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JÁ SOMOS O ESQUECIMENTO QUE SEREMOS por May Parreira e Ferreira

Você me ablaça, o neto pergunta na hora de dormir. Resistir, quem há de. Ele fez quatro anos, ainda está no tlocaletlas. Já sinto saudade do amanhã, das caretas, dos carinhos. Sei que não vou lembrar daqui a tanto. Talvez uma ou outra frase, um ou outro caso. A memória é falsa, bate e falha sem distinção de mérito. Quero recordar o que não lembro, coisas diferentes da história recontada. Será sempre que antes era melhor, pergunto assustada ao ver fotos de um passado recente. São quinze ou vinte anos que passaram ontem. Estou em crise de memória. Não uma memória que penso não ter, mas uma que talvez nunca tenha tido. Os tempos hoje em dia passam muito rápido e nos põe na calçada de caneca e canudinho. Entre lá e cá existe um limbo de felicidade, de coisa cheirosa, de gente alegre, gente viva. Minha filha com três anos recitava batatinha espalama pelo chão, a menina quando dorme, chupa o didon. Eu me lembro. Lembro também quando ela perguntou, o que acontece se o céu quebrar, mamãe. De quando sob a ameaça de o chinelo vai cantar na sua bunda, entrei no quarto e ela com o chinelo no ouvido pedia, canta chinelo, canta chinelo. Como essas, passei quinquilhões de coisitas agradáveis, engraçadas. Onde estarão elas. Será que um dia voltarão grandílocas? Estarei condenada às repetições das mesmas desnecessidades? Se não escrever agora, daqui a trinta anos, como saberei que estava feliz neste exato momento. Como saberei se essa mente traiçoeira não estava ocupada por estados tortuosos. O que é o tempo, esse que nos leva, nos adoça, nos tortura. Na foto, que encontrei sem procurar, a mata serrana, a roupa florida, cabelão solto, sentia será o quê. Estaria eu feliz, ou será que angustiada com alguma insolvência amorosa. Como vou saber. A pessoa da foto tem o mesmo rosto que eu, dez ou doze quilos mais magra, parece comigo. Bastante. Mas não sou eu. Eu sou outra hoje. Eu sou ainda. Mas já não lembro.

 

“já somos o esquecimento que seremos” – Jorge Luis Borges

foto banner: Elza Tamas  

 

May Parreira e Ferreira
Sou  paulista de Ibitinga, Psicóloga, com formação em Psicodrama e Psicanálise. Professora, supervisora e terapeuta durante 25 anos, deixei o ofício das palavras faladas para me dedicar às palavras escritas. Atualmente, como editora, trabalho na revisão, edição de textos, leitura crítica e coordenação editorial. Também escritora bissexta por conta do trabalho (tão prazeroso). Ganhei alguns concursos literários no Brasil e no Exterior. Em 2008 fui contemplada com o PROAC da Secretaria do Estado da Cultura, para publicação do livro infantil “A Caixa das Importâncias”, pra ser lido pelos avós.
Em 2010 ganhei a BOLSA FUNARTE DE CRIAÇÃO LITERÁRIA. As Oficinas Literárias de Redação Criativa, que coordeno, já revelaram muitos novos talentos, dos quais me orgulho muito.
www.oficiodaspalavras.com.br
11 3473 7674 – 9976 2692

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O TEMPO NÃO ANDA PARA TRÁS por Matheus Lobo

O tempo na física é considerado como uma dimensão, tal como o espaço. Na verdade, ele é diferente de espaço em pelo menos dois aspectos.
Primeiro, só conseguimos viajar no tempo para frente e, nunca, para trás. Segundo, de acordo com a relatividade especial de Einstein, o tempo pode dilatar, enquanto o espaço pode contrair, em situações especiais de movimento.

De certa forma podemos associar o tempo com a ideia de movimento. Podemos ter o tempo passando, mesmo sem estarmos em movimento (no espaço), mas não podemos ter movimento (no espaço) sem que o tempo passe. Existe uma “meia-exceção” a esta última regra que ocorre quando olhamos para o fóton, a partícula (e onda) da luz. No referencial do fóton, tudo se passa como se o tempo não existisse ou como se o tempo estivesse congelado. Isso porque a luz viaja na maior velocidade possível! Os físicos não comentam muito sobre esse assunto, em parte porque (acho que) têm medo e a outra parte é porque não sabem exatamente o que ocorre nesse referencial tão especial.

