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A AUTOAJUDA DO JIN SHIN JYUTSU por Iole Lebensztajn

 

Quando detectamos que algo não vai bem na nossa vida ou no nosso corpo,
o mecanismo de reparação deveria nascer dentro de nós mesmos, através
da mobilização dos   nossos próprios recursos ou da busca de ajuda de alguém
competente para isso. Talvez esse seja a essência da ideia da autoajuda.
Ou seja  chamar um encanador quando algum cano da minha casa
não funciona  como deveria, é uma forma de cuidar do meu próprio bem-estar.
Assim como escovar  os dentes é uma forma de cuidar da minha saúde bucal
que,  exceto em casos de crianças  pequenas ou outras situações de
dependência, deve ser assumida como responsabilidade  pessoal e
intransferível.

Nós, seres humanos precisamos ter como objetivo  crescer em  autonomia.
Dai o conceito de autoajuda, o cuidar de si mesmo.
No entanto,  é preciso reconhecer que essa autonomia é relativa.
Afinal nenhum homem  é uma  ilha.

Assim, ajudar a mim mesma não deve ser encarado como  uma ação egoista,
mas sim como possibilidade e até o dever de ocupar-me de mim  mesma.
Cuidar da minha saúde, do meu bem-estar é minha responsabilidade. Caso
contrário, vai sobrar para alguém, que pode ser parente, amigo, o Estado…

O Jin Shin Jyutsu Fisio-Filosofia ensina que,  para que eu possa me  ajudar,  preciso me conhecer e para isso, eu preciso me perceber, me entender,ou seja,  tomar conta de mim. Ao me perceber sei o que me faz bem e o que me  causa desconforto.  A partir daí tenho a oportunidade de  escolher o que é aceitável e o que é inaceitável  para mim, sem me submeter a pessoas e situações que me causem algum dano. Fácil, não é? Nem sempre.
Na vida vamos colecionando alguns hábitos,  padrões, condicionamentos,
vícios, carências,  pontos cegos que nos tiram a  liberdade de fazer escolhas
alinhadas com  o que nos é  verdadeiro, essencial e  benéfico. Vide nossas
relações,  nossos hábitos  alimentares, etc.

Jin Shin Jyutsu é uma Fisio-Filosofia, isto é, uma filosofia prática, uma arte
de harmonização da energia vital que consiste em várias seqüências de toques
com as mãos em determinadas áreas do corpo onde essa energia se
concentra  e pode, quando em desarmonia se estagnar.
As seqüências são simples e diversificadas e  podem ser  auto-aplicadas  a
qualquer hora  ou lugar, e foram idealizadas de acordo com a necessidade
e  conveniência do momento.

Jiro Murai

Concebido no início do século XX, no Japão, pelo  mestre Jiro Murai, este conhecimento  foi trazido  por sua aluna Mary Burmeister, do Japão para os Estados Unidos nos anos 50.  Desde 1990, esta arte tem sido  ensinada e praticada no Brasil por um número crescente de pessoas.

Mary Burmeister

Um dos focos importante nesta Fisio-Filosofia é nossa forma, muitas vezes inconsciente  e automatizada  de  reagirmos à vida. No JSJ estas formas de funcionamentos  são chamadas de atitudes.

Segue abaixo a descrição rápida das  5 atitudes  básicas e  como harmonizá-las. Simplesmente  segure envolvendo com uma das mãos, cada um dos dedos  da outra mão, isoladamente (direita ou esquerda, tanto faz).

  1. Preocupação, Ansiedade                                            Polegar
  2. Medo, insegurança                                                      Indicador
  3. Raiva, Irritação, Indecisão, Preguiça                          Médio
  4. Tristeza, Pesar, Imaturidade                                      Anular
  5. Esforço excessivo, Tentar ser o que não sou            Mínimo
                                                     

 

 

 

Iole Lebensztajn é brasileira formada em Medicina pela Universidade de
São Paulo. Desde a faculdade buscava práticas que promovessem a cura
de forma  mais sutil, profunda, integrada, tornando cada um ativamente
responsável pela  própria saúde.
Estudou várias técnicas, até que, em 1990, ao participar de um  Seminário
Básico de Jin Shin Jyutsu, no Brasil encontrou o que procurava nesta
Fisio-Filosofia.Desde então, dedica-se exclusivamente a  aplicar e ensinar
a Arte. Mantém consultório em São Paulo e é autorizada pela  JSJ, Inc.
para ministrar Cursos e Seminários de Jin Shin Jyutsu no Brasil e em
todo o mundo.

http://www.jsjbrasil.com.br

O PÓS-MORTE por Sukie Miller

 

 

O livro Depois da vida -Desvendando a jornada pós- morte é baseado numa  pesquisa extensa  realizada em diversos países e culturas distintas onde entrevistei sacerdotes , xamãs,  homens santos, líderes espirituais, sempre interessada em saber qual era a visão deles sobre o que nos acontece depois que morremos. Identifiquei quatro estágios universais na jornada pós-morte, e aqui incluo alguns trechos do livro que descrevem ou evocam estes estágios.

