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O MONGE E A BORBOLETA por Denise Vieira Ieno

 

 





Era uma vez um monge chinês que sonhou que era uma borboleta. E no seu estranho sonho ele conheceu uma realidade insólita: havia uma leveza incrível! A brisa, os perfumes das flores e o movimento de suas asas compunham uma única experiência. E apesar de sua mente ainda pensar como a mente de um homem, seus movimentos eram precisos e de uma delicadeza impossível de se imaginar para um homem de vida monástica. Por um momento ele pensou que aquilo poderia ser um sonho e imediatamente sentiu medo de perder aquela leveza… Mas um perfume doce novamente invadiu seus sentidos e ele voltou a ser parte daquela paisagem, surfando na brisa fresca daquela manhã. Então, pode perceber que tudo aquilo estava vivendo, tudo mesmo; o ar, a terra, o vento, as flores, tudo pulsava em um único ritmo.  E a borboleta, assim como todo o resto, era parte disso.

Mas o habito de ser um homem era muito forte e sua mente começou a questionar a validade daquela experiência totalmente desprovida de lógica. Então, sentiu seu corpo ganhar peso e o medo começou a ecoar forte no seu peito como o badalar de um grande sino de bronze. Acordou. Aquele estranho sonho estava se tornado um pesadelo para mente tão disciplinada daquele monge! Mas para sua surpresa, ao acordar o peso daquele corpo humano não era familiar… A falta de leveza, igualmente estranha como fora a experiência anterior. Finalmente concluiu a borboleta, que poderia estar sonhando que era um monge chinês.

A canção de Raul Seixas que me inspirou nessa pequena estória é na verdade uma referência a uma parábola taoista de um importante discípulo do grande mestre Lao Tsé, chamado Chung Tzu (China, séc. IV ac ).


A filosofia taoista, por sua vez, foi muito influente no desenvolvimento do Zen Budismo no Japão. Os mestres Zen usam esse tipo de parábola para treinar seus alunos no sentido da quebra do sistema lógico de pensamento, como se quebra a casca de uma noz. Quebrada a casca do ego, eles acreditam que outra experiência mental pode ser alcançada. Mas ao lado desse treinamento “intelectual”, por assim dizer, há uma experiência mais sutil e também mais profunda, implícita nessa parábola.

O budismo nos propõe uma questão existencial realmente insólita: como no sonho da borboleta existe uma experiência de totalidade, de não separação entre o que somos e o que estamos vivendo; mas ao mesmo tempo, enquanto não somos capazes de perceber essa realidade mais ampla – que esta sempre presente na base da nossa experiência, seguimos vivendo como em um sonho. Isso significa que estamos atados a um forte habito de criar realidades a partir de projeções mentais.  Nossa mente comum, nosso ego, é como um carro desgovernado descendo uma ladeira; simplesmente não sabemos como refrear esse habito mental que se movimenta sem descanso. Seja na mente do homem ou na mente da borboleta, enquanto não for possível se desprender da experiência de dualidade – entre sonho e sonhador, entre sujeito e objeto; um pensamento segue a outro, um sonho segue a outro, uma vida segue à outra. A esse ciclo de experiências infindáveis é o que no budismo se chama de “Roda da Vida” ou simplesmente, “Sansara”.

Mas para que esta conversa não se encerre no âmbito da metafísica, o budismo sempre nos lembra da importância da experiência “pratica”. É preciso colocar essas ideias em pratica para que elas ganhem um verdadeiro sentido!

E podemos fazer isso todos os dias. Por exemplo, ao acordar pela manhã, podemo s nos perguntar:“Que sonho é esse que eu estou vivendo?” “O que realmente é importante para mim? “Estou sendo fiel aos meus propósitos?” “Estou sendo fiel a mim mesmo?” Depois podemos criamos um espaço livre dentro de nós, um momento de silêncio para que essas respostas surjam naturalmente. Essa simples experiência pode ser surpreendente se conseguirmos domar, por alguns instantes que seja , nossa mente tão inquieta.

Assim, todos os dias podem ser um recomeço. Todos os minutos podem ser um recomeço. A cada respiração posso me dar um espaço interno para me perguntar se estou realmente no caminho daquilo que é a minha verdade mais intima.  Simples assim:

Inspirar profundo,

expirar lentamente

e relaxar;

entre uma coisa e outra faço uma pausa ,

descanso ali por alguns segundos,

antes de recomeçar.