De qualquer forma, tempo está associado, também, com energia. Esse ponto é consenso na física e em nosso dia a dia. Tudo o que fazemos leva mais (ou menos) tempo (ou energia). Podemos usá-los – tempo e energia – como sinônimos.

O tempo, ao meu ver, é ainda um grande mistério. Muitas perguntas ainda não foram respondidas. Por que não podemos viajar (para trás) no tempo? O que acontece no referencial do fóton? Existem outras dimensões temporais? Existe algum significado (físico) para tempo imaginário (no espaço dos números complexos)? O tempo teve início? Essas  são algumas questões para refletirmos.

 

 

Matheus Lobo é Doutor em Física Teórica.
Coordenador do Café Quântico. Empreendedor Social.

http://www.cafequantico.com.br

 

 

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O ORIXÁ TEMPO por Freddy Ortiz

“Tempo  dá,
Tempo tira
Tempo  passa
E a  folha vira.”
(Dito popular)

Em todas as casas de Candomblé da Bahia existe uma grande árvore envolta por um pano branco (alá). Essa árvore, Iroko ou Gameleira Branca, é fundamental. Nela, o orixá  Tempo é assentado, reverenciado e recebe as oferendas dos seus filhos e seguidores. Em sua copa sagrada habitam as Iyami Mossoronga, feiticeiras de grande poder ,capazes de mudar o destino dos homens. Tempo exige dádivas em troca de suas benfeituras.

Sendo o mais antigo dos Orixás, suas vestes são de palha demonstrando assim que é  anterior a descoberta dos metais.

A religião africana cultua a ancestralidade. O entendimento é que cada família tem a sua energia espiritual que é transmitida através das gerações aos seus membros, como  um DNA espiritual. As pessoas manifestam essa energia que é parte da individualidade, através das suas diversas expressões na vida. Sempre que necessário, Tempo é  convocado para manifestar essa energia contida desde o início dos tempos, dando
ao ser humano a possibilidade de se conscientizar de que essa força lhe  pertence e que pode e deve ser usada. Mas para isso, muitas vezes é preciso tempo para se ter acesso a esse conhecimento. Só Tempo dá o amadurecimento .

Tempo é a  primeira dádiva do universo aos homens. Tempo existe antes do verbo. Tempo  a tudo assistiu e a tudo assistirá. Tempo a tudo resistiu e a tudo resistirá.

Dono das estações, do clima e das combinações  entre os cinco elementos, Tempo exerce uma grande influência na saúde dos
homens. É o guardião da verdadeira magia, aquele que ensina os segredos de  permanência e impermanencia, nos levando a entender porque nascemos, vivemos e  morremos.

Para ele,as  pessoas cantam:

“E tempo Zará… e Tempo Zará Tempo ô!

E Tempo para trabalhar…

E tempo Zará… e Tempo Zará Tempo ô!

E tempo para comer…

E tempo Zará… e tempo Zará Tempo ô!

E tempo para beber…

E tempo Zará… e Tempo Zará Tempo ô!

E Tempo para viver…”
(Domínio Público)

Tempo é o  ínicio.

 

 

 

Freddy Ortiz é Baba Kekerê do Ilê Odé Omin Logui em Salvador, Bahia.
Terapeuta corporal, trabalha com Pilates, RPG, Acupuntura  e  Massoterapia.

Rodrigo matez

UM COLAR DE INSTANTES por Rodrigo Maltez Novaes

Vilém Flusser provoca.  Um provocar do pensamento que se desdobra em várias facetas.

Em 1962 publicou no  jornal O Estado de São Paulo o ensaio titulado “Do tempo e de como ele acabará” , onde explora o conceito do tempo objetivo e subjetivo. Este ensaio foi escrito e publicado após ter escrito o livro “A Historia do Diabo” (1958),     que publicou no Brasil somente em 1965. Mas foi neste livro que iniciou sua exploração do conceito do tempo usando a figura do Diabo
como  alegoria. Mais tarde, durante as décadas de 70 e 80, desenvolveu outra imagem do tempo, baseada na física quântica e informática–o tempo como abismo. Criou uma imagem do tempo que se desmancha na zero-dimensionalidade,composto de calculi que agrupam e desagrupam dando forma à tudo o que existe.

