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ENTER AND TOUCH por Jessica Cooke

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Meus pés submersos pela água do rio. As pedrinhas entre meus dedos cedem e afundam bem devagarzinho. Como eu, montanha tão grande, me desestruturo pela areia movediça?
A água me mostra como a terra é realidade frágil. Parece invencível, mas não é.
Água demais faz a terra parar de respirar. Pode matar a terra. Pode matar meu corpo, essa terra que pertence somente a mim.
My body is land.

Water makes flood.

Quero existir, fala a montanha. Meu corpo transparente aparece no ato destrutivo. O vulcão destrói sem piedade, mas a ilha feita de vulcão nunca é vencida pela água.
A explosão move a terra. A explosão gera terra. A explosão salva a terra.

O único jeito de criar é destruir.

A ambiguidade do corpo está em seus movimentos. Ora aparece, ora transparece. Eternamente envolvidos por laços que abrem e fecham. Soltam e prendem. Contração e expansão se alternando como morte e vida no meu corpo.

I want to be involved.
http://jessica-cooke.com/2012/08/16/i-want-to-be-involved/
Explosões se manifestam de formas únicas. Não existem regras.

A força infincada na parede pode sustentar uma casa.
O prego não tem data para morrer. Pode ficar no mesmo lugar perpetuamente até o dia em que nada mais faz sentido e só restar a intenção encravada na madeira.

Marca choro de lamentação.
Quem vencerá? O prego ou a madeira?

Quero momento imortal. Para sempre uma foto.
Estática, parada, perfeita.
Igual a paixão à primeira vista.

Me apaixonei por um homem que nunca conheci, mas tive certeza que poderia amá-lo para sempre.
O momento estático, perfeito.
Apenas lhe  dei minha mão, disse olá e ele tirou sua mão de mim. Destruiu o momento e eu fui destruída junto.
Quero entrar dentro do seu casaco  e junto ao seu corpo, dormir para sempre.
Me aperta bem forte?
Quero existir.
O cabelo e barba dele tem cheiro de óleos baratos. Ele não sabe escolher coisas de qualidades, mas ele tenta e por mais terrível que seja funciona. Tudo funciona nele. Ele é invencível. Ele é o herói da historia dele, quase foi da minha.
Ele tirou sua mão, pediu as direções, virou a esquina e nunca mais o vi. Foi tudo muito rápido, nem tive chance de me despedir.

Volta! Qual seu endereço? quero te escrever!
Será que ficaremos velhinhos juntos?

Vejo a nuvem passar e quase consigo segurá-la.
Quase, é sempre quase. Parece tão palpável. Igual a ele. Ele será sempre quase.
Quero a nuvem estática, perfeita, pregada por um alfinete no meu corpo.
A mão dele na minha para sempre.

Fotos:
Banner,Foto 1,2| My Body is Land Water Makes Flood| Fotografia
Foto 3,4,5,video| I Want To be Involved| Performance
Foto 6| Untitled| Fotografia
Foto 7| Thorn Stone| Escultura
Foto 8,9,10,11| I Fell In Love With a Man I Never Met| Escultura

 

 

Jessica Cooke é artista plástica nascida em São Paulo, reside em Berlim, Alemanha onde estuda artes visuais na Universidade de Artes, Berlin (UdK – Universität der Kunst), sob tutoria da artista Susanne Lorenz. Usa como tema sua vida pessoal e suas emoções para criar uma ponte entre artista e público. Acredita que os objetos pulsam e busca traduzir esses sentimentos para uma linguagem poética. Com uma grande influência do teatro,  usa a performance entre suas mídias principais, além de fotografia, instalação e video.  Participou de exposições como Friends of Agora e Unbound, no espaço Agora, Berlin Germany| 2011 e Drei Eck, no espaço Stadtt Bad Wedding, Berlin, Germany|2012. Como integrante do Coletivo de arte AGORA participou de Transient Museum, na Galeria Freies Museum, Berlin, Germany| 2012 e The month of performance, na galeria L’Atelie Kunst Spiele Raum, Berlin, Germany| 2012.

www.jessica-cooke.com

 

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20120802 by Tillmann Lange

Para visualizar a versão em português, clique aqui

I no longer work with calculations, nor am I interested
in data and their meanings.

