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O SEGREDO por Elza Tamas

Se você canta os números da sorte no bingo da sua  cidade,
se você é judeu ou tem azia.  Se  tiver ganhado  o Nobel de
química ou se gosta de roda gigante e depois quer ir ao
carrossel e depois tomar milk-shake e depois ir na montanha russa;
se você mora em Berlim ou se você usa um  chapéu esquisito
e  cuida da segurança do  papa, se sua avó foi escrava;
se você prefere  sentar na janela no avião ou se você
está numa cama de hospital. Se você nunca seca os cabelos
quando lava,  ou se você seca; se o semáforo sempre fecha quando
você chega, e se o verde não  é sua cor. Se você viu demais,
ouviu demais e nunca esqueceu, se você é destro
ou anda de muletas; se doou ouro para o Brasil, se você
sente raiva, ou se você  gosta de ir à feira; se você quando
olha para o céu tem saudades,  se você pesca
peixes, ou prende passarinhos em gaiolas, ou tem
déficit de vitamina D. Se você  tem um plano de saúde que foi
vendido, ou acredita no espírito santo, ou os  dois. Ou nenhum.
Eu tenho uma notícia: você vai morrer. Quase tudo que você faz
é para adiar, disfarçar, fingir que o assunto não é com você. Mas é.
Você vai morrer.

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Elza Tamas idealizou e desenvolve este site

www.forademim.com.br

foto: Mario Bock

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foto banner: Elza Tamas

OXITOCINA, O HORMÔNIO DO AMOR por Sergio Klepacz

 

Oxitocina , o hormônio do amor e da confiança

A oxitocina é um dos  hormônios que vem ganhando destaque na mídia
devido a sua  importância na modulação de sentimentos nobres tais como
confiança e amor.
Ela é uma molécula complexa produzida pela parte anterior da hipófise,
glândula  situada na base do cérebro. Nesta mesma área é produzido um outro
hormônio chamado  de vasopressina ou hormônio anti-diurético , que parece
também influenciar o comportamento  humano em termos de relacionamento interpessoal.

 

A oxitocina age em várias partes do organismo, sendo o seu primeiro uso
terapêutico como  auxiliar do trabalho de parto, devido a sua ação específica
nas células do útero,  ajudando a contração das mesmas . Com o tempo as
pesquisas foram mostrando um aspecto bem mais  fascinante,  que se refere a
influência que ela exerce sobre os sentimentos envolvidos no  relacionamento entre as pessoas .

Assim que a  criança vem ao mundo,  o corpo e o cérebro  dos genitores,
numa primeira visão deste ser, recebem uma inundação de oxitocina,
marcando para sempre este relacionamento.

É interessante se  observar a força deste primeiro impacto, quando lemos
noticias  sobre crianças  trocadas em maternidades , e o quanto é trabalhoso
retornar as  crianças às famílias  originais.

Recentemente uma  verdadeira enxurrada de trabalhos científicos vem
demonstrando  o envolvimento  da oxitocina em várias doenças psiquiátricas
ou não, e até na sexualidade.

Um dos trabalhos mais interessantes que já li sobre o tema  foi feito dosando
os níveis de oxitocina, em  alguns casais de voluntários. Nos mesmos foram
provocados uma ferida de  tamanho padrão e a cicatrização foi analisada
dia após dia.  Os casais com  maiores concentrações de oxitocina circulante,
e portanto os que  mais se  amavam, tiveram maior velocidade de cicatrização
das respectivas feridas.

Entre as doenças psiquiátricas mais estudas, quanto ao aspecto da
participação  da  oxitocina,  foram : a esquizofrenia, o autismo, a
dependência  de drogas,  as fobias  sociais, anorexia  nervosa , as alterações
afetivas , e os  distúrbios sexuais .

Em alguns casos, como no autismo, o usa da oxiticina já pode ser considerado
uma  terapêutica  válida, e  outros trabalhos científicos precisam  ser realizados
para que  possam se  consolidar novos  usos.

Outro aspecto muito interessante a ser considerado é a ligação do gene da
vitamina A  com a  oxitocina , que parecem funcionar em sincronismo.
No passado muitos estudos  tentaram estabelecer o autismo, como uma forma
de hipovitaminose A, e hoje  são  necessárias mais pesquisas cientificas
no intuito  de analisar o  impacto  do uso de bloqueadores da vitamina  A
(como a isotretinoina , usado no tratamento da acne),  no sistema oxitocinoco.

 

 


Sergio Klepacz
, nasceu em  30 de Julho de 1956 em São Paulo. Formado pela Faculdade de medicina da PUCSP em 1980.Especialista em psiquiatria pela Faculdade de ciências médicas da Santa Casa de São Paulo em 1983.Mestre em psicofarmacologia pela Unifesp 1987 , apresentou a tese sobre o efeito do litio no humor de voluntário saudaveis.
Médico do hospital Samaritano de SP.Pós graduação senso Latu em medicina ortomolecular em 2003.Bacharel do notorio saber em ciencia ortomolecular pela A.M.B.O.
Autor dos livros : “ Uma questão de equilibrio” , “ Equilibrio hormonal e qualidade de vida”  e “ O sutil desequilibrio do estresse”

 

www.totalbalance.com.br

 

 

 

 

SEU CORPO, SUA CASA por Mary Jane Paiva

 

 

Muito se fala de corpo, não? Ele é chamado de corpo do pecado, da estação, da moda, de sarado, perfeito, e por aí vai. Mas, vou falar do corpo como casa, do corpo que você habita, em que você vive. E tomarei como base a ciência/teoria de W.Reich (1897-1957), psiquiatra e psicanalista,criador da psicologia corporal, que estudou o corpo,a mente, a energia; e a integração e relação dessa tridimensionalidade resumida no corpo. Reich defendia que o corpo doente é a fonte das doenças psíquicas. Difundiu a unidade funcional entre o físico e o psíquico, e a teoria de que o corpo abriga nosso ser e as histórias das nossas relações afetivas ao longo da vida.

