Arquivo da tag: Edição 23: E SE…

E-se...-on-the-other-side-of-the-window

ONDE VIVEM OS FILHOS QUE EU NÃO TIVE? por Elza Tamas

Você pode acordar um dia em outra história- não mais no seu colchão de molas, ensacadas individualmente, que evitam que seu marido pule na cama enquanto você não para de se virar em noites de insônia, mas no chão de um corredor de um prédio todo perfurado por balas, no Líbano. O corredor é o lugar mais seguro, tem a parede externa do edifício somada à interna, a dos aposentos; as rajadas de balas tem que perfurar duas paredes e também funciona com as granadas, lembra? Não foi isso que aquele guia de olhos astutos lhe ensinou naquele café em Beirute, discorrendo sobre os fenícios, otomanos e persas, enquanto você não prestava a menor atenção e só via a boca dele se mexendo e pensava: e se eu largasse tudo para viver com este homem?

Para onde vão as opções que descartamos? os caminhos que quase trilhamos? Cada vez que fazemos uma escolha, mesmo que pequena, o que acontece com as outras alternativas? E se você não tivesse deixado aquela cidade? Onde vivem os filhos que você evitou? Para onde escorrem essas vidas-possibilidades? Existem as vidas “se”?

Você pode acordar um dia em outra história, sua outra história. Alice sabia como.

 

foto banner: Goran Boricic – on the other side of the window 

 

 

Elza Tamas é psicóloga clínica e escritora. Concebeu e desenvolve o forademim.com.br

 

foto: Mario Bock

 

E-se-foto-4-Gal-Oppido-BANNER

E SE TUDO DER CERTO? por Gal Oppido

 

 

Desconfio que não temos capacitação genética para o enfrentamento da ausência instantânea e coletiva daquilo que nos impede do bem estar pleno…

A humanidade sempre conviveu com a correção de rotas, nos valemos da analogia para afastar incertezas e mesmo assim o desconforto nos persegue.

O mecanismo que nos dá horizonte possível é a idealização do que seja certo mesmo sabendo que a incompletude é o que nos move.

 

 

 

 

Gal Oppido é fotógrafo-ensaísta, com participações em exposições nacionais e internacionais. Entre elas Antífona, em 2011, no Museu Afro Brasil, e  São Paulo Mon  Amour, na Maison de Mettalos, em Paris. Recebeu o premio APCA, como melhor  fotógrafo pelo conjunto da obra, em 1991. Ministra curso de fotografia autoral no MAM-SP, desde 2001.

foto : Sabrina Wernicke

www.galoppido.com.br

[email protected] / [email protected]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E-se-abelhas-amarelo

E SE AS ABELHAS DESAPARECESSEM DA FACE DA TERRA por Elza Tamas

 

“Se as abelhas desaparecessem da face da Terra, a espécie humana teria somente mais quatro anos de vida” Esta frase atribuída a Albert Einstein, evidencia o papel vital exercido por esses insetos.

Sem abelhas, não haveria a polinização, e a cadeia ficaria totalmente comprometida: plantas, animais, homens.

Um terço do que comemos depende diretamente do papel das abelhas na natureza. Mas, as abelhas estão morrendo num fenômeno sem precedentes, antes limitado a Europa ( onde começou a ser notado em 1960) e a America do Norte, e hoje já observado na Africa e Asia também. Milhares de colônias vem desaparecendo sem nenhuma explicação plausível.

Os cientistas trabalham sobre 3 hipóteses: um vírus atípico estaria exterminando as abelhas, pesticidas e a variação da forma como a agricultura é estabelecida hoje ( vastas extensões de monoculturas, também chamados de deserto verde porque impossibilitam abelhas e outros polinizadores de encontrarem alimentos nesta área )

O intrigante é que as hipóteses se contradizem: cidades que baniram o pesticida acusado, mesmo com o passar dos anos não tiveram uma melhora no aumento de abelhas; no entanto na Austrália, o pesticida é utilizado e a morte das abelhas não é observada. O fenômeno ganhou até uma sigla CCD – colony collapse disorder (desordem de colapso de colônia).