I saw something in the past or it was something
someone told me. These fragments of past information transformed themselves in
my mind into forms. The numbers still exist within and the structures appear
like a flash.

I’m on paper.

It isn’t important to decode the original information:
absolute knowledge is impossible.

Fragments seen before have no relation to information.

Number is image and the pages of a math book are drawings.

The math book was shifted: I want to create a situation similar to listening to music, without understanding it’s
composition. You look at the drawing and I hope there is something you can feel, without further information.

The final outcome of musics equation is greater then its numbers, its the melody.

I like not to know what the melody means.

I like not to know.

Codes without keys. Maybe there is someone who could see the structure of the pattern.

It is interesting to see a information encoded and then to question: What is it about?

I want to freeze at this point. There is a question but there isn’t an answer.

The mystery is magical alone. Without answers.

 

translated by Jessica Cooke

Tillmann  Lange was born in Cottbus, Germany in 1981, he began his studies in the  Technical University of Dresden, Germany in 2001 in computer science. During this time he performed a parallel painting study in the Academy of Fine Arts  Dresden. In 2005 he moved to Berlin, where he currently lives and works as a  graphic designer and studies painting in the Berlin Weissensee School of Arts.
He had his work published in the ‘Prolog 7’ magazine of Berlin in 2011. His
solo exhibitions were ‘Linienkompott’ in Galerie  im Zwischenraum, Berlin 2012 and ‘Aktstudien und freie Blätter’, in the Galerie Ostart, Berlin.

www.tillmann-lange.de

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20120802 por Tillman Lange

 

Eu não trabalho mais com cálculos, nem tenho mais interesse nas  representações dos  dados e seus significados

 

 

Vi algo no passado ou  foi uma historia que alguém e contou. Esses fragmentos do passado se transformaram em formas na minha
mente. Os números ainda existem dentro de mim e as estruturas aparecem como um flash.

Eu no  papel.

Não é importante decodificar essa informação original:  o conhecimento absoluto é impossível.

 

Os fragmentos  vistos não tem nenhuma relação com a informação.

Número é imagem e as páginas de um livro de matemática são desenhos.

 

 

O livro de matemática foi deslocado: quero construir uma situação similar a quando ouço uma musica, sem entender a composição. Você olha um desenho e espero que exista algo que  você possa sentir, sem a informação.

O resultado final da equação musical é maior do que seus números, é sua melodia.


Eu gosto de não saber o significado da melodia.

 

Eu gosto de não saber.

Códigos  sem gabarito. Talvez há alguém que possa ver a estrutura das sequencias. É interessante ver uma informação codificada e se perguntar: é sobre o que?


Eu quero congelar nesse ponto. Existe a pergunta, mas não há resposta. O mistério é mágica por si só. Sem resposta.

 

tradução : Jessica Cooke

Tillmann Lange nasceu em Cottbus, Alemanha em 1981, ele iniciou seus estudos na Universidade Técnica de Dresden, Alemanha em 2011 em Ciência da Computação. Durante esse período ele iniciou um estudo
paralelo em pintura na Academia de Artes Dresden. Em 2005 ele se mudou para Berlin, onde ainda mora e trabalha como designer gráfico e estuda pintura no Berlin Weissensee Universidade de Artes. Ele teve seu trabalho publicado na revista ‘Prolog 7’ em Berlin em 2011. Suas exposições solos foram ‘Linienkompott’ na Galeria  Zwischenraum, em Berlin 2012 e ‘Aktstudien und freie Blätter’, na Galeria Ostart, em Berlin 2010.

www.tillmann-lange.de