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ESCOLHAS ALIMENTARES – O PH ACIDO por Mariana Klopfer

 

E com o pé direito gostaria de dar boas vindas a 2013 e a capacidade que a vida nos dá de recomeçar. Uma das boas coisas da vida é a possibilidade de cair, levantar e recomeçar, mas recomeçar de forma diferente,  mais preparado para os tropeços que nos tiraram anteriormente do caminho que desejamos percorrer e conquistar.

No começo do ano fazemos promessas como parar de fumar, iniciar uma atividade física, mudar hábitos alimentares, mas  depois de algumas semanas ou meses, elas caem na banalidade ou no esquecimento. Muitas vezes achamos que é por falta disciplina ou de persistência, mas na verdade a nossa não continuidade pode estar associada a fatores metabólicos dos quais nem imaginamos, como a acidez metabólica.

Facilmente tendemos a separar a cabeça do corpo e não relacionamos nosso intelecto com nossas respostas metabólicas e vice versa.

Ao falarmos de saúde a primeira coisa a entender é que o corpo é um só e cada atitude que tomamos tem um desdobramento em efeito dominó, interferindo literalmente dos pés a cabeça, em situações que nem imaginamos que sejam resultantes de determinada escolha.

O estilo de vida desenhado por cada um de nós,  influencia diretamente em um aspecto bem pontual, que é o gatilho para um organismo mais ou menos saudável: o grau de acidez do nosso sangue, também conhecido como pH.

Para que ocorra um funcionamento adequado dos processos metabólicos, o nosso sangue deve ser mantido em um pH de 7,4, com pequenas variações entre 7,35 – 7,45, qualquer variação destes valores podem causar sérios danos a saúde, sendo que a situação de acidose (baixa no valores do pH), ocorre mais facilmente do que a situação de alcalose (elevação no valor do pH).

A acidose metabólica é caracterizada quando o pH vai para baixo de 7,35. E o estado de acidose desencadeia  vários processos inflamatórios e outras doenças, pois vírus, bactérias, fungos e parasitas precisam de meio mais ácido para sobreviverem.

Alguns sintomas que podemos apresentar quando o pH está desequilibrado são: cansaço excessivo, dor de cabeça/ enxaquecas, azia, flatulência, arrotos, insônia, retenção liquida- sensação de inchaço, intestino inconstante- prisão de ventre com diarreia, sensação de queimação na língua e na boca e halitose. Também  ganho de peso levando à obesidade, diabetes, pedra nos rins, ineficiência na neutralização de radicais livres – envelhecimento precoce, cabelos e unhas quebradiços. Ainda é um  estimulo para o desenvolvimento de processos de depressão e ansiedade, câncer e parece estar  associado a comportamentos e reações “ácidas”, como raiva , inveja, excesso de julgamento, crítica e ciúmes.

Mas como deixamos o nosso sangue ácido?

A acidose é muito comum em nossa sociedade, pois é um dos resultados do corpo se relacionando com meio em que vive (trabalho, relações interpessoais, alimentação, atividade física) . Nossa sociedade estimula o estresse, a falta de tempo, sedentarismo e hábitos alimentares que tem como objetivo matar a fome e não o fornecimento de nutrientes.

Através das escolhas alimentares podemos potencializar ou amenizar essa acidose. Uma alimentação que contenha de forma habitual excesso de ingestão de produtos de origem animal, carnes em geral, ovos e laticínios integrais, refrigerantes, águas minerais com pH abaixo de aproximadamente 6, café, açúcar refinado, farinha branca, álcool, embutidos, enlatados e frituras, além do adoçante, estimulam de forma considerável um pH sanguíneo mais ácido.

Para amenizar o problema um requisito essencial é ter uma alimentação que forneça alimentos que estimulem um pH mais alcalino, como frutas e verduras em geral , frutas secas , leguminosas ( grão de bico, lentilha, feijão), oleaginosas (nozes, amêndoa, avelã , castanha de caju, castanha do pará).

Vale chamar atenção para o limão, pois é um alimento que tem uma característica inicialmente ácida, mas logo que consumido tem um poder alcalinizante muito eficiente no sangue.

Acredito que,  munidos  destas informações, possamos fazer novas escolhas que nos ajudem a  sustentar nosso  foco desejado:  seja ele a luta com a perda de peso ou mesmo a manutenção dele, ou ainda  aspectos preventivos ligados a saúde e qualidade de vida. Nosso corpo recomeça todos os dias, por que não dar a ele uma nutrição mais adequada aos embates a que ele é submetido diariamente?

