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AMORES (im)POSSÍVEIS

Inicialmente existiam três gêneros humanos distintos. Os que se constituíam de um par de homens, eram os andros; duas mulheres, as gynos; um casal homem e mulher, os androgynos. Unidos pelas costas, com 4 braços e 4 pernas eram fortes e levantaram a fúria dos Deuses, que em represália enviaram raios que os dividiram pela coluna vertebral.
Mutilados e apartados, vagamos até hoje procurando a parte que nos pertencia, em escolhas hetero ou homoafetivas determinadas pela natureza do par que  anteriormente  constituíamos. Assim, é descrito no livro O Banquete, de Platão, a gênese da nossa busca pela experiência amorosa, a ânsia pela completude primária onde o outro tem parte indispensável na nossa realização afetiva e psíquica.

Para falar sobre os encontros, buscas, faltas, impossibilidades, realizações e enebrimento, um grupo de colaboradores de diferentes áreas criou um recorte diversificado, sobre a complexidade do amor:

Victor Kanashiro é músico, performer, sociólogo, economista, professor e pesquisador e escreveu sobre novas composições amorosas na contemporaneidade: o amor a 3. De quebra uma trilha feita exclusivamente para ler o post.
Marilene Damaso, psicóloga especializada em dependências, analisa o filme Her e  discute o amor idealizado e asséptico para onde parecemos caminhar.
Monica Rocha, economista e especialista em literatura latino americana discorre sobre o desejo em Capitu e a possível traição de Machado de Assis
Cintya Nunes, publicitária e contadora de histórias apresenta uma crônica sobre as esperanças de Bernadete Camacho, sua personagem aventureira , de encontrar um amor nas redes sociais.
Beto Palaio, escritor  e artista plástico  faz uma atrevida parceria com Clarice  Lispector.
Emir Tomazelli, psicanalista, começa alertando, amor é trampo e  só é amor se for necessidade.

e ainda a arte romântica  de Leonilson , e um conto de Elza Tamas, recém publicado no livro coletivo DESNAMORADOS.

foto banner: The Lovers- Barny Bewick  Casually Dressed

E SE AS MARCAS E PRODUTOS VOLTASSEM A SER PESSOAS? por Victor Hayashida

 

Hoje em dia quando nos deparamos com a publicidade e propaganda seja de produtos ou serviços, a mensagem que muitas vezes encontramos é: a melhor oportunidade com a melhor vantagem e com os melhores benefícios. Em muitos casos os produtos até são inovadores, mas sua publicidade, nem tanto. A comunicação antes feita para entreter o consumidor enquanto passava a sua mensagem deixou de existir. Hoje em dia a razão tomou conta da emoção. Existem obviamente muitos fatores que contribuíram para toda essa racionalidade, seja a estabilização da nossa moeda, a diversidade da mídia ou o aumento da competitividade. Estamos muito mais analíticos em nossas escolhas, fazemos planilhas para tudo e temos cada vez mais controle sobre nossas emoções e impulsos. Estamos assim interferindo na maneira como a comunicação das marcas é feita. Porém, mesmo com todo esse controle, continuamos a consumir cada vez mais e mais (afinal, sabemos pelas nossas planilhas quanto podemos pagar por mês).

 

E se passássemos a olhar o consumo de outra forma? A olhar produtos e marcas como pessoas? E se tivéssemos mais consciência de quem somos? Talvez a resposta para esses “e ses” possa abrir uma nova (ou antiga) maneira de trabalharmos a comunicação.

 

Não costumamos tratar pessoas como planilhas, números e benefícios (estou falando das verdadeiras relações), mas tratamos sim com afeição: ou nos damos muito bem com alguém ou não, simples assim. É do ser humano esta identificação. Ao propor que a indústria trate as marcas como pessoas, estaríamos em busca de uma mídia que não está a venda para divulgarmos nossa mensagem, pois essa mídia seria interna e não externa: a essência. Aliás, isso não é nenhuma revolução, o marketing e a publicidade nasceram com esse lema: “A propaganda é a alma do negócio”. O problema é que essa alma foi ficando cada vez mais distante dos negócios. Se admiramos alguém, se respeitamos este alguém, normalmente falamos: “ei, eu gostaria de ser aquele cara um dia”. Falamos isso desde que somos crianças, nossa sociedade nos ensinou a viver dessa maneira e por que hoje fazemos diferente? Por que não escutamos o nosso próprio interior quando olhamos para um produto e esse produto se comunica com a gente dessa mesma maneira?

