação que nos permite criar sessões íntimas com quem desejamos e até criar monstros libidinosos, misturando à la carte pessoas reais e imaginárias, vistas ou conhecidas, vivas ou mortas. Ao mesmo tempo que é uma atividade manual e artesanal, a masturbação é uma atividade intelectual colocando em ação o nosso maior órgão sexual, nosso cérebro e a sua imensa reserva de imagens-corpos… Se o cérebro não tem gênero, as técnicas de  masturbação são muito diferentes para os homens e para as mulheres, e variam também muito de um para outro. Na verdade, nada mais complicado (tecnicamente) do que masturbar alguém desconhecido. Sua técnica favorita, afinada ao longo da sua vida,  não deixa muitas possibilidades de inovação… Em termo de masturbação, o homem é sempre clássico; ele (ou ela) repete geralmente a técnica artesanal que mais da certo: a sua própria. Treinando manualmente desde a sua vida uterina, o ser humano trabalha na sua técnica com muita aplicação, ciente que “o corpo é o primeiro e o mais natural instrumento do homem” (Mauss),  que a sua masturbação é a parte mais técnica de todas as técnicas sexuais. Na  maior parte do tempo, o ser humano usa apenas suas mãos (aliás   etimologicamente, masturbação quer dizer sujar  as próprias mãos ) mais numerosos acessórios podem ajudar-lo nessa   tarefa. Entre o Cyclone A10, a SOM  (Super Onanism Machine) e a mão, muitas pessoas não hesitam à por a mão na   massa para não ser tratados como massa no liquidificador.

Mais da fato, qual é a função sexual da  masturbação? Trabalhei no meu Diário acadêmico (2009) a noção de intersexualidade, explicando que “a sexualidade de uma pessoa depende de quem ela deseja (sexualidade fantasiada), de como ela mostra socialmente sua opção  sexual (sexualidade assumida) e do que ela faz realmente com seu sexo e seu  corpo (sexualidade praticada).” Assim  a sexualidade de uma  pessoa não é fixa mais se fixa no Outro, sempre evoluindo entre esses pólos  sexuais instáveis. Penso que a masturbação tem um papel importante na fixação  da sexualidade de uma pessoa, pois ela religa manualmente esses três pólos  volúveis e permite estabelecer uma constante através da repetição dos gestos e  das fantasias . Quando Lacan diz que “a  relação sexual não existe”, seria bom completar explicando que hoje em dia  só existe “ralação sexual”, pois numa  sociedade como a nossa, onde o orgasmo  obrigatório, a tirania do genital  e a ditadura do coito dominam, uma  espécie de produtivismo do gozo transforma  a sexualidade em um trabalho braçal, onde ralar a cenoura, por a mão na massa  ou dar um jeitinho são meros gestos de auto-estimulação que permitem manter a  (de)cadência. Vemos que nossa sexualidade é um trabalho manual, intelectual e  que manter à libido no ponto exige muitas manipulações… Mas quem se manipula  mais ?

Uma pesquisa quantitativa realizada nos Estados-Unidos  em 1990 aponta resultados interessantes sobre os fatores que influenciam a  frequência da masturbação:

  • O gênero: os homens se  masturbam mais que as mulheres. (Parece verdade)
  • A idade: os jovens se  masturbam mais que os idosos. (Faz sentido)
  • A origem étnica: os  afro-americanos se masturbam menos que os outros grupos étnicos.(Na Bahia  tive uma  impressão bem diferente…)
  • A religião: os católicos se  masturbam menos que os outros grupos religiosos. (Ai, a má fé católica   parece ter entrado em pratica…)
  • O estatuto marital: as pessoas   não casadas se masturbam mais do que as casadas. (E se fosse o   contrário?  e se a masturbação   fosse justamente uma forma de manter o casamento sem pular a  cerca?)
  • O nível de educação: mais diplomas, mais elas se masturbam. (ainda bem que não publiquei   meu currículo com esta matéria.)
  • A orientação sexual: os   bissexuais se masturbam mais que os homossexuais que se masturbam mais que   os heterossexuais.

