Arquivo da tag: fotografia

E-se-foto-4-Gal-Oppido-BANNER

E SE TUDO DER CERTO? por Gal Oppido

 

 

Desconfio que não temos capacitação genética para o enfrentamento da ausência instantânea e coletiva daquilo que nos impede do bem estar pleno…

A humanidade sempre conviveu com a correção de rotas, nos valemos da analogia para afastar incertezas e mesmo assim o desconforto nos persegue.

O mecanismo que nos dá horizonte possível é a idealização do que seja certo mesmo sabendo que a incompletude é o que nos move.

 

 

 

 

Gal Oppido é fotógrafo-ensaísta, com participações em exposições nacionais e internacionais. Entre elas Antífona, em 2011, no Museu Afro Brasil, e  São Paulo Mon  Amour, na Maison de Mettalos, em Paris. Recebeu o premio APCA, como melhor  fotógrafo pelo conjunto da obra, em 1991. Ministra curso de fotografia autoral no MAM-SP, desde 2001.

foto : Sabrina Wernicke

www.galoppido.com.br

[email protected] / [email protected]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

matter of faith -religious instruction - jewwish child yemen-101021

Steve McCurry – UMA QUESTÃO DE FÉ

.

Steve McCurry

 

Steve McCurry é considerado um ícone da fotografia contemporânea há mais de 30 anos. Contribui em publicações, revistas e fez inúmeras exposições do seus trabalhos  ao redor do mundo.É o fotografo do  famosa rosto da menina afegã, capa da revista National Geographic, que rodou o mundo.

Americano da Pensilvânia, viaja com duas sacolas: uma com poucas roupas e a outra repleta de filmes.Explorou e fotografou dezenas de  países registrando conflitos internacionais e  tradições distintas. Detentor de inúmeros prêmios, mantém um blog de onde o material para este post foi retirado.

http://stevemccurry.com/blog/matter-faith.

Sri Lanka

 

“Assisti muitas manifestações de fé durante as minhas viagens nas últimas três décadas. Algumas espontâneas, outras partes de uma liturgia, outras ritualísticas.Algumas acontecerem em edificações maravilhosas; outras, sob uma árvore.

A fé de algumas pessoas é incorporada a maneira como elas vivem suas vidas. “

 

Monges  Shaolin – China

Índia


Tibet

            Paquistão

                       Srinagar- Cachemira

Carolina do Norte – EUA

DSC_8747 red

FESTA DE YEMANJÁ por Flávia Cirne

.

                                                                                     

 

                                                                        2 de fevereiro de 2013, Bahia. 

 

Move montanhas e mares, as águas de Yemanjá e tantas outras crenças.

Move a alma, os desejos, o poder dos sonhos que se revelam no despertar.

A fé que inclui a consciência do inconsciente, o poder do invisível.

A fé é sensível.

 

 

 

  .

 

 

 

 

Flavia Cirne é psicóloga, psicoterapeuta e instrutora de Tai Chi. Vive a fotografia como um deleite desde a adolescência, “adormecido” por alguns anos, ressurgindo “despretensiosamente” desde 2008.

 

 

azuis - steve mc curry - 3 indianos

JODHPUR – a cidade azul

.

Incrustrada no meio do Rajastão, Jodhpur é uma cidade exposta a uma iluminação extraordinária e se tornou  conhecida como a cidade azul. Azul porque  os Brahmanis marcavam suas casas nessa cor para que elas se diferenciassem das demais. Azul porque é uma cor que refresca, azul porque um dos elementos do pigmento é um conhecido repelente de insetos. Azul porque Jodhpur é rodeada pelo deserto de Thar,  e azul é água.  Se você perguntar a um residente, à algum guia, ou ainda buscar a resposta  num livro sobre a cidade essas são as explicações que você vai receber. Mas se somente essas explicações bastassem, talvez a India toda fosse azul. De qualquer forma ela é uma joia azul, com seus palacios, suas casa simples e seus alegres moradores coloridos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fotos: Steve Mc Curry  

azuis - nick selway 9 (3)

ALOHA por Nick Selway

 

 

Nick Selway nasceu in Lake  Stevens, em Washington, uma região de farta beleza natural. Isso convivio proximo lhe permitiu desenvolver  uma especial apreciação  pela natureza. Passou sua infância com sua familia, viajando e explorando a região do Pacífico  e a relação com a natureza estreitou-se ainda mais.

