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E SE AS MARCAS E PRODUTOS VOLTASSEM A SER PESSOAS? por Victor Hayashida

 

Hoje em dia quando nos deparamos com a publicidade e propaganda seja de produtos ou serviços, a mensagem que muitas vezes encontramos é: a melhor oportunidade com a melhor vantagem e com os melhores benefícios. Em muitos casos os produtos até são inovadores, mas sua publicidade, nem tanto. A comunicação antes feita para entreter o consumidor enquanto passava a sua mensagem deixou de existir. Hoje em dia a razão tomou conta da emoção. Existem obviamente muitos fatores que contribuíram para toda essa racionalidade, seja a estabilização da nossa moeda, a diversidade da mídia ou o aumento da competitividade. Estamos muito mais analíticos em nossas escolhas, fazemos planilhas para tudo e temos cada vez mais controle sobre nossas emoções e impulsos. Estamos assim interferindo na maneira como a comunicação das marcas é feita. Porém, mesmo com todo esse controle, continuamos a consumir cada vez mais e mais (afinal, sabemos pelas nossas planilhas quanto podemos pagar por mês).

 

E se passássemos a olhar o consumo de outra forma? A olhar produtos e marcas como pessoas? E se tivéssemos mais consciência de quem somos? Talvez a resposta para esses “e ses” possa abrir uma nova (ou antiga) maneira de trabalharmos a comunicação.

 

Não costumamos tratar pessoas como planilhas, números e benefícios (estou falando das verdadeiras relações), mas tratamos sim com afeição: ou nos damos muito bem com alguém ou não, simples assim. É do ser humano esta identificação. Ao propor que a indústria trate as marcas como pessoas, estaríamos em busca de uma mídia que não está a venda para divulgarmos nossa mensagem, pois essa mídia seria interna e não externa: a essência. Aliás, isso não é nenhuma revolução, o marketing e a publicidade nasceram com esse lema: “A propaganda é a alma do negócio”. O problema é que essa alma foi ficando cada vez mais distante dos negócios. Se admiramos alguém, se respeitamos este alguém, normalmente falamos: “ei, eu gostaria de ser aquele cara um dia”. Falamos isso desde que somos crianças, nossa sociedade nos ensinou a viver dessa maneira e por que hoje fazemos diferente? Por que não escutamos o nosso próprio interior quando olhamos para um produto e esse produto se comunica com a gente dessa mesma maneira?

 

Acontece é que o “e se” entrou em nossas vidas abrindo possibilidades exteriores e não interiores. A indústria e a comunicação utilizaram o “e se” para nos trazer opções aproveitando-se do nosso livre arbítrio. O problema não é a variedade, mas sim a maneira como isso foi trabalhado: não pela verdade e pela sua razão, mas pela oportunidade. E em muitos casos, são oportunidades geradas pela frágil conexão com nossos verdadeiros desejos. Todo esse processo acaba afastando os envolvidos ainda mais da sua verdadeira essência.

 

Se soubéssemos quem somos, e se estivéssemos em contato desde sempre com a nossa essência, será que ainda nos utilizaríamos tanto do consumo como a possibilidade de substituir a busca legitima da nossa essência? E se as marcas não enxergassem nos lançamentos de produtos e serviços apenas oportunidades, mas sim uma razão de existir? Talvez isso seria uma via de mão dupla, onde consumidor e indústria estariam caminhando juntos na construção de uma verdade, propondo uma troca mais honesta que beneficiaria a todos. Buscar a essência ou resgatá-la deveria ser o ponto inicial em qualquer relacionamento, tanto para o consumidor quanto para a indústria. Sabemos que se trata de um processo com muitas amarras e muitos interesses, mas e se tentássemos mudar um pouquinho essas relações começando a olhar em um lugar onde apenas cada um de nós tem acesso: a nossa própria essência?

 

 

 

 Victor Hayashida, publicitário e Diretor de Arte, é formado em Comunicação Social e tem especialização em Moda pela FASM, Fashion Institute of Technology em New York e Central Saint Martins em Londres. Hayashida atuou no mercado publicitário por 14 anos como Diretor de Arte e Diretor de Criação para agências de publicidade como Africa, Publicis, Dentsu e Grey. Em todas, participou de estratégias e processos criativos para marcas de vários segmentos da indústria: Chevrolet, Mitsubishi Motors, Toyota, Nivea, Avon, Vivo, Itaú, Bradesco, Santander, Brahma, entre outras. Há pouco mais de 1 ano atua como Sócio Fundador e Diretor de Criação em seu escritório de consultoria em Branding e Lifestyle para diversas marcas do mercado nacional, a School/SS99, fundada em Nova York em 2012, com sede em São Paulo e Paris.