 

foto banner: What are you looking – Victoria Ivanova

 


Mariana Klopfer é  nutricionista formada pela Universidade de São Paulo, com
estágio no laboratório de estudos integrados de psicologia, nutrição e atividade
física da Universidade de Leeds, na Inglaterra. Membro do laboratório de
Nutrição e Metabolismo Aplicado a Atividade Motora EEFE-USP desde 1998.
Proprietária da empresa Nutricius desde 2003.

www.nutricius.com.br

[email protected]

 

 

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O desejo em si por Vania Assaly

 O que nos faz desejar aquilo que desejamos é um aspecto  abstrato e parece estar guardado na simbologia das equações imprecisas do inconsciente. Fruto da falta e na busca do preenchimento, o desejo se mobiliza pelo fluxo contínuo de informações. Moléculas escorrem do psiquismo para o sistema neuro endócrino dando vida ao desejo.

Nossos hormônios e neurotransmissores revelam a excitação no corpo pulsátil. Um rico caldo de informações que pulveriza fantasias do conteúdo imaginário e nos prepara para a realização do  desejo latente.

Estranho espelho da sabedoria da natureza …..sabermos na biologia, o desejo dos nossos genes!

Mas o que desejamos de fato?

Desejamos a vida. Desejamos permanecer e procriar e assim lemos o objeto do desejo em suas diversas nuances. Alimento, afeto, amparo, coisas
…..diversos símbolos de poder e segurança , símbolos de nossa vitória diante de adversidades.

Moléculas da emoção

Recheado de neurotransmissores, dopamina, noradrenalina, oxitocina e coberto da satisfação e bem estar serotoninérigico, o desejo em si traz satisfação fulgaz, mas magia eterna. Temperado por esteróides, ele sai pelos  órgãos do sentido e se movimenta pelo corpo em forma de pulsão. Revelando as cenas ocultas do sistema psiconeuro-imuno- endócrino, a magia do desejo define nosso acorde vibracional ….aquilo que nos toca e a forma como somos impactados pela vida.

E onde mora o desejo?

Fala-se que a morada do desejo é no inconsciente, mas sua intenção é decodificada em uma área do cérebro chamado hipotálamo. Ela nos conecta à diferentes sensações aovisualizarmos coisas, pessoas, objetos. Por sinais pouco precisos alguns objetos ecoam como arquivos de prazer guardados em nossa flecha do tempo .

A conversa das partículas

Viajando no circuito neuroendócrino em gôndolas de prazer, peptídeos e esteróides escolhem canais de associação nas diferentes possibilidades da mente e manifestam-se de forma intencional por meio de hormônios, peptídeos e  enzimas .

Diversas moléculas de emoção preparam no corpo a possibilidade remota de  satisfação. Uma vibrante conversa de partículas dando cor à vida.

Brilho, rubor, mudanças da pele, tremor, salivação …..diferentes sensações diante do obscuro objeto do desejo .

O desejo e a ancestralidade 

Não é difícil imaginar que o desejo está guardado na missão dos genes. Uma caixa preta de nossa ancestralidade repetindo experiências
de acerto, que são decodificadas com a escrita bioquímica do prazer.

O desejo talvez seja um grande material em relevo nas vias cerebrais que reafirmam nossas escolhas coerentes.

Nos fala o que é bom comer e nos conta do prazer de acasalar.

O desejo sai do imaginário como um cavalo na busca de liberdade. Várias imagens de poder, vários heróis, várias facetas da vitória. Ganhamos tônus, vitalidade, pulsão de vida e continuamos a desejar cada vez mais o próprio desejo .

No olhar do desejo alguém nos fala de algo que não sabemos bem o que ,mas desejamos tocar e ser tocados .Uma constante busca de preenchimento que insiste em escapar de nossas mãos.

Na teoria Freudiana psicanalítica temos  no desejo a percepção constante de objeto que falta e assim se dá a principal  questão da psicanálise. O desejo intui um espaço a ser preenchido e certamente  este objeto mora no imaginário de nossa história como espécie. A partir do
vazio uma busca que nos coloca em direção a metas transpondo as barreiras da evolução.

Se desejar é um processo inerente ao ser  humano, podemos dizer que a nossa percepção de falta é estrutural e nesta falta  construímos a nossa história. No imaginário uma delícia, recheado de cheiros, paladar, forma, tato eternamente nos convidando à busca de algo mais. Compramos carros, jóias ,viajamos; casamos com o príncipe que vira sapo, e na verdade o desejo permanecerá  em algum lugar, sempre insatisfeito.

 

 

 Vania Assaly é médica endocrinologista e nutróloga.  Participa de congressos
e simpósios no Brasil e exterior, atuando na área de Medicina Funcional,  e
Terapia de Reposição Hormonal (Hormone Balance for Health).
Seu trabalho leva em consideração as predisposições familiares, hábitos de vida, avaliação de
riscos no desenvolvimento de doenças crônicas, estabelecendo uma visão
preventiva da medicina.

 

http://www.vaniaassaly.com.br/

 

imagem do banner: Paulo von Poser – pintura

primeira imagem: Beatriz Brenneihsen

ultima imagem do texto: Chagall – pintura