Aos 19 anos já  fotografava, realizando a paixão da sua vida: capturar o mundo natural através dos seus olhos. Depois da universidade, mudou para Kailua Kona no Havai, onde ele conheceu CJ Kale, que se tornou o  seu melhor amigo. Juntos desenvolveram  vários projetos fotográficos ousados. Num deles, fazendo  surf,  se arriscaram e  puderam capturar  lavas de um vulcão em erupção, no momento que elas  entravam no oceano. Essa série de fotos se tornou um marco na fotografia do mundo natural.  São proprietarios da Lava Light Gallery, no Havaí.

Aqui uma série ondas que ele pessoalmente escolheu para essa publicação.

 

.

.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nick Selway, fotógrafo residente no Havaí, teve seus trabalhos publicados nas revista National Geographic, CBS, New York Daily News, ABC News, UK Daily Mail, Photography Monthly, Surfer Magazine e muitos outros artigos no mundo todo. Nick  tambem recebeu muitos premios incluindo  o Grand Prize 2009 Outdoor Photographer Magazine World Wonders Contest, 2011 Power in Nature, Natures Best Magazine, Smithsonian Exhibition, Earth Shots shot of the Day, Cover of Natures Best Magazine 2011.

espelho helmut-newton 2

O fotógrafo Helmut Newton

“Qualquer fotógrafo que afirma não ser um voyeur é ou um estúpido ou um mentiroso”       Helmut Newton

 

Helmut Newton nasceu em Berlim, em 1920.  E já aos  12 anos, quando ganhou sua primeira câmera, sonhava em se tornar fotógrafo da Vogue.

Judeu, fugiu de seu país em 1983 para escapar da perseguição nazista.Em 1946, inaugurou seu primeiro estúdio fotográfico e deu início ao seu relacionamento com a moda. Seu casamento veio um ano depois, quando fotografou a jovem modelo June Brunell, que viria a se tornar June Newton.

 

Helmut Newton morreu num  acidente de carro na Califórnia, em 2004. June foi companheira e assessora do marido e esteve sempre presente no seu trabalho, registrando os bastidores.Atulamente ela é a grande responsável pela perpetuação de sua memória, e da fundação que leva o seu nome.

 

Referências:

http://www.helmut-newton.com/helmut_newton/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Helmut_Newton

 

sebastião salgado 12 - zaire orfanato

EXODOS – as fotos de Sebastião Salgado

.

 

“…Êxodos conta a história da humanidade em trânsito. É uma
história perturbadora, pois poucas pessoas abandonam a terra natal
por vontade  própria. Em geral, elas se tornam migrantes, refugiadas
ou exiladas constrangidas por forças que não têm como controlar,
fugindo da pobreza, da repressão ou das guerras.
[…] Viajam sozinhas, com as famílias ou em grupos.
Algumas sabem para onde estão indo, confiantes de que as espera uma vida
melhor. Outras estão simplesmente em fuga, aliviadas por estarem vivas.
Muitas não conseguirão chegar a lugar nenhum”.

 

 

 

 

armando prado dupla_08

O QUE O TEMPO FARÁ CONOSCO por Armando Prado

 

Estas imagens compõe um trabalho que venho fazendo desde 1995  e que se encerrará em 2015.
Levando em conta a ação do tempo sobre o ser humano e como ele nos afeta,  passei a acompanhar
fotograficamente 20 pessoas de diversas áreas, a cada dez anos . Provisoriamente este projeto se chama “Decanos”.
As duas primeiras fases do projeto estão nas fotos que seguem abaixo:
.
Armando Prado , nasceu em 1952 , em São Paulo .Comunicador por formação, trabalhou como fotojornalista em jornais como o Estado de São Paulo e Jornal da Tarde . Desde 1980 vem publicando e expondo regularmente no
Brasil e no exterior . Professor convidado do curso de pós graduação da FAAP , tem seus trabalhos em coleções públicas e privadas , como Masp , Itaú cultural .
É Consultor da Fauna Galeria e curador da Mostra SP de Fotografia.
www.armandoprado.com.br
www.fotospot.com.br
www.mostraspdefotografia.com.br
eduardo muylaert banner_body_445

OLHAR É PROIBIDO? COPIAR É PROIBIDO? por Eduardo Muylaert

 

Mulheres dos outros. Olhar é proibido? Copiar é proibido?

