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E SE EU FOR O ESCOLHIDO PARA UMA VIAGEM À MARTE SEM VOLTA? por Manoel Belem

Meu nome publicado no site, não deixa dúvida.

Despedida da minha Terra, terra com letra maiúscula.

Daqui a tempos o horizonte curvo,

Será um ponto pequeno, que caberá na vista.

Imerso no vazio do espaço sideral.

Deixo vestígios em formato de lembranças.

Palavras fugazes perdendo o sentido:

patrimônio? moeda? boleto? moda?

consumo? chopp? carnaval? nação? fronteira?

Sob ponto de vista jurídico vou deixar de existir!

é morrer e continuar vivo…

Quase um fantasma.

Agora poluição visual será apenas um exagero de estrelas e galáxias.

Comida desidratada, alimentando vida em sobrevivência.

Fora da asa de proteção da mãe Terra,

Sem o manto magnético,

me protegendo do vomito solar,

com partículas fétidas,

fustigando minhas entranhas.

Uma jornada tão singular que prescinde de volta.

Vou deixar de ser humano gradativamente.

Quando pousar em Marte,

a distancia-tempo da Terra me fará marciano.

Todos meus conhecidos apenas num ponto luminoso, no céu que me devora.

Não tem nada mais interessante, nos próximos 50 anos,

que morrer humano e ressuscitar marciano.

 

 

foto banner : Marte – 1) Traços que se parecem com garranchos nas dunas  marcam a passagem de redemoinhos de poeira.2) A calota polar ao redor do pólo sul exibe padrões de quebra-cabeça , que ficam pronunciados no verão, quando uma parte do gelo de dióxido de carbono se transforma em gás.  http://viajeaqui.abril.com.br/materias/fotos-de-marte?foto=6#6

 

 

 


Manoel Belem
Polemico, Físico, debochado, apaixonado pelo conhecimento, escritor do Blog FalsaDicotomia, criador da SpaceTrip4Us, bem cotado no processo de seleção para viagem sem volta para Marte, seu passatempo favorito é imitar o ser humano.
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Edição “E se…”

“E se” é olho que espia, o batedor que segue à frente de um atrevimento, o fundo que vira figura, a descoberta da penicilina.

Mas, “E se” é também a dúvida melancólica, é não querer o que está sendo servido, é o do outro em vez do seu.

 

Nesta edição “E se…”, convidados muito especiais,  de diferentes áreas, apresentam  perspectivas inovadoras  sobre o tema .
Manoel Belem, físico e candidato à uma viagem a Marte, compartilha a materialização de uma fábula moderna: a colonização de outro planeta. Ricardo Porto de Almeida e Sofia Carvalhosa contam como tornam, através do movimento “Bancos com encosto para Sampa!”, o nosso lazer mais confortável e a cidade mais acolhedora.

A psicanalista Safira Lyra envereda pela possível ilusão do “E se?”, e Victor Hayashida, publicitário e diretor de criação, sugere o retorno da alma aos negócios.

Gal Oppido, fotógrafo-ensaísta acredita que tudo pode dar certo; mata a cobra e mostra a foto, enquanto Luiz Alfaya, superintendente da ONG Instituto Criar, relata o caso de uma jovem que continua guerreando para que tudo dê certo.

Elza Tamas, responsável pelo forademim,  numa pequena ficção questiona onde vivem as vidas preteridas e  ainda, o post sobre  o intrincado fenômeno das abelhas que seguem desaparecendo, que  deu espaço a um famoso “E se”, ecológico, atribuído a Einstein.

Leia, divirta-se e se você gostar, compartilhe!

 

 

 

 

 

foto banner: Cariri- Jessica Cooke

 

A explosão silenciosa no espaço, por Manoel Belem.

Explodiu. Agora. Toneladas de hidrogênio, bilhões de Hiroshimas, seguem explodindo no espaço e nós não ouvimos nada. Falta meio transmissor, falta matéria, falta intermediador de moléculas. Vácuo não tem nada para atrapalhar o rumo. Nos faz falta um cacoete de filme de ficção cientifica, onde explosão sideral faz barulho e espada a laser tem tamanho finito. Ouvido não funciona no vácuo. Somos surdos num universo que não passa de uma explosão contínua… mas silenciosa.

 

Manoel Belem é físico formado pela USP e escritor. Acabou de publicar o livro “Falsa Dicotomia” e atualmente se empenha em viabilizar sua viagem suborbital em 2015. Visite seu site aqui.