Esta é a imagem de um tempo amorfo,que não concebe o principio de um começo, meio e fim e que caracteriza a realidade pós-histórica. Mas neste texto inicial de 62, Flusser explora as diferentes correntes de pensamento e suas interpretações do tempo, e por final cria  um primeiro esboço de uma teoria própria.

Em sua divisão do tempo enquanto tempo objetivo e subjetivo, o tempo da matéria e o tempo da memória, apresentam-se para  Flusser duas imagens claras: a imagem de um tempo linear de eventos sucessivos e a imagem de um tempo guardado na memória,  de eventos que se misturam, quebrando assim a linha do tempo vivido. Diz ele portanto que a morte é o limite do tempo subjetivo e a entropia o limite do tempo objetivo. Na morte do organismo que também significa morte térmica, sugere a imagem de um ponto final.
Mas é possível ir-se além desta imagem se apenas trocarmos o angulo de visão.

Por exemplo:  hoje em dia é possível formular o conceito de que a entropia é na verdade o verdadeiro objetivo da vida, e não a vida em si.
Ou seja: sem decadência orgânica não haveria vida na terra. A vida existe para que possa ser decomposta, assim servindo de combustível para vida nova. Pesquisas na área da biologia, mais especificamente em relação à decomposição da matéria orgânica,  demonstra que durante a decomposição os átomos que constituíam o  organismo são reciclados e retornam em novos organismos vivos. Ou seja: átomos  são continuamente reciclados. Todos os átomos que formam nosso organismo já  passaram por vários outros organismos durante a historia da Terra. Seria  portanto perfeitamente possível especular sobre a possibilidade de conter em  nossos corpos átomos que um dia já fizeram parte de diversos outros organismos,  tais como dinossauros, peixes, plantas, etc. Não só atravessando as barreiras  das espécies (se realmente somos essa mistura de átomos que já foram tantas  outras coisas, como que ainda podemos manter uma visão antropocêntrica em  relação à vida?), mas também mais importante, a barreira do tempo. Portanto  de um ponto de vista biológico atual, o modelo do tempo cambia novamente. Mas
desta vez o modelo não pode ser tão objetivo como o da roda ou o da flecha em  voo. Neste novo modelo, não só o modelo do tempo circular, como também o modelo  do tempo em linha reta se desmancham e o que surge é a imagem de um tempo  amorfo, caótico – a visão da decomposição material se vista do ponto de vista  atômico e subatômico, demonstra que assim como Flusser propõe, o tempo  compõe-se de instantes (pérolas), mas proponho que estas não se alinham em fio  formando um colar assim como ele sugere, porque colar ainda sugere  não
só linha  reta, de eventos sucessivos que seguem o fio, mas também moção circular.

Nesta visão de tempo em campo zero-dimensional, tanto o tempo objetivo como o subjetivo dissolvem-se um no outro. No entanto, do ponto
de vista subjetivo, ainda tenho a experiência do tempo  de forma linear – o que vivi de acordo com os anos e com a sequência de  eventos.
E com isso, sim, poder-se-ia dizer que o tempo adquire esse aspecto “colar  de pérolas” ao pensar ou tentar visualizar o tempo  através da mente. Mas o  problema que se apresenta rapidamente é que uma vez passado ao nível da  memoria, o tempo se desmancha, o fio  do colar rompe e as pérolas voam soltas  pelo espaço da memoria. Lá, até mesmo as pérolas se desmancham, e assim como átomos,  revelam um mundo interior vasto, um cosmos. De fato, coisas acontecem a mim. Mas  a partir do momento em que essas “coisas”,  “eventos” ou qual  seja o termo preferido, passam a habitar a dimensão da memoria, lá nem o modelo  linear nem o circular dão conta  de representar para mim o “tempo”.
Na  memoria, a imagem do tempo como “campo” é mais adequada. Porque lá, após o  desmanche do  colar e a desintegração das pérolas,
não se trata mais apenas de  fluxos ou processos, mas também de agrupamentos, amalgames, misturas,  e seus  reversos. Aquilo que vivi aos quatro anos de idade se mistura com aquilo que  vivi ontem e ainda aquilo que projeto como possíveis vivências futuras. O tempo  objetivo
impõe-se à mim, mas o tempo subjetivo não só parte de mim, mas está  sujeito à mim, ou seja, eu o  crio e descrio ao sabor do momento.
E dentro disto  surge a questão da realidade, pois se o tempo objetivo que impõe-se à mim cria  a realidade, então eu, ao subjetivar esse mesmo tempo e ao fazer dele minha  matéria prima, crio então minhas realidades  ao meu próprio ritmo.

