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Dia Internacional da mulher

Em 2012,  as mulheres na sua grande maioria ainda  ganham menos que os homens , têm que lavar a louça do almoço  de domingo mesmo tendo  a mesma jornada de trabalho que o homem, sofrem violência física por parte de homens que elas julgavam serem seus companheiros.

 Desde muito pequenas devem ficar muito espertas, os joelhos sempre juntos, compostura no sentar, nunca se sabe onde está o predador . São importunadas em metrôs, ônibus e   devem agradecer se quando estupradas,  pelo menos não forem assassinadas.

 Em alguns países, ter filha mulher pode signifcar um tributo tão alto para o pai ( dotes, etc.) que a opção do aborto já é contemplada no preço oferecido para o ultrasom , caso o sexo do feto seja feminino. E muito mais.

Nós mulheres, estamos fazendo uma bela e difícil jornada no caminho da  afirmação da nossa  identidade. Seres humanos plenos  com direitos equivalentes aos exercidos pelo mundo masculino.

Dia Internacional da mulher – 08 de março de 2012

david drew zingg

 

 

 

 

 

 

 

A culpa e o perdão pela Irmã Valentina

 

Fui culpada!… Arrependo-me de ter dito um “sim” para Elza, mas agora já é tarde! Tentarei elaborar o texto. E se tivesse dito um “não”, estaria livre da culpa de negar-lhe uma colaboração ? Questão tão banal ! É possível desbanalizar o enigma da culpa, desvelar este fenômeno universal e humano – demasiadamente humano ?

Um dos grandes desafios do mundo contemporâneo, talvez sem precedentes, seja a diversidade e pluralidade em que estamos mergulhados. Sygmunt Bauman fala em “viscosidade” que significa um novo “habitat” para aquilo que entendemos como verdade, certeza, crença, identidade. O que é ou não certo, o que é ou não verdadeiro hoje se pluralizou… e os filósofos disputam isto, construindo não uma teoria da verdade, mas uma teoria das verdades, no plural.

Nessa perspectiva como falar da culpa ?  Reporto-me, então, a uma perspectiva “religiosa”. Religião não reduzida a um mero ato humano, natural, sem transcendência, mas voltado às fontes, ou seja, à Palavra Reveladora. Sua origem misteriosa ensina ao ser humano qual sua verdadeira origem, sua autêntica morada.Sua manifestação emerge das entranhas da história para brilhar na alteridade do rosto do outro e do Outro que nos transcende – Deus !  Perspectiva da Fé !.

Como pensar a alteridade do Outro que nos transcende ao refletir sobre culpa pessoal, culpa coletiva, arrependimento, remorso e sobretudo perdão ?

Na pluralidade de possíveis respostas evidencio a existência dos Sacramentos na vida da Igreja Católica, e de modo especial os Sacramentos do Batismo, da Reconciliação e da Eucaristia. Eles têm a força de provocar-nos “com a graça ao movimento de rejeição da face escura da ação egoísta e de fazer aumentar a dimensão da bondade, de liberdade, de desprendimento, de saída de nós” para o encontro com o outro e com Deus.

Um poeta indiano diz que convidou Deus para vir a sua casa. Deus veio e esqueceu-se de ir embora. É isso que aconteceu em cada um de nós ! Deus veio no Batismo, o Espírito Santo veio no Batismo e esqueceu-se de ir embora. Continua entre nós: crentes e não crentes. Ele continua falando, acordando-nos e é por isso que a história tem sentido, é por isso que nós temos esperança, é por isso que existe ética ! E quando sentimo-nos culpados, o que Deus, presente em nós, pode nos revelar?

"A volta do filho pródigo" Rembrandt Van Rijn. 1606-1669.

A necessidade do perdão! Aprender a perdoar-se e deixar-se perdoar. O perdão é refazer alguma coisa que, de fato, escapou da nossa mão, já não é nosso. Quando, por exemplo, dirijo a palavra a uma pessoa, essa palavra já saiu de mim. Eu já não sou dona dela. Não posso refazer, destruir. Se eu pudesse fazer isso, não precisaria de perdão. A única realidade capaz de reconstruir é o outro perdoar. Se o outro não perdoar, difícil se redimir. Por isso precisamos de perdão: dado e recebido. Ainda numa visão de Fé, perdão é dom, é gratuidade, é amor. É dele que precisamos, é ele que nos refaz, nos recria até da maior culpa que temos. Precisamos do perdão do outro e do Outro Absoluto que é Deus ! Do Deus de misericórdia que acolhe o filho pródigo com amor de Pai-Mãe !

 

Irmã Valentina Augusto é freira da Congregação das Irmãs Salesianas há 50 anos. Estudou Pedagogia e Filosofia na Fatea de Lorena, SP e Orientação Educacional na PUC/SP. No ano de 1992 estudou em Roma, residindo na Casa Geral das Irmãs Salesianas.

Foi Diretora de Escolas das Salesianas em Lorena, Ribeirão Preto e São Paulo. Atualmente integra a equipe de Educadores da R S E – Rede Salesiana de Escolas – do Polo S. Paulo, na função de “animadora”, cujo escritório fica nas dependências do Liceu Coração de Jesus, Alameda Dino Bueno, 353, Campos Elíseos, SP.