 

foto banner : reuters/ galleryV9- Magu

 


Denise Vieira Ieno
é psicoterapeuta. Formada em psicologia pela PUC/SP, fez especialização em psicanálise no Instituto Sedes Sapientiae; mestrado no Instituto de psicologia da USP; publicou o livro “Psicanálise e Budismo: a Construção de um Metarrealismo Psíquico”. É praticante do budismo tibetano Vajarayana desde 1995 e praticante da arte japonesa de harmonização de energia e cura Jin Shin Jyutsu desde 2008.

 

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A AUTOAJUDA DO JIN SHIN JYUTSU por Iole Lebensztajn

 

Quando detectamos que algo não vai bem na nossa vida ou no nosso corpo,
o mecanismo de reparação deveria nascer dentro de nós mesmos, através
da mobilização dos   nossos próprios recursos ou da busca de ajuda de alguém
competente para isso. Talvez esse seja a essência da ideia da autoajuda.
Ou seja  chamar um encanador quando algum cano da minha casa
não funciona  como deveria, é uma forma de cuidar do meu próprio bem-estar.
Assim como escovar  os dentes é uma forma de cuidar da minha saúde bucal
que,  exceto em casos de crianças  pequenas ou outras situações de
dependência, deve ser assumida como responsabilidade  pessoal e
intransferível.

Nós, seres humanos precisamos ter como objetivo  crescer em  autonomia.
Dai o conceito de autoajuda, o cuidar de si mesmo.
No entanto,  é preciso reconhecer que essa autonomia é relativa.
Afinal nenhum homem  é uma  ilha.

Assim, ajudar a mim mesma não deve ser encarado como  uma ação egoista,
mas sim como possibilidade e até o dever de ocupar-me de mim  mesma.
Cuidar da minha saúde, do meu bem-estar é minha responsabilidade. Caso
contrário, vai sobrar para alguém, que pode ser parente, amigo, o Estado…

O Jin Shin Jyutsu Fisio-Filosofia ensina que,  para que eu possa me  ajudar,  preciso me conhecer e para isso, eu preciso me perceber, me entender,ou seja,  tomar conta de mim. Ao me perceber sei o que me faz bem e o que me  causa desconforto.  A partir daí tenho a oportunidade de  escolher o que é aceitável e o que é inaceitável  para mim, sem me submeter a pessoas e situações que me causem algum dano. Fácil, não é? Nem sempre.
Na vida vamos colecionando alguns hábitos,  padrões, condicionamentos,
vícios, carências,  pontos cegos que nos tiram a  liberdade de fazer escolhas
alinhadas com  o que nos é  verdadeiro, essencial e  benéfico. Vide nossas
relações,  nossos hábitos  alimentares, etc.

Jin Shin Jyutsu é uma Fisio-Filosofia, isto é, uma filosofia prática, uma arte
de harmonização da energia vital que consiste em várias seqüências de toques
com as mãos em determinadas áreas do corpo onde essa energia se
concentra  e pode, quando em desarmonia se estagnar.
As seqüências são simples e diversificadas e  podem ser  auto-aplicadas  a
qualquer hora  ou lugar, e foram idealizadas de acordo com a necessidade
e  conveniência do momento.

Jiro Murai

Concebido no início do século XX, no Japão, pelo  mestre Jiro Murai, este conhecimento  foi trazido  por sua aluna Mary Burmeister, do Japão para os Estados Unidos nos anos 50.  Desde 1990, esta arte tem sido  ensinada e praticada no Brasil por um número crescente de pessoas.

Mary Burmeister

Um dos focos importante nesta Fisio-Filosofia é nossa forma, muitas vezes inconsciente  e automatizada  de  reagirmos à vida. No JSJ estas formas de funcionamentos  são chamadas de atitudes.

Segue abaixo a descrição rápida das  5 atitudes  básicas e  como harmonizá-las. Simplesmente  segure envolvendo com uma das mãos, cada um dos dedos  da outra mão, isoladamente (direita ou esquerda, tanto faz).

