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MOEDA DE TROCA por Christian Heymes

 

Quanto custa uma mulher? Na África tribal, não existe dinheiro, só moeda de troca.
No Congo, na tribo Kassai, essa moeda é um quadrado de tecido feito de ráfia bordado.

Esses tecidos estão no  centro da vida social.O filho deve dar ao pai ou a mãe uns dez quadrados quando começa sua vida ativa;  para casar o futuro marido deve oferecer  sessenta larguras de tecido ao pai da noiva, sobretudo se ela tem as ancas  largas,  promessa de muitos filhos.
A mulher vai receber no mínimo dez tecidos quando nasce um filho.
A aquisição de um cargo social ou religioso e serviços também  são pagos em têxteis.

Para se ter boas relações com familiares, amigos, vizinhos; para ser admitido à um culto, tudo tem seu preço em tecidos. A posse de uma grande quantidade aumenta o prestigio,  e  o  próprio vilarejo como coletividade,  possui seu tesouro de tecidos. Dependendo da tribo, esses tecidos vem em quadrados ou rolos de vários comprimentos, que podem ser usados como vestimenta, sendo enrolados em  volta do corpo.
Os desenhos tem um significado e contam uma história, que hoje em dia muitas vezes se perdeu. Cada desenho tem que ser bonito e bem executado, pois na África a criação é antes de tudo uma aventura espiritual e noções abstratas como a tensão,  equilíbrio, audácia e  ritmo  presentes nos trabalhos,  são primordiais para descrever a qualidade profunda desse povo.

 

 

Christian Heymes é frances,radicado no Brasil há 40 anos, arquiteto,decorador e antiquario, agora especializado em  arte tribal: Africa, Oceania e Asia. Ministrou cursos sobre arte africana no Masp. Escreve para revista eletronica Taste.

http://taste.com.br/habitat/arquitetura/item/7853-arquitetura-de-terra-do-povo-dogon.html

www.patrimonioantiquidades.com

sonic pavillion, em Inhotim

O som da terra

O artista plastico  Doug Aitken fez vários experimentos com  o som: ruídos da selva da Goiana em Jonestown, reverberações  de tremores gerados pela erupção do vulcão ”Soufriere” no Caribe e no  Brasil, o som da terra  com o projeto Sonic pavillion .
O pavilhão do som, ”sonic pavilion” , inaugurado em 2009 no Instituto Inhotim
perto de Belo Horizonte, permite ao visitante ouvir em tempo real, o som do
interior da terra. Localizado no topo de uma pequena colina, por uma rampa  se alcança um pavilhão circular,envidraçado, onde se encontra um buraco redondo, que na verdade é um poço estreito de trezentos metros de profundidade. É importante lembrar que  o local é uma zona de escavações de minérios.
No fundo do poço, microfones de alta sensibilidade captam diretamente  o som produzido nas entranhas da terra, semter nenhuma interferência da superfície.

Interessante observar a mudança do padrão  do som no decorrer do tempo. O que poderia provocar essas diferenças? Que atividade secreta se passa no interior da terra?

Christian Heymes

clique aqui para ver o video:  som da terra – inhotim – sonic pavilion

O video  mostra a construção do sonic pavilion, a perfuração, a captação do som, o som da terra