 

 

 

 

 

O fotógrafo Helmut Newton

“Qualquer fotógrafo que afirma não ser um voyeur é ou um estúpido ou um mentiroso”       Helmut Newton

 

Helmut Newton nasceu em Berlim, em 1920.  E já aos  12 anos, quando ganhou sua primeira câmera, sonhava em se tornar fotógrafo da Vogue.

Judeu, fugiu de seu país em 1983 para escapar da perseguição nazista.Em 1946, inaugurou seu primeiro estúdio fotográfico e deu início ao seu relacionamento com a moda. Seu casamento veio um ano depois, quando fotografou a jovem modelo June Brunell, que viria a se tornar June Newton.

 

Helmut Newton morreu num  acidente de carro na Califórnia, em 2004. June foi companheira e assessora do marido e esteve sempre presente no seu trabalho, registrando os bastidores.Atulamente ela é a grande responsável pela perpetuação de sua memória, e da fundação que leva o seu nome.

 

Referências:

http://www.helmut-newton.com/helmut_newton/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Helmut_Newton

 

Moda por Graça Cabral

Transito no verbo que indica movimento,

Passeio nômade por tempos e espaços sem apego e ponto fixo.

Vivo no trânsito-subjetivo do descolamento.

Refaço-me em sínteses, cópias originais, fantasias de personagens muitos

E vou além.

A transitoriedade em si define um padrão de mudança constante próprio do que se convencionou chamar de moda. Moda é imaginação, invenção, criação. É transe e trânsito. Transitoriedade em essência.

 

 

 

Espaços do eu em solos coletivos

Onde transito com maior ou menor atenção

Nos detalhes

Retalhos fragmentos

Presentes

Camadas, sobreposições

Harmonias exibidas de singularidades

Mundos sem fim

 

A moda-roupa carregada de símbolos, sentidos, significados. A moda passageira fútil em sintonia com a nossa condição de mutantes, sempre. A moda segunda-pele, extensão da mente corpo que, a cada momento, nos veste e desveste de sentimentos, pensamentos, emoções, traduzidos em cores, formas e texturas. A moda fantasia do tempo existencial carregada de sonho e ilusão. A moda libertária que rompe padrões, afirma, provoca, critíca. A moda de costumes e hábitos com seus reflexos, filtros, lentes, conceitos e mais conceitos, a impor e compor breves ditaduras da imagem em acordos com os tempos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na linha sem tempo do espaço aberto

Na linha tênue entre sonho e realidade

A transitoriedade da moda

Nos permite brincar

Simplesmente brincar

E tudo mais

Já foi

 

 

Moda pra mim é um espaço de expressão. E é nesse espaço da subjetividade, em que nada está pronto, em que nada é definitivo, que me permito a fazer da moda poesia brincadeira.

 

 

Me permita dizer

Me permita de ser

Um e muitos

Uma só cor

Uma só roupa

Uma só moda

Não me habito mais

E se o hábito faz o monge

Eu me habilito a ir além

A brincar entre o alguém e o ninguém

O visível e o invisível

Nos territórios do transe

A incorporação de passagem

Através da moda

Me permite estar permanentemente em contato com

A impermanência e minha própria transitoriedade.

 

Mais informações:

www.ffw.com.br

www.luminosidade.com.br

 

Graça Cabral,jornalista, com mais de 20 anos de experiência no mercado de comunicação e marketing, com foco em pensamento estratégico, branding e projetos especiais. É sócia fundadora da empresa Luminosidade, criadora e organizadora do São Paulo Fashion Week, principal plataforma de moda da América Latina e do Hot Spot, primeira incubadora de novos talentos de moda no país. É uma das idealizadoras e membro do conselho editorial da ffw Mag!, revista bimestral de arte, comportamento, design, cinema, literatura, fotografia, pensamento, inovação. E diretora do In-Mod – Instituto Nacional de Moda e Design, onde é responsável, desde 2007, pelo projeto pioneiro de economia criativa.