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A culpa e o perdão pela Irmã Valentina

 

Fui culpada!… Arrependo-me de ter dito um “sim” para Elza, mas agora já é tarde! Tentarei elaborar o texto. E se tivesse dito um “não”, estaria livre da culpa de negar-lhe uma colaboração ? Questão tão banal ! É possível desbanalizar o enigma da culpa, desvelar este fenômeno universal e humano – demasiadamente humano ?

Um dos grandes desafios do mundo contemporâneo, talvez sem precedentes, seja a diversidade e pluralidade em que estamos mergulhados. Sygmunt Bauman fala em “viscosidade” que significa um novo “habitat” para aquilo que entendemos como verdade, certeza, crença, identidade. O que é ou não certo, o que é ou não verdadeiro hoje se pluralizou… e os filósofos disputam isto, construindo não uma teoria da verdade, mas uma teoria das verdades, no plural.

Nessa perspectiva como falar da culpa ?  Reporto-me, então, a uma perspectiva “religiosa”. Religião não reduzida a um mero ato humano, natural, sem transcendência, mas voltado às fontes, ou seja, à Palavra Reveladora. Sua origem misteriosa ensina ao ser humano qual sua verdadeira origem, sua autêntica morada.Sua manifestação emerge das entranhas da história para brilhar na alteridade do rosto do outro e do Outro que nos transcende – Deus !  Perspectiva da Fé !.

Como pensar a alteridade do Outro que nos transcende ao refletir sobre culpa pessoal, culpa coletiva, arrependimento, remorso e sobretudo perdão ?

Na pluralidade de possíveis respostas evidencio a existência dos Sacramentos na vida da Igreja Católica, e de modo especial os Sacramentos do Batismo, da Reconciliação e da Eucaristia. Eles têm a força de provocar-nos “com a graça ao movimento de rejeição da face escura da ação egoísta e de fazer aumentar a dimensão da bondade, de liberdade, de desprendimento, de saída de nós” para o encontro com o outro e com Deus.

Um poeta indiano diz que convidou Deus para vir a sua casa. Deus veio e esqueceu-se de ir embora. É isso que aconteceu em cada um de nós ! Deus veio no Batismo, o Espírito Santo veio no Batismo e esqueceu-se de ir embora. Continua entre nós: crentes e não crentes. Ele continua falando, acordando-nos e é por isso que a história tem sentido, é por isso que nós temos esperança, é por isso que existe ética ! E quando sentimo-nos culpados, o que Deus, presente em nós, pode nos revelar?

"A volta do filho pródigo" Rembrandt Van Rijn. 1606-1669.

A necessidade do perdão! Aprender a perdoar-se e deixar-se perdoar. O perdão é refazer alguma coisa que, de fato, escapou da nossa mão, já não é nosso. Quando, por exemplo, dirijo a palavra a uma pessoa, essa palavra já saiu de mim. Eu já não sou dona dela. Não posso refazer, destruir. Se eu pudesse fazer isso, não precisaria de perdão. A única realidade capaz de reconstruir é o outro perdoar. Se o outro não perdoar, difícil se redimir. Por isso precisamos de perdão: dado e recebido. Ainda numa visão de Fé, perdão é dom, é gratuidade, é amor. É dele que precisamos, é ele que nos refaz, nos recria até da maior culpa que temos. Precisamos do perdão do outro e do Outro Absoluto que é Deus ! Do Deus de misericórdia que acolhe o filho pródigo com amor de Pai-Mãe !

 

Irmã Valentina Augusto é freira da Congregação das Irmãs Salesianas há 50 anos. Estudou Pedagogia e Filosofia na Fatea de Lorena, SP e Orientação Educacional na PUC/SP. No ano de 1992 estudou em Roma, residindo na Casa Geral das Irmãs Salesianas.

Foi Diretora de Escolas das Salesianas em Lorena, Ribeirão Preto e São Paulo. Atualmente integra a equipe de Educadores da R S E – Rede Salesiana de Escolas – do Polo S. Paulo, na função de “animadora”, cujo escritório fica nas dependências do Liceu Coração de Jesus, Alameda Dino Bueno, 353, Campos Elíseos, SP.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Som, por Elza Tamas.

No princípio era o verbo.

E se o verbo fosse um som, um grande arroto cosmogônico, nascido no fundo do estômago vazio do universo? E se o tom do big som fosse si bemol e o faça-se um bang estrondo silencioso que desse início a tudo?

O Som do Big Bang

Uma onda vibrante vermelha escorreria pelo céu preto, aglutinando e afastando com gravidade formas planeta, luz estrela, galáxias, terra azul.

Na terra azul, o baile incessante de acasos geraria colunas vertebrais, avencas loucas, hieróglifos maias, poluição.

Nosso pequeno território mim é 70% aquoso, curiosamente proporção equivalente a presença da água no planeta Terra. Somos uma ilusão de solidez, quase oceanos.

E se o Dr. Emoto tiver razão e nossas mares internas vazarem e encherem, flores de cristal nos inundando com ondas de prazer quando ouvimos Bach, Mozart ou Beatles e nos esfacelarem quando a cidade grita, quando o hard rock bate pesado? Assim, a intenção também se propagaria em nossos fluidos, gestos de amor e gratidão expandiriam nossos humores em mandalas harmônicas; rancores, ódios fariam em caquinhos confusos o encanto das nossas moléculas líquidas.


Quando os monges budistas repetem e repetem a silaba OM formando círculos concêntricos na xícara de chá, que efeito provocará esta ressonância na água misteriosa que mora na minha pineal? E no meu medo?

Tudo em mim vibra e minha própria voz é musica que massageia meu corpo. O sangue circula mais vivo quando um mantra entoa e a cada OM, grãozinhos diminutos de felicihormonio se espalham pelo meu cérebro, e eu penso que é Deus, e me acalmo. Tons se amplificam na caixa de ressonância do meu vazio e tudo se cria, e volta o verbo e eu olho para o céu e sinto saudades.


 

Mais sobre o som do big bang, cimática, experimentos do Dr. Emoto.

Psicóloga clinica formada pela PUC/SP, com especialização em Psicossíntese reconhecida pelo Psychosynthesis & Education Trust de Londres. Presta atendimento psicológico individual, de casais e coaching. É palestrante e consultora na área empresarial e coordena  workshops  com temas ligados ao desenvolvimento pessoal. Interessada em compreender a mente e a natureza humana, estudou diversos sistemas de conhecimento em centros no Brasil, Argentina, Estados Unidos, Inglaterra, Dinamarca, India e Nepal. Elza é a idealizadora do projeto Fora de Mim.