Agora, cada um pode fazer a sua contabilidade   e ver onde se encaixa realmente. Mas, não precisa ser antropólogo para ficar   desconfiado  dos resultados deste estudo. Ao final, todo mundo sabe que,   quando se trata da sexualidade “realmente praticada”, as mentiras, as omissões   e outras artimanhas dominam os nossos discursos. Na auto-sexualidade, a
contabilidade é flexível e a ma fé constante. Com a progressão das relações   temporárias, da instabilidade e do zapping dos corações, a masturb-ação torna-se um paliativo do sexo-proeza e nunca deixa   ninguém na mão…

 

 

Thomas W. LAQUEUR, Solitary  Sex : A Cultural History of Masturbation, New York, Zone Books, 2003
Rachel P. MAINES, The  Technology of Orgasm : “Hysteria”, the Vibrator, and Women’s Sexual  Satisfaction, Baltimore (MD),The Johns Hopkins University Press, 1999
Stéphane MALYSSE, Diário  acadêmico, Estação das Letras e Cores, SP, 2009.Marcel MAUSS, As técnicas  corporais,  Sociologia e Antropologia  (1950), Cosak&Naify, 2007.

 

Stéphane Malysse é antropólogo e artista. Doutor em Antropologia
Social pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS /Paris).
Pesquisador associado do departamento de Antropologia da Goldsmith (Londres),
lançou seu primeiro livro, Diário Acadêmico pela editora Estação das Letras e
Cores (SP, 2008). Professor de Arte e Antropologia na E.A.C.H / USP Leste onde
seu website de antropologia das aparências corporais, Opus Corpus está
hospedado: http://www.each.usp.br/opuscorpus/
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A MALDIÇÃO DA AUTOAJUDA E O TAROT por Mirna Grzich

 

 

Autoajuda é uma palavra engraçada. Ela tem  a mesma maldição
da palavra nova era (embora as empresas de indústria pesada
adorem usar esse termo, pois já tem uma nova geração que não sabe
o significado  histórico)…

Eu como aprendi a não dar murro em ponta de
faca sigo meu caminho me reinventando, fugindo de definições, fazendo
a minha  síntese existencial e de serviço ao mundo. Mas fui desafiada
pelo forademim a  colocar isso em palavras, dando o sentido mais
adequado  e profundo. Então vamos  lá.

Autoajuda contém embaixo de sua umbrela, primeiramente,
o autoconhecimento, pois somos como uma cebola, temos varias
camadas (muitos  vivem apenas na casca), as camadas dos pensamentos
e emoções, da energia (tão bem trabalhada pela medicina oriental), da alma,
do espirito e do vazio. Autoajuda  também contém o ensinamento espiritual,
pois ele inspira, ensina a meditar, a  respirar, a entender como os cinco
elementos  se manifestam em nós… Autoajuda  às vezes fica bem esotérica,
criando mitos e rituais complexos… que servem  sempre para alguma alma
desejosa de experiências e fenômenos…Para os  livreiros e editores
Autoajuda é  uma categoria de mercado, um nicho onde  colocam tudo
acima e um pouco mais.

Ken Wilber

Mas a palavrinha é bem maldita para os  críticos e pessoal da mídia,
empacados que estão no nível verde da espiral da  consciência, tão bem
desenhada por Don Beck  e super utilizada por Ken Wilber em sua evolutiva
Teoria Integral. O  nível verde significa entender e lutar pela ecologia e a
sustentabilidade, ser  democrata, a favor das minorias, tudo legal mas …sem
nenhuma consciência  espiritual.

Os níveis que vêm depois, o amarelo (da individuação) e o turquesa ( a volta ao mundo depois de um retiro,
de um  sabático, para ser um bodhisatva,) já estão no nivel do SER, onde entra o espiritual, enquanto o
verde é o último nível do TER…

espiral dinamica

 

O Tarot

Osho

Em 82 fui para os EUA,  e vivi por um tempo na California, estudando e meditando.
Em Santa Cruz conheci  Ma Prem Sona, essa incrível Master of Tarot, segundo
Osho/Rajneesh, que na época  assombrava o mundo a partir de sua comunidade visionária
no Oregon. Ele adorava  seu Tarot e só jogava com ela.

Sona me reconheceu de  alguma forma e começou a me ensinar. Eu estava casada com um psiquiatra  americano e ela era nossa vizinha. Mas meu lado comunicadora nunca vislumbrou a possibilidade de atender, de trabalhar isso. Eu só pensava em música e em escrever. Três anos se passaram,  me separei e preparava a volta ao Brasil, quando Sona me disse na despedida que eu  estava pronta, que era uma mestra do Tarot. Mas ele ficou fechado mais de 20  anos…

Ao voltar ao Brasil, criei o programa de radio Música da Nova Era em várias
rádios  pelo Brasil  e me  radiquei em SP, estudando budismo tibetano com
Chagdud Tulku Rinpoche,  com  longos retiros também no Oregon.
E vieram a revista Meditação, o livro dos  Anjos, muitos eventos, e
o Tarot parado.