O raciocínio portanto sobre a possível estrutura do tempo demonstra claramente, assim como Flusser sugere,  que o tempo acabará
através da razão. Ou seja: ao desenvolvermos a cada dia, “melhores” e mais sofisticados  modelos para compreender o tempo,
acabaremos portanto desmanchando-o. Mas a fé na imortalidade à qual  Flusser aponta, permanece, independentemente de qual seja
a estrutura vigente da nossa visão do  tempo. Porque seja essa qual for, não altera a nossa crença e esperança de que  o futuro se fará
presente mesmo quando formos passado.

imagem banner: Jean- Michel Basquiat/ Riding with dead

 

Rodrigo Maltez Novaes é formado pela University of Gloucestershire e pós-graduado pela University of the Arts na Inglaterra, é artista plástico e Doutorando na European Graduate School e na Universität der Künste Berlin. Atua nas áreas de pintura, filosofia, mídia e comunicação e atualmente vive e trabalha em Berlim
onde desenvolve projeto de pesquisa sobre a obra e o pensamento de Vilém Flusser junto ao Acervo Vilém Flusser com a orientação do Prof. Dr. S. Zielinski.
Em 2011 publicou em New York, pela Átropos Press, sua tradução da primeira versão em inglês da obra Vampyroteuthisinfernalis de V. Flusser.

www.posteverything-neonothing.com

 

 

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OS CICLOS SATURNINOS E O REINADO DE URANO por Susie Verde

Saturno é o senhor do tempo e do seu desenrolar cíclico, que envolve a todos, em nossa experiência terrena. Saturno, pai de Urano, de acordo com a lenda mitológica, é um Titã que come seus filhos sem piedade. Sua lei é soberana, na imutabilidade dos desígnios Divinos sobre a pequena vontade humana.
O tempo, assim como Saturno, parece nos engolir em sua vontade unilateral. Queiramos ou não, a existência humana é definida e limitada pela dimensão temporal, desde o dia de nosso nascimento até o momento de nosso desenlace terreno. Carregamos os reflexos de todas as primaveras vividas em nossos corpos e faces, em um processo natural da trajetória humana durante uma vida. Como prêmio, os anos vividos nos oferecem as preciosas chaves para o sábio viver e para a descoberta de níveis de verdade totalmente desconhecidos para o jovem inexperiente.
Como um sábio mestre, Saturno nos ensina a desenvolver nossa capacidade de discernimento e apreciação da vida, a partir de vários ângulos. A maturidade nos revela a certeza de que tudo acontece a seu momento próprio, sem que possamos adicionar um dia sequer às nossas vidas. Por isto, o tempo de Saturno é sagrado, pois nos ajuda a ver aquilo que antes era invisível aos olhos a partir da experiência pessoal através do tempo.
Sob sua influência, somos convidados ao trabalho em direção ao que podemos conquistar e a aceitação daquilo que não podemos   modificar. Os ciclos de tempo saturninos, sempre mais lentos do que gostaríamos, nos ensinam a paciência necessária para que nossos esforços individuais possam gerar frutos de vitória.
A história da cigarra e da formiga é um exemplo clássico do tempo de Saturno, quando nos remonta a questões ligadas ao esforço necessário para que, em tempos de inverno, o bom trabalhador ( Saturno) tenha a casa abastada. Aqui, o tempo é linear e lento, preenchido com trabalho árduo e longo. A lei de Saturno é árdua e severa, não deixando margens para momentos de contemplação não produtiva. A mensagem é que somos vítimas da lei de ação e reação imutável, em um modelo de realidade que exclui completamente o fator mágico ou inusitado.
Entretanto, ao contrário da mensagem restritiva deste conto, há quem diga que a cigarra, na verdade, nunca perdeu tempo explorando sua arte e respondendo ao chamado da sua alma. Nunca saberemos se, de fato, ela passou fome no inverno ou se alguma alma pródiga, que passava na rua no momento certo, a convidou a estrelar um show na Broadway. O que significa, de fato, ganhar ou perder tempo? Como podemos quantificar a relação entre tempo e produtividade?
A verdade é que estamos adentrando, neste momento, um novo paradigma do tempo e da ordem mundial. Neste novo contexto, ao invés do tempo linear, tudo flue de acordo com uma nova lei: a sincronicidade. Acontecimentos se desdobram de maneira espontânea e o ritmo da vida é acelerado. Pessoas ligam, logo após pensarmos nelas e os problemas se resolvem de maneira fantástica, pela metade do tempo que levaríamos para procurar a sua solução. Isto não é apenas uma coincidência!