  1. Preocupação, Ansiedade                                            Polegar
  2. Medo, insegurança                                                      Indicador
  3. Raiva, Irritação, Indecisão, Preguiça                          Médio
  4. Tristeza, Pesar, Imaturidade                                      Anular
  5. Esforço excessivo, Tentar ser o que não sou            Mínimo
                                                     

 

 

 

Iole Lebensztajn é brasileira formada em Medicina pela Universidade de
São Paulo. Desde a faculdade buscava práticas que promovessem a cura
de forma  mais sutil, profunda, integrada, tornando cada um ativamente
responsável pela  própria saúde.
Estudou várias técnicas, até que, em 1990, ao participar de um  Seminário
Básico de Jin Shin Jyutsu, no Brasil encontrou o que procurava nesta
Fisio-Filosofia.Desde então, dedica-se exclusivamente a  aplicar e ensinar
a Arte. Mantém consultório em São Paulo e é autorizada pela  JSJ, Inc.
para ministrar Cursos e Seminários de Jin Shin Jyutsu no Brasil e em
todo o mundo.

http://www.jsjbrasil.com.br

Thelma planets

O TRANSFORMADOR DA ALMA por Thelma Schinner

 

A astrologia  pode ser vista como  pura diversão e  elucubração. No entanto ela oferece  uma profunda análise do movimento dos planetas ao  nosso redor,  e revela  tendências que nos permitem  lidar  melhor com o  passado, presente e futuro.

Dos Faraós egípcios aos grandes  governantes internacionais de hoje, o estudo do significado dos Planetas e  astros próximos da Terra propiciam, antes de tudo, a reflexão sobre símbolos e  arquétipos com os quais podemos  nos conscientizar e, se possível, aproveitar de  seus significados como ferramenta para evoluir e melhorar a vida.

Em se tratando de passagens,  não há como não pensar logo em Plutão, o planeta das fortes mudanças , representado por Hades  na mitologia Grega.

Hades é o Deus das  Profundezas e  da Transformação. Responsável pela morte é também o grande poder do  renascimento e fertilização/fecundação: é só através do grande mergulho nas  profundezas da terra que podemos entrar em contato com a Semente do que somos e  sempre fomos.

Plutão na astrologia tem um significado semelhante. É na influência deste planeta que nos deparamos com grandes revoluções (internas e externas) em nossas vidas.

Quando Plutão surge eminente, somos convidados a mergulhar em nossas profundezas individuais e voltarmos para a semente – a base primordial do que somos – realinhando nossas escolhas e visão da vida, na direção desta qualidade sagrada.

A guinada que Plutão nos convida a fazer não é fácil, é uma tarefa exigente  e por isso ele  é visto como  negativo e perigoso. Mas  é este toque de Plutão que nos permitirá alcançar o nosso poder pessoal e  a força interna:  a grande transformação e o descarte total da ‘casca’  nos coloca em  contato direto com o ponto profundo que é a partida e finalização, mas  também o recomeço genuíno de algo  dentro de nós.

Desde 2011,  Plutão, para quem vê do ponto de vista da Terra, está passando pelo signo de Capricórnio que representa as  estruturas, as regras fixas e as condutas ordenadas. E todos nós sob esta  influência teremos que lidar com a Transformação (Plutão/Hades), principalmente  nas questões relacionadas com estruturas rígidas; padrões fixos e antigas  definições de regras.

Coletivamente, pode ser momento de desmancharmos  a força do “politicamente correto” que avassalou códigos, liberdade na  comunicação e até mesmo no pensamento: é hora de desmantelar conceitos pré-instituídos para desabrochar pensamentos livres e mais verdadeiros nas  relações sociais. E também tomar decisões mundiais que considerem a verdadeira  raiz dos problemas, ao invés de apenas remediar a superfície evidenciada em  cada momento.

No âmbito individual  temos sentido  grandes solavancos – pessoais ou profissionais. Estruturas arcaicas estão sendo desfeitas,  mas não sabemos ainda  no que vão  resultar. Está é a natureza de Plutão, a transmutação, a mudança de um estado para outro.   Do lugar ainda onde estamos,  não temos recursos para conceber como será o novo, não temos como antecipar a nova síntese que estamos processando, e  não sabemos que nova ordem  substituirá esta que nos é  obsoleta.

Para aqueles abertos às transformações e  menos apegados aos valores já conquistados, Plutão traz a grande alegria do  encontro com o poder interno e também o alcance do poder (força e  vitalidade) na vida diária também.

 

 

Thelma Schinner é astróloga e  trabalha com atendimentos desde 1988.  Também atua há quatorze anos como terapeuta de JIN SHIN JYUTSU – técnica milenar de reequilíbrio físico e
energético pelo toque das mãos sobre pontos do corpo.

 

 

Mais informações: www.astroanima.com