Em meados de 2011,  para ajudar uma amiga em crise, puxei o Tarot e de
repente,  tantos anos depois,  minhas mãos sabiam o jogo de um jeito mágico
e a informação  vinha da maneira  como a pessoa precisava ouvir. Isso se
repetiu  muito até eu decidir  atender  pessoas, numa noite em Belo Horizonte
onde me  comunicaram que eu tinha  mais de  50 atendimentos naquela
semana,  todos…Tarot.

Descobri que Sona  tinha falecido em meados de 2011, na India, e entendi
que algo  misterioso  estava acontecendo, pois cada leitura que faço é
um milagre  e uma descoberta.
Que  ajuda a pessoa a ver seu karma e dharma, a se conhecer em
profundidade,  a  entender seu caminho.

Sempre pensei que meu  caminho fosse a comunicação, mas agora percebo
que ele se torna  uma arte, um  cuidado com o outro, um processo de terapia.
Uma síntese, a minha síntese.
Entender  seu momento. Dar sentido a sua vida…Isso é autoajuda? Que seja!

 

 

Mirna Grzich é atriz, jornalista e terapeuta, trabalha há 30 anos com terapia humanística e transpessoal, ecologia e sustentabilidade.Criou o programa Música da Nova Era em várias rádios brasileiras. Editou por 5 anos  a revista Planeta Meditação
Realizou com o SESC SP a Imaginaria 95  (arte, ciência, economia e espiritualidade), e Encontros com Homens e Mulheres  Notáveis, com mestres de várias tradições.
Escreveu  Anjos (editora 3), O Livro da Meditação (editora Globo) e  Anjos  Agora (editora Leya), e lançou a coleção de 16 CDs Quem é Você.
Realiza palestras, atendimentos e workshops  pelo Brasil, facilitando a conexão interna, inspiração, motivação, criatividade  e ação no mundo com consciência.Ecumenica e estudiosa de várias tradições  espirituais, é iniciada no budismo tibetano. Terapeuta nata, sintetiza sua experiência e sensibilidade para  ajudar a acordar e  viver em plenitude.

Leitura de Tarot: 11 8136.5197

[email protected]

Imaginaria Cultural
skype:mirnagrzich
youtube: canal mirna grzich 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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AUTO LÁ por Luciana Penna

auto lá

curta-se, seja-se, flua-se, experimente-se, assuma-se, sustente-se, liberte-se,
explore-se, goze-se-se-se-SE. auto-auto-AUTO: preferiria não. foda-se,
pode ser. preferiria não: automassagem, auto reflexo, auto estímulo, auto
definição, close, 3×4, DDD, DDI, 05437-001.  eu me GPS, eu me
responsabilizo, eu me endosso, eu me acho, eu me subscrevo-me, eu me
CNPJ, eu me toda pessoa  autônoma, eu  me free-me, eu celular pessoal + 9,
eu me autoconfiguro assinatura  senha smtp  pop3 saída e-mail, eu me dieta
exclusiva, eu me  autossuficiente, eu me personal  trainer, eu me autoajuda,
eu me  S.O.S-me: preferiria  não. eu me  cartão  eletrônico, eu me crédito,
eu me  vendo-me,  espio-me, eu pro alto, eu bem  alto,  eu-me quem?  e eu eu
eu eu-euzinha  não me  aguento-me (eu me  preciso de  ajuda-lhe-se-nós-tu-vós-éNÓIZ-você).

programação neurolinguística, autossugestão, fita cassete no carro,meditação,
introspecção, cd, dvd faça você mesmo: autoconsciência, autoanálise, auto
exegese, automóvel. não-não-não-NÃO. sinais, faróis, luzes, internas, autorais,
automáticas, auto executáveis, naturais-inerentes-próprias do ser humano-um-
uma-só, eu superior: preferiria não. programa de contagem de pontos, diário
pessoal, autoexame, balança no banheiro, IMC. não, obrigada. obrigada não.
comprovante-eu-me-basto, eu me posso, eu me mereço, eu me autopromovo,
eu me leio, eu me autorretrato, eu me escrevo,  eu me devo, eu me devo muito,
eu me devo muito para caralho: preferiria não. eu me autossustentável, eu me
autocontrole, eu me autodefesa menos ainda. eu me oito-oitenta-me, pode  ser.