A série Mulheres dos Outros questiona duas ordens de proibições. O título já contém dupla provocação, ao enfrentar a proibição bíblica de não desejar a mulher do próximo e, pior, numa era de pós-femininismo, dar a impressão de que situa a mulher como objeto.

A questão é mais simples, mas também desafiadora. É um trabalho de apropriação — e reconstrução, diga-se — de velhos slides comprados numa feirinha de antiguidades, sob a singela classificação de nus artísticos.

 

 

Originalmente, são fotos de pin-ups, símbolos sexuais bem americanos dos anos 50, que hoje parecem ingênuos. Pode-se imaginar, naquele tempo, homens respeitáveis reunidos com amigos — longe dos olhares da família — em torno de um projetor de slides, para apreciar as beldades.

Depois de escaneadas, tratadas e recortadas as fotografias, chega-se a nova interpretação, que retoma sob outra luz a questão da imagem do corpo feminino.


Nesse novo recorte, as figuras ganham vida e contemporaneidade, mas podem ser aproximadas também da visão idealizada da estatuária greco-romana.

Coloca, por outro lado, em questão a noção de autoria. Em que medida pode-se retomar trabalhos, mesmo comerciais, e torná-los objeto de apropriação e de reconstrução? A suposta proibição vem caindo e alguns dos mais importantes artistas contemporâneos, como Richard Prince, por exemplo, se consagraram através desse processo.

Todas as divagações são possíveis, pode-se gostar ou não, tanto das imagens como de seu possível sentido. O autor, ou artista, não se intimida com proibições. É esse seu papel, elaborar a seu modo o material que vai colhendo pelo mundo. A obra é aberta, o mundo pode se espelhar nela, mas só se quiser. E puder.

 

 

A série completa pode ser vista em www.mulheresdosoutros.com.br .

Eduardo Muylaert é advogado criminal e fotógrafo. Publicou O Espírito dos Lugares (3º Nome, 2003), e Boa Noite, Paulicéia! (Pinacoteca, 2006).
Principais individuais:
Mulheres dos Outros (Fauna Galeria, SP, e Galeria Zoom, de Paraty, 2011); Boa Noite, Paulicéia! (Pinacoteca, 2006); O Espírito dos Lugares (Nara Roesler, 2003); Tiras compridas do Brasil (Millan, 99); Paris – Fragmentos (Luísa Strina/Bar des Arts, 95) e Transferências (Bar do MIS, 93).

 

 

 

 

 

 

 

caio iemen1 (2)

A BOLA DA VEZ por Caio Vilela

Sou fotografo, jornalista e geográfo e nos últimos dez anos viajei pelos quatro cantos do planeta
produzindo
reportagens para diversos jornais e revistas nacionais e internacionais. Aproveitei cada uma dessas vivências para fotografar flagrantes de peladas em 50 países diferentes.

Neste projeto entitulado “A bola da vez”, retratei  uma reunião de histórias e imagens nas ruas e estádios de
cidades e lugares improváveis no Iêmen, Mianmar, Palestina, Jordânia, Egito, Brasil, Equador, EUA, Antártida entre outros, mostrando que a paixão pelo futebol é capaz de unir todos os povos.

