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Edição “E se…”

“E se” é olho que espia, o batedor que segue à frente de um atrevimento, o fundo que vira figura, a descoberta da penicilina.

Mas, “E se” é também a dúvida melancólica, é não querer o que está sendo servido, é o do outro em vez do seu.

 

Nesta edição “E se…”, convidados muito especiais,  de diferentes áreas, apresentam  perspectivas inovadoras  sobre o tema .
Manoel Belem, físico e candidato à uma viagem a Marte, compartilha a materialização de uma fábula moderna: a colonização de outro planeta. Ricardo Porto de Almeida e Sofia Carvalhosa contam como tornam, através do movimento “Bancos com encosto para Sampa!”, o nosso lazer mais confortável e a cidade mais acolhedora.

A psicanalista Safira Lyra envereda pela possível ilusão do “E se?”, e Victor Hayashida, publicitário e diretor de criação, sugere o retorno da alma aos negócios.

Gal Oppido, fotógrafo-ensaísta acredita que tudo pode dar certo; mata a cobra e mostra a foto, enquanto Luiz Alfaya, superintendente da ONG Instituto Criar, relata o caso de uma jovem que continua guerreando para que tudo dê certo.

Elza Tamas, responsável pelo forademim,  numa pequena ficção questiona onde vivem as vidas preteridas e  ainda, o post sobre  o intrincado fenômeno das abelhas que seguem desaparecendo, que  deu espaço a um famoso “E se”, ecológico, atribuído a Einstein.

Leia, divirta-se e se você gostar, compartilhe!

 

 

 

 

 

foto banner: Cariri- Jessica Cooke

 

ENTER AND TOUCH por Jessica Cooke

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Meus pés submersos pela água do rio. As pedrinhas entre meus dedos cedem e afundam bem devagarzinho. Como eu, montanha tão grande, me desestruturo pela areia movediça?
A água me mostra como a terra é realidade frágil. Parece invencível, mas não é.
Água demais faz a terra parar de respirar. Pode matar a terra. Pode matar meu corpo, essa terra que pertence somente a mim.
My body is land.

Water makes flood.

Quero existir, fala a montanha. Meu corpo transparente aparece no ato destrutivo. O vulcão destrói sem piedade, mas a ilha feita de vulcão nunca é vencida pela água.
A explosão move a terra. A explosão gera terra. A explosão salva a terra.

O único jeito de criar é destruir.

A ambiguidade do corpo está em seus movimentos. Ora aparece, ora transparece. Eternamente envolvidos por laços que abrem e fecham. Soltam e prendem. Contração e expansão se alternando como morte e vida no meu corpo.

I want to be involved.
http://jessica-cooke.com/2012/08/16/i-want-to-be-involved/
Explosões se manifestam de formas únicas. Não existem regras.

A força infincada na parede pode sustentar uma casa.
O prego não tem data para morrer. Pode ficar no mesmo lugar perpetuamente até o dia em que nada mais faz sentido e só restar a intenção encravada na madeira.

Marca choro de lamentação.
Quem vencerá? O prego ou a madeira?

Quero momento imortal. Para sempre uma foto.
Estática, parada, perfeita.
Igual a paixão à primeira vista.

Me apaixonei por um homem que nunca conheci, mas tive certeza que poderia amá-lo para sempre.
O momento estático, perfeito.
Apenas lhe  dei minha mão, disse olá e ele tirou sua mão de mim. Destruiu o momento e eu fui destruída junto.
Quero entrar dentro do seu casaco  e junto ao seu corpo, dormir para sempre.
Me aperta bem forte?
Quero existir.
O cabelo e barba dele tem cheiro de óleos baratos. Ele não sabe escolher coisas de qualidades, mas ele tenta e por mais terrível que seja funciona. Tudo funciona nele. Ele é invencível. Ele é o herói da historia dele, quase foi da minha.
Ele tirou sua mão, pediu as direções, virou a esquina e nunca mais o vi. Foi tudo muito rápido, nem tive chance de me despedir.

Volta! Qual seu endereço? quero te escrever!
Será que ficaremos velhinhos juntos?

Vejo a nuvem passar e quase consigo segurá-la.
Quase, é sempre quase. Parece tão palpável. Igual a ele. Ele será sempre quase.
Quero a nuvem estática, perfeita, pregada por um alfinete no meu corpo.
A mão dele na minha para sempre.

Fotos:
Banner,Foto 1,2| My Body is Land Water Makes Flood| Fotografia
Foto 3,4,5,video| I Want To be Involved| Performance
Foto 6| Untitled| Fotografia
Foto 7| Thorn Stone| Escultura
Foto 8,9,10,11| I Fell In Love With a Man I Never Met| Escultura

 

 

Jessica Cooke é artista plástica nascida em São Paulo, reside em Berlim, Alemanha onde estuda artes visuais na Universidade de Artes, Berlin (UdK – Universität der Kunst), sob tutoria da artista Susanne Lorenz. Usa como tema sua vida pessoal e suas emoções para criar uma ponte entre artista e público. Acredita que os objetos pulsam e busca traduzir esses sentimentos para uma linguagem poética. Com uma grande influência do teatro,  usa a performance entre suas mídias principais, além de fotografia, instalação e video.  Participou de exposições como Friends of Agora e Unbound, no espaço Agora, Berlin Germany| 2011 e Drei Eck, no espaço Stadtt Bad Wedding, Berlin, Germany|2012. Como integrante do Coletivo de arte AGORA participou de Transient Museum, na Galeria Freies Museum, Berlin, Germany| 2012 e The month of performance, na galeria L’Atelie Kunst Spiele Raum, Berlin, Germany| 2012.

www.jessica-cooke.com

 

O QUE ME AFETA 16a. Edição!

Nessa  16a. Edição juntamos um time de primeira, multifacetado, para averiguar como somos afetados e como afetamos, o mundo, o nosso entorno e  a nós mesmos.
Perspectivas sociais, ambientais, pessoais, artísticas, literárias, psicológicas. Do evento trivial, íntimo, aos de caráter coletivo,  que  tem a força de nos  mobilizar como grupo. 

Pedro Abramovay, André Gravatá, Natalia de Barros, Jessica Cooke, Marilene Damaso, Armando Prado e Juliano Garcia Pessanha  ofereceram colaborações  sensíveis, que espero possam encontrar um espaço de reverberação  em cada um de nós.

As edições anteriores podem ser encontradas na barra vermelha, embaixo no site na pagina HOME .  

Deixe-se afetar!

foto banner: Andrey Ivanov Science