Estágio I : Da Espera

Descanso, conforto e uma oportunidade de abrandar o medo – são estes os tentadores benefícios que
nos aguardam no lugar de espera, logo após a morte. Só o fato de imaginar essas paragens (sejam elas de natureza física, sejam qualquer outra)  tem o poder de amenizar a  ansiedade tanto da pessoa que se encontra a beira da morte como daqueles que a entendem e presenciam sua passagem. Mas essa não é a única função desse lugar – e do ponto de vista do que viaja rumo ao pós-morte, não é sequer o mais importante.

Em todos os sistemas que apontam  a existência de LUGARES DE ESPERA , a transformação é a principal função que ali se opera. Nesse plano, a pessoa que morreu se desvencilha das roupagens da vida física – dentre as quais , naturalmente , se incluem aquelas relativas a seu corpo físico  – e começa a transformar em espírito .

Estágio II : Do Julgamento

 Não é preciso ser erudito em religião para entender que, a despeito do carater renovador e de boas-vindas de que se reveste o conceito de lugar de Espera, nem tudo no pó morte é doçura e luz. De fato até uma criança de quatro ou cinco anos, um indiano de idade semelhante, ou uma criança tibetana de três pode entender  que, uma vez findo o período de descanso na fronteira, um trabalho terá que ser efetuado.

Ao sair da crisálida do mundo físico, o viajante abandona o seu Lugar de Espera e passa para o estágio seguinte, no qual será estabelecido seu destino. qual rota ele tomará? Qual será o ponto que deverá alcançar? Quais as consequencias da vida que acaba de deixar- sofrimento ou prazer, punição ou recompensa?

O Julgamento dos Mortos, Cena do Papiro de Ani, XIX dinastia, c. 1250 a.C.

Estágio III – Das Possibilidades

A abertura em relação as possibilidades: eis a essência do Estágio III da jornada do pós morte.Essa abertura origina-se no instante do julgamento no Estágio II, e em qualquer método que for, a verdade da vida que o indivíduo levou determinará o destino do seu espírito. Em decorrência da sentença que lhe é lavrada, o espírito avançará pelas infindáveis paragens do pós-morte, seguindo o caminho que deverá perfazer em direção a sua meta.

A roda da vida tibetana e os 6 reinos da existência cíclica

Estágio IV – Do Retorno

O conceito relativo ao retorno é dotado de tanta força que mesmo o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, embora se recusem a aceitar o renascimento em bases individuais, apresentam-no sob a forma coletiva, ou ressureição de seus povos. Para os judeus, à chegada de seu Messias, os mortos renascerão. Entre os cristãos, a ressureíção de Cristo assinalará o começo de uma nova vida do filho de Deus. Para o islamismo ocorre uma “segunda morte”, quando corpo e alma se reúnem por um breve tempo, por ocasião do julgamento – nesse instante, a morte recua. No entanto, no ultimo dia, como entre os judeus, todos os corpos voltarão a vida.

É rara a cultura na qual a morte seja vista como fim derrradeiro e momento no qual o espírito humano se apaga, sem nenhuma promessa de retorno. O conceito de renascimento em grupo reflete uma certeza inabalável quanto à imortalidade da alma, e essa certeza representa uma esperança irreprimível, uma forma de se celebrar o universo que não permite a existência permanente de destruição: ao contrário, dá provas da existência da mudança, da tranformação. Admitir a possibilidade do renascimento e do retorno é dar um passo além do medo.

 

* foto banner – The Ascent into the Empyrean – Hieronymus Bosch

Dra. Sukie Miller, PhD, psicóloga, foi diretora do Instituto Esalen e membro do conselho do Instituto C.G. Jung de São Francisco. É autora de Quando uma criança morre  Depois da Vida (ambos publicados em português pela Summus Editorial). Trabalhou nas áreas de educação, comunicação e medicina. Atualmente reside em São Paulo e atende no seu consultório pacientes individuais, casais e grupos. Também  supervisiona o trabalho de outros profissionais.