 

 

Para mim, o futebol é idioma universal, uma força de integração entre os povos,  religião para alguns, lazer para outros.
Incluo aqui o comentário que o jornalista e comentarista esportivo Juca Kfouri fez sobre o meu  trabalho :
“Que viagem! Caio Vilela foi passando. Passou por  um, por dois, por três, por quatro, por cinco, por 26!, e marcou um golaço. Ao vivo e em cores.  Vinte e seis partes diferentes do mundo! Tão diferentes como os  Estados Unidos e a China, mas tão iguais quando em torno de uma  bola de futebol.
Pelas esquinas
do mundo, o fotógrafo foi  registrando cenas improváveis, por mais prováveisque sejam as cenas que só o futebol proporciona. Brasil e Argentina. Vietnã e Camboja. Nepal e Nova Zelândia. África do Sul,  é claro, o país da  próxima Copa, e Uruguai, o da primeira.  Se é um perna de pau confesso com a bola nos pés, o artista vira craque com uma câmera nas mãos. E compartilha generosamente com você aquilo que registrou com raro talento e sensibilidade, cada página uma surpresa, cada cenário um gol de placa. Ora, por que  perder tempo com palavras? As imagens, as imagens que vêm  aí valem mais, muito mais que…”

Caio Vilela nascido em São Paulo pouco antes da Copa de 1970, é  fotógrafo, jornalista e colaborador de diversos veículos de mídia no Brasil e no  exterior. Produziu reportagens em mais de 60 países em todos os continentes, inclusive na Antártida, para a Folha de S.Paulo, Rolling Stone, Playboy, Elle, TAM nas Nuvens, Superinteressante, Viagem & Turismo, Horizonte Geográfico, Vida Simples, Jornal da Tarde e outras publicações.Graduado em Geografia pela USP, iniciou carreira como guia de ecoturismo conduzindo grupos de estudantes e turistas no Pantanal, Amazônia, Rio de Janeiro, Ilha do Cardoso, Parati, PETAR, cidades históricas de Minas Gerais e em roteiros internacionais nos EUA, Espanha, Peru, Argentina, África do Sul e
Nepal.
Começou a publicar suas reportagens exclusivas de viagens em 1995  no Jornal da Tarde e hoje mantém regularmente um videocast de viagens na  Folha.com. Peladas: Futebol sem Fronteiras é o seu projeto autoral focado em  futebol de rua e na paixão pelo esporte ao redor do  mundo.
http://caiovilela.com.br/peladas-media.php?l=ptBR
caiovilela.com.br

gui - o outro - banner

WELCOME HOME por Gui Mohallem

Welcome home é um retorno à casa. Em uma fazenda no interior dos EUA, um grupo se reúne para celebrar o Beltane, festividade entre o equinócio da primavera e o solstício de verão

Em tudo o festival remete aos silenciosos ciclos naturais, desde o momento obscuro das sementes até a nova floração. Este é o lugar em que se festeja; é daí que vêm essas imagens.

O fotógrafo se põe no meio da entrega sensual, da partilha da comida; se põe ali, com passos de libélula, contemplando a celebração (e portanto está fora) e participando da sua construção (e portanto está dentro), ao mesmo tempo

É a partir deste ponto intermediário que é possível responder ao medo da aproximação do outro (em direção a ele ou vindo dele); é só a partir desse ponto duplo que a imagem se elabora como pensamento ético e ao mesmo tempo desejoso.

não mimetiza a festa como alguém que se disfarça e se mistura ao exotismo alheio; olha-a de dentro como um dos que festeja, e o faz com a câmera; nada está externo, portanto, nada é invasivo…

texto: Gabriel Bogossian – curador

Gui Mohallem é mineiro de Itajubá, foi educador e colaborador pedagógico de projetos sociais de cinema e educação durante mais de 3 anos .
Em meados de 2007 passou a se dedicar exclusivamente à fotografia e no final de 2008 fez sua primeira exposição individual em Nova York com o Ensaio Para a Loucura.De volta a São Paulo, participou do Paraty em foco 2009 e 2011, e de exposições nas galerias Olido, Babel, Baró Cruz e Emma Thomas. Em 2011  teve duas exposições individuais em São Paulo, uma em Brasília e uma nos EUA. Em junho foi convidado a participar do programa Descubrimientos do Photoespaña e  ganhou o 2º lugar no prêmio Conrado Wessel, o maior do país.Além desenvolver seu trabalho pessoal, ministra workshops e fotografa para empresas e periódicos.
www.guimohallem.com

g-oppido_helene_60x245cm_72dpi-41

Hélène por Gal Oppido

 

 

Procuro
a nudez que revela a humanidade, os encargos do corpo, seus prazeres, seus
holocaustos, sua plenitude…

preciso receber a morte, ser parteiro da minha
futura não existência, dizer não ao eterno, voltar ao jato inicial, ao feto, ao
afeto escuro do útero.