tudo eu, tudo eu exclusivo, tudo eu incluída, eu não me dou conta, eu  não
me bato no timo, eu não me rezo, eu não me ponho mão na consciência, eu
não  me suco de clorofila, eu não me planto, eu não me adubo, eu não me
ouço-me,  eu não me saio  do corpo, eu não me projeção astral, eu não me
abduzida, deus não  me fala comigo se eu quiser falar com deus, eu não me
muitas vidas passadas,  eu não me capto coisas,  eu não me
auto-anti-depressivo, eu não me auto-pai eu não me auto-minha-mãe,
eu não me auto-filho e nem muito  menos me auto- neto. meu sobrenome
não é só meu, eu não me autografo, eu não , eu hein?

não me delegue-me só. por favor, outras-palavras, outra-ajuda, mãe-ajuda,
pai- ajuda, tio-ajuda, vó-ajuda, amiga-ajuda, prima-ajuda, madrinha-ajuda,
neguinho-ajuda, deus-ajuda, alguém ajuda, por favor?  anjo da guarda
preferiria  sim. cafuné sim. pedir ajuda sim. amor-amor-amor-sim.
pessoa-criança-moça- mulher-velha-cuidada sim.  gente é para  brilhar
sim. sim, sim, sim, SIM: gostaria sim. autópsia não, preferiria não.

 

 

 

Luciana Miranda Penna é das palavras e dos felinos. No momento, roteiriza Orlando, de Virginia Woolf para Grafic Novel; Uma aprendizagem ou
livro dos Prazeres
, de Clarice Lispector, para longa-metragem. Seu primeiro
romance Viagem a Casa da Mãe Joana, selo Edith, está no prelo.

 

foto: Eduardo Muylaert

 

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O QUE QUEREMOS DA MÚSICA por Gabriela Pelosi

É de senso comum que  ela  transforma o nosso estado afetivo. Que tem o poder de nos deixar mais energizados, românticos, contemplativos, ou de expressar o indizível. Desde Platão até os dias de hoje, inúmeras são as explicações para a relação que temos com aqueles sons a que chamamos música.

Mas o que tem esta arte que nos atrai como os meninos e meninas hipnotizados do conto alemão “O Flautista de Hamelin”? Uma possível resposta, evidenciada recentemente por estudos na área da neurociência musical, é o fato de que a música  geralmente  atende às  nossas  expectativas- mesmo que de maneira inconsciente- e nós seres humanos adoramos isso.

Sabe aquela sensação de que quanto mais ouvimos uma música mais  gostamos dela e mais queremos ouvi-la? Uma das razões é o fato de possuirmos um  sistema neurológico que aprendeu a antecipar o que está para acontecer e que se  diverte fazendo isso o tempo todo; seja uma linha melódica interessante, a  entrada do trompete na parte B ou um final apoteótico. Embora este fenômeno  seja mais acentuado e perceptível nas músicas que conhecemos bem, acontece quase  o tempo todo, e isso se deve ao fato de que a esmagadora maioria das músicas  que nós ocidentais ouvimos fazem parte de um mesmo sistema, o chamado tonalismo  ou música tonal.

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Neste sistema, desenvolvido durante séculos, existe um princípio básico de tensão e relaxamento. Primeiro ouvimos um som estável, depois outro tenso, seguido de um suspensivo, voltamos ao relaxamento e assim por diante. Ou seja, a tensão existe na música, porém sabemos que será resolvida em seguida e por isso apreciamos estes momentos ainda mais. Nós também gostamos de ser surpreendidos de vez em quando- mas não muito- e o bom compositor é justamente aquele que consegue alcançar o equilíbrio, prendendo a atenção do ouvinte ao jogar artisticamente com as regras do sistema.

Mas será que ter sempre as expectativas atendidas é bom para nós? E o empobrecimento da música que ouvimos nos meios de comunicação, é causa ou efeito deste medo de sair da zona de conforto?
Por mais que seja gostoso sentir-se no controle da situação, é  saudável nos arriscarmos. À medida que nos acostumamos com as pequenas  frustrações que estilos e linguagens musicais diferentes dos quais estamos
acostumados nos proporcionam, tomamos gosto pelo desconhecido, pela aventura.
Tais experiências tornam ainda mais prazerosas as audições das músicas conhecidas  há tempos. É como voltar para casa depois de uma viagem surpreendente.