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Estamos entrando no reinado de Urano, ligado ao plano mental superior, aonde a mente adquire um papel de importância extraordinária e o tempo de Saturno passa, em muitos casos, a ter importância relativa. Como continua o mito, Gaia, a mãe de Saturno pede a seu filho  que, num momento de distração do pai, corte os genitais do seu  pai.   Do esperma de Urano  derramado nas águas do mar, nasce Venus, a deusa da beleza.O dualismo entre pai e filho é superado pelo elemento feminino, subjetivo, e, nas águas do inconsciente coletivo, nasce a mais bela das criaturas, Venus.
Este mito parece nos ensinar que, mais do que um fator determinista, a energia do modelo Saturnino é um portal a ser superado, a partir de um novo paradigma de realidade. Neste processo, somos convidados a adotar uma atitude individual e corajosa em direção a nossas próprias verdades, livre do domínio paternalista de Saturno.
Através do novo paradigma do tempo percebemos que os ciclos passados de vida, embora verdadeiros, muitas vezes nos fazem prisioneiros do tempo e de um determinismo restritivo. A onda energética Uraniana nos oferece ferramentas que auxiliam na mudança de percepção do tempo linear, assim como a habilidade de lidar, de maneira criativa, com seus ciclos a partir da perspectiva do eterno presente.
O famoso autor alemão Eckhart Tolle, em seu livro best seller “O Poder do Agora”, divulgado extensivamente pela apresentadora Oprah Winfrey, nos recorda o inestimável valor do momento presente. Ele nos diz: “A mente, para garantir que permanece no poder, procura constantemente encobrir o momento presente com o passado e o futuro e, assim, ao mesmo tempo que a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, começam a ficar encobertos pelo tempo, também a sua verdadeira natureza começa a ficar encoberta pela mente.”
A partir desta perspectiva, somos convidados a trazer o poder de nossa consciência para o único ponto realmente existente no Universo- o Eterno Agora. Urano nos traz a capacidade de nos posicionarmos de maneira dinâmica neste ponto de consciência, que nos permite perceber a vida com mais fluidez e força. Assim, a cada dia, vivemos a Eternidade, assumindo posturas cada vez mais alinhadas com a última versão de nós mesmos.
Saturno e Urano sempre existirão como em um eterno romance entre o velho e o novo, entre o rápido e o lento, entre o pai e o filho rebelde. Longe de nos prender a modelos obsoletos, o tempo Saturnino nos acondiciona e nos oferece a sensação de pertencermos a algo maior do que nós mesmos- a tradição de nossas raízes. Se elas forem bem plantadas e sólidas, estaremos prontos para os ventos uranianos do Novo Tempo, que com sua rapidez, nos oferece a oportunidade do recomeço a cada novo ciclo e cada amanhecer.

 

Susie Verde é astróloga profissional há mais de 20 anos, membra da associações britânica e americana de astrologia, e do Sinarj, Sindicato dos Astrólogos do Rio de Janeiro. Susie é palestrante internacional, tendo apresentado trabalhos de astrologia em conferências na Europa, Estados Unidos e Australia. Atualmente, oferece atendimentos via Skype para clientes de vários países a partir de sua casa, em Boulder, Estados Unidos, e está trabalhando em seu primeiro livro a respeito de Fé, Cura e Ciclos de Vida. Seu e-mail para
contato é [email protected].
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A FILOSOFIA DAS CHUTEIRAS por Claudio Mello Wagner

 

 

Vou fazer uma revelação: Henri Bergson jogou  futebol. E mais, jogou no meio de campo, aquela zona da cancha onde o cérebro  intui, reflete e calcula o lançamento preciso e fatal. De resto, o futebol são  músculos e pulmões cumprindo seus desígnios. Não fosse o futebol, e Bergson jamais teria feito a distinção entre tempo e duração. Me explico.