 

 

 

 

 

 

Gal Oppido Fotógrafo-ensaísta,
com participações em exposições nacionais e internacionais. Dentre outras
exposições realizou, em 2011, Antífona,
no Museu Afro Brasil, e São Paulo Mon  Amour, na Maison de Mettalos, em Paris. Recebeu o premio APCA, como melhor fotógrafo
pelo conjunto da obra, em 1991. Ministra curso de fotografia autoral no
MAM-SP, desde 2001.

www.galoppido.com.br

[email protected] / [email protected]

 

 

IMG_2441

O joelho e o milho e as provocações e penitências de Maurizio Cattlelan

“Aclamado como provocador, brincalhão, e um poeta trágico dos nossos tempos,o italiano Maurizio Cattelan criou algumas das imagens mais marcantes da arte contemporânea recente.  Seu material de trabalho  varia amplamente: da cultura popular, história e religião à uma meditação sobre o ser que é ao mesmo tempo bem-humorada e profunda.  Trabalhando em uma veia que pode ser descrito como hiper-realista, Cattelan cria esculturas  que revelam as contradições no cerne da sociedade de hoje.  Embora ousado e irreverente, o trabalho também é muito sério em sua crítica mordaz de autoridade e abuso de poder.

 

Os gestos audaciosos e desrespeitosos  de Cattelan , por vezes, assumiram o  roubo como   atividade criativa,  mesmo a abertamente criminosa. Para uma exposição na Appel s em Amsterdã, ele roubou todo o conteúdo de outro  artista de uma galeria próxima, com a idéia de passá-lo como seu próprio trabalho. A polícia insistiu  para que ele retornasse o saque, ameaçando-o   de prisão.”

another fucking readymade

 

Outros trabalhos polêmicos de Cattlelan passam pela crucificação de um galerista com fita metálica,

Um Hitler penitente

o papa atingido por um meteóro

la nona ora

 

e a morte.

Suas obras se encontram nas mais famosas  galerias de arte ao redor do mundo  e ele  teve um destaque no pavilhão da Itália na Bienal de Veneza de 2011.

 

fonte: www.guggenheim.org/all

roman dancing

Não somos culpados ! pelo cigano Sani Rifati – versão bilingue

 

Não somos culpados. 

“Vamos espremê-los e deixá-los  vazios e aí vamos enchê-los com o que é nosso”  George Orwell, 1984

 

Os Roma*( Ciganos*)  tem sido mal interpretados pela civilização ocidental há muito tempo. Tempo demais!

Apesar de tanta discriminação, rudeza e segregação constantes, os Roma ainda continuam existindo desde sua partida, há mais de mil anos, da terra-mãe India, na região de Punjab no noroeste do país.

Vim a Salvador, na Bahia, em janeiro de 2012, para ensinar as danças ciganas tradicionais Romanis.

Para minha surpresa, percebi que o termo usado no Brasil para designar o meu povo é sempre “cigano”.

Como sou da antiga Yugoslávia, da região  de Kosovo na Servia,  onde estamos acostumados a ser identificados sempre como Roma – romanis, nós nos recusamos a sermos chamados de Ciganos, Gitanos e congêneres.

Antes de lavar minha alma, vou lhes dizer algo e talvez possam avaliar por si mesmos se nós, os Roma somos culpados.

A civilização ocidental sempre viu nossa cultura como uma cultura pária. Consideram que não temos uma cultura verdadeira, sendo que alguns até nos vêem como sub-humanos. Não é nada fácil ser Romani; por conta de nossa diáspora, as nações e sociedades que nos hospedam, com freqüência negam nossa existência. Somos uns andarilhos, os viajantes existenciais.