Quer experimentar? Ai vão duas sugestões: o compositor John Adams e as Vozes Búlgaras.

 

 

Gabriela Pelosi é paulistana, musicoterapeuta e musicista.
Acredita imensamente no potencial da música para o desenvolvimento humano e com certeza seguiria  o flautista de Hamelin.

 

 

 

gabrielapelosi.com.br
teamwks.com.br

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A AUTOAJUDA DO JIN SHIN JYUTSU por Iole Lebensztajn

 

Quando detectamos que algo não vai bem na nossa vida ou no nosso corpo,
o mecanismo de reparação deveria nascer dentro de nós mesmos, através
da mobilização dos   nossos próprios recursos ou da busca de ajuda de alguém
competente para isso. Talvez esse seja a essência da ideia da autoajuda.
Ou seja  chamar um encanador quando algum cano da minha casa
não funciona  como deveria, é uma forma de cuidar do meu próprio bem-estar.
Assim como escovar  os dentes é uma forma de cuidar da minha saúde bucal
que,  exceto em casos de crianças  pequenas ou outras situações de
dependência, deve ser assumida como responsabilidade  pessoal e
intransferível.

Nós, seres humanos precisamos ter como objetivo  crescer em  autonomia.
Dai o conceito de autoajuda, o cuidar de si mesmo.
No entanto,  é preciso reconhecer que essa autonomia é relativa.
Afinal nenhum homem  é uma  ilha.

Assim, ajudar a mim mesma não deve ser encarado como  uma ação egoista,
mas sim como possibilidade e até o dever de ocupar-me de mim  mesma.
Cuidar da minha saúde, do meu bem-estar é minha responsabilidade. Caso
contrário, vai sobrar para alguém, que pode ser parente, amigo, o Estado…

O Jin Shin Jyutsu Fisio-Filosofia ensina que,  para que eu possa me  ajudar,  preciso me conhecer e para isso, eu preciso me perceber, me entender,ou seja,  tomar conta de mim. Ao me perceber sei o que me faz bem e o que me  causa desconforto.  A partir daí tenho a oportunidade de  escolher o que é aceitável e o que é inaceitável  para mim, sem me submeter a pessoas e situações que me causem algum dano. Fácil, não é? Nem sempre.
Na vida vamos colecionando alguns hábitos,  padrões, condicionamentos,
vícios, carências,  pontos cegos que nos tiram a  liberdade de fazer escolhas
alinhadas com  o que nos é  verdadeiro, essencial e  benéfico. Vide nossas
relações,  nossos hábitos  alimentares, etc.

Jin Shin Jyutsu é uma Fisio-Filosofia, isto é, uma filosofia prática, uma arte
de harmonização da energia vital que consiste em várias seqüências de toques
com as mãos em determinadas áreas do corpo onde essa energia se
concentra  e pode, quando em desarmonia se estagnar.
As seqüências são simples e diversificadas e  podem ser  auto-aplicadas  a
qualquer hora  ou lugar, e foram idealizadas de acordo com a necessidade
e  conveniência do momento.

Jiro Murai

Concebido no início do século XX, no Japão, pelo  mestre Jiro Murai, este conhecimento  foi trazido  por sua aluna Mary Burmeister, do Japão para os Estados Unidos nos anos 50.  Desde 1990, esta arte tem sido  ensinada e praticada no Brasil por um número crescente de pessoas.

Mary Burmeister

Um dos focos importante nesta Fisio-Filosofia é nossa forma, muitas vezes inconsciente  e automatizada  de  reagirmos à vida. No JSJ estas formas de funcionamentos  são chamadas de atitudes.

Segue abaixo a descrição rápida das  5 atitudes  básicas e  como harmonizá-las. Simplesmente  segure envolvendo com uma das mãos, cada um dos dedos  da outra mão, isoladamente (direita ou esquerda, tanto faz).