Passei minha adolescência e juventude  correndo atras da bola, das meninas e do rock and roll. (As meninas e o rock,
deixo para uma outra oportunidade). Enquanto corria, vivia uma experiência  inusitada com o tempo. Nas peladas (ops! meninas e rock, depois), o tempo só  contava quando o zelador da quadra apagava os refletores. A intensidade e a  duração eram prazerosamente eternas. Já nos jogos de taça …

Quando o senhor de preto apitava, corriam os  jogadores, corria a bola, corria o relógio. Todos em direção à fatalidade: o
fim do jogo. Apesar disso, a duração do tempo variava, dependendo de como  andava o placar. Era só estarmos ganhando fácil e o tempo passava rapidão.
Ganhando suado, parecia a fila da vacina na infância: um suplício interminável.
Quando as coisas não iam la muito bem, negociava com Cronos e pedia só mais uma  jogada (como o cavaleiro d’O sétimo selo). Agora, quando estava tudo pra la de  ruim, queria mais é que o tempo passasse logo e acabasse com aquele vexame.

Aos poucos fui aprendendo que o prazer do  jogo está na sua duração. E que o resultado é mera distração para a platéia.Também
aprendi que quem entra em campo, saboreia a intensidade e a duração de estar  vivo. E quem não entra, aplaude e vaia, se orgulha e se envergonha, da vida dos  outros!

Deixei de lado os jogos oficiais e hoje só  jogo peladas. E pra mim pelada é coisa séria, onde só participam os amigos  compromissados com o prazer da ética e da estética de mais uma bela jogada. Até  que o zelador apague as luzes…

Em tempo: Não sei se Bergson jogou na  seleção da França, mas no campo da filosofia ele bateu um bolão!

foto Banner: Fernando Araujo

 

Claudio Mello Wagner é psicólogo, Dr.  em Psicologia Clínica, Psicoterapeuta.
Autor dos  livros: Freud e Reich: continuidade ou ruptura (Summus);  A Transferência na clínica reichiana (Casa do
psicólogo);  Futebol e orgasmo (Ed. do  autor).
[email protected]
 (11) 36756144

Andre feliciano Jardineiro

O TEMPO DA NATUREZA QUE FOTOGRAFA por André Feliciano Jardineiro

 

 

Posar significa “se relacionar diretamente”.
Quando posamos para uma câmera fotográfica, geralmente paralisamos –  sorrimos e esperamos -, pois a imagem resultante também será paralisada. Quando posamos para uma câmera de vídeo, ao contrário, posamos em movimento – acenamos, falamos alguma coisa -, pois a imagem resultante também será em movimento. De certa forma quando posamos para algo, tentamos nos relacionar diretamente, imitando a linguagem daquilo que estamos posando para.

 

 

Nesse sentido,   quando a natureza nos fotografa, como que posamos para ela? Será que tentamos imitar a linguagem da natureza  para nos
relacionar diretamente? E assim, tentamos descobrir o que de natureza humana temos?

 

Essa  natureza que nos fotografa não nos paralisa. Ela nos fotografa mas não registra  nossa imagem. Ela nos fotografa e apenas está ali, criando uma oportunidade para sermos fotografados naturalmente: como não há uma imagem resultante, ela não nos julga e apenas se oferece para registrar toda nossa poesia.

Quando uma natureza desse tipo nos fotografa o tempo não para, mas continua. Pelo contrário, quando somos fotografados por algo que estimula nossa natureza, o tempo aumenta junto com toda poesia que desse encontro brotou!

André Feliciano Jardineiro
Sou jardineiro de arte.No campo das artes existem várias profissões, como historiador, critico, artista e jardineiro. Cada uma tem uma relação específica com o tempo da arte. O historiador estuda o passado da arte, o crítico utiliza os conceitos estabelecidos durante a história para analisar o presente da arte, o artista produz a contemporaneidade da arte, e o jardineiro cultiva o futuro.
Então, eu cultivo a arte da atualidade para que um dia possa brotar uma arte “pós-contemporânea”, Florescentista.