 

Acontece é que o “e se” entrou em nossas vidas abrindo possibilidades exteriores e não interiores. A indústria e a comunicação utilizaram o “e se” para nos trazer opções aproveitando-se do nosso livre arbítrio. O problema não é a variedade, mas sim a maneira como isso foi trabalhado: não pela verdade e pela sua razão, mas pela oportunidade. E em muitos casos, são oportunidades geradas pela frágil conexão com nossos verdadeiros desejos. Todo esse processo acaba afastando os envolvidos ainda mais da sua verdadeira essência.

 

Se soubéssemos quem somos, e se estivéssemos em contato desde sempre com a nossa essência, será que ainda nos utilizaríamos tanto do consumo como a possibilidade de substituir a busca legitima da nossa essência? E se as marcas não enxergassem nos lançamentos de produtos e serviços apenas oportunidades, mas sim uma razão de existir? Talvez isso seria uma via de mão dupla, onde consumidor e indústria estariam caminhando juntos na construção de uma verdade, propondo uma troca mais honesta que beneficiaria a todos. Buscar a essência ou resgatá-la deveria ser o ponto inicial em qualquer relacionamento, tanto para o consumidor quanto para a indústria. Sabemos que se trata de um processo com muitas amarras e muitos interesses, mas e se tentássemos mudar um pouquinho essas relações começando a olhar em um lugar onde apenas cada um de nós tem acesso: a nossa própria essência?

 

 

 

 Victor Hayashida, publicitário e Diretor de Arte, é formado em Comunicação Social e tem especialização em Moda pela FASM, Fashion Institute of Technology em New York e Central Saint Martins em Londres. Hayashida atuou no mercado publicitário por 14 anos como Diretor de Arte e Diretor de Criação para agências de publicidade como Africa, Publicis, Dentsu e Grey. Em todas, participou de estratégias e processos criativos para marcas de vários segmentos da indústria: Chevrolet, Mitsubishi Motors, Toyota, Nivea, Avon, Vivo, Itaú, Bradesco, Santander, Brahma, entre outras. Há pouco mais de 1 ano atua como Sócio Fundador e Diretor de Criação em seu escritório de consultoria em Branding e Lifestyle para diversas marcas do mercado nacional, a School/SS99, fundada em Nova York em 2012, com sede em São Paulo e Paris.

 

 

 

 

 

Edição “E se…”

“E se” é olho que espia, o batedor que segue à frente de um atrevimento, o fundo que vira figura, a descoberta da penicilina.

Mas, “E se” é também a dúvida melancólica, é não querer o que está sendo servido, é o do outro em vez do seu.

 

Nesta edição “E se…”, convidados muito especiais,  de diferentes áreas, apresentam  perspectivas inovadoras  sobre o tema .
Manoel Belem, físico e candidato à uma viagem a Marte, compartilha a materialização de uma fábula moderna: a colonização de outro planeta. Ricardo Porto de Almeida e Sofia Carvalhosa contam como tornam, através do movimento “Bancos com encosto para Sampa!”, o nosso lazer mais confortável e a cidade mais acolhedora.

A psicanalista Safira Lyra envereda pela possível ilusão do “E se?”, e Victor Hayashida, publicitário e diretor de criação, sugere o retorno da alma aos negócios.

Gal Oppido, fotógrafo-ensaísta acredita que tudo pode dar certo; mata a cobra e mostra a foto, enquanto Luiz Alfaya, superintendente da ONG Instituto Criar, relata o caso de uma jovem que continua guerreando para que tudo dê certo.

Elza Tamas, responsável pelo forademim,  numa pequena ficção questiona onde vivem as vidas preteridas e  ainda, o post sobre  o intrincado fenômeno das abelhas que seguem desaparecendo, que  deu espaço a um famoso “E se”, ecológico, atribuído a Einstein.

Leia, divirta-se e se você gostar, compartilhe!

 

 

 

 

 

foto banner: Cariri- Jessica Cooke