A partir daí soube-se que desde a fase intra-uterina, quando nosso corpo era abrigado no de nossa mãe, dentro do útero (essa espécie de nave espacial que nos trouxe a terra, deu a luz, o início, o fim e o meio) nossa história vai sendo inscrita em nosso corpo, que é a casa de todos os nossos sinais gravados, como diz o italiano Dr.Gino Ferri, psiquiatra e analista reichiano. Ou seja, a forma como desenvolvemos nosso sistema neuroafetivo e como lidamos com nossa troca afetiva, a partir do útero até final da puberdade, define nosso caráter.

Até o temido e  comentado estresse pode ser resultante de tal fase, que influi ainda no quanto e como recebemos as gratificações que vão determinar nossa forma corporal, nosso comportamento e nosso jeito de agir e reagir na e à vida. Mas é claro, que um bom pai e uma boa mãe também exercem grande influência.

O fato é que existe sim relação entre o modo como você habita seu corpo e a forma como leva sua vida. Desde o útero não há nada que passe por sua vida sem passar pelo seu corpo, sabia? Com ele você sofre e goza, expressa o seu desejo, o seu medo, revela seu carinho,denota sua tristeza e todas as suas percepções, sensações e emoções.O corpo ainda pode suprir todas as suas necessidades e atender aos seus desejos. Nenhum sentimento,pensamento, sonho,projeto, criação ou realização existem sem o corpo. Isso posto, o enigma é: você pertence ao seu corpo, ou o seu corpo te pertence?

Para responder essa questão é preciso perguntar outras. Você sabe dizer como ocupa o seu corpo? Definiria o modo como vive nele?

magritte

Fica mais na cabeça, é mais racional ou intelectual? Se sim, isso quer dizer que usa muito o escritório do seu corpo. Mas, você se lembra de ir ao jardim? Como areja sua moradia, quero dizer, como você respira? Tem portas e janelas amplas? Ou a abertura é limitada e a respiração da casa presa onde o ar é mais denso e poluído? E como vai seu apetite? Come em excesso ocupando uma boa parte do seu tempo na cozinha? Você gosta de se mexer e se exercitar? Acha a sua casa (corpo) barulhenta e agitada? Ou calma e serena? Costuma convidar os amigos para te visitar? Como é a sua sala de visita ? Como você se organiza para receber pessoas em sua casa? Tem espaços para intimidade? Gosta de ficar em casa? Sente a sua casa confortável e aconchegante? Tem quintal ou jardim e gosta de tomar sol? Sente sua casa pequena, apertada e insegura? Quais são os bloqueios e defeitos desta casa? A rede de esgotos funciona? Precisa de reforma? Qual área é a sua preferida? Gosta de enfeitá-la e cuidar dela para que não se deteriore? É uma casa funcional que tem calor, movimento e inteligência afetiva?

Sim, o corpo é uma casa como a sua, que precisa de cuidados, lugar onde circula e flui energia. Se você possui dores crônicas musculares, logo sua casa precisa de manutenção. Frio? É bom aquecer o corpo com energia amorosa.  Mas é bom olhar para trás também. Para Existir, Querer, Escolher e Afirmar quem somos, precisamos de um bom desenvolvimento e funcionamento, de uma casa com uma boa fundação para que possamos explorar nosso potencial natural  e desenvolver nossa identidade.

A casa ideal, ou o corpo ideal, é aquela/ aquele com estruturas sólidas, calor, aconchego e ventilação. Mais: com um bom sistema de alarme que deve ser atendido a cada ressoar. É construída em um terreno seguro onde há sol, água e rede de esgotos, ou melhor, com garantia de dignidade. Possui uma etica  natural afetiva e   a estetica harmonica.E serve como lugar de possibilidades e alternativas para se viver o sentimento de humildade, humanidade e humor. E que analogicamente tenha cabeça, peito e pélvis relacionados e integrados que podem trazer como resultado a alegria de viver  e prazer.

Está tudo bem em sua casa?

 

Mary Jane A. Paiva  é psicologa clínica,  psicoterapeuta e analista reichiana. Diretora da  Sovesp(Sociedade de orgonomia e vegetoterapia de SPaulo ), escola coligada a  Siar (Escola italiana de Analise Reichiana).
Elaborou, fez a revisão científica  e o prefácio da edição brasileira do livro italiano  de Genovino Ferri e Giuseppe Cimini: Psicopatologia e Caráter -a psicanálise no corpo e o corpo na psicanálise).
Deu aula no Senac e no curso de Psicologia Reichiana no instituto Sedes Sapientae .

Escreve semanal sobre comportamento no blog:
http://ligia.tv/site/category/Comportamento

 

 

 

Foto Banner: Elza Tamas sobre o trabalho de Elad Lassry – Ghost