 

Markus Imhoof, cineasta suíço, ele mesmo de uma família de apicultores, escreveu e dirigiu o documentário MORE THAN HONEY.

Aqui o trailer, cheio de imagens lindas e boa informação sobre o tema.

 

Foi lançado no Brasil pela Imovision, com o nome: MAIS QUE MEL

 

O tema é intrincado, vários fatores estão envolvidos passando até pela ideia de que abelhas geradas em confinamento não se adéquam mais ao habitat externo. A BBC fez um documentário muito esclarecedor sobre o tema.

 

fotos retiradas do material de divulgação do filme More than honey  

 

 

 

 

Elza Tamas é psicóloga clínica e escritora. Concebeu e desenvolve o site forademim.com.br

 

 

 

 

 

E-se---Victor--banner

E SE AS MARCAS E PRODUTOS VOLTASSEM A SER PESSOAS? por Victor Hayashida

 

Hoje em dia quando nos deparamos com a publicidade e propaganda seja de produtos ou serviços, a mensagem que muitas vezes encontramos é: a melhor oportunidade com a melhor vantagem e com os melhores benefícios. Em muitos casos os produtos até são inovadores, mas sua publicidade, nem tanto. A comunicação antes feita para entreter o consumidor enquanto passava a sua mensagem deixou de existir. Hoje em dia a razão tomou conta da emoção. Existem obviamente muitos fatores que contribuíram para toda essa racionalidade, seja a estabilização da nossa moeda, a diversidade da mídia ou o aumento da competitividade. Estamos muito mais analíticos em nossas escolhas, fazemos planilhas para tudo e temos cada vez mais controle sobre nossas emoções e impulsos. Estamos assim interferindo na maneira como a comunicação das marcas é feita. Porém, mesmo com todo esse controle, continuamos a consumir cada vez mais e mais (afinal, sabemos pelas nossas planilhas quanto podemos pagar por mês).

 

E se passássemos a olhar o consumo de outra forma? A olhar produtos e marcas como pessoas? E se tivéssemos mais consciência de quem somos? Talvez a resposta para esses “e ses” possa abrir uma nova (ou antiga) maneira de trabalharmos a comunicação.

 

Não costumamos tratar pessoas como planilhas, números e benefícios (estou falando das verdadeiras relações), mas tratamos sim com afeição: ou nos damos muito bem com alguém ou não, simples assim. É do ser humano esta identificação. Ao propor que a indústria trate as marcas como pessoas, estaríamos em busca de uma mídia que não está a venda para divulgarmos nossa mensagem, pois essa mídia seria interna e não externa: a essência. Aliás, isso não é nenhuma revolução, o marketing e a publicidade nasceram com esse lema: “A propaganda é a alma do negócio”. O problema é que essa alma foi ficando cada vez mais distante dos negócios. Se admiramos alguém, se respeitamos este alguém, normalmente falamos: “ei, eu gostaria de ser aquele cara um dia”. Falamos isso desde que somos crianças, nossa sociedade nos ensinou a viver dessa maneira e por que hoje fazemos diferente? Por que não escutamos o nosso próprio interior quando olhamos para um produto e esse produto se comunica com a gente dessa mesma maneira?

 

Acontece é que o “e se” entrou em nossas vidas abrindo possibilidades exteriores e não interiores. A indústria e a comunicação utilizaram o “e se” para nos trazer opções aproveitando-se do nosso livre arbítrio. O problema não é a variedade, mas sim a maneira como isso foi trabalhado: não pela verdade e pela sua razão, mas pela oportunidade. E em muitos casos, são oportunidades geradas pela frágil conexão com nossos verdadeiros desejos. Todo esse processo acaba afastando os envolvidos ainda mais da sua verdadeira essência.

 

Se soubéssemos quem somos, e se estivéssemos em contato desde sempre com a nossa essência, será que ainda nos utilizaríamos tanto do consumo como a possibilidade de substituir a busca legitima da nossa essência? E se as marcas não enxergassem nos lançamentos de produtos e serviços apenas oportunidades, mas sim uma razão de existir? Talvez isso seria uma via de mão dupla, onde consumidor e indústria estariam caminhando juntos na construção de uma verdade, propondo uma troca mais honesta que beneficiaria a todos. Buscar a essência ou resgatá-la deveria ser o ponto inicial em qualquer relacionamento, tanto para o consumidor quanto para a indústria. Sabemos que se trata de um processo com muitas amarras e muitos interesses, mas e se tentássemos mudar um pouquinho essas relações começando a olhar em um lugar onde apenas cada um de nós tem acesso: a nossa própria essência?