  1. Preocupação, Ansiedade                                            Polegar
  2. Medo, insegurança                                                      Indicador
  3. Raiva, Irritação, Indecisão, Preguiça                          Médio
  4. Tristeza, Pesar, Imaturidade                                      Anular
  5. Esforço excessivo, Tentar ser o que não sou            Mínimo
                                                     

 

 

 

Iole Lebensztajn é brasileira formada em Medicina pela Universidade de
São Paulo. Desde a faculdade buscava práticas que promovessem a cura
de forma  mais sutil, profunda, integrada, tornando cada um ativamente
responsável pela  própria saúde.
Estudou várias técnicas, até que, em 1990, ao participar de um  Seminário
Básico de Jin Shin Jyutsu, no Brasil encontrou o que procurava nesta
Fisio-Filosofia.Desde então, dedica-se exclusivamente a  aplicar e ensinar
a Arte. Mantém consultório em São Paulo e é autorizada pela  JSJ, Inc.
para ministrar Cursos e Seminários de Jin Shin Jyutsu no Brasil e em
todo o mundo.

http://www.jsjbrasil.com.br

sergio klepacz -baloes (5)

OXITOCINA, O HORMÔNIO DO AMOR por Sergio Klepacz

 

Oxitocina , o hormônio do amor e da confiança

A oxitocina é um dos  hormônios que vem ganhando destaque na mídia
devido a sua  importância na modulação de sentimentos nobres tais como
confiança e amor.
Ela é uma molécula complexa produzida pela parte anterior da hipófise,
glândula  situada na base do cérebro. Nesta mesma área é produzido um outro
hormônio chamado  de vasopressina ou hormônio anti-diurético , que parece
também influenciar o comportamento  humano em termos de relacionamento interpessoal.

 

A oxitocina age em várias partes do organismo, sendo o seu primeiro uso
terapêutico como  auxiliar do trabalho de parto, devido a sua ação específica
nas células do útero,  ajudando a contração das mesmas . Com o tempo as
pesquisas foram mostrando um aspecto bem mais  fascinante,  que se refere a
influência que ela exerce sobre os sentimentos envolvidos no  relacionamento entre as pessoas .

Assim que a  criança vem ao mundo,  o corpo e o cérebro  dos genitores,
numa primeira visão deste ser, recebem uma inundação de oxitocina,
marcando para sempre este relacionamento.

É interessante se  observar a força deste primeiro impacto, quando lemos
noticias  sobre crianças  trocadas em maternidades , e o quanto é trabalhoso
retornar as  crianças às famílias  originais.

Recentemente uma  verdadeira enxurrada de trabalhos científicos vem
demonstrando  o envolvimento  da oxitocina em várias doenças psiquiátricas
ou não, e até na sexualidade.

Um dos trabalhos mais interessantes que já li sobre o tema  foi feito dosando
os níveis de oxitocina, em  alguns casais de voluntários. Nos mesmos foram
provocados uma ferida de  tamanho padrão e a cicatrização foi analisada
dia após dia.  Os casais com  maiores concentrações de oxitocina circulante,
e portanto os que  mais se  amavam, tiveram maior velocidade de cicatrização
das respectivas feridas.

Entre as doenças psiquiátricas mais estudas, quanto ao aspecto da
participação  da  oxitocina,  foram : a esquizofrenia, o autismo, a
dependência  de drogas,  as fobias  sociais, anorexia  nervosa , as alterações
afetivas , e os  distúrbios sexuais .

Em alguns casos, como no autismo, o usa da oxiticina já pode ser considerado
uma  terapêutica  válida, e  outros trabalhos científicos precisam  ser realizados
para que  possam se  consolidar novos  usos.

Outro aspecto muito interessante a ser considerado é a ligação do gene da
vitamina A  com a  oxitocina , que parecem funcionar em sincronismo.
No passado muitos estudos  tentaram estabelecer o autismo, como uma forma
de hipovitaminose A, e hoje  são  necessárias mais pesquisas cientificas
no intuito  de analisar o  impacto  do uso de bloqueadores da vitamina  A
(como a isotretinoina , usado no tratamento da acne),  no sistema oxitocinoco.

 

 


Sergio Klepacz
, nasceu em  30 de Julho de 1956 em São Paulo. Formado pela Faculdade de medicina da PUCSP em 1980.Especialista em psiquiatria pela Faculdade de ciências médicas da Santa Casa de São Paulo em 1983.Mestre em psicofarmacologia pela Unifesp 1987 , apresentou a tese sobre o efeito do litio no humor de voluntário saudaveis.
Médico do hospital Samaritano de SP.Pós graduação senso Latu em medicina ortomolecular em 2003.Bacharel do notorio saber em ciencia ortomolecular pela A.M.B.O.
Autor dos livros : “ Uma questão de equilibrio” , “ Equilibrio hormonal e qualidade de vida”  e “ O sutil desequilibrio do estresse”

 

www.totalbalance.com.br