Entretanto, somos também acusados de sem educação, sujos, ladrões mentirosos e por aí afora…De maneira que vamos aqui, passo a passo, desmitificando o mito, os estereótipos que ainda assombram nossa identidade romani.

Sempre somos empurrados para os limites das cidades, bem longe da sociedade convencional, enxotados para perto dos lixões ou para a periferia sem estrutura das cidades, onde o serviço público nem chega. Se não temos acesso a serviços públicos como à coleta de lixo, isto nos faz mais sujos ou culpados?

Muitos roma na moderna sociedade de hoje não conseguem nem uma certidão de nascimento no lugar onde seus filhos nasceram. O mundo moderno é obcecado por certificados, porém se as crianças ciganas não têm nem chance de conseguir tal certificado isto implica em que as mesmas não podem freqüentar uma escola, não conseguem um emprego, muito menos têm acesso a um bom plano de saúde e isto as torna culpadas por sua falta de instrução? O que lhes resta se não juntar seus trapos e seguir estrada afora e isto as torna culpadas de serem errantes? Uma vez na estrada, as autoridades policiais exigem que os pais exibam os documentos de seus filhos.   

Na cultura romani há sempre o cabeça do clan ou do grupo que representa todo o resto. Às vezes são chamados de reis ou “capo” e são responsáveis por estabelecer uma relação com a polícia e assim contar com a esperança de não serem enxotados para mais adiante, para um outro destino e isto faz com que os Ciganos tenham que mentir. Mas, isto faz de nós mentirosos e culpados?

Quando só o que estamos tentando é nos estabelecer e nutrir a esperança de ter um pedaço de terra ou uma propriedade. É pedir muito?

Não vejo a cultura romani como simples vítima; somos também sobreviventes.

Imagine não ter um país, nem um governo nem uma máquina política que defenda nossos direitos. Ainda assim os romanis existem espalhados pelo mundo todo. Imagine uma cultura que nunca foi à guerra, que não tem heróis nacionais, que não pode se   vangloriar de quanto de arte e outros ofícios  contribuiu, através da diáspora romani. A ironia maior é que sempre se referem à nossa musica como “A Rainha Cigana” ou o Rei dos Ciganos”( Gipsy King) ; na verdade, os roma nunca tiveram reis ou rainhas; este rótulo nos foi erroneamente dado pelo mundo ocidental civilizado.

Devo mencionar alguns poucos Roma, heróis verdadeiros nas artes: Charles Chaplin que  a muitos inspirou, assim como Yul Brinner,  Rita Hayworth.

O Flamenco foi inventado na Espanha por nós, como também as Czardas na Hungria. Ainda Django Reinhardt e muitos mais.

Agora, voltando ao Brasil, fui visitar com o fotógrafo Rogerio Ferrari, um homem adorável, uma mahala Roma, na Bahia.

rogerio ferrari -ciganos

Descobri que os Roma do Brasil são provavelmente o primeiro grupo que encontrei que não trouxe a música com eles. A maioria veio de Portugal ou Espanha, e  aqui chegaram com Cristovão Colombo em sua terceira viagem às Américas, por volta de 1.500.

Ainda para minha enorme surpresa, Brasil é o único país que tem o feriado dos Romanis, como já devem saber, no dia 24 de maio. Logo na minha primeira visita ao país, parecia que todos já me conheciam desde sempre, assim compartilhamos muitas histórias, música e confraternização. Senti também que há no Brasil um grande respeito e atenção à nossa cultura. Senti-me em uma grande Mahala, sem culpa!

Oven saste. Obrigado!

 

 

*Rom = ser humano, ou pessoa (sing) também significa marido na lingua Romani

Roma = pessoas (plural)

Romani= adjectivo, ex: lingua Romani, historia etc.

Gypsy – Cigano= A palavra vem do latim, “Gypsian” significa a person nascida no Egito. Em inglês refere-se a Roma como Gypsies – cigano ou existe  uma gíria  “I got gypped”  – em tradução livre – fui ciganeado – que significa que alguém o enganou, roubou.

Cigan= etimologia do grego Tsiganoi ou Atsiganoi que quer dizer “intocável”

Cigano também é um pejorativo em todos os países eslavos.

Tradução do texto feito originalmente em inglês: Helena Heloisa Wanderley 

 

 

Sani Rifati é um percussionista romani, cantor, dançarino e instrutor de danças. Tambem é presidente do Voice of Roma e Produtor de festivais e diretor artistico

 


 

 

 

 

 

 

 

 

Texto original em inglês

 

                                                                                                                                      “Not Guilty”

“We should squeeze you empty, and then we shall fill you with ourselves.”

George Orwell, 1984

 

For a long time, the Roma* (Cigan*) Gypsies*, have been misunderstood by western civilization. For a far too long time.  In spite of so much discrimination, harshness and still constant discrimination, Roma still exist since they left their motherland India over 1,000 years ago from the northwest region, Punjab.  I came to teach traditional Romani dances in Bahia, Salvador in January 2012.. To my surprise, the term “Cigan” was the term that is used always in Brazil. Coming from former Yugoslavia in the Serbia region of Kosovo, we strongly identify as Roma. We refuse to be called other names such as Gypsies, Zingari, Zigonier etc…

Before trying to cleanse my soul, let me tell you a few things and then maybe some of you will understand whether we, the Roma, are guilty.  Western civilization always saw our culture as the ‘pariah’ culture. They told us that we don’t have real culture. As a matter of fact some used to think we were subhuman. Being Roma, it’s not an easy thing, in our diaspora our host nations and societies often deny our existence. We are the wanderers, the existential travelers. Yet we are also uneducated, dirty, thieves liars etc…  So let’s go step by step and demystify the myth, the stereotypes that are still haunting our Roma identity.

We’ve been always kicked from the mainstream society to the margins of towns, near the garbage dumps or most undeveloped part of the town. Most of the roads are unpaved and the environment around has a lot of debris and garbage. The public services don’t even bother to come and clean the space. If we don’t have these services provided to us, does that still makes us dirty or guilty?

Many Roma today in modern civilized world can’t obtain their birth certificates in the place where the children are born. Modern world is obsessed with paper, but if Romani children have no chance for this paper, that means these children are not allowed to go to school, look for work or get adequate healthcare, does that makes these children guilty of being uneducated?  So what’s then left, but to pack your belongings and go on the road, does that makes us being guilty of being wanderers? Once when you’re on the road then the police authorities demand from the parents the proper documents.

In Romani culture there is always the head of the clan or group who represent the rest. Sometimes they are called kings or capo’s in order to establish some relation with the police and hope they would not be kicked in to the next destination, that’s why Roma must lie. Does that makes us liars and guilty?  When we’re just trying to settle in the hope of having land or property. Is that too much to ask. I am not seeing the Romani culture as only victims, we are also survivors.

Imagine having no country, no government, no lobbying machine to defend your rights. Yet we the Roma still exist all over the world. Imagine a culture who never went to war, don’t have national heroes, not to mentioned how much Roma diaspora contributed to the world in arts and other trades. Even another irony is they always refer to Roma music as “Gypsy Queens” or “Gypsy Kings” as a mater of fact Roma never had queens or kings, that label that was given to us by the western civilized world.
I would just mention few of real Roma heroes in arts, Charlie Chaplin inspired many people around the world as well as Yul Brenner, Rita Hayworth, Roma invented Flamenco in Spain, Czardasz in Hungary, Django Reinhardt and many more.

Now, back to Brazil, we went to visit with few Roma mahala (neighborhood) with lovely man named Rogerio Ferrari, a photographer.  To my surprise, I found out that more or less the Roma from Brazil are probably one of the first group of Roma that I encountered who didn’t bring the music with them. Most of them came from Spain and Portugal. Also some of them arrived on the third trip of Christopher Columbus around 1500. Also to my huge surprise, Brazil is the only country that has a national holiday for Roma, as you probably know May 24 .. In my first visit to Brazil it felt like people knew me forever, we shared a lot of stories, music, and togetherness. I felt a lot of respect and attention for my culture. It felt like a huge mahala so we have no reason to feel guilty.  Oven saste (obrigado)!

 

 

*Rom = human being, or person (sing) also means husband in Romani language

Roma = people (plural)

Romani= adjective, example Romani language, history etc.

Gypsy= The word is from Latin, “Gypsian” means a person from Egypt. In English that’s why they refer to Roma as the Gypsies or there is slang “I got gypped” that translates to somebody cheated you.

Cigan= etymology if from Greek Tsiganoi or Atsiganoi means “untouchable”

Also Cigan is a derogatory term throughout all Slavic countries, as well.

 

Sani Rifati is a Rom drummer (dumbek and trap drums), singer, dancer anddance instructor. Sani is also Voice of Roma’s President and Festival Producer and Artistic Director

 

 

 

kertesz-polaroid-1

O buraco negro da imagem verdadeira por Georgia Quintas

“Toda fotografia é uma ficção que se apresenta como verdadeira. Contra o que nos inculcaram, contra o que costumamos pensar, a fotografia mente sempre, mente por instinto, mente porque sua natureza não lhe permite fazer outra coisa.”

Joan Fontcuberta

 

Em um dia langoroso, percebi que a fotografia era um consolo. Alguns retratos de família, de viagens, de parentes mortos, de bebês nonsense com seus olhares vãos, de certa forma sibilaram para mim a dimensão simbólica da fotografia que me acompanha até hoje. Confesso que esta lembrança já se faz turva e eu, menina, não entendi muito bem o significado daquela experiência. Decerto, instaurou-se um estado de espírito entremeado de desejo, cobiça e encantamento com relação às imagens.

Com a imagem fotográfica somos, frequentemente, solapados pela força de um possível testemunho de algo em certo espaço e em certo tempo. Embora tudo o que vemos na fotografia seja visível; é, contudo, em seu nicho mais velado e incógnito que encontramos verdadeiras significações. É justo no espírito entremeado de desejo em imaginar que percebemos novas realidades.

Discordo daqueles que acreditam que a fotografia é uma cópia fiel da realidade. Não é. A firmeza do meu credo encontra vazão na obra teórica O beijo de Judas – Fotografia e Verdade (Editorial Gustavo Gilli, 2010),  do fotógrafo catalão Joan Fontcuberta.

O beijo de Judas é um daqueles livros inspiradores que nos ajudam a compreender as sutilezas e simulacros inerentes à fotografia.  Nem tudo que reluz na superfície imagética é real, assim como nem tudo que pensamos a partir dela é consequência de um mecanismo realista, verossímil, de uma verdade visual e cândida. É com precisão argumentativa que Fontcuberta discorre sobre esse buraco negro da imagem verdadeira. Ele nos apresenta várias facetas sobre o amálgama entre mentira e ficção.

Foto: Fontcuberta

Num estado de espírito entremeado pelo desejo de viver fotografias, as evidências se colocam como pistas para o devaneio. Não estaria falseando ao dizer que a fotografia é interseção de prazeres, vontades, volúpias, afeto, ressurreição e fantasia. Já não contemplo aqueles álbuns da infância há algum tempo. Fico com a memória retida daquele momento o qual persiste em alimentar minha imaginação. Quem sabe, ao revê-las serei traída por fantasmas do que pensava ter visto…

Foto João Castilho – série Temperos - 2009

Sigo com a ideia da fotografia sentida muito mais como materialização de uma experiência do olhar. Esse é meu consolo, absoluto desejo de seguir outros mundos e sensações.

 

Georgia Quintas é professora e pesquisadora no campo da teoria, filosofia e crítica da imagem fotográfica. Doutora em Antropologia pela Universidade de Salamanca (Espanha), mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pós-graduada em História da Arte pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP/SP. Atualmente, é Coordenadora da Pós-graduação em Fotografia da Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP/SP. Autora do livro “Man Ray e a Imagem da Mulher – A vanguarda do olhar e das técnicas fotográficas” (CEPE, 2008).

Site com textos críticos: Extraquadrohttp://www.olhave.com.br/extraquadro

 

foto do banner:  André Kertész – Polaroids -1979