 

 

 

 Victor Hayashida, publicitário e Diretor de Arte, é formado em Comunicação Social e tem especialização em Moda pela FASM, Fashion Institute of Technology em New York e Central Saint Martins em Londres. Hayashida atuou no mercado publicitário por 14 anos como Diretor de Arte e Diretor de Criação para agências de publicidade como Africa, Publicis, Dentsu e Grey. Em todas, participou de estratégias e processos criativos para marcas de vários segmentos da indústria: Chevrolet, Mitsubishi Motors, Toyota, Nivea, Avon, Vivo, Itaú, Bradesco, Santander, Brahma, entre outras. Há pouco mais de 1 ano atua como Sócio Fundador e Diretor de Criação em seu escritório de consultoria em Branding e Lifestyle para diversas marcas do mercado nacional, a School/SS99, fundada em Nova York em 2012, com sede em São Paulo e Paris.

 

 

 

 

 

E-se-tommy-ingberg

MIRAGENS por Safira Lyra

 

Quando escutamos o choro de um bebê, entramos num estado de ansiedade e impotência. Imediatamente buscamos recursos que ajudem a cessar o quanto antes aquele estado de desconforto vivido pelo bebe. O choro é a comunicação entre o bebe e o mundo externo ; uma linguagem que aos poucos, as figuras parentais vão aprendendo decifrar. Segundo a Psicanálise, o bebê para suportar estados de privação ou de desamparo, fantasia; isto é, devaneia uma situação de satisfação e plenitude, e assim se acalma. O fantasiar se inicia precocemente na vida psíquica da criança, é um mecanismo temporário de proteção, uma ferramenta útil para diminuir a ansiedade e suportar o desconforto, mas insuficiente, logo o choro recomeça e o bebe retorna à vivência dolorosa de privação. Crescer é também se frustrar.

A vida adulta pressupõe privações. Também temos nossos choros, nossas gritarias, e não podemos mais esperar por uma mãe suficientemente boa para nos confortar, ou o acolhimento ideal do Outro. E assim fantasiamos: E se? E se pudéssemos trocar de parceiro, trocar de corpo, trocar de trabalho, trocar de vida?

Como as crianças, adultos também possuem mecanismos de escape frente a situações difíceis. Uma parte de nossa atividade mental se desconecta da realidade frustrante e se desloca para um plano, onde situações fantasiadas e idealizadas funcionam como fonte de um suposto prazer imediato, encobrindo o que nos limita. Vemos com frequência isso nas adições, nos vínculos virtuais e na busca compulsiva pelos estados de excitação.

O “E se” nos desloca para um espaço imaginário, ilusório, povoado de nostalgia ou de idealizações futuras. Um escape do tempo presente. A atitude que nos conecta com a vida, não é uma fantasia “E se”, mas sim uma aceitação, “Apesar de”.

O “Apesar de”- dos Outros, das privações, das frustrações- é o que nos possibilita sonhar. A fricção do encontro entre o que eu desejo e a realidade é que gera a faísca da Ação. Os limites não esvanecem a minha pessoa no mundo, não me enfraquecem, mas corporificam um nome próprio, apesar de…

 

foto banner: Tommy Ingberg

 

 

 

 

Safira Lyra é psicóloga e psicanalista, apesar de.

 

 

 

 

Foto_luiz

CRISTINA GUERREIRA por Luiz Alfaya

 

Cristina nasceu pobre. Negra e pobre. Até aí nada de novo em uma cidade superlativa como São Paulo. Um gigante com mais de 11 milhões de pessoas e que, apesar de abrigar a sexta maior quantidade de bilionários do planeta (Forbes/ 2011), possui cerca de 500 mil famílias vivendo abaixo da linha da pobreza. Uma desigualdade de envergonhar qualquer pai de família e provocadora de uma violência digna de conflitos militares. Cristina é fruto deste caos, nascida de uma moradora de rua e um pai desconhecido. Assim como os irmãos, ela foi arrancada das mãos da mãe em uma rua do centro da cidade e enviada para um abrigo ainda bebe.

 

Cresceu abrigada, mas não protegida. Vida dura com muitas surras e muito pouco afeto. A todo momento alguém para dizer que ela não seria nada na vida. Aos nove anos, uma esperança. Um casal de italianos disposto a passar pelo complicado processo de adoção brasileiro para dar uma nova vida à pequena. Ao mesmo tempo reencontra os irmãos e, na dúvida entre a famiglia e a família, decide por ficar. Ah, se arrependimento matasse. Enviada para outro abrigo, desta vez um de egressos da Febem, conheceu o pior do ser humano. Se até então a violência era emocional, a partir desse ponto a violência seria também física. Envolveu-se com o tráfico de drogas e com roubos, mas logo percebeu que a vida de ladrão não dura muito e resolveu parar. Agora letrada na vida, cresce a disposição de devolver para a sociedade todo o mal que ela recebeu.

 

Quis o destino colocar uma nova oportunidade na vida de Cristina: um processo seletivo para uma ONG que trabalha com Audiovisual. Sem saber o que esperar e o que fazer, ela acaba passando no processo e escolhe a oficina de iluminação, já que seu sonho era ser engenheira civil e construir a sua própria casa.

 

Um novo mundo se abre para ela. Jovens de todas as periferias da cidade dispostos a passar um ano estudando para, quem sabe, conseguir um emprego no competitivo mercado de trabalho. Machucada pela vida, sua defesa era a agressividade e o distanciamento. Aos poucos foi percebendo que o mundo não é só o que ela conhecia até então, que o afeto, sim, existe. Não foi simples nem rápido, e aquela raiva foi se transformando em interesse pela fotografia, pela poesia e até pelas pessoas. Pessoas que viram nela mais potenciais do que carências, que enxergaram na sua raiva uma vontade de mudar o mundo, e no seu sorriso, uma menina meiga.

 

Apesar do apoio, a guerra era de Cristina, que já com um pé neste novo mundo, teria agora que se livrar de tudo que ela vivera até então. No dia que completou 18 anos foi até o abrigo pegou sua coisas, agradeceu quem ajudou, desprezou quem a machucou e saiu pela porta da frente para construir sua vida.

 

Cristina trabalha como produtora escreve poesias e fotografa paisagens. E, se a vida continuar insistindo em botar ela pra baixo, a guerreira vai continuar lutando para provar para ela mesma e para todos nós, que ela é a prova viva de que cada um pode e deve ser protagonista de sua própria história.

 

 

Fotos e poemas de Cristina

“uma flor que está nascendo e me mostra muito o lance da proteção”

“Essa é uma foto que se chama Light Painting, ou seja, escrita com luz.

 

O Livro

Cada página uma história, cada história uma surpresa, cada surpresa um novo mundo.

As pessoas julgam pela capa mais mal sabem elas que ao abrir aquele livro irão simplesmente se deparar com a verdadeira USP da vida.

Psicografados por seres incomuns, escrito com o sangue de seres revoltados e revistado pelo temor e o monstruoso silencio da sociedade.

Sociedade que se faz de cega, surda e muda;

Seres que se fazem insanos e escrevem seus livros de sangue e lágrimas.

Sociedade que ao abrir o livro critica cada linha, vírgula ou ponto.

Seres que ao escrever na linha detalham cada pingo de sangue e de lágrima que é derramado.

Seres que gritam no Silêncio da noite, e sociedade que grita na noite do Silêncio .

 


Luiz Alfaya
atua há 8 anos como Gestor de Organizações do Terceiro Setor e tem mais de 15 anos de experiência em Branding, Comunicação e Marketing. Atualmente é Superintendente do Instituto Criar de Tv, Cinema e Novas Mídias, participa do Conselho Superior de Responsabilidade Social da FIESP e do Programa Synergos SeniorFellows.

 

www.institutocriar.org

www.facebook.com/InstitutoCriar

 

 

E-se---bancos-com-encosto

E SE TIVESSEMOS O ÓCIO CONFORTÁVEL? por Ricardo Porto de Almeida e Sofia Carvalhosa

 

Bancos com encosto para Sampa!

No começo deste ano, uma simpática praça no Jardim Europa, bairro residencial de classe média alta de São Paulo, ganhou melhorias sonhadas pelos moradores da redondeza. A reforma realizada pela prefeitura deu a ela um novo desenho, piso e iluminação novos, um gramado mais amplo, uma área de brinquedos para crianças – e confortáveis bancos, daqueles que havia antigamente e que foram aos poucos desaparecendo da paisagem urbana. No lugar deles foi surgindo, na verdade, um mobiliário mesquinho, que não favorece a fruição da cidade. São bancos para quem está de passagem, apressado, no ritmo acelerado das ruas. A maioria deles é de cimento com assentos ondulados, que é para ninguém poder se esticar e relaxar um pouquinho. E mais: não contam com encosto, tecnicamente chamado de espaldar, para apoiar as costas do usuário, em total desacordo com as normas da ergonomia. Trata-se de um equipamento para uso breve, instantâneo, que não favorece o ócio e nem o convívio saudável no espaço público.

Na inauguração da praça, estavam lá o subprefeito da região, o vereador que conseguiu a verba via emenda parlamentar para a reforma, representantes da associação de moradores dos Jardins e os próprios habitantes do entorno, todos satisfeitos com as benfeitorias.

 

E, claro, nós do grupo Bancos com Encosto para Sampa! também estávamos lá porque participamos do processo. Convencemos as partes envolvidas da necessidade de alterar um ponto importante do projeto inicial da reforma, que, por sinal, já estava em andamento. Ou seja, substituir o modelo desconfortável, pelos bancos com encosto.

Passamos, então, a desenvolver uma campanha a fim de angariar recursos para a aquisição do mobiliário, já que a prefeitura não dispõe de bancos com esta característica. Os moradores gostaram da idéia e muitos fizeram doações. Hoje, quatorze bancos com estruturas de ferro e ripas de madeira estão instalados sob as frondosas árvores da Praça Morungaba.

 

Essa história, na realidade, começou há muitos anos. Em viagens de férias por outros países, uma coisa me chamava a atenção. Caminhando por cidades como Nova York, Lisboa ou Buenos Aires, sempre encontrava aqueles bancos maravilhosos nos espaços públicos. E pensava com meus botões: por que lá no Brasil não é assim? Por que na cidade em que vivo existe até mesmo praça sem um único banco sequer? Por qual motivo o poder público oferece aos cidadãos um equipamento urbano que mais parece ter sido planejado para puni-los? Sempre considerei esse tratamento um verdadeiro desrespeito às pessoas. E pensava em atuar de alguma maneira no sentido de conseguir respostas a essas indagações e alterar a situação. Até que num belo dia, em conversa com a Sofia, surgiu a idéia de usarmos as redes sociais na internet como ferramenta de informação e mobilização da sociedade em relação à questão dos bancos das praças e parques da metrópole. Hoje, o coletivo Bancos com Encosto para Sampa! reúne mais de mil e trezentos integrantes num grupo criado no Facebook. São pessoas que se interessam pelas questões da cidade e, em especial, à do mobiliário urbano. Nele, quem quiser publica fotos de bancos de vários países e textos diversos. A iniciativa existe há apenas um ano e meio. É apenas o começo de uma atuação de paulistanos, que aliados aos demais grupos de ativismo urbano, sonham com uma São Paulo mais humana.

Ricardo Porto de Almeida

 

 

Bancos com Encosto para Sampa, grupo aberto criado no Facebook por Ricardo Porto de Almeida e Sofia Carvalhosa.

 

                                                                                                                                                          foto: Silvia Lucchi

 

Ricardo Porto de Almeida
Jornalista e advogado. Trabalhou em revistas de circulação nacional, como Veja e IstoÉ; nos jornais Estado de São Paulo e Folha de São Paulo; e na TV Cultura de São Paulo. Atualmente, atua no Jornal da Gazeta (TV Gazeta SP), onde é editor.

Sofia Carvalhosa
Assessora de imprensa e documentarista amadora. É autora dos curta-metragens “Modesto à Parte” (2012), “Conexão Gonzaga” (2012) e “Caderno Vermelho” (2013).

 

fotos: 
banner- foto Elza Tamas
foto 1 – Lilian Cohn Silva Telles
foto 5 parque Londres : www.smithsonianmag.com
demais fotos:   Sofia Carvalhosa e Ricardo Porto de Almeida

 

 

 

 

 

E-se-foto-marte--banner--Belem

E SE EU FOR O ESCOLHIDO PARA UMA VIAGEM À MARTE SEM VOLTA? por Manoel Belem

Meu nome publicado no site, não deixa dúvida.

Despedida da minha Terra, terra com letra maiúscula.

Daqui a tempos o horizonte curvo,

Será um ponto pequeno, que caberá na vista.

Imerso no vazio do espaço sideral.

Deixo vestígios em formato de lembranças.

Palavras fugazes perdendo o sentido:

patrimônio? moeda? boleto? moda?

consumo? chopp? carnaval? nação? fronteira?

Sob ponto de vista jurídico vou deixar de existir!

é morrer e continuar vivo…

Quase um fantasma.

Agora poluição visual será apenas um exagero de estrelas e galáxias.

Comida desidratada, alimentando vida em sobrevivência.

Fora da asa de proteção da mãe Terra,

Sem o manto magnético,

me protegendo do vomito solar,

com partículas fétidas,

fustigando minhas entranhas.

Uma jornada tão singular que prescinde de volta.

Vou deixar de ser humano gradativamente.

Quando pousar em Marte,

a distancia-tempo da Terra me fará marciano.

Todos meus conhecidos apenas num ponto luminoso, no céu que me devora.

Não tem nada mais interessante, nos próximos 50 anos,

que morrer humano e ressuscitar marciano.

 

 

foto banner : Marte – 1) Traços que se parecem com garranchos nas dunas  marcam a passagem de redemoinhos de poeira.2) A calota polar ao redor do pólo sul exibe padrões de quebra-cabeça , que ficam pronunciados no verão, quando uma parte do gelo de dióxido de carbono se transforma em gás.  http://viajeaqui.abril.com.br/materias/fotos-de-marte?foto=6#6

 

 

 


Manoel Belem
Polemico, Físico, debochado, apaixonado pelo conhecimento, escritor do Blog FalsaDicotomia, criador da SpaceTrip4Us, bem cotado no processo de seleção para viagem sem volta para Marte, seu passatempo favorito é imitar o ser humano.
.
E-se-Jessica

Edição “E se…”

“E se” é olho que espia, o batedor que segue à frente de um atrevimento, o fundo que vira figura, a descoberta da penicilina.

Mas, “E se” é também a dúvida melancólica, é não querer o que está sendo servido, é o do outro em vez do seu.

 

Nesta edição “E se…”, convidados muito especiais,  de diferentes áreas, apresentam  perspectivas inovadoras  sobre o tema .
Manoel Belem, físico e candidato à uma viagem a Marte, compartilha a materialização de uma fábula moderna: a colonização de outro planeta. Ricardo Porto de Almeida e Sofia Carvalhosa contam como tornam, através do movimento “Bancos com encosto para Sampa!”, o nosso lazer mais confortável e a cidade mais acolhedora.

A psicanalista Safira Lyra envereda pela possível ilusão do “E se?”, e Victor Hayashida, publicitário e diretor de criação, sugere o retorno da alma aos negócios.

Gal Oppido, fotógrafo-ensaísta acredita que tudo pode dar certo; mata a cobra e mostra a foto, enquanto Luiz Alfaya, superintendente da ONG Instituto Criar, relata o caso de uma jovem que continua guerreando para que tudo dê certo.

Elza Tamas, responsável pelo forademim,  numa pequena ficção questiona onde vivem as vidas preteridas e  ainda, o post sobre  o intrincado fenômeno das abelhas que seguem desaparecendo, que  deu espaço a um famoso “E se”, ecológico, atribuído a Einstein.

Leia, divirta-se e se você gostar, compartilhe!

 

 

 

 

 

foto banner: